Uma televisão, um governo, um presidente

A resolução prematura do BANIF serve dois propósitos essenciais. O primeiro e mais importante é o de evitar o mecanismo de resolução que entrará em vigor daqui a 11 dias e que penalizaria grandes depositantes e obrigacionistas em vez dos contribuintes (já agora, seria uma investigação jornalística interessante saber quem são esses grandes depositantes e obrigacionistas). O segundo é o de alimentar a narrativa política de que havia uma bomba prestes a explodir deixada pelo anterior governo (como se os problemas do BANIF não fossem públicos há meses).

Mas a encenação tinha que ser bem feita. Não podia parecer que a resolução estava a ser feita à pressa, mas que era resultado de uma situação de emergência. A sensação de urgência tinha que pairar no ar. A TVI cumpriu esse papel na perfeição, dando a notícia do iminente colapso do BANIF (o pedido de desculpas posterior só trouxe um toque mais teatral à questão). O serviço veio da mesma estação que nessa semana transmitiu os monólogos de José Sócrates em prime-time e que se prepara para eleger um presidente da República. Já sabemos qual é a nova estação do regime.

14 pensamentos sobre “Uma televisão, um governo, um presidente

  1. jo

    Claro que adiar a discussão de uma solução para o banco até estarmos a 11 dias da mudança das regras, não tem absolutamente nada a ver com o facto de ter havido eleições.

    Gostei de ter ouvido na campanha um primeiro ministro e uma ministra das finanças a dizerem que a economia estava mais forte e que o défice estava controlado, esquecendo-se de referir que tinham um elefante na sala chamado Banif. Gente séria!

  2. Luís Pereira

    Sim, gostava imenso de saber quem são os grandes depositantes e obrigacionistas. Não haverá maneira de os tornar públicos?

  3. Ó jo, não lhe ia chamar ignorante mais uma vez, mas com comentários desses não me deixa muitas alternativas.

    O Banif só vai ter impacto no défice porque o PS do vendedor de chamuças decidiu injectar lá 1.450 milhões de euros dos contribuintes, tudo o resto são cantigas.

  4. Nuno

    Os Governos Regionais, por exemplo? E as Câmaras, as empresas municipais, outras entidades públicas, etc? E depois os privados, não necessariamente as famílias mas as empresas que têm €100k à ordem para pagar um ou dois meses de salários.

    Entre BANIF e BES Açores, qual a quota de mercado nos Açores? E na Madeira? O BANIF é “too big to fail” nas ilhas, tal como o BES era em Portugal.

    Enquanto as falências não forem consideradas normais, ninguém (empresas privadas, entidades públicas) se vai proteger para o risco de falência.

  5. Tiro ao Alvo

    Esperemos para ver. Vai ser bom saber quem perderia se não houvesses intervenção do Estado. Acredito que procuraram proteger outros interesses, que não os dos contribuintes. A ver vamos.

  6. jo

    papaxuxas (o nome diz tudo)

    Você é um daqueles cretinos que só vêm o que querem.
    A falência de um banco não tem impacto na economia?
    Para que é que se compra 700 milhões do capital de um banco se o banco vai à falência na mesma? Para isso mais valia tê-lo deixado falir logo.

  7. André Miguel

    Os socialistas são os melhores amigos da banca. Como iriam de outra forma mostrar obra à plebe? As obras precisam de financiamento, impostos, etc e tal…
    Por outro lado os liberais somos os melhores amigos dos indivíduos, pois são estes que devem mostrar obra, competindo entre eles e vendendo uns aos outros num mercado livre. Mas os jornaleiros não esclarecem, o povo não pensa e não saímos desta merda. País de amebas que vota em anormais deste calibre…

  8. Luís Lavoura

    O que a TVI fez no caso BANIF foi desvalorizar fortemente o banco através da sua notícia, garantindo que o Estado receberia muito menos por ele.

  9. Revoltado

    Espero que isto não seja verdade….a sê-lo temos como nosso primeiro ministro um doente pirómano que começa um fogo para o apagar e ser tratado como um herói.

  10. Fernand Personne

    “O que a TVI fez no caso BANIF foi desvalorizar fortemente o banco através da sua notícia, garantindo que o Estado receberia muito menos por ele.”

    TVI pertence a uma empresa espanhola. Banif vendido ao Santander, banco espanhol.
    Conflito de interesses?

  11. hustler

    “Não deixa de ser curioso que tenha sido a TVI a lançar o pânico sobre o hipotético encerramento do Banif na semana passada, levando a uma queda abrupta do seu valor em bolsa, quando a TVI é propriedade do grupo espanhol Prisa, que tem como accionista de referência o Banco Santander, o mesmo que ontem adquiriu, pelo habitual preço de saldo, a posição do Estado no Banif.”

    O que me quer parecer com isto tudo é que o Kosta Konkordia e o Mário Centeno negociaram um tacho vindouro, um lugar no conselho não executivo do Santander. Para isso não se importaram de passar a factura ao concidadão. Tá visto que vale tudo para estes personagens.

  12. M.Almeida

    A mesma estação de televisão que lançou com pompa e circunstância o actual candidato a PR do governo das esquerdas.
    A corja anda à solta.
    A seguir seguem-se as sondagens manipuladas para afastar de vez Passos Coelho. Afi al eke era incómodo demais para esta oligarquia corrupta

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