Foi assim que tudo começou (a acabar)

história taxas

    Fonte: BCE.

Por esta altura já o caro leitor conhece, infelizmente, este gráfico de trás para a frente e vice-versa. Pelas piores razões possíveis. Ele conta uma história muito simples, a quatro tempos.

Ao princípio (até 1995), a República financiava-se a longo prazo (10 anos) a taxas superiores a 10%. Estava descontado o ambiente inflacionário em que vivíamos, mas também o risco-país.

Depois começa a aproximação ao euro, e também o caminho acelerado para o desastre: baixa a inflação e o risco país quase acaba por desaparecer. Veja-se o que sucede ao spread (diferencial) face à Alemanha.

Sread Alemanha

        Fonte: BCE.

Quase se anula.

Os investidores nunca acreditaram que a cláusula do Tratado de Maastricht que proíbe o resgate de um Estado-membro falido por outros se cumprisse. E estavam cheios de razão: quando vários Estados-membro chegaram à bancarrota, vieram outros Estados-membro resgatar. Durante algum tempo descontaram a possibilidade de sairmos do euro. Vê-se em ambos os gráficos quando isso sucedeu, e quando isso começou a deixar de suceder. E se é verdade que a desastrosa política monetária do BCE, tentando recriar, exatamente, sem tirar nem pôr, as condições «ambientais» que nos levaram à (pré-)falência, em muito contribuiu para a reposição da crença de que ficaríamos no euro, a verdade é que o célebre discurso de Draghi – whatever it takes – é de finais de julho de 2012, ao passo que as nossas taxas de juro começam a baixar em janeiro desse ano, até atingirem os níveis ridículos que conhecemos. Terão julgado que talvez estivéssemos a entrar na ordem e a ter juízo.

O sinal de que a festa tinha acabado e estávamos a entrar na reta final para a falência ocorre ali por volta do 2º, 3º trimestre de 2010. Tanto o gráfico das taxas a 10 anos como o do spread face à Alemanha permitem situar com exatidão esse arranque para o precipício. Se virem bem, o que sucede no primeiro gráfico é que Portugal descola da Espanha e da Itália, acompanha a Irlanda e a Grécia, e é verdade, mais tarde, mas não muito, acaba por ter o mesmo fim: bancarrota iminente, resgate.

Esperemos que não seja isso está a suceder, apesar de toda a aparência de ser.

Taxas 10 anos 2015 2016 investing

       Fonte: Investing.com.

Ora olhem bem e vejam para onde e com quem vai Portugal nestas curvas. Desta vez não há Irlanda. A Irlanda está com as melhores taxas, de longe, entre todos os periféricos, financiando-se abaixo de 1% a 10 anos.

Os spreads em relação em relação à Espanha, Irlanda e Itália mostram isso com mais nitidez.

Spreads 2016

        Fonte: Investing.com.

Esperemos que aquela maldita esperança de Costa não se concretize, apesar de todo o esforço e empenho que ele põe em realizá-la.

 

One thought on “Foi assim que tudo começou (a acabar)

  1. tina

    Já no passado, foram os mercados e a subida de juros que nos impediram de endividar mais. A Comissão Europeia nessa altura não queria saber de nada, nem sequer gostaram quando quisemos interromper o TGV. Agora, estão mais cautelosos mas, pelos vistos, continua a haver uma certa indiferença.

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