Uma dor sem dor, que chegará a pneumonia

Ao contrário de outros ilustres economistas e politólogos acredito que o país vai sofrer por mais algum tempo , talvez uma legislatura, o efeito catastrófico  da governação da geringonça de esquerda. Ela ainda agora está a dar os primeiros passos.

E acredito nisso por duas ordens de razões : umas políticas e outras económicas.

Por um lado a aliança na esquerda sabe bem quais são as linhas vermelhas e sabem o que compraram cada um quando firmaram os pseudo-acordos post eleitorais. Sabem bem que ainda tem muitos votos para comprar na sua base “flutuante” de apoio junto do funcionalismo público e dos “pobres” que não tem carro, nem fumam, nem bebem e só vão ao restaurante aos domingos . Sabem por isso que têm que continuar a deixar passar os OGE e outras leis quando o líder da oposição PPC não mostrar o jogo por antecipação (como fez no caso Banif). É que o Costa acenará ao BE e ao PC (porventura esquecendo-se dos Verdes) o bicho papão dos neo-liberais e a  potencial perda de influência dos sindicatos dos transportes se não o deixarem conduzir a geringonça. Claro que a estratégia tem limites, mas nada que a imprensa mansa não suavize e maquilhe.

Do lado económico, existem 3 factores a prolongar esta geringonça para além do que é desejável para Portugal. Em primeiro lugar existem uns cofres cheios (tal como entre 1974 e 1975) ao contrário de 2011 e por isso os amigos podem ir pensando nas próximas obras públicas que irão realizar e reactivar a economia . Em segundo lugar os juros de curto prazo (BTs com taxas negativas) e os spreads aplicados na economia real pelos bancos são modestos a luz do que se passou em 2011/2013 e este factor fará com que o calendário e mecanismo de financiamento do Estado se vá alterando ao sabor das necessidades desta geringonça (veremos no entanto se o IGCP aceitará esta postura). Em terceiro lugar os factores de crescimento do PIB, exportações e Turismo, tenderão a consolidar-se e a permitir acomodar desvios importantes nas previsões de consumo Privado que se irão notar após este agravamento fiscal do OGE 2016.

Nos próximos anos iremos sentindo uma dor, sem doer muito, porque os supositórios Ben-u-ron farão milagres num eleitorado que quer ser enganado (mas de preferência não pelos pseudo liberais). O problema virá depois com as injecções de penicilina, quando a gripe da geringonça se converter na pneumonia e alguém tiver que ser chamado para curar. 

Adivinhem quem? 

3 thoughts on “Uma dor sem dor, que chegará a pneumonia

  1. Joaquim Amado Lopes

    tina,
    O aumento das taxas de juro só se aplicam a nova dívida.

    O Governo anterior deixou os cofres cheios precisamente para atender temporariamente a um aumento das taxas de juro e se ganhar tempo para (continuar a) fazer reformas.
    O desGoverno em funções vai usar esse dinheiro para adiar dívida nova, enquanto faz tudo para que as taxas de juro aumentem. Vai demorar mais de um mês e vai deixar os cofres vazios e as taxas de juro à volta dos 6-7% e a subir de forma acelerada.

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