Dívida Pública regista em 2015 maior queda desde a entrada no euro

Repetem atordoados a mesma lengalenga em que acabam por acreditar, de tanto a repetirem. Que a prova provada de que o ajustamento estava errado foi a trajetória da dívida pública – aumentou como nunca. Não há contraposição de factos que os demova. Continuam a propalar a lengalenga. No parlamento, nas televisões, onde puderem. Como se confirmam uns aos outros, no ambiente fechado e intoxicado de propaganda em que circulam, por fim perdem a noção de que a lengalenga é uma ficção. Ainda ontem Daniel Oliveira, em conversa tida via twitter, me repetia a lengalenga que os embala. Fiz-lhe ver que não. Com dados. Que a dívida pública aumentou muitíssimo mais, incomparavelmente mais, antes do ajustamento, isto é, até junho de 2011, do que depois. Que no decurso do ajustamento a trajetória explosiva em que se encontrava a dívida foi, primeiro, estancada, depois invertida. Deve ter-lhe entrado por um ouvido (ou um olho) e saído à velocidade do som (ou da luz).

DP

Em 2015 a dívida pública baixou, não aumentou. Caiu pela primeira vez desde 2007, ou seja, a primeira vez em oito anos, embora tenha caído mais do que em 2007, na verdade, mais do que alguma vez (e foram ao todo apenas 4 vezes) caiu desde que entrámos, em 1999, no euro. Esta referência – entrada no euro – não tem nada de arbitrário. Com efeito, foi em boa medida a passagem a um regime de baixa inflação, retirando aos governos o instrumento de incumprimento disfarçado que era a subida excessiva dos preços, sem alteração do regime de produção crónica de défices, que fez a dívida entrar em trajetória crescente, primeiro, e claramente explosiva, desde 2009, até chegarmos onde chegámos, que é onde gostariam de nos levar de volta, se puderem.

Os dados nominais, um stock de dívida de 231,1 mil milhões de euros em dezembro de 2015, foram hoje divulgados pelo Banco de Portugal. Do valor preciso do PIB ainda não dispomos. Usamos o PIB nominal da Comissão Europeia. Se usássemos o do governo no EOE2016, o rácio da dívida seria ainda menor. Mas não acredito nos dados do PIB nominal do governo. Espero para ver.

18 thoughts on “Dívida Pública regista em 2015 maior queda desde a entrada no euro

  1. Carlos Miguel Sousa

    Responder com uma mentira a outra mentira não transforma esta numa verdade.

    Ainda que tenha havido uma quebra no rácio de divida/PIB a primeira nunca deixou de crescer em termos absolutos.

    É pena que se continuem a usar argumentos destes para contrapor uma politica orçamental tão frágil, tão frágil, que nem orçamento irá ter aprovado…

  2. Enquanto existir défice orçamental a dívida pública nunca irá parar de aumentar (em termos absolutos).

    Enquanto o estado continuar a servir para sustentar uma classe parasitária nunca deixaremos de ter défices orçamentais.

  3. Paxeco das Peras

    Fazer ver àquele azeiteiro seja o que for é tempo perdido.
    Leva-o a uma boa mariscada e logo o azeitona muda de discurso.
    O gajo anda gordo e anafado, bem comido e bem calçado à custa dos pobres desgraçados que diz defender.
    Um bom comunista é assim mesmo.
    Com o argumento da defesa dos pobrezinhos, dos desgraçados e dos deserdados da sorte come bem e bebe do melhor

  4. Miguel

    Não é verdade que “enquanto houver défice a dívida não pára de aumentar”. Não pode é haver défice primario.
    Por outro lado, se contabilizarmos os activos financeiros do estado (depósitos, empréstimos à banca e fundo de resolução,…) que valiam zero em 2011, então verificaremos que o valor da dívida desceu significativamente.

  5. Luis

    «É pena que se continuem a usar argumentos destes para contrapor uma politica orçamental tão frágil, tão frágil, que nem orçamento irá ter aprovado…»

    Reformar o Estado implica despedir uns milhares. A Constituição não deixa. Portanto enquanto não houver um acordo de Regime entre PSD e PS para mudar a Constituição e reformar o Estado continuaremos «nisto». Cortes cegos e aumentos de impostos em momentos de aperto. E a dívida bruta não parará de aumentar.

  6. Baptista da Silva

    Faltam ,2 mil milhões, o desvarío vai para o IVA, 2 pp e são 1,4 mil milhões. Esperavam o quê? Temos que pagar aos FP e reformados como a Ferreira Leite.

  7. ric

    Falem de ajustamentos do ciclo, défices estruturais, primários, correntes…. patati, patatá…, conta para o défice de Bruxelas, não conta para o défice de Bruxelas, ….. no final a dívida será sempre igual ao somatório dos défices.
    O professor Herrero também fazia levitar um cão por cima duma planta….

  8. André Miguel

    São aldrabões e manipuladores, tal como os jornaleiros que comem à mesa com eles. Sabem perfeitamente a diferença entre percentagem da dívida face ao pib e stock da dívida. Mas confundem o povo com histórias de merda.
    No fim podem fazer a engenharia financeira que quiserem, arranjar os artifícios contabilísticos que quiserem, pois à semelhança de uma mercearia o que importa é a óptica de caixa: geramos dinheiro para pagar as contas? Por isso é que estes badamecos que nos governam e já nos brindaram três falências nem para merceeiros servem! Além de incompetentes para tomar conta do estaminé ainda são caloteiros! País de amebas que anda à quarenta anos a aturar estes calhaus…

  9. Há algo que não percebo e, genuinamente, solicito que alguém me explique.
    Em 2015 houve deficit, logo as receitas foram inferiores às despesas. Para cobrir o diferencial certamente que foi necessário recorrer a financiamento externo, dívida. Como é que se pode dizer que a dívida diminuiu?

  10. Fernando S

    Na verdade o aumento da divida publica nos ultimos 4 anos deve-se principalmente a :
    – orçamentação de divida deixada de fora antes de 2011 (empresas publicas, etc) ;
    – constituição de uma almofada financeira (não existia em 2011) ;
    – juros relativos à divida acumulada até 2011 ;
    – empréstimos do Estado aos Bancos e ao fundo de resolução (sendo que as dificuldades da Banca já veem de trás e não são da responsabilidade directa dos governos) ;
    – déficits primários (excluindo os empréstimos à Banca) a partir de 2011 (o saldo primário passou a ser positivo a partir de 2013 absorvendo a quase totalidade do déficit acumulado a partir de meados de 2011) e os juros respectivos.
    De notar que a partir de 2011 o orçamento do Estado suportou um aumento da despesa e uma diminuição da receita devidos à recessão económica que afectou a economia portuguesa (não “estrutural”) e que foi uma consequência inevitável da quase bancarrota a que o pais chegou em 2011.
    Ou seja, o aumento da divida posterior a 2011 deve-se sobretudo aos resultados … ANTERIORES A 2011 !!!
    De resto, descontando todos estas componentes, a divida publica portuguesa em termos absolutos no final destes 4 anos teria …. DIMINUIDO !!!
    Acresce que a divida posterior a 2011 TERIA AUMENTADO AINDA MAIS se Portugal não tivesse concluido com exito o programa de resgate da Troika e não tivesse voltado a financiar-se nos mercados : não precisou de um novo resgate (mais divida) e reduziu os custos do financiamento graças à descida da taxa de juro (antes da intervenção do BCE) !!!

  11. Fernando S

    jleite : “Em 2015 houve deficit, …. Como é que se pode dizer que a dívida diminuiu?”

    Utilização de uma parte da “almofada financeira” (financiamento externo liquido negativo) ?!..

  12. Está a sugerir que o deficit foi financiado com recurso a dívida contraída em exercícios anteriores e que as notícias que regularmente se ouvia/lia na comunicação social se destinava exclusivamente a casos em que a dívida era rolada?

  13. Fernando S

    A “divida rolada” é a que é substituida por nova divida quando chega ao prazo de reembolso.
    A maior parte dos novos empréstimos contraidos em 2015 terão sido para este efeito.
    Estou antes a sugerir que, se se confirma que, apesar do déficit orçamental, o stock de divida diminuiu, então uma possibilidade é este ter sido mais do que coberto por uma diminuição da “almofada financeira” relativamente confortável que o anterior governo constituira (por exemplo, creio ter lido algures que o fundo de resolução poderá ter sido alimentado deste modo).
    É uma questão de tesouraria.

  14. Fernando S

    jleite : “Está a sugerir que o deficit foi financiado com recurso a dívida contraída em exercícios anteriores …?”

    Efectivamente…
    A divida adicional contraida nos ultimos 4 anos foi basicamente constituida pelos 78 mil milhões do programa de resgate e pelos empréstimos contraidos no mercado a partir do final do resgate.
    Este dinheiro serviu sobretudo para :
    – “rolar” a divida anterior ;
    – cobrir as necessidades de financiamento adicional dos déficits orçamentais a partir de 2011.
    Pelos vistos, o défict de 2015 pode ter sido financiado com divida já registada em exercicios anteriores e que alimentou a dita “almofada” de tesouraria.
    “Grosso modo” …

  15. Fernando S

    Aparentemente não se confirma que a divida publica em valor absoluto tenha baixado em 2015 (224 mME) relativamente a 2014 (216 mME).
    A não ser que se considerasse em 2015 a divida liquida das disponibilidades do Tesouro (18 mME no final de Novembro).
    O que terá diminuido em 2015 é a divida publica em % do Pib (como mostra o gráfico do post em cima).
    Uma inversão que acontece pela 1a vez desde há muito (pelo menos desde a entrada no Euro, portanto sem desvalorização e inflacção).
    Mérito do governo anterior, obviamente !

  16. Jorge Costa

    A jleite: a dívida mede-se normalmente, incluindo para efeitos de tratado orçamental, em rácio do PIB; as condições de variação do rácio implicam alguma álgebra. Sintetizando: em primeiro lugar, a dívida não é apenas determinada pelos défices ou saldos; mas por operações extraorçamentais (movimentações de ativos e passivos financeiros) que oneram o stock de dívida, mas não se inscrevem no défice. Tecnicamente têm o nome de «ajustamentos défice-dívida». Deixando de lado esse «resíduo», se o saldo primário (sem juros) for maior do que a diferença entre o crescimento nominal do PIB e a taxa de juro implícita na dívida, multiplicada a diferença pelo rácio da dívida no ano t-1, é o bastante para a dívida baixar. Assim, pode haver défice global, e o rácio da dívida baixar, mesmo sem influência dos ajustamentos que comecei por referir. Daí a importância do saldo primário, mas também do crescimento e da inflação para se obter uma trajetória sustentada de redução da dívida.

  17. Ok. Percebi. Houve deficit e portanto a dívida aumentou, naturalmente. Podemos discutir qual o momento do aumento da dívida mas o que é facto é que havendo deficit a dívida aumenta, sempre. Se o pedido de dinheiro foi efectuado bastante antes do momento em que foi necessário significa que houve mais juros para pagar que o absolutamente necessário, a menos que a taxa de então fosse muito mais favorável.

Deixar uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s