TAPeAR

Em espanhol, tapear, ou ir de tapas , significa ir tomar uns copos com os amigos e comer algo que geralmente faz mal à saúde sejam uns enchidos gordurosos, uns pimentos piquillos ou uns pinchos de tortilha. O resultado de sair numa noite de tapas pode ir de uma ligeira indisposição a uma grande dor de cabeça e pode-se ficar com o cartão de crédito depenado se as rodadas entre amigos se multiplicarem.

No caso português , TAPeAR é ir de brincadeira em brincadeira com os contribuintes e munícipes em campanhas políticas cheias de regionalismo ultrapassado, sentido de Estado socialista, de desinformação, de parangonas jornalísticas mas ajudado pela recuperação do orgulho perdido com as reconquistas de lugares da administração pelos “boys”.

Um autarca do Porto tapeia  com os portuenses, talvez depois de uma noite de tapas,  porque a TAP aparentemente só lhe oferece a possibilidade de ter voos de hora em hora entre a capital Invicta e Lisboa por um preço “tipo Ryanair”, Brisa ou CP.  Queria antes um Hub. E queria que Estado interviesse numa empresa privada. Estará  habituado a dar ordens e a ser obedecido.

Por outro sabe-se já que a geringonça também tapeou com os contribuintes depois dos privados terem comprado a maioria de capital da TAP, com o Estado a voltar a deter 50%, mas com direitos económicos de apenas 18.75% se investir mais uns milhões num empréstimo obrigacionista.

Com o jogo do Governo à vista , os privados fizeram o que lhes competia numa negociação, extorquiram o que queriam para que o Governo tivesse uma aparente vitória (de Pirro). A troco do beneplácito dos credores e de um lugar de Presidente do CA o Estado volta a pôr em risco os recursos dos cidadãos . Pelo meio e em teoria há que reconhecer a boa ideia de vir a ter a empresa cotada em bolsa, mas “contando que o Estado não perca a sua condição de maior accionista da TAP” não auguro um grande sucesso à ideia.

A noite de TAPas dos políticos  vai sair cara aos portugueses com o cartão de crédito dos proprietários (leia-se nossos impostos) a entrar em “overdraft”.

6 thoughts on “TAPeAR

  1. Daniel Marques

    Penso que o Manuel esta a confundir as coisas. O Rui Moreira tem todo o direito de pressionar os accionistas da TAP da forma que o fez e defender os interesses da regiao. Se pressionou o Governo é pela simples razao que tambem é um dos accionistas. Uma empresa tem que ouvir os seus stakeholders e em Portugal, infelizmente, a pressao mediatica é normalmente a unica forma que estes se podem fazer ouvir.

    E a questao que poe Rui Moreira esta longe de ser estupida. A ponte area resolve o problema das ligacoes Porto Lisboa point to point mas nao e solucao para ligacoes de longo curso apartir do Porto. O ATR tem limitacoes ao nivel da carga e nao serve para aviao de ligacao a um hub. Quer a TAP quer o David Neeleman tem um historial de decisoes erradas e esta é mais uma.

  2. O erro nas empresas têm um custo para os accionistas. Na política tem para os contribuintes. Claro que o Presidente da CMP tem legitimidade para reinvindicar, mas sendo a empresa privada, pouco mais pode fazer. Não percebo é porque é que uma empresa pequena como a TAP poderia ter dois HUBS. Portanto a ponte aérea que vai ser proposta é melhor do que a solução que antes existia enquanto empresa pública. Veremos quão rentável é esta rota com esta solução .

  3. Daniel Marques

    Falta dizer que nas PPPs (caso da TAP) tambem paga o contribuinte, incluindo os do Porto.

    A rota Porto-Lisboa com os ATR-72 tem tudo para ser rentavel se for bem gerida. Nao è preciso canibalizar as operacoes no Porto para a rentabilizar, A jogada estrategica do Neeleman é tentar dar dimensao ao HUB de Lisboa mas o que vai fazer é dar de bandeja à concorrencia o negocio no Porto. Como bem diz, veremos.

  4. Rogerio Alves

    O negócio aéreo é um negócio concorrencial onde há um mercado livre. Mercado livre que deixará de haver se forem os autarcas ou políticos a decidir. Como potencial cliente, espero que a concorrência seja livre e se o Neeleman e a TAP tomarem más decisões, outras – melhores – companhias ganharão a batalha e melhor me servirão. Se, por outro lado, o Porto deixar de ser interessante como destino directo também não estou para subsidiar TAPs a manter rotas com prejuízo.

  5. Daniel Marques

    O mercado aero é um negocio concorrencial mas a TAP é uma empresa 50% publica. Preferia que fosse privada mas nao sendo nao se pode simplesmente esquecer este facto. Rui Moreira apontou o abandono de rotas rentaveis (nao vi desmentidos) em funcao de uma nova estrategia que pode ou nao resultar de dar dimensao a Lisboa. Considerando o risco que o Estado tem na TAP esta situacao tem que ser explicada e discutida públicamente.

    Vejo muita gente de Lisboa analisar esta situacao como mais um provincianismo do Porto. Imaginem que o Neeleman comprava agora a RAM e decidia fazer um HUB EMEA em Casablanca abandonando Lisboa? O discurso seria o mesmo?

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