O meu voto – Marcelo

O meu voto está decidido há já alguns meses. Não tem grande filosofia a fundamentação da minha escolha. Voto Marcelo Rebelo de Sousa. O candidato pode não ser a minha musa na Ilha dos Amores mas, como diria Churchill, Marcelo é o pior candidato, com excepção de todos os outros.

7 thoughts on “O meu voto – Marcelo

  1. Fernando S

    Os unicos candidatos alinhados à esquerda com fortes chances de poderem ir a à 2a volta são Sampaio da Nova e (ou) Maria de Belém.
    Henrique Neto, como de resto já mostram as sondagens, não tem nenhuma hipótese de passar à 2a volta.
    O unico candidato que não é da área politica das esquerdas e que tem ainda alguma hipótese de poder vencer as eleições é mesmo Marcelo Rebelo de Sousa.
    Por enquanto as sondagens ainda apontam para uma vitória de Marcelo Rebelo de Sousa à 1a volta.
    Mas ainda é cedo e o mais provável até é tal não acontecer.
    O que é certo é que as chances de Marcelo Rebelo de Sousa poder vencer as eleições serão tanto maiores quanto maior for a sua votação e a diferença para o 2° classificado na 1a volta.
    Por isso, qualquer opção “anti-Marcelo” logo na 1a volta, incluindo a abstenção e o voto em Henrique Neto, apenas aumenta as chances de vitória na 2a volta do candidato da esquerda mais votado (Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém).
    Eu conto votar em Marcelo Rebelo de Sousa desde a 1a volta !

  2. Joaquim Amado Lopes

    Fernando S,
    O seu comentário parece indicar que acha que Henrique Neto seria melhor Presidente da República do que Marcelo Rebelo de Sousa. O comportamento de Marcelo Rebelo de Sousa, desde há anos mas principalmente nesta campanha, sustenta essa opinião.

    É precisamente a ideia do “voto útil” em Marcelo Rebelo de Sousa que “rouba” a Henrique Neto os votos necessários para ir à segunda volta.
    Ora, não parece haver qualquer dúvida de que Marcelo Rebelo de Sousa no mínimo irá à segunda volta. Assim, os que prefeririam ver Henrique Neto eleito Presidente poderão sempre votar em Marcelo Rebelo de Sousa na segunda volta caso Henrique Neto não passe na primeira volta. Se, como parece, acredita que Henrique Neto seria melhor Presidente, vote nesse sentido. Talvez tenhamos todos uma surpresa. E, se não tivermos, o “custo” será ter que ir votar uma segunda vez.

    Votarei Henrique Neto na primeira volta. Se houver segunda volta e Henrique Neto não estiver no boletim votarei nulo.

  3. Fernando S

    Joaquim Amado Lopes,
    Eu não penso que Henrique Neto seria forçosamente um melhor Presidente do que Marcelo Rebelo de Sousa.
    Por diferentes razões : o diagnóstico sobre o passado e a situação presente, a visão de futuro para a sociedade portuguesa, a concepção da função presidencial, etc. Seria longo explicar aqui estes aspectos. Fá-lo-ei eventualmente noutra oportunidade.
    De qualquer modo, também penso que o unico candidato não alinhado à esquerda com alguma hipótese de poder ganhar as eleições é mesmo Marcelo Rebelo de Sousa.
    Henrique Neto não tem qualquer hipótese de passar à 2a volta. Mostram-no as sondagens. Mas decorre também de uma análise das forças em presença e das caracteristicas do eleitorado. O grosso do eleitorado de direita já estava orientado para votar Marcelo. A recomendação dos partidos da direita reforça essa tendencia. O grosso do eleitorado de esquerda não se revê no discurso e na postura de Henrique Neto. Marcelo é o unico que tem garantida uma passagem à 2a volta, se for o caso. O provável 2° lugar vai ser disputado entre os dois candidatos que vão recolher uma boa parte do voto de esquerda e centro-esquerda, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. O cenário que o Joaquim previligia, o da passagem à 2a volta de Marcelo e Neto, é altamente improvável : são os dois candidatos mais à direita face a um eleitorado que está tendencialmente orientado mais à esquerda.
    Marcelo Rebelo de Sousa, como toda a gente, sabe que é muito dificil um candidato visto como representando a direita poder ganhar eleições presidenciais à 2a volta. Ainda mais num contexto de expectativa do fim da austeridade e de uma certa radicalização politica. Por isso, Marcelo faz tudo para tentar ganhar logo à 1a volta. Ou, pelo menos, para ter na 1a volta uma vantagem muito grande sobre o 2° lugar, que vai ser certamente um dos dois candidatos que representam a esquerda não alinhada com o PCP e o BE. Sabemos todos que a dinâmica das 2as voltas tende a favorecer os candidatos “vencedores”.
    Por todas estas razões, a campanha de Marcelo, quer se goste quer não, é a unica que faz sentido. Marcelo sabe que o grosso do eleitorado de direita, com maior ou menor entusiasmo, provávelmente menor, quanto mais não seja por falta de alternativas viáveis à direita, acabará por votar nele. Marcelo sabe que, de qualquer modo, para poder vencer, à 1a ou à 2a volta, precisa de conquistar os votos de uma parte do eleitorado de centro-esquerda. Assim sendo, Marcelo não pode fazer uma campanha que agrade sobretudo ao eleitorado de direita e facilite a tarefa de descredibilização que as candidaturas à esquerda não deixarão de tentar levar a cabo.
    Nestas eleições presidenciais, a questão que conta verdadeiramente não é tanto a de se saber se Marcelo Rebelo de Sousa é o melhor candidato que a direita poderia ter mas antes a de se saber se, sim ou não, apesar de todas as eventuais reservas e antipatias relativamente a esta personalidade e ao seu discurso, é preferivel ter nos próximos anos este candidato na Presidencia do que Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém.

  4. Fernando S

    À atenção do Joaquim Amado Lopes …

    Henrique Neto : «Considero a subida do salário mínimo nacional uma vergonha nacional. Porque é pouco, obviamente.»

    Henrique Neto criticou justamente as politicas despesistas anteriores a 2011, em particular as dos governos de José Sócrates, e reconheceu a necessidade de uma politica de austeridade para por as contas em ordem.
    Mas também criticou e critica o essencial da politica de austeridade seguida por imposição da Troika e aplicada pelo governo Passos Coelho.
    O retrato que faz da situação actual do pais é catastrófico : a economia foi “destruida”, a “classe média” foi injustamente castigada levando muita gente para a “miséria” e até a “fome” !…
    Diz Henrique Neto que a austeridade em vez de exigir sacrificios à “classe média” deveria ter antes ido buscar o dinheiro necessário às “rendas excessivas” de certos sectores de actividade.
    O diagnóstico está errado : a “classe média” sofreu cortes de rendimentos e beneficios sociais mas não ficou na miséria, muito longe disso.
    Claro que as “rendas excessivas” devem ser reduzidas e isso faz-se basicamente através de uma maior abertura e concorrencia nos sectores que as teem. O governo anterior fez alguma coisa neste sentido mas ainda é insuficiente e este tipo de reformas deve ser retomado e aprofundado logo que possivel.
    Mas mesmo que por hipótese já se tivesse ido mais longe neste aspecto nunca teria sido suficiente para tapar todos os buracos, restabelecer os principais equilibrios macro e micro, e aumentar a produtividade e competitividade da economia no seu conjunto.
    Henrique Neto não percebeu que qualquer politica de austeridade e ajustamento teria necessáriamente de penalizar a dita “classe média”, que é hoje de longe o conjunto social mais numeroso e com rendimentos e condições de vida próximos e acima da média.
    No fim de contas, foi esta “classe média” quem mais beneficiou com o endividamento excessivo do pais e, em particular, do Estado, e que, por esta via, mais contribuiu para o aumento do consumo e do investimento improdutivos e acima das possibilidades reais do pais.

  5. Joaquim Amado Lopes

    Fernando S,
    Ninguém diz que Henrique Neto deixou de ser socialista. Aliás, ele até começou por ser do PCP e não se pode esperar que se venha a tornar um “ultraliberal radical”.
    Mas a eleição é para a Presidência da República, não para o Governo. Vamos votar numa pessoa, nos seus princípios, personalidade, experiência de vida e maturidade. Não vamos votar num programa político nem numa ideologia.

    Os candidatos à Presidência, incluíndo Henrique Neto, pretendem que se eleitos poderão vir a implementar um programa político próprio mas, na realidade, não tem qualquer palavra a dizer sobre o Orçamento ou qualquer diploma aprovado pelo Parlamento. Nem sequer o poder de veto é realmente efectivo, já que basta os deputados ignorarem o veto do Presidente e voltarem a aprovar exactamente o que foi vetado para o Presidente estar obrigado a promulgar.
    O poder do Presidente resume-se ao poder de influência (e para isso tem que ser alguém com peso político e credibilidade muito além do cargo que ocupa), fazer por manter o Governo honesto, demitir o Governo e dissolver o Parlamento.

    Demitir o Governo e dissolver o Parlamento são decisões muito sérias e a evitar a menos que não exista outra opção. Qualquer candidato que mostre estar disponível para demitir o Governo ou dissolver o Parlamento por não gostar das decisões do Governo ou dos diplomas aprovados pelo Parlamento é indigno do cargo.
    Na situação actual, a convocação de novas eleições é uma exigência absoluta e não tem nada a ver com humores ou simpatias do Presidente a eleger. O único que mostrou que o poderá vir a fazer é Henrique Neto. Os outros, não apenas incluíndo mas particularmente Marcelo Rebelo de Sousa, apenas garantem o contrário. Paulo Morais é o que se mostra mais disposto a demitir o Governo mas por outros motivos, incluíndo a sua própria falta de sentido de Estado.

    Edgar Silva, Marisa Matias, Sampaio da Nóvoa e Paulo Morais são meros figurantes na eleição e nenhum deles se candidata realmente para ganhar. Tino de Rans e Cândido Ferreira são os palhaços. Restam Maria de Belém (que não me parece ter um esboço sequer do perfil e força necessários ao cargo), Henrique Neto (em quem não votaria para formar Governo) e Marcelo Rebelo de Sousa (que é um catavento capaz de dizer tudo e o seu contrário e não pode de forma alguma ser visto como o “candidato da direita”).

    O que escreve sobre Henrique Neto está correcto. Mas o diagnóstico de Henrique Neto também não é completamente incorrecto.
    O Governo anterior fez algum trabalho no sentido de reduzir as rendas mas foi claramente pouco. Não foi suficientemente longe nas PPP’s, manteve as rendas dos sindicatos e a maioria dos institutos e fundações e criou algumas rendas novas, como a Lei da Cópia Privada.
    É sempre a classe média que paga a factura, já que os ricos sabem como o evitar e os pobres não têm como a pagar a não ser com menos apoios sociais, algo que o Tribunal desConstitucional não permite. Mas há muito que o Governo anterior devia ter feito e nem sequer tentou.
    E é mais do que certo que Marcelo Rebelo de Sousa, caso tenha feito um diagnóstico mais ao gosto do Fernando S, tenha também dito exactamente o seu contrário.

    O voto do Fernando S é seu e tem o direito de o usar como entender. Se acredita que Marcelo Rebelo de Sousa é o melhor candidato, vote nele. Mas o raciocínio que apresenta para defender o voto em Marcelo Rebelo de Sousa na primeira volta não faz qualquer sentido.

  6. Fernando S

    Joaquim Amado Lopes,

    Eu até concordo com muito do que diz sobre a função presidencial em geral.

    Não vejo é porque é que Marcelo Rebelo de Sousa não teria melhores caracteristicas pessoais e politicas para a exercer do que Henrique Neto.

    Marcelo Rebelo de Sousa pode não ser o candidato preferido do Joaquim (idealmente também não ra o meu à partida) mas é efectivamente “o candidato da direita”.
    Não é por acaso que é “recomendado” pelos partidos da direita (algo que por sinal não acontece com os candidatos saidos da área socialista).

    Tal como o Joaquim, e tal como muitas das pessoas politicamente posicionadas “à direita”, eu também penso que o pais teria a ganhar com a realização de eleições legislativas o mais rápidamente possivel.
    Mas nenhum candidato, incluindo Henrique Neto e Marcelo Rebelo de Sousa, disse que as convocaria se fosse eleito.
    Também nenhum candidato, como é natural, exclui à partida e em absoluto a possibilidade de usar do poder presidencial de dissolução do Parlamento e de convocação de eleições antecipadas.
    Por sinal, Henrique Neto, tal como outros candidatos mal posicionados nas sondagens, até dá a ideia de que poderia utilizar a dissolução, à esquerda como à direita, como um instrumento de politica que releva mais das funções de governo do que das presidenciais.
    Marcelo Rebelo de Sousa tem mostrado uma posição muito mais prudente e sensata. Não garante nem exclui nada à partida. Explica que não adianta estar antes de tempo a especular sobre cenários e que na altura se verá o que é melhor para o pais. Diz que tudo fará para que o governo em funções, à partida apoiado e legitimado por uma maioria parlamentar, tenha condições para governar com estabilidade até ao fim da legislatura ? Mas o que é que deveria e poderia dizer de diferente ? Eu, se por hipótese absurda, fosse candidato à presidencia com a Constituição actual, não diria outra coisa. Por me querer assumir como Presidente de todos os portugueses, como estando acima e sendo independente dos partidos, e por considerar que, no quadro da actual Constituição, apenas circunstâncias excepcionais podem justificar a demissão de um governo com maioria no Parlamento (por exemplo, não faria o que fez Jorge Sampaio em 2004. E isto não é de modo nenhum incompativel com o facto de eu, como simples cidadão com convicções politicas, acreditar agora e aqui que o governo de António Costa vai governar mal e que a maioria que o suporta no Parlamento se vai fragmentar (até já começou …).
    De resto, como já expliquei anteriormente, esta posição, para além de ser correcta no plano dos principios, é a única stratégia eleitoral que pode permitir a qualquer candidato, por maioria de razão vindo da área politica da “direita” (e não apenas Marcelo), ter alguma hipótese de vitória à 1a volta e, não sendo possivel, de maximizar as possibilidades de vitória à 2a volta.

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