Adolfo Mesquita Nunes sobre o futuro do CDS

Artigo publicado na edição de hoje (07/01/2016) da Visão

Reformismo Sensato

Quarenta anos depois do seu nascimento, o CDS é a espontânea conjugação de conservadores, liberais e democratas-cristãos. E conseguiu esta proeza porque teve a liberdade como ADN e a economia social de mercado como objetivo.

Mas o CDS tem de querer mais para os próximos quarenta anos. Para isso, tem de assumir-se como um partido reformista. Como “o” partido reformista, o partido do reformismo sensato.

Só assim o CDS será a primeira escolha de todos quantos acreditam na liberdade, na igualdade de oportunidades, na cultura de esforço e do mérito, na possibilidade de cada pessoa descobrir o que é melhor para si, num Estado justo e não asfixiante, no crescimento e emprego criado pelo sector privado, na força do conhecimento, na livre concorrência e na necessidade de reforçar a competitividade.

Um partido que assume a mudança, que não encara a estagnação como modo de vida, que não pensa em evitar os desafios mas em encontrar forma de os vencer, que não vê no Estado resposta para tudo, que sabe que um Estado justo para com os mais necessitados terá sempre de ser um Estado eficaz e moderado, que respeita as liberdades individuais, que não se mete na vida dos cidadãos, que conhece o insucesso do socialismo.

Sem esta ambição reformista, o CDS perde espaço e razão de ser face aos seus concorrentes, não chega às novas gerações, não se assume como primeira escolha, torna-se dispensável, ocasional.
Mas o reformismo do CDS deve caracterizar-se pela sensatez.

Nenhuma reforma de relevo se faz por decreto, sem a confiança dos portugueses, sem que estes percebam os ganhos, sem que estes participem no processo, sem que exista um método, sem um entendimento institucional que a permita. Qualquer reforma duradoura pressupõe pragmatismo.
Sem esta sensatez, o reformismo do CDS serve apenas para entreter debates parlamentares, ganha na retórica mas não atrai quadros, distrai-se das preocupações das pessoas, não lhes arranja soluções. O CDS não pode responder à esquerda com ameaças de PREC ou tiradas sobre o 25 de Novembro. Tem de responder com os melhores quadros e as melhores propostas. Só assim o CDS será a escolha descomplexada daqueles que querem mudar Portugal e não o partido mascote que entra em pirraça com o Bloco de Esquerda.

Como é que lá chegamos?

Primeiro passo, apresentando uma liderança e direcção que faça do reformismo sensato a sua agenda e que represente a imagem da mudança. O CDS tem tudo a ganhar em ser ele a corporizar a renovação à direita. O CDS não precisa de portismo desnatado nem de uma liderança apostada em preservar em vez de reformar, em atestar pureza em vez de se abrir à diversidade. O desaparecimento do voto útil, efeito secundário da chegada do PS ao governo, é uma oportunidade que o CDS não pode desperdiçar. Quanto mais ágil na mudança for, quanto mais caras novas apresentar, mais espaço o CDS ganhará.

Segundo passo, focando e pragmatizando o discurso. O CDS crescerá na medida em que seja entendido pelas pessoas, a voz sensata no meio do devaneio ideológico que vai pelo parlamento. A volatilidade eleitoral premiará quem melhor responder às preocupações das pessoas: como subir na vida, como melhorar a educação dos filhos, como garantir a reforma, como encontrar emprego, como aceder ao mundo e à cultura, como ter acesso aos cuidados de saúde…

Terceiro passo, a nova liderança tem de abrir o CDS a todos os que nunca fizeram política. O CDS deve abrir-se confiante aos que não se definem exactamente como democrata-cristãos, ser o partido onde vale a pena colaborar, onde se valoriza a diferença e a abertura ao mundo. A qualidade das novas caras do CDS deve ser um começo, não um fim. A desconfiança dos eleitores não se combate com mais partido, combate-se com mais pessoas.

Quarto passo, inaugurando novas formas de comunicar. Todas as áreas da economia mudaram a forma de comunicar e a política continua a ser feita da mesma maneira, os mesmos métodos. O CDS tem tudo a ganhar em ser o partido que melhor conecta com os portugueses.

Se o CDS quiser ir por outros caminhos, doutrinando-se, fechando-se, tornando-se bastião de valores de ontem, resistente à mudança, protector de nichos, cultor do poucos mas bons, perderá uma das maiores oportunidades de afirmação da sua história. E não haverá muitas mais.

7 thoughts on “Adolfo Mesquita Nunes sobre o futuro do CDS

  1. Lucas Galuxo

    Não encontrei no texto a palavra Europa. Um partido conservador que não esteja interessado em discutir a relação do país com a actual UE faz pouca falta.

  2. Pingback: A Absorção pelo Sistema do Impacto dos Divergentes - Instituto Ludwig von Mises Portugal

  3. lucklucky

    Sim e muito outras coisas não aparecem. Parece um texto Neo-Blairista produzido numa qualquer empresa de relações publicas para “potenciar” a imagem.

  4. Pingback: Adolfo Mesquita Nunes sobre o futuro do CDS (2) | O Insurgente

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