O hospício

Um país bizarro, este, em que os derrotados em eleições formam governo, candidatos presidenciais confortavelmente esmagados à primeira volta acordam no dia seguinte promovidos pelo cu-mentário a vencedores virtuais, PM em funções que apelam ao voto em 2 (dois! two, zwei, deux!) candidatos derrotados, somando menos do que a minoria que não os elegeu, são proclamados ganhadores por portas travessas, etc. Etc. Etc. É um pouco patético este fosso que se vai cavando entre certo país político e o dito-mentário, por um lado, e o país-país, por outro. Ah! Já me esquecia: por seu turno, os líderes políticos da oposição, vencedores das eleições legislativas que acabaram na ascensão ao governo do líder de um partido derrotado, vêem vencer nas presidenciais o candidato da sua área – e? São declarados derrotados. Quem não more neste asilo e, por improvável que seja, leia este resuminho, e compreenda português suficientemente bem para não duvidar da sua leitura, vai diagnosticar-me uma qualquer perturbação. E há mesmo transtorno. Mas não é meu.

4 thoughts on “O hospício

  1. tina

    Não nos esqueçamos que a esquerda faz da política profissão, por isso usa todos os meios ao seu alcance, como os meios de comunicação. A direita, pelo contrário, é gente que trabalha e quando pode intervém politicamente. Assim se explica a grande discrepância entre a maioria do povo, que é de direita/moderado (como as eleições presidenciais demonstraram) e o que se vê na televisão.
    .
    Se houver acusações a fazer é aos meios insidiosos que a esquerda usa para fazer lavagem cerebral do povo. Por exemplo, porque é que ninguém fala do Teixeira da SIC Notícias e da parceria Teixeira-Pacheco Pereira? Ou porque é que os comentadores de direita na televisão são precisamente aqueles que se voltaram contra o próprio partido como MFL e JPP? Porque é que não existe o equivalente para a esquerda? Etc.
    .
    Temos de parar de acusar o país disto e daquilo, o que temos de fazer é denunciar abertamente os manhosos da comunicação social. Chamar essa gente sem escrúpulos pelos seus nomes.

  2. Ramires

    Diagnóstico mais-que-perfeito.
    VPV definiu de uma vez por todas esse país do dito-mentário :”Bìblicamente estúpido”.
    E essa merda que “governa”…
    (As minhas desculpas pela linguagem “vicentina”)

  3. Joaquim Amado Lopes

    Jorge Costa,
    A realidade é que os dois grandes vencedores das eleições foram Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa.
    Ou é novidade para si que António Costa apelou ao voto em “2 (dois! two, zwei, deux!) candidatos” precisamente porque não queria que qualquer um deles ganhasse?

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