First they came for the jews

kafka2Quando li a coisa que o Governo quer pôr o fisco com acesso discricionário (ou quase) às contas bancárias das pessoas tive uma náusea. Porque isto não passa de um vómito inqualificável. E não hão-de faltar idiotas úteis a defender a ideia, aliás como dizia o Carlos Fernandes no facebook, ainda os hei-de ver a passear com um chip de localização na nuca e um código de barras no braço.

Após o vómito ainda tive tempo para me chocar. Choquei-me com este post do António Costa, ex-director do Diário Económico e que sempre leio com atenção e cuidado. Um post intitulado “Precisamos da bisbilhotice do fisco”. Não meu caro, não precisamos. Os 204 contribuintes de que fala com rendimentos declarados superiores a 5 milhões de euros, declaram-no, não é? E pagam os impostos que lhes são exigidos pela Autoridade Tributária. Onde é que isto justifica o aumento da devassa (que já é mais que muita) da vida privada da generalidade das pessoas? Um dia destes alguém há-de escrever um post intitulado “Precisamos da Bisbilhotice da Direcção Geral de Saúde” a propósito do fim do sigilo médico. Por causa de questões de saúde pública ou assim, da epidemia da obesidade, ou por causa do alcoolismo ou outra merda qualquer, tudo para nos proteger ou em nome da inveja ou de um moralismo (que é o que está aqui em causa) insuportável, de vómito mesmo. Não, não precisamos da bisbilhotice do fisco para nada, o poder que têm sobre nós já é uma brutalidade que nem a PIDE ou um NKVD alguma vez tiveram. A AT mais que aparentar ter vida própria tomou a forma de uma organização própria de um regime totalitário e o que faltava era dar-lhes ainda mais poder. Quanto aos tais 204 contribuintes milionários com uma taxa efectiva de imposto de 31,8%. Sabem qual foi a taxa efectiva do IRS do total dos contribuintes em 2013? 7,5%. E nem explico o resto, o que é a tributação do capital e porquê, quais são as fontes de rendimento, etc. Não vale a pena, de todo, mais vale dar milho a pombos.

8 thoughts on “First they came for the jews

  1. Rogerio Alves

    É um tema para o qual fico no meio da cerca. “Quem não deve não teme”, mas “poder absoluto corrompe absolutamente”. Oscilo mais para a posição do Helder Ferreira em preferir resultados não perfeitos mas sem controlo exagerado. Aliás, isso até vale para tudo inclusivé o tema do terrorismo e da segurança: prefiro não ser considerado suspeito eterno e ter menos devassa e correr eventualmente mais riscos. Mas, é como digo, estou no meio da cerca.

  2. Rogerio, a AT e o Estado já têm todos os instrumentos necessários para controlar a fuga fiscal. Caso haja suspeita de fuga de algum contribuinte, sinais exteriores de riqueza, etc já podem abrir um processo e requerer o fim do sigilo para esse contribuinte através de um juiz. O que se preparam para fazer é outra coisa, é abuso, é uma invasão da privacidade discricionária e ao bel prazer de um qualquer mangas de alpaca só porque sim.

  3. lucklucky

    A Democracia Totalitária continua a ser construída.

    Pois a Democracia Social é desenhada para ir buscar o dinheiro dos outros
    O dinheiro é a unica coisa que lhe interessa.

  4. lucklucky

    “Mas, é como digo, estou no meio da cerca.”

    Só está no meio da cerca porque é socialista,
    Havia algum problema no ano 1980?

    Só é problema hoje porque o Estado quer mais e mais dinheiro.

  5. PI

    Já agora, para os apologistas do “quem não deve, não teme”, sabem o quão fácil é para alguns agentes do Estado bisbilhotar as vossas contas nas redes sociais? Não sabiam, pois não? É muito simples: basta o envio de um email ao facebook solicitando o acesso, justificando que é para fins de investigação criminal (não interessa se veridicamente ou não, pois ninguém fiscaliza) et voilá, acesso por 15 dias (renováveis) à vossa conta, às vossas mensagens, aos vossos gostos, etc…

  6. “Quem não deve não teme” o raio que os parta! Isto é um chavão salazarento que servia de mote para Estado meter o bedelho onde não é chamado. Então não foi para isto que fizeram abril? Mas afinal a merda do cravo é nosso ou não?!

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