O paquiderme

kafka2Agora para fugir à depressão geringonçal. Os portugueses somos uma Nação extraordinária. Sim, temos uma data de atavismos e idiossincrasias só nossas que não nos ajudam. Apesar disso e de não existir povo sem defeitos colectivos, ainda há dias no twitter apanhei uma conversa onde se referiam palavras para as quais não existe tradução em inglês. Um bife que nos conhece falou no “desenrascanço”. Julgo que para isto não existe tradução em língua nenhuma e, apesar de todas a críticas que possam ser feitas a esta característica, é imbatível. É só uma questão de estar enquadrada num contexto que a possa aproveitar. Não é por acaso que portugueses trabalhadores, gestores ou empresários noutros países são apreciados e bem sucedidos. É esta capacidade de, sob pressão extrema, resolver problemas com uma facilidade estonteante. Da minha experiência, um alemão ou um americano (que são umas máquinas de eficiência) não conseguem. Andam eles tipo galinhas sem cabeça e se houver um português por perto, no pasa nada.

Dizia-me há semanas um cliente que como eu, ou mais que eu, conhece Mundo, que os empresários em Portugal, pequenos ou grandes, são heróis. Todo o contexto está montado para os travar e impedir de produzir e, e isto é mesmo incrível, mesmo assim, existem, crescem e muitos são bem sucedidos. Os empresários que se dão bem em Portugal, em qualquer outro sítio do Mundo desenvolvido, seriam uns tycoons.

A produtividade do trabalho em Portugal é baixíssima. Curiosamente, quando sujeitos a regras alemãs, os trabalhadores portugueses são super-produtivos. A ladainha é a gestão. Não, os gestores portugueses sujeitos a um contexto alemão, francês ou americano também são produtivos e bons tal como os trabalhadores.

So, there’s something terribly wrong with this Country, isn’t there?

Há. Sempre o mesmo e desde sempre, desde que o outro aviou a mãe: o Estado. Com um povo destes, desenrascado, capaz do melhor, com capacidade de trabalho e de risco, hoje educado, o que falta? Eu digo-vos: que o filho da puta do estado e dos governos saiam da frente!!!

Mas não, a cada um que se sucede no pastoreio, vem outro pior. Que nos sufoca mais, que nos taxa mais, que nos exige mais papelinhos, mais facturas, mais taxas, mais licenças, mais justificações, mais relatórios, mais explicações e mais a puta que os pariu. Já Camões dizia de forma premonitória: o rei fraco faz fraca a forte gente.

É um estado paquidérmico, obeso e fraco que nos impede de cumprir um destino que podia ser outro. Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado. Ou coisa que o valha.

10 thoughts on “O paquiderme

  1. Artur, o posto é acerca dos portugueses, não é dos empresários que não são melhores que os trabalhadores. Somos bons, precisamos todos é que nos saiam da frente. Eu é que agradeço

  2. Fernand Personne

    “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado” – não era este o lema do fascismo? Nada que me espante, uma vez que o fascismo e o socialismo são ramos da mesma árvore!

  3. tina

    “Mas não, a cada um que se sucede no pastoreio, vem outro pior. Que nos sufoca mais, que nos taxa mais, que nos exige mais papelinhos, mais facturas, mais taxas, mais licenças, mais justificações, mais relatórios, mais explicações e mais a puta que os pariu.”

    Muito bem! Clap, clap, clap. Eu ainda não percebo porque é que gastei 500 euros num Certificado Energético para arrendar um espaço, e já o arrendei, mas não foi preciso mostrá-lo a ninguém!

  4. Rogerio Alves

    Já agora, cada experiência pessoal vale o que vale, mas, na minha, um chinês tem muito mais expediente para arranjar soluções rápidas do que um português, que me parece sempre muito mais palonço. E, claro, as qualidades de um país mudam com o tempo: há não muito tempo, o inglês era o suprasumo da engenharia original e inventiva (e, agora, não.)

  5. Rogerio Alves

    (mas o meu comentário anterior era só um àparte não muito relacionado com o âmago do post que acerta em cheio no nosso problema: o problema não reside fundamental nas nossas capacidades de execução mas nas escolhas (politicas) que teimosamente fazemos. No entanto, fazendo uma análise SIMPLISTA, uma está dependente da outra: o português preguiçoso e cobarde prefere sempre um Estado forte, que lhe alimente a preguiça e direccione a vida por ele …

  6. jo

    Como se no resto do mundo não houvesse Estado.

    Eu penso que é mais o problema de não pensarem com a própria cabeça.

    Se nem os bloguistas conseguem escrever um texto sem recorrerem a frases em inglês.

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