Ainda as 35 horas da FP

“35 horas: expliquem-me como se eu fosse muito burro” de Paulo Ferreira (Sapo24)

[N]ão deixa de ser extraordinário que um agente económico admita que uma redução de 12,5% do horário dos seus trabalhadores sem equivalente redução de salário é feita sem custos. Então o que têm os funcionários públicos feito durante as 20 horas mensais adicionais em que estão no local de trabalho? Não trabalham? Ou trabalham mas o que produzem não tem valor e é economicamente irrelevante? É indiferente trabalhar sete ou oito horas por dia? Os organismos não precisam de reforços de pessoal para manterem o mesmo nível de serviço? Seguindo a mesma lógica e levando-a ao absurdo, podemos reduzir o horário para 30, 25 ou 20 horas semanais no Estado que o impacto será o mesmo, nulo?

Em Setembro de 2015 António Costa garantia que “nós reporemos de imediato o horário das 35 horas porque também fizemos as contas e sabemos que podemos repor de imediato as 35 horas na Função Pública“. Hoje na AR, Mário Centeno voltou a dizer que ainda tem de estudo o custo da medida.

22 thoughts on “Ainda as 35 horas da FP

  1. Revoltado

    Não há nada de indigno na função pública. E parece-me que os insultos do comentário anterior não acrescentam nada à discussão.

  2. tina

    Ao tratar os funcionários públicos como se fossem uma classe especial, superior aos trabalhadores do sector privado, Costa está a criar um forte antagonismo entre fps e não fps. Diz que é um homem de consenso, mas o que ele é na verdade é um grande semeador de discórdia. Temos de ter cuidado para não cair na armadilha.

  3. Há mais de 200 anos que o horário de trabalho baixou para 8 horas diárias. Entretanto os aumentos de produtividade foram superiores a 1000%, mas algumas das nossas mentes iluminadas acham que o país vai à falência se passarmos de 8 para 7 horas…

  4. armendes

    Infelizmente mais de 40 anos depois, a culpa continua a ser do Salazar que manteve e acarinhou durante 48 anos um estado corporativo. Somos todos muito corporativos e mantemos uma grande aceitação a este tipo de influências.
    Nunca evoluímos, nunca procuramos combater esta lógica (qualquer que fosse a orientação do poder que nos governou entretanto) e por isso naturalmente mantivé-mo-nos reféns da mesma lógica corporativa, sendo que a única diferença é que os poderes relativos entre as diferentes corporações mudaram, sendo hoje gigantesco o poder daqueles que estão associados a sindicatos e nestes principalmente aos controlados pela máquina do PC.
    Que me lembre até hoje apenas uma corporação foi directamente atacada (por acaso por alguém que não nos deixa boa memória – José Sócrates) e essa foi a corporação dos farmacêuticos.
    Nada de novo acontecerá até que se faça uma verdadeira revolução de atacar de frente as corporações, retirando-lhes a influência que têm. E mais uma vez o que sucedeu com a corporação farmacêutica demonstra que tal é possível.

  5. É uma questão de eficiência. Para a maioria dos funcionários (não todos, há quem aguente a choldra) faz-se tanto em quarenta horas como em trinta e cinco. A produtividade horária aumenta com a diminuição do denominador.

  6. armendes

    Iluminado não sou, mas sei de aritmética o suficiente para saber que:
    1 trabalhador que trabalhe 40 h por semana trabalha: 52x40x343/365= 1 966 hora/ano
    1 trabalhador que trabalhe 35 h por semana trabalha: 52x35x343/365= 1 710 hora/ano
    Em qualquer serviço por turnos que trabalhe todos os dias do ano e que tenha uma cobertura de 24h as necessidades de trabalho são de 365×24 = 8 760 horas/ano.
    Com trabalhadores de 40h semana necessito de 5 trabalhadores para realizar esse trabalho e com trabalhadores de 35 h semana necessito de 6 trabalhadores para realizar o mesmo trabalho.
    Multiplique-se isto por todos os serviços que têm turnos 24/7 tda e vejam do que estamos a falar. Depois conclua-se que não há um aumento de custos e uma baixa de produtividade.

  7. Ò manolocerebrodemerdia, como bom esquerdalho que és, não se espera que tenhas uma inteligência por aí além, mas o horário de trabalho semanal de 40 horas só foi implementado com o New Deal Americano em 1933 e só teve repercussões na maioria do mundo desenvolvido depois da 2ªGG. 2016-1933 = 83 anos está muito longe desses 200 anos…

    Essas 8 horas por dia que falas que começaram a ser reivindicadas em 1817 eram multiplicadas por 6 e muitas vezes 7 dias de trabalho e não pelos 5 actuais (e só em 1847 os trabalhadores ganharam o direito a só trabalharem 10! horas por dia, quanto mais 8).

    Se tu e os teus colegas FP quiserem começar a trabalhar 7 horas por dia durante os 7 dias da semana, ninguém se vai opor.

  8. manoloheredia : “Há mais de 200 anos que o horário de trabalho baixou para 8 horas diárias. Entretanto os aumentos de produtividade foram superiores a 1000%”

    Os horários de trabalho puderam ser progressivamente e lentamente reduzidos sem perda de produção porque a produtividade aumentou.
    E não o contrario !!
    Se temos em certos sectores mais funcionários do que é preciso, como parece ser o caso, então o seu numero tem de ser reduzido !
    O Estado tem de fazer economias com os gastos com o pessoal e não dar-lhes privilégios pagos pelos restantes contribuintes !

  9. Simon Templar

    “mas algumas das nossas mentes iluminadas acham que o país vai à falência se passarmos de 8 para 7 horas…”

    Manoloheredia – não é o país que vai passar das 8 para 7h de jornada, são apenas os funcionários públicos!

  10. JS

    Chama-se burocracia e consiste em empatar, criar engulhos para justificar como indispensável a existência de serviços que necessitam de mais serviços, por aí fora … etc. Na prática consiste em empregar eleitores para fazer buracos e para tapá-los. Rentabilidade em socialismo.

    Na China comunista o Estado empregava 200 militates para realizar o trabalho que uma máquina faria.
    Hoje na China quem comprou a máquina ficou rico, untou a autoridade e ainda sobra algum para comprar uma nacionalidade europeia.

    O oposto ao socialismo/comunismo, é deixar que quem queira investir possa comprar a máquina e que possa começar a laborar, em vez de exigir os ovos ainda no rabinho da galinha.

  11. “… algumas das nossas mentes iluminadas acham que o país vai à falência se passarmos de 8 para 7 horas…”

    Quando o necessário é cortar 7 ou 8 mil milhões de euros de despesa do Estado – só para deixar de pedir emprestado -, o mínimo com que podemos concordar é que é uma medida que não ajuda.

  12. tina

    “mas algumas das nossas mentes iluminadas acham que o país vai à falência se passarmos de 8 para 7 horas…”

    Sem dúvida que iria à falência se os trabalhadores do sector privado também começassem a trabalhar 7 horas por dia e a ganhar tanto como a função pública.

  13. Mike

    Eu também não concordo com a diminuição de horário…. Mas quando se aumentou o horário sem o respetivo aumento de massa salarial, agora para o corte já se invoca o corte da mesma?
    Há coisas que não batem certo, alinhe-se tudo de uma vez por todas…

  14. bintoito

    A pena de Costa é que já não está a tempo de prometer um horário carnavalesco para fazer tudo durante a manhã. Entram ás 11 e saem ás dez.

  15. Mike : “Mas quando se aumentou o horário sem o respetivo aumento de massa salarial, agora para o corte já se invoca o corte da mesma?”

    O problema é que nunca se deveria ter diminuido o horário para as 35 horas … nem no passado, nem agora !!

  16. Antóniobarreto

    Por mim, reduzia-se o horário às 10 horas semanais e eliminavam-se as tarefas inúteis. Tenho a certeza de que o país sairia a ganhar!

  17. Fernando S

    JPF : “reduzir o horário de abertura dos serviços públicos”

    Já são reduzidos !…
    Reduzi-los ainda mais é ainda menos serviços por um custo já demasiado alto !!

  18. Joaquim Amado Lopes

    João Pimentel Ferreira,
    “Uma forma simples é reduzir o horário de abertura dos serviços públicos.”
    Genial! Pode-se começar com as urgências dos hospitais e com as forças de segurança. Poupa-se nos cuidados de saúde e no combustível e pode-se aumentar ainda mais os funcionários públicos.

    E os utentes dos restantes serviços que se lixem porque a culpa de terem que faltar ao trabalho para tratarem dos seus assuntos com a Administração Pública é deles. Se estiverem desempregados esse problema deixa de existir.
    Reduzir o horário de abertura dos serviços públicos para se poderem dispensar funcionários públicos é que não. Sem tantos ordenados e demais benefícios sempre a subir, como é que o Estado iria justificar o aumento dos impostos?

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