O PS a fazer orçamentos, pá, é tão, mas tão previsível

Em boa medida, a solidez de um exercício de projeção orçamental repousa na fiabilidade do cenário macroeconómico. Afinal, um orçamento é pago com impostos – enfim, na sua maior parte – e os impostos dependem da produção e do rendimento, isto é, da evolução da economia, do PIB.

Mas o PIB que conta num orçamento é o PIB nominal. Conta tanto o crescimento do PIB em volume, aquele de que normalmente se fala, como o crescimento dos preços, de que quase nunca falamos quando falamos de PIB. Se a combinação do crescimento do PIB nominal envolve um crescimemento do PIB em volume de 0,5% e dos preços de 3,5%, ou um crescimento do PIB de 3,5% e um crescimento dos preços de 0,5%, isso é indiferente para a evolução do PIB nominal e, portanto, para a projeção orçamental.

De modo que além de carregar no crescimento do PIB, projetando um crescimento em volume de 2,1%, bem acima das projeções da Comissão Europeia de Outono (1,7%) e do Banco de Portugal em Dezembro (idem), Centeno foi generoso nos preços.

Deflator a marrtelo

Para não dar excessivamente nas vistas, a evolução do deflator do PIB de 2015 para 2016 até é modesta. Assim, optou-se por aplicar o martelo sobretudo no deflator suposto de 2015.

O resultado é um crescimento do PIB nominal a martelo muito mais interessante do que um exercício responsável de projeção, susceptível de infundir confiança & etc., seria capaz de obter.

PIB nominal a martelo

É simples: 1, 2, 3 e zás. O PIB nominal é o que a pessoa quiser. Serve-se regado com muita conversa e alguma esperança de que não se dê excessivamente pelos truques e aldrabices.

Jeitoso

 

13 thoughts on “O PS a fazer orçamentos, pá, é tão, mas tão previsível

  1. Joaquim Carreira Tapadinhas

    Este país não tem cura na componente finanças e economia, porque não produz riqueza para aguentar a carga estrutural. Logo, mantendo a máquina estatal da grandeza que tem, suportada por impostos bárbaros caminha para a derrocada institucional.
    Manter as estruturas actuais do Estado, com as regalias que alguns têm de 3 reformas, é o caminho que está aberto para a destruição e implosão da nação. Uma reforma radical, com o apoio dessa UE que nos supervisiona só naquilo que entende, é urgente. Só que a maioria dos elementos das estruturas da UE são pessoas demasiados vulgares para perceberem a situação e apenas estão disponíveis para gozar as benesses que os cargos lhes proporcionam.

  2. Revoltado

    Será que dentro de alguns anos vamos olhar para trás, para estes meses de des-governação socialista, como se o país tivesse vivio num estado de alucinação colectiva? Vamos lá despachar isto e meter novamente pessoas responsáveis no governo? E que tal, desta feita, dar-lhes os 2/3 dos deputados necessários para mudar a constituição? Ou vai ser preciso termos fome e miséria a sério (não as inventadas pela esquerda caviar) para percebermos que esse é o único caminho possível?

  3. Luís

    «Este país não tem cura na componente finanças e economia, porque não produz riqueza para aguentar a carga estrutural. »

    Com um esforço fiscal que é dos maiores do mundo desenvolvido, e com legislações e regulamentos sobre a economia dos mais complexos e picuinhas do mundo, como é possível acumular capital e inovar? Não é. Sendo assim, continuaremos a ficar para trás lentamente, enquanto somos ultrapassados por países da Europa de Leste, e mais para frente teremos à nossa frente países da América Latina e da Ásia, é esperar.

  4. Luís

    «Será que dentro de alguns anos vamos olhar para trás, para estes meses de des-governação socialista, como se o país tivesse vivio num estado de alucinação colectiva? »

    Ainda não recuperámos do PREC nem iremos recuperar tão cedo, isto se recuperarmos. As nações também morrem.

    Passaram 40 anos. E a loucura socratina parou em 2011. Além da loucura do PREC, temos ainda as consequências da socratina. Uma mais a outra.

    Parte do país vive alucinado como a Venezuela e a Argentina têm vivido nos últimos tempos.

  5. Luís

    O que ainda vai salvando isto é o Norte e o Centro serem zonas de pequenos proprietários. Apenas isso pois já nem a Igreja tem qualquer influência palpável e está cheia de padres e bispos socialistas e vermelhos.

  6. Luís

    Sim depois de um responsável do Vaticano ter dito que o capitalismo é o melhor sistema que existe. Enquanto isso puseram um Papa estranho para agradar à comunicação social esquerdizada. A Igreja já não é o que era.

  7. Pingback: E depois há a bota, a perdigota e a anedota, tudo de molde a inspirar-nos resmas confiança | O Insurgente

  8. A. R

    O que importa é colocar um documento aí. Depois a pouca vergonha fará o resto se a coisa correr para o torto.

  9. Pingback: Orçamento De Estado Para 2016 – Recordar É Viver | O Insurgente

  10. Pingback: SEMPER LIBERTAS - O irrealismo das previsões do Ministério das Finanças - Instituto Ludwig von Mises Portugal

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