A Tia Benedita e as presidenciais

A família não teria votado em nenhum presidente. Por António Sousa Homem.

O dr. Paulo acha que terá de votar no prof. Marcelo, mesmo considerando-o “ligeiramente pantomineiro”. Creio que a generalidade da família (tirando a minha sobrinha Maria Luísa e o Tio Henrique), se estivessem vivos metade dos antepassados cujos retratos se conservam pelos corredores do velho casarão de Ponte de Lima, diria a mesma coisa. Dos seus irmãos, apenas o Tio Henrique sobreviveu ao velho Doutor Homem, meu pai (que morreu no final de 1974); o velho entusiasta do oboé e antigo engenheiro militar nos sertões de África chegou mesmo a votar no general Eanes, por lhe parecer um homem sisudo e lhe lembrar o seu comandante de infantaria às portas do deserto de Moçâmedes. Daí em diante, não creio que os nossos antepassados – mesmo na categoria de amáveis fantasmas – tivessem podido votar em algum presidente. E, olhando bem para a lista de candidatos, é preciso dar alguma razão à Tia Benedita, que no dia das eleições mandaria fechar as portadas para que não a incomodassem.

Leitura complementar: A direita e as presidenciais: alternativas de voto.

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