Uma vez mais, os socialistas desperdiçam uma oportunidade de ouro

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Tivesse servido a crise para consolidar o processo de aprendizagem socialista, que cavalga de falência em falência, entre exames e provas de aferição, dos amanhãs que cantam para a overdose de realidade, e a última prova, a de 2011, não teria sido em vão. Assim sendo, foi tempo, dinheiro e futuro penhorados. Coisa pouca.

A desculpabilização dos erros presentes usando como justificação os erros dos outros é a terceira desculpa no extenso cardápio ao dispor do mau aluno, desculpa que surge logo a seguir à do cão que lhe comeu os trabalhos de casa e do ET que o abduziu  — «Pai, o 8 até não foi assim tão mau. O Zé teve um 5 e o pai deu-lhe uma Playstation 4». Isto sintetiza, mais alho menos bugalho, a mensagem do deputado João Galamba, que mostra à Fitch, auxiliado por simples adágios populares (afinal, a revolução é do povo), que quem sabe da poda são os socialistas — do verbo podar, para não destoar do registo coloquial.

Uma vez mais, tal como em 2011, quando usavam o (mau) exemplo dos défices excessivos dos outros para justificarem os seus próprios défices excessivos, há quem não tenha aprendido a lição, e atiram-se para o 8, que Espanha teve 5, e isto porque o 0, vedado pelos acordos europeus, em particular o Tratado Orçamental, não é possível. Caso contrário era mesmo para o zero, numa espécie de bullying financeiro às agências, aos mercados e aos neoliberais, mas versão kafkiana, em que o bully sofre uma metamorfose e acorda em pré-falência numa sarjeta.

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Num tom mais sério, é lamentável que o PS não tenha consciência de que Portugal, estando numa situação ainda débil, com um elevado nível de dívida pública, défice orçamental, uma posição externa ainda frágil, com uma enorme dependência do financiamento externo e beneficiando de uma posição confortável, como a queda no preço da energia e as taxas de juro artificialmente baixas, que não durarão para sempre, não aproveite essa oportunidade para continuar a consolidação orçamental, optando por distribuir benesses e desperdiçar tempo. Estamos a uma revisão de rating da bancarrota — basta a DBRS rever em baixa o rating da dívida pública portuguesa e deixamos de ser elegíveis para o QE, podendo implicar um novo programa de resgate para obter financiamento caso as taxas de juro disparem, algo para o qual o PS se está a esforçar bastante, como quando o mau aluno é bom a enrolar mortalhas.

Que a lição não foi aprendida é por demais óbvio. Restam as gargalhadas da alma gémea deste novo Partido Socialista, o Bloco de Esquerda.

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Para estabilizar o crescimento explosivo da dívida pública foi necessária uma forte contenção orçamental, o que exigiu muita austeridade.
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A posição externa de Portugal sempre foi deficitária, o que significa que Portugal, face ao mundo, devia mais do que aquilo que tinha a haver. Melhorar essa posição exigiu uma forte contenção dos rendimentos, com esforço e prejuízo para os portugueses. A nossa posição externa ainda é muito frágil.

4 thoughts on “Uma vez mais, os socialistas desperdiçam uma oportunidade de ouro

  1. tina

    Como é que se pode comparar países que nunca pediram ajuda externa, e que por isso têm a confiança dos investidores, com um país como Portugal, que só começou a ganhar credibilidade outra vez depois de ter ido à bancarrota? Os socialistas são tão burros!

  2. LibertarianApproach

    Um excelente artigo! Permita-me apenas que faça uma observação: a balança financeira é o simétrico das balancas corrente e de capital juntas, logo a financeira tem de ter valor negativo em 2014 e 2013, o inverso se aplica para os restantes anos.

  3. Este texto foi escrito por uma pessoa séria, e versa sobre pessoas não sérias. Uma pessoa séria que analisa todos os detalhes do problema, e as pessoas não serias que manipulam os dados para concluir pelas suas opções que mais não são, as que apelam ao voto fácil. Já hoje os indicadores de confiança dizem que o das famílias subiu, o dos investidores desceu.

    Mas as famílias trazem mais votos do que os investidores, até ao ponto que as famílias perdem empregos porque os investidores não postam mais, por falta de confiança nas políticas do Governo socialista. Só aí é que as familias irão perceber que não adiante subir salários, importa é ter trabalho…

    Mais uma vez terá de ser o centro-direita a corrigir as coisas, com outro pacote de austeridade.

    Quanto ao Galambas é mais um rapaz com emprego politico e como já se percebeu, quem tem emprego politico faz qualquer tipo de pirueta para merecer a gracinha de que dá o “ossito”… Não importa quem paga o “ossito”, importa é ir fazendo piruetas porque é disso que vive o rapaz… (dito de outra forma: sem emprego politico, quem era o Galambas?)

  4. André Miguel

    Este gajo compara a economia Espanhola com a Portuguesa?! Terei lido bem?! Epá fechem a porta e apaguem a luz que isto não tem remédio…

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