“Ciências da Educação”

Acabei de ouvir o discurso final de Sampaio da Nóvoa. A quantidade de palavras barrocas mas desprovidas de sentido, muito bem articuladas no seu completo vazio, é a prova provada de que o candidato presidencial domina as Artes do Teatro, com dotes de Educador do Povo, com carácter de ciência. Nem duvido da validade legal do processo de equivalências. O que me assusta é pensar como a cartomância pode ter direito a cátedra, e que o custo de vivermos na post-modernidade e em democracia seja termos de aceitar este nivelamento, por igual, de toda a ciência e de todas as formas de conhecimento. Acresce que a forma parola e provinciana com que uma suposta elite vibra sobranceira a cada palavra soletrada pelo pastor tele-evangélico do Mundo Novo da Velha Esquerda é talvez um dos sinais mais deprimentes para quem, como eu, procura ser optimista, e nunca perder a esperança. O que vale é que esta tanga, se Deus quiser, acaba já no domingo, para voltarmos à normalidade, bem longe da ânsia do “Novo Tempo”.

8 thoughts on ““Ciências da Educação”

  1. A. R

    Muito deve a esta academias das “ciências da educação” o estado a que chegou a educação em Portugal. Imagine-se um tipo desta agremiação chegar a presidente da república.

  2. Anticapitalista

    “Se Deus quiser”
    Gostei. É como Deus é grande e não dorme (há quem defenda que só passa pelas brasas no verão), se Marcelo fosse eleito, lá se encarregaria Deus de o proteger. Mas 10 anos de cavaco pide e 4,5 de pafismo salazarentos, chegaram para que o Zèpovinho abrisse o olho e, não obstante os mídia que vamos tendo, fazer um toma ao catavento comentador!!!!!

  3. tina

    Lucklucky, PPC apelou ao voto em Marcelo pois este seria quem cooperaria melhor com um futuro governo de direita. Pensando nisso, e também nos custos que seria para o país uma segunda volta, e na esperança de diminuir para menos de 5% a votação no BE e no PPC para estes não receberem subvenção, decidi votar amanhã em Marcelo. Sei que é um voto interesseiro, mas perante o iminente perigo de ter um presidente de esquerda a boicotar um governo de direita, não se pode simplesmente ficar de braço cruzados.

  4. Joaquim Carreira Tapadinhas

    Neste país é muito fácil dizer mal e denegrir os nossos conterrâneos. Entretanto, as nossas falhas e erros atiramo-las para debaixo do tapete à espera que ninguém venha fazer a limpeza. Não é por acaso estamos onde estamos, e que, infelizmente, pelo quadro exposto iremos continuar. Ideias e projectos para construir surgem poucos ou nenhuns. Porrada na rapaziada que não tem ainda poder, é em quantidade industrial.

  5. Eu duvido da validade legal do processo de equivalências

    No diploma de 1982 da pós-graduação suiça está expresso que se trata de «um complemento da sua licenciatura».

    (anote-se que em todas as suas biografias Sampaio da Nóvoa é apresentado ora como licenciado em teatro ora como equiparado a licenciado em teatro)

    A certidão de 1976 do Conservatório Nacional faz referência a um despacho de Veiga Simão e ao curso superior. Pois…. mas esse despacho que não está publicado sequer nem foram atribuídos graus académicos aos ditos cursos nas portarias em questão. Como na suiça de então o 1º grau era a licenciatura…. está bom de ver o que pode ter acontecido…. Dois sistemas diferentes….

    Em Portugal como antes de 1986 não havia o grau de mestre SN acabou por ver a sua pós-graduação suiça transformada numa licenciatura.

    Quando na Suiça lhe reconheceram a licenciatura para ingresso na pós-graduação do curso de estudos avançados esqueceram-se de pedir os planos de estudos do curso de teatro (que só foram aprovados retroactivamente em 1983). O Conservatório não tinha autonomia legal para ministrar cursos sem planos de estudo aprovados.

    Não é a «menina» da secretaria do Conservatório que certifica a existência de um curso superior que dá equivalência a licenciatura mas sim os diplomas legais publicados no diário do governo. Aquele despacho interno de Veiga Simão não autoriza tamanha façanha.

    Para quem lê as biografias de SN torna-se evidente que para ele o curso de teatro foi sempre uma licenciatura. … que não é nem nunca foi como muito bem declarou a Escola Superior de Teatro recentemente.

    José Luz (Lx)

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