Precisamos de muito mais do que ilusão contabilística

Paulo Ferreira no Observador

[C]ai por terra a ideia tão difundida pelo PS de que conseguiria compatibilizar a responsabilidade orçamental com uma política de aumento mais rápido de rendimentos e de dinamização da procura. Não consegue, como a tentativa de sacrificar o défice estrutural demonstra.

O que o país devia estar a fazer neste momento era a encontrar espaço orçamental real para acomodar a reversão das medidas da austeridade, através de cortes estruturais na despesa que compensassem a reposição de salários ou o fim da sobretaxa de IRS. Não vamos conseguir e regressaremos aos níveis de despesa rígida que tínhamos no início da década. Com uma diferença substancial: a carga fiscal para a pagar é hoje muito maior do que era então.

Definitivamente, precisamos de muito mais do que apenas esperteza contabilística. É um logro pensar que a nossa saúde melhora só porque iludimos os resultados das análises clínicas.

6 thoughts on “Precisamos de muito mais do que ilusão contabilística

  1. Nuno

    É o chico-espertismo português no seu melhor. É isto que queremos para o nosso país? É esta a imagem que queremos dar aos outros países da UE?

  2. Gil

    “Esperteza contabilística” é o que tem orientado a política portuguesa da responsabilidade do PS ou do PSD. Outra coisa não foi o alargamento do horário de trabalho ou o fim dos feriados (como se vivêssemos numa sociedade pré-industrial). Enquanto se olhar, apenas, para o corte de despesa, sem atender à criação de riqueza, não encontraremos solução.

  3. Joao Bettencourt

    “Enquanto se olhar, apenas, para o corte de despesa, sem atender à criação de riqueza, não encontraremos solução.”

    Como o Estado não sabe criar riqueza, apenas lhe diz respeito cortar na despesa e não atrapalhar os que sim podem criar essa riqueza que você fala.

  4. jo

    O Estado cria riqueza ao prestar serviços.

    Se cortar na despesa significa cortar os serviços que o Estado presta na Saúde, na Educação, na Defesa, etc, ao mesmo tempo que se entregam esses serviços a particulares, então não se está a cortar nada, porque esses particulares NÃO FAZEM uma melhor gestão que o Estado. E os serviços têm de ser pagos na mesma.

    Está-se a criar novos nichos de negócio mas o ganho, em termos gerais é nulo.

  5. Fernando S

    “Estrutural” não é equivalente a “definitivo” e incompativel com “temporário”.
    “Estruturalmente” a economia portuguesa não tem o “potencial” para sustentar um Estado com o custo que o nosso representa.
    Por isso é que o nosso orçamento é “estruturalmente” negativo (independentemente da conjuntura envolvente mais ou menos favorável).
    Por isso é que, na falta de melhor, o corte no custo com o funcionalismo e o aumento das taxas de IRS foram e são medidas “estruturantes”.
    Mesmo que sejam pensadas como medidas “temporárias” ou “extraordinárias” não deixam de ser “correntes” em termos orçamentais (dizem respeito a rúbricas permanentes).
    Dito isto, a situação “estrutural” pode evoluir e as coisas podem mudar.
    Nada obsta a que, caso o “potencial” da economia aumente e as contas públicas globais sejam “estruturalmente” consolidadas, a despesa com o funcionalismo possa aumentar e as taxas de IRS possam descer (eventualmente em resultado da alteração de outras rúbricas em termos absolutos e/ou relativos).

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