O PS, as portagens e a nova geração de socialistas

É difícil não admirar o percurso e a visão de Tiago Barbosa Ribeiro, o mais promissor jovem deputado do PS com apenas 32 anos. Foi um dos jovens turcos que preparou a chegada de António Costa ao PS. Quando as sondagens ainda diziam que António Costa ganharia com maioria absoluta, e a ideia ainda fazia tremer quase todo o PS, foi ele o primeiro a falar de uma união das esquerdas. Sendo ele próprio ex-militante do Bloco de Esquerda, fez parte do grupo de ex-militantes e apoiantes que prepararam o caminho internamente para o que viria a acontecer.

O agora deputado estreou-se no parlamento com uma intervenção sobre as portagens na A3 ou A4. Com a linguagem colorida a que nos habituou falou do aumento das portagens na A3 e A4 “à socapa e à sorrelfa”.

Este foi um assunto que marcou o discurso de Tiago Barbosa Ribeiro nos últimos 4 anos. Em 18 de Janeiro de 2013, TBR dizia que as portagens eram “um plano de austeridade para o Norte“.

Cinco dias depois queixava-se que as portagens empurravam empresas para a Galiza.

Já em 2012 se queixava de as portagens aumentarem 2%.

Mas andemos um bocadinho mais para trás até 2010. Era Sócrates primeiro-ministro e Tiago Barbosa Ribeiro vice-presidente do PS Porto e deputado municipal pelo PS. Nessa altura o PS Porto veio a público defender a introdução de portagens em todo o país. Tiago Barbosa Ribeiro concordou em nome “dos interesses do país e da região”

Chegou a dizer mesmo numa entrevista que era a favor “de um princípio geral de utilizador-pagador” e que as “portagens nas SCUT devem avançar rapidamente”. O Algarve era uma particular prioridade para o agora deputado:

E ele até viu na introdução das portagens uma oportunidade para o Porto:

Mas isto era em 2010, com o PS a ter que governar e o grande buraco das SCUTs prestes a ser revelado. É que Tiago Barbosa Ribeiro não tem só visão e extremismo ideológico, tem também outra qualidade que lhe permitirá chegar longe dentro do PS: a capacidade de defender arduamente opiniões opostas consoante o partido que está no poder.

18 pensamentos sobre “O PS, as portagens e a nova geração de socialistas

  1. JS

    Aí está porque os partidos PS e PSD defendem eleições legislatibvas via sacos de (subservientes) gatos.

  2. A. R

    O PS aposta tudo em tornar Portugal um pântano semelhante ao que está mergulhado o Brasil: corrupção, pobreza, criminalidade, fome, desastre económico e desmantelamento da democracia.

  3. tina

    Meu Deus, é incrível como os socialistas podem ser tão vira-casacas, tão sem nível! Se o público em geral soubesse tanto como nós sabemos aqui na blogoesfera, eles receberiam ainda menos votos.
    .

  4. tina

    “O PS aposta tudo em tornar Portugal um pântano semelhante ao que está mergulhado o Brasil: corrupção, pobreza, criminalidade, ”

    AR, para os socialistas, a politica é a sua sobrevivência, ao contrário dos sociais-democratas, eles não arranjam emprego facilmente fora da política, porque não têm qualificações adequadas, sempre se serviram de cunhas, etc. Assim sendo, fazem tudo para continuar a sobreviver, jogam sujo, vendem-se, descem ao mais baixo nível. Foi para sobreviver que Costa se uniu à extrema-esquerda e é essa a prática aceite no partido, a de que vale tudo. Nós ainda ficamos chocados, mas se em vez de os vermos como pessoas, os virmos como porcos a chafurdar numa pocilga, já faz mais sentido.

  5. tina

    maria em Janeiro 4, 2016 às 10:35 disse:

    E a maioria dos políticos não fazem o mesmo?

    Não, os socialistas vivem pela mentira, a começar pela política que professam, mas que não põem em prática pois sabem como eles próprios serão prejudicados se for preciso nivelar o rendimento das pessoas de acordo com um regime socialista. Só pessoas sem nível aderem a um partido que vive pela mentira.

  6. Fernando S

    Claro que o oportunismo sem vergonha não é um exclusivo das pessoas de esquerda. Existe, em menor ou maior grau, em todas as áreas politicas.
    Mas é próprio da ideologia da esquerda considerar a politica como sendo um nivel puramente instrumental relativamente a um objectivo que é fundamentalmente o de uma suposta e imaginada igualdade social e economica construida (“engenharia social”).
    Os marxistas diriam que a politica é forma e superficialidade e que o essencial são as “relações de produção e distribuição”.

  7. Pingback: Tiago Barbosa Ribeiro merece uma comenda – O Insurgente

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