Isto da maioria escolher o Marcelo devia ser proibido

 Uma catrefada de décadas volvidas desde o fim da ditadura e uma determinada franja da sociedade portuguesa ainda convive bastante mal com esta modernice da democracia em que a maioria de um povo de chinelo de dedo, pouco letrado nos amanhãs que cantam nos saraus culturais da esquerda, escolhe um bandameco qualquer à revelia da cartilha agendada pelo determinismo histórico. E não há certamente justiça no mundo em ter que levar com tal sujeito se este não for, é claro, amigo do povo, povo este que nele votou mas que, por inconsciência de classe ou réstias de álcool da noitada de Sábado, está em absoluto alienado da sua vil agenda.

Em todo o acto eleitoral que não corre a preceito às supostas vanguardas da classe operária somos condenados a um tamanho chinfrim em loop nos dias seguintes que, a prazo, aquela “música” do Michel Telló até ameaça começar a soar bem. Não que a música campanha a dentro já não fosse de péssimo gosto e tom. Ora pois o candidato da burguesia vermelha ou é um homem de grande porte cultural, um intelectual ou tem-los lá a todos à volta, não vá deixar de cair um subsídio e aquele filme experimentalista acerca a epopeia do ser ou aquela exposição sobre o olho do cú correm o risco de não sair do papel a fim de deliciar o itenerário artístico do cidadão comum.

Marcelo não é dessa laia. É filho de fáxista e logo fascista por hereditariedade – o que me leva a questionar se às filhas de terroristas que se sentam em S. Bento também pesa esssa herança. Depois ri-se muito, é popularucho e gosta de opinar sobre o mundo. Diz-se por aí que é professor catedrático mas o boato em questão não vem pesar na dúvida em relação à intelectualidade do homem.

E se Marcelo é o Sol – essa estrela burguesa que alimenta os sunsets dos betinhos da Foz – Sampaio da Nóvoa é o LUAR – e qualquer filme sobre organizações terroristas pode ser esclarecedor neste ponto. É uma calúnia isto que andam da dizer da sua formação, visto que como especialista em teatro é um grande político. Um homem do povo que é tão do povo que aufere mais de uma dezena de multiplos do rendimento médio deste. Tem ainda na sua corte figuras cujo conhecimento poderia em muito enriquecer a politica portuguesa como Rosa Mota ou Pilar Del Rio. Não digo Vasco Lourenço pois o instinto golpista que revela a cada intervenção – e o que se quero num país terceiromundista como o nosso são homens de farda a ameaçar correr com a politicagem – uma honesta vontade em mudar este terrível estado de coisas e retornar o país à paz de calmaria daqueles 2 anos do PREC.

As presidenciais acabaram e agora o tempo, antes de ser de consensos, será de amuo generalizado. Mas não digo da generalidade dos portugueses, pois estes fizeram vingar a sua escolha.

O povo, enganado como sempre, preferiu o primeiro. Agora o choro é livre.

 

 

10 thoughts on “Isto da maioria escolher o Marcelo devia ser proibido

  1. Bom texto. Gostei da parte em que “se um filho de um fascista é fascista, a filha de um terrorista é terrorista”… esta esquerda de fato e gravata não consegue enganar ao que vem.. se fossem poder, era a perseguição no trabalho e na vida pessoal, a instrumentalização da Justiça, a decadência no ensino e tudo para quê? Para nada pois os mercados são quem manda nas democracias actuais, e eles percebem muito pouco do seu funcionamento. Um défice mais gordito e lá se iam às urtigas…

  2. Miguel

    A maioria verdadeiramente não escolheu ninguém. A maioria dos votos válidos, sim, escolheu Marcelo. Claro que isso tem influência para um cargo cuja força advém do voto “directo e universal” dos portugueses. Um referendo com menos de 50% de participação não é vinculativo, e um PR? Para não ser mal interpretado: sei que foi vinculativo e nem estou aqui a defender nada o SNAP, não sou dos seus apoiantes. Mas hoje vi pela imprensa – e não só – falarem de Marcelo poder ser um Cavaco ou Soares. Mas Marcelo foi eleito com uma abstenção tão grande que não tem de todo a força de nenhum deles. Está bastante diminuído, mesmo sendo o novo PR, claro. Ainda para mais vivendo nós num período tão sensível politicamente bem precisávamos de um PR que não estivesse diminuído à nascença. Mas na hora h a verdade é esta: temos pela primeira vez um novo PR que não é mesmo da maioria. A maioria, a verdadeira maioria, virou as costas à única eleição que é pessoal. De uma maneira que, até agora, só fazia a Bruxelas. Este regime está ferido de morte.

  3. JMS

    Miguel,

    Se alguém de (extrema) esquerda, por exemplo o Novoa, tivesse sido eleito com esta mesma abstenção você não estaria aqui a perorar desta maneira.

    Deve ter ficado muito contente com a vitoria e consequente “eleição” do Costa prara primeiro ministro.

    Haja paciência…

  4. Miguel

    JMS estaria totalmente a dizer o mesmo porque é verdade. Perdoou-lhe a barbaridade da sua segunda frase porque claramente não me conhece. Mas para não haver dúvidas: eu votei tanto António Costa (ou Nóvoa) que tenho a certeza que o Marcelo é confortavelmente de centro-esquerda e é um óptimo PR para o Costa até. Provavelmente o Costa desejava-o mais que ao Nóvoa! Quando ele diz que quer que este governo dure a legislatura inteira, pasme-se, eu acho que o Marcelo quer mesmo isso, está muito a falar a sério. Como quando disse ainda há uma semana que são necessários “obrigatórios estímulos ao consumo”. Também está mesmo a falar a sério. Identifico-me tanto com o Costa ou com a extrema-esquerda do Nóvoa que quando se dizia que tínhamos todos de votar Marcelo só porque era o candidato do PSD (+CDS), logo da “direita” (lol), só me dava vontade de rir porque se o Marcelo é de centro-direita, eu sou hindu. Já o descansei quanto à minha veia “Costista”? Ou quanto ao que eu diria se tivesse ganho alguém da extrema-esquerda? Óptimo. Agora veja lá de novo o que escrevi e se aquilo é mesmo mentira. Haja paciência para quem vota com palas nos olhos.

  5. Miguel

    Exemplo rápido e absurdo para ver se não sou mal interpretado: se por acaso só tivessem ido 1000 portugueses votar e o Marcelo (ou o Nóvoa, ou outro qualquer) tivesse recebido 520 votos ele seria na mesma o PR da maioria dos eleitores. Mas na mesma, como ontem. Que eu saiba não existe mínimo de participação eleitoral. Mas duvido que alguém fosse andar por aí a dizer que era o PR da maioria dos portugueses sem se rir ou corar de vergonha. Ou que esse PR tivesse um pingo de força política. Claro que não estamos ainda nesse caso mas isto de ser o novo PR eleito com menos votos, no ano em que há mais eleitores (elevada esperança de vida + baixas tx natalidade), tem um peso que hoje quase todos estão a escolher ignorar. É a primeira vez que um PR novo é escolhido sem metade dos portugueses se pronunciarem. 48,8% dos portugueses. Eventualmente, continuando a descer, haverá aqui um patamar algures em que as pessoas começaram todas a questionar a força política desse PR. Nesse dia se calhar vão querer começar a escolher o PR pelo parlamento só para evitar votações humilhantes. Mas não menospreze o limite dos 50%: esta participação num referendo faria com que o mesmo não fosse vinculativo!

  6. Fernando S

    Miguel : ” se o Marcelo é de centro-direita, eu sou hindu.”

    Marcelo Rebelo de Souza tem uma longa carreira politica sempre na área do centro-direita. Foi militante, deputado, dirigente e até presidente do principal partido do centro-direita, o PSD (antes PPD).
    Foi o candidato recomendado pelos partidos do centro-direita, o PSD e o CDS.
    Teve o voto da esmagadora maioria dos eleitores do centro-direita. De resto, sem eles o mais provável seria nem ir a uma 2a volta, quanto mais eleito.
    A maior parte dos médias estrangeiros anunciaram a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa como sendo a do candidato do centro-direita.

    Portanto, o Miguel só pode ser mesmo hindu (de centro-direita é que não parece que seja) !!

  7. Miguel

    Fernando: A sério? Mas a sério? Bem, a maioria dos eleitores nem foi votar, como sabe se teve o voto da esmagadora maioria dos do centro-direita de Portugal? A não ser que se admita que TODA a abstenção é de esquerda!! Eu conheço muitos que não foram, muitos que até foram mas recusaram por completo votar em Marcelo e muitos também que só o fizeram resignados, para evitar uma triste segunda volta como em 86. Mas isto nem é o mais importante do seu comentário. Para o Fernando, o Marcelo é de centro-direita porque “foi militante, deputado, dirigente e até presidente do principal partido do centro-direita”, o Partido SOCIAL DEMOCRATA?!? Oh Fernando isto dito por um leitor d’O Insurgente é tão estapafúrdio que vou admitir que o Fernando chegou agora a este blog. Estou genuinamente pasmo com a simplicidade de pensamento do seu comentário. Do início até ao fim, até à parte dos media estrangeiros. Mas genuinamente pasmo. Não esperava tropeçar por tamanha simplicidade de raciocínio neste blog. A não ser por algum comentador de esquerda, que provavelmente me chamaria “fascista”. Oh Fernando, um pequeno segredo, por acaso sabe que o PSD quis entrar na Internacional Socialista? Não vou estar aqui a explicar tudo, tudo, em detalhe – o que é o PSD, o que foi o PSD, o que é o PSD em comparação com o Partido Conservador britânico ou com a CDU alemã (ou com o GOP americano!!) – mas achei que este pormenor do passado deste partido fosse um bom aperitivo e ponto de partida para ir desmistificar essas ideias. Talvez seja hindu, quem diria?

  8. Fernando S

    Miguel : “Fernando: A sério? Mas a sério? (…) Oh Fernando isto dito por um leitor d’O Insurgente é tão estapafúrdio que vou admitir que o Fernando chegou agora a este blog. Estou genuinamente pasmo com a simplicidade de pensamento do seu comentário. Do início até ao fim, até à parte dos media estrangeiros. Mas genuinamente pasmo. Não esperava tropeçar por tamanha simplicidade de raciocínio neste blog. A não ser por algum comentador de esquerda, que provavelmente me chamaria “fascista”. Oh Fernando, um pequeno segredo,…”

    Não vou comentar esta e outras partes do seu comentário, meras considerações “ad hominem”, perfeitamente gratuitas, infundadas e deselegantes !…
    Quero apenas esclarecê-lo no plano dos factos que sou leitor e comentador regular deste Blog desde há muitos anos, talvez até um dos mais antigos que por aqui ainda aparecem.
    Como o Miguel parece estar atento e dar uma grande importância a estes aspectos marginais e tendo em conta que pelos vistos não reparou nos meus comentários e nas posições que neles fui exprimindo ao longo de anos, tenho de deduzir que o Miguel é que “chegou agora a este blog”.
    De qualquer modo, do mesmo modo que nunca invoquei a minha maior antiguidade no que quer que seja como argumento de autoridade, também tenho de reconhecer que ser novo aqui não limita em nada a legitimidade e a validade dos argumentos avançados pelo Miguel.
    Já agora, aproveito para acrescentar que me parece que a circunstância de ser um leitor fiel deste blog não significa forçosamente que se tenha de estar sempre e em tudo de acordo com o que nele é postado e com muitos dos comentários que nele são feitos.
    De resto, tanto quanto sei, e felizmente, mesmo entre os postadores “Insurgentes” existem sensibilidades e posições que são por vezes doutrinalmente e politicamente bastante diferentes. Isto para não falar nos comentadores, provenientes de todas as áreas politicas, dos “fascistas” aos “de esquerda”.

    .
    Miguel : ” a maioria dos eleitores nem foi votar, como sabe se teve o voto da esmagadora maioria dos do centro-direita de Portugal? A não ser que se admita que TODA a abstenção é de esquerda!!”

    Os eleitores votantes do PàF nas ultimas eleições legislativas foram cerca de 2,1 milhões e os de Marcelo Rebelo de Sousa foram cerca de 2,4 milhões.
    Tirando o Miguel, penso que ninguém tem duvidas de que o grosso dos votantes em MRS é constituido pelos eleitores votantes de centro-direita.
    É verdade que nem todos os eleitores potenciais de centro-direita foram votantes. Mas isto vale para todas as eleições sendo que as razões da abstenção são muito diversas e as mais das vezes nem sequer politicamente motivadas. Em democracia a abstenção é um direito e uma liberdade dos cidadãos e é abusivo querer atribuir um significado politico preciso e único à abstenção como um todo.

    .
    Miguel : “por acaso sabe que o PSD quis entrar na Internacional Socialista? Não vou estar aqui a explicar tudo, tudo, em detalhe – o que é o PSD, o que foi o PSD, o que é o PSD em comparação com o Partido Conservador britânico ou com a CDU alemã (ou com o GOP americano!!)”

    Claro que o PSD tem a sua história e o próprio nome é uma marca da existência e persistência de uma sensibilidade “social-democrata” no partido. O episódio que refere, e que deve ser visto também tendo em conta o contexto particular da altura, o do PREC, faz parte dessa história.
    Mas o PSD tem também outras sensibilidades, mais conservadoras e até mais liberais, que o distinguem globalmente de outros partidos ditos sociais-democratas posicionados à esquerda no espectro politico europeu (o SPD alemão, por exemplo).
    O que conta é que, desde o inicio, o PPD (depois PSD) se posicionou no espaço do centro-direita em Portugal, ideológicamente e politicamente mais próximo dos democrata-cristãos do CDS-PP e recolhendo grande parte dos votos do eleitorado mais à direita.
    O que conta é que hoje o PSD é claramente um partido que se assume e é classificado por práticamente por toda a gente como sendo de centro-direita. Por isto mesmo é que é desde há muito membro do Partido Popular Europeu, onde se concentram quase todos os partidos do centro-direita europeu, incluindo a CDU-CSU alemã.
    Uma coisa é uma pessoa, como o Miguel, não se identificar com as ideias e posições dominantes no actual centro-direita, em Portugal como na Europa, outra coisa, bem diferente, é recusar essa classificação a um partido como o PSD.

  9. Miguel

    Nós estamos claramente com uma falha de comunicação. Ou então os nossos conceitos de “centro-direita” são manifestamente diferentes. Oh Fernando eu não quero saber se comenta muito isto ou não. Declaração de interesses: eu não, é raríssimo. E quando não comento não vou para as caixas de comentários, por isso não sabia que o Fernando é um habitué aqui. Quando eu disse que devia ter chegado agora ao Insurgente foi porque, ficando só pelos textos dos próprios autores, facilmente percebia a simplicidade de todo o seu raciocínio. Estou bastante seguro que se calhar quase todos (ou todos mesmos!) os escritores d’O Insurgente não consideram o MRS de centro-direita exactamente pelos mesmos motivos que eu. Alguns até anunciaram antes que também não votariam nele. E que até ponderavam votar noutros candidatos (é ir ler tudo para trás). Por isso, reafirmo, o seu raciocínio é bastante simplista e isto não é nenhum ataque pessoal (é como dizer que chamar “gordo” a um gordo é um ataque ou insulto, ou “preto” a um preto, ou “branco” a um branco, acho que já se percebeu). Bem, ainda bem que conhece esse episódio da história do PSD!! Mas claramente continuamos a divergir no que é centro-direita. O MRS claramente não é, de nenhuma direita que o Fernando queira escolher. Não pertence à direita mais conservadora ou democrata-cristã. As declarações do MRS em campanha incendiaram à grande todos os católicos que conheço. Também não pertence, de todo, à direita liberal; em plena campanha o MRS fez declarações (e bem muito antes de estar em campanha, diga-se) que deixariam um keynesiano com uma lágrima no canto do olho. Sinceramente não consigo perceber a diferença entre um MRS e uma Maria de Belém. Para mim é só o “D” que os distingue. Mas nem é só por isto! Mesmo em relação ao próprio PSD! Creio que foi a Maria Luís Albuquerque, ainda no ano passado, que afirmou que o anterior governo poderia ter sido mais de direita que os precedentes portugueses mas não era, de certeza, tão à direita como muitos outros pela Europa fora, Ela tinha razão! Claramente discordamos nas nossas definições de “centro-direita” (eu sou dos que acham que Portugal tem dos centros-direitas mais esquizofrénicos do mundo desenvolvido) bem nos nossos raciocínios, eu não acho que uma pessoa é de “direita” só por vir do PSD e ser o seu candidato, eu gosto de ver as suas ideias, o que defende. Não se um é PS e outro é PSD, isto é bastante redutor. Por exemplo, hipoteticamente, se daqui a 10 anos o Pacheco Pereira for o candidato do centro-direita tenho já a certeza que não votarei no candidato do “centro-direita”. Se isso fizer de mim um apoiante do Costa ou do Sampaio da Nóvoa como alguém pensou aqui inicialmente – só por achar que um PR, qualquer PR, fica diminuído numas eleições em que a maioria dos portugueses se estejam a marimbar para ele – então só me posso rir. E chegar à conclusão que se calhar sou hindu.

  10. Fernando S

    Miguel : ” Oh Fernando eu não quero saber se comenta muito isto ou não.”

    Ainda bem. Mas não foi o que transpirou do seu comentário anterior …

    .
    Miguel : “Declaração de interesses: eu não, é raríssimo. E quando não comento não vou para as caixas de comentários, por isso não sabia que o Fernando é um habitué aqui.”

    Se não é um “habitué aqui” e não sabia não devia ter insinuado … Não acha ?

    .
    Miguel : “Quando eu disse que devia ter chegado agora ao Insurgente foi porque, ficando só pelos textos dos próprios autores, facilmente percebia a simplicidade de todo o seu raciocínio. Estou bastante seguro que se calhar quase todos (ou todos mesmos!) os escritores d’O Insurgente não consideram o MRS de centro-direita exactamente pelos mesmos motivos que eu. Alguns até anunciaram antes que também não votariam nele. E que até ponderavam votar noutros candidatos (é ir ler tudo para trás).”

    Olhe que eu não estou tão certo como o Miguel do que diz sobre os postadores e comentadores do “O Insurgente” não considerarem o MRS como sendo de “centro-direita” …
    O que acontece é que muitos não se identicam verdadeiramente com as posições mais especificas que Marcelo Rebelo de Sousa representa na área politica do centro-direita e acham por isso que teria sido preferivel que tivesse aparecido outro candidato proveniente desta mesma área politica mas com uma orientação algo diferente.
    Seja como for, e sejam quais forem as opiniões dos postadores e comentadores do “O Insurgente”, não são estas opiniões que definem oficialmente e à partida quais são os exactos limites do que é ou não é o “centro-direita” em Portugal.
    A verdade, e isto é objectivo e não uma questão de opiniões, é que a maioria dos eleitores, de direita como de esquerda, e dos analistas politicos, nacionais e internacionais, veem Marcelo Rebelo de Sousa como sendo de centro-direita.
    Eu não gosto de entrar neste tipo de considerandos mas, já que o Miguel insiste, “simplismo” é ignorar que o centro-direita não é homogéneo, que existem diferentes orientações e sensibilidades, e que quem define quem é ou não é de centro-direita não é nem o Miguel, nem o Fernando, nem sequer um comité de postadores e comentadores do “O Insurgente” !

    .
    Miguel : “Por isso, reafirmo, o seu raciocínio é bastante simplista e isto não é nenhum ataque pessoal (é como dizer que chamar “gordo” a um gordo é um ataque ou insulto, ou “preto” a um preto, ou “branco” a um branco, acho que já se percebeu).”

    Não é minimamente relevante nem é um argumento que sirva para a discussão…

    .
    Miguel : “O MRS claramente não é, de nenhuma direita que o Fernando queira escolher. Não pertence à direita mais conservadora ou democrata-cristã. (…) Também não pertence, de todo, à direita liberal”

    Mais uma vez, o dito centro-direita em Portugal é, para o melhor ou para o pior, bem mais diverso e complexo do que a simples acumulação dessas e de outras correntes e sensibilidades.
    A verdade é que MRS sempre foi um personagem politico do centro-direita e que foi eleito PR logo à primeira volta porque a esmagadora maioria dos eleitores votantes do centro-direita votou nele.
    De qualquer modo, MRS foi eleito sem margem para duvidas, o que lhe dá uma legitimidade politica ainda maior, não apenas e nem sequer tanto por ser o único candidato proveniente da área politica do centro-direita mas sobretudo porque uma maioria dos eleitores votantes portugueses, maioritáriamente do centro-direita (sem os quais não teria sequer passado a uma 2a volta) mas também do centro-esquerda (sem os quais não teria ganho à 1a volta e, eventualmente, mesmo numa 2a volta), o terem considerado como sendo o melhor (ou o menos mau) candidato para desempenhar o cargo nos próximos anos.
    De resto, isto é bem mais importante do que saber exactamente quanto MRS é mais ou menos de centro-direita !

    .
    Miguel : “hipoteticamente, se daqui a 10 anos o Pacheco Pereira for o candidato do centro-direita tenho já a certeza que não votarei no candidato do “centro-direita”.”

    Julgo que, pelas posições que tem vindo a assumir nos ultimos anos, e pelo apoio explicito que deu à candidatura de Sampaio da Nóvoa, pouca gente vê neste momento Pacheco Pereira como alguém que continua a fazer parte do actual centro-direita.
    Mas sabemos hoje que Pacheco Pereira é alguém com uma grande “flexibilidade” politica e até ideológica.
    Mesmo assim, duvido muito que daqui a 10 anos Pacheco Pereira possa aparecer como “o candidato do centro-direita”.
    Se hipotéticamente fosse o caso é porque teria entretanto passado muita água por baixo das pontes …
    Sempre hipotéticamente, numa situação dessas eu teria de ponderar na altura toda uma série de factores, desde as posições da pessoa até ao contexto politico passando pelas alternativas viáveis então disponiveis.
    Eu determino o meu voto não em função da maior ou menor simpatia pessoal pelos candidatos mas sim pelo que considero ser a melhor (ou a menos má) opção politica na altura.
    Hipotéticamente até poderia votar no diabo !!

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