Socialismo: Um Fenómeno Geográfico?

Justapondo os resultados geográficos das eleições legislativas Portuguesas de Outubro de 2015 com os resultados das elecciones generales Espanholas de Dezembro de 2015 não deixa de ser curiosa a afinidade geográfica das regiões onde venceu o Partido Socialista (PS) em Portugal e o seu homólogo Partido Socialista (PSOE) em Espanha.

PartidoSocialista_Geografia

15 pensamentos sobre “Socialismo: Um Fenómeno Geográfico?

  1. antónio

    Absolutamente pertinente, por acaso já tinha feito o mesmo exercício. Os Espanhóis dizem mesmo que traçando uma linha a meio do mapa de Espanha os do Norte pagam a miséria dos do Sul. Seria interessante perceber as verdadeiras razões dessa dicotomia entre Norte e Sul da Península Ibérica.

  2. Atenção que o roxo do Podemos engana um bocado o mapa.

    Mas em termos políticos acho que não há grande mistério – pequenos proprietários comportam-se naturalmente de maneira diferente do que assalariados rurais pagos ao dia (tal como pequenos empresários votam diferente do que assalariados). É verdade que hoje em dia as diferenças tradicionais entre a sociedade rural do norte e do sul da Península Ibérica são irrelevantes porque já quase ninguém trabalha no campo, mas depois há a inércia das tradições poíticas adquiridas.

    Se há um mistério por explicar, é a força da Democracia Cristã e depois dos vários partidos de Berslusconi no Sul de Itália, uma região que há partida deveria ser similar.

  3. Fernand Personne

    Acho que deve ter a ver com o clima quente no Sul e frio no Norte. Vejamos:
    – Norte vs Sul da Europa
    – Norte vs Sul de Portugal
    – Norte vs Sul de Espanha
    – Norte vs Sul do planeta

    O calor deve queimar os neurónios…

  4. Alexandre Carvalho da Silveira

    Meus caros, é o sangue magrebino que nos corre nas veias. Acreditem, eu sei do que falo. As opções politicas de grande parte da população do sul da Peninsula Ibérica, não têm nada a ver com politica, têm a ver com modos de vida.
    Durante anos esse fenómeno foi bastante óbvio na Andaluzia onde existiam 600 mil desempregados e simultaneamente 600 mil trabalhadores estrangeiros para fazer o trabalho que eles não queriam fazer. Em qualquer cidade ou mesmo em qualquer “pueblo” andaluz os cafés e as tascas estão sempre cheios de gente, que no inverno discutem futeból, e no verão discutem toiros, toureiros e touradas, enquanto bebem uns tintos e uma cañas acompanhados por umas tapas. Tudo pago com o dinheiro do desemprego. Foi assim que o PSOE, muitos anos liderado por Felipe Gonzalez também ele um andaluz, governou e ainda governa aquela região autonómica de Espanha.
    É fácil perceber que trabalhar com 40-45º é uma grande chatice…

  5. André Miguel

    Tive um professor que diz que a fronteira entre Portugal e Espanha devia ser na horizontal e não na vertical. É capaz de ter razão. No fundo há mais afinidade entre um alentejano e um andaluz que com um minhoto.
    Eu como alentejano confirmo. Só uma coisa me intriga: o porquê do poder dos comunas nesta terra. Não percebo mesmo.

  6. PBeirao

    O que este mapa mostra sao regioes que votaram *maioritariamante* a’ esquerda ou a direita nas ultimas eleicoes. Ha muita gente que vota a’ esquerda a Norte e Centro, ou o PS nunca ganhou uma eleicao nessas regioes? Houve eleicoes em que o PS ganhou em todo o pais com excepcao do nordeste, o famoso “cavaquistao”. Tambem ai a direita era um “fenomeno geografico”?

  7. “Só uma coisa me intriga: o porquê do poder dos comunas nesta terra. Não percebo mesmo.”

    André Miguel, pense lá um bocadinho (e isto também explica a força que há uns cem anos atrás o anarco-sindicalismo tinha na Andaluzia) – onde é que uma ideologia que propagandeia a expropriação dos bens dos proprietários, supostamente a favor dos não-proprietários, terá naturalmente mais popularidade? Numa região em que, maior ou menor, toda a gente tem o seu quintalinho (que no comunismo seria expropriado e integrado numa herdade coletiva), ou numa sociedade em que a maior parte das pessoas são empregados de uma minoria de proprietários, com grandes diferenças de riqueza e rendimento, e em que o comunismo e o anarco-sindicalismo têm o apelo de “vamos deixar de ser criados daqueles senhores que nem sequer vivem cá, mas nas suas casas finas de Cascais e Sevilha”?

    O que me parece mais misterioso é, não a força do PC no Alentejo, mas a força do PS e do BE no Algarve (já notei – tanto pelo Algarve como pela Nazaré – que os pescadores são um grupo social que tradicionalmente vota PS – ou contrário dos agricultores que votam na direita, e dos assalariados rurais e operários industriais, que tradicionalmente votavam comunista – mas não percebo é o porquê dessa especificidade)

  8. Ramires

    A “fauna”,meus senhores, a “fauna”.
    À medida que nos aproximamos do Equador a coisa vai degenerando.
    A importação ( imposição) americana do pulhìticaente correcto, distribuído em doses mastodônticas pelos merdias, esgotos televisivos à cabeça, e contìnuamente martelado por aquilo que passa por sistema educativo, escamoteia o óbvio, e apresenta a Grande Mentira como a realidade existente – e desejável.
    Enfim, “pase lo que pase”, o estoiro é inevitável.

  9. Será uma coincidência que fosse nestas zonas de Portugal e Espanha, precisamente o califado de cordoba? 🙂

    Ou que sejam precisamente as zonas de PT e ES com linhagens de sangue (Y-DNA ou se quiser haplogrupos genéticos) inusitadamente elevadas de descendentes de J2 e E1b1? … humm. será? 🙂

    barradeferro.blogs.sapo.pt

  10. Há uns dias discutia eu (transmontano, brigantino) com um amigo meu (portuense) que existe muito mais afinidade do povo do Norte com a Galiza do que qualquer habitante de Lisboa e sul de Portugal. Nos modos de vida, na forma de estar e na maneira de pensar…

    Com muita pena minha, o distrito de Bragança corre o risco de se tornar numa tendência de voto mais para o PS pois a geração com 40/50 anos actualmente toda ela a viver na cidade vive de empregos afectos ao Estado (na sua maioria professores,enfermeiros e médicos) visto que a indústria para aqueles lados é quase nula e apesar de isto não ser matematicamente expresso, a tendência é que os funcionários públicos são mais amigos do socialismo e dos trabalhos para o Estado (forte e a chafurdar em tudo o que é finança)…

    Nas aldeias e concelhos vizinhos ao concelho de Bragança tudo vota à direita visto ser dono da sua própria terra…É o que vai mantendo a cidade na mesma toada de voto.

  11. “Será uma coincidência que fosse nestas zonas de Portugal e Espanha, precisamente o califado de cordoba? ”

    Talvez não – em parte a tal distribuição da propriedade que falei acima resulta exatamente da Reconquista, em que os terrenos que ia sendo conquistados iam sendo concedidos às Ordens Religiosas-Militares que faziam as conquistas (como a Ordem de Aviz); após a Revolução Liberal essas terras foram confiscadas e vendidas em hasta pública, ou coisa assim, criando a tal sociedade em que grande parte da pessoas trabalhava para proprietários ricos vivendo nas cidades.

    Já no norte, como a reconquista ocorreu numa altura em que o estado ainda não estava bem organizado, não houve o tal fenómeno sistemático de doações em larga escala de terras, logo uma sociedade de pequenos agricultores, com quando muito um ou dois pequenos fidalgos locais (sem o ambiente de luta ricos vs. pobres que havia no sul).

  12. Pingback: Nações Ibéricas – Kafka In Amadora

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