O Salário Mínimo Na União Europeia Em 2015

Estando para breve a discussão do salário mínimo onde se mistura a política e a demagogia, deixo aqui as tabelas actualizadas do valor do salário mínimo na União Europeia. Todos os valores estão em euros e estão convertidos numa base mensal (por exemplo em Portugal os trabalhadores recebem 14 meses por ano, portanto o valor será de 505 € x 14 / 12 = 589,17 €). Para uma melhor comparação, adiciono também noutra tabela o valor do salário mínimo de outros países relevantes que não pertencem à União Europeia. A fonte para todos os dados apresentados é o Eurostat.

A Alemanha introduziu um salário mínimo apenas em 2015 sendo uma cedência da CDU ao seu parceiro de coligação CSU. De referir ainda que existem vários países considerados avançados onde não existe salário mínimo – neste conjunto de países, além da Itália e da Suiça estão incluídos a Dinamarca, a Finlândia, a Noruega e a Suécia (sendo os países nórdicos muitas vezes apontados como países socialistas de referência).

Relativamente a Portugal, o seu valor actual equivalente a 589,17 € mensais corresponde a 74% da média e representa o 12º valor mais elevado entre os 22 países da União Europeia onde existe salário mínimo, Um factor relevante a ter em conta também é que cerca de 500 mil trabalhadores (mais de 10% da população empregada) em Portugal ganham o salário mínimo (fonte).

Finalmente, sou bastance céptico relativamente à estratégia de tentar aumentar os salários e o nível de emprego através da passagem de decretos que restrinjam as decisões e que aumentem os custos dos agentes económicos. Estou convicto que seria muito mais produtivo e efectivo a redução de impostos, a redução da regulação e da burocracia, o aumento da flexibilidade laboral assim como o aumento na celeridade da justiça.

SalarioMinimo

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38 thoughts on “O Salário Mínimo Na União Europeia Em 2015

  1. Don Quixote

    Seria interessante incluir os impostos “escondidos” que as empresas tem de cobrir e que a maioria dos trabalhadores nem sabe que existe… Em Portugal, as empresas têm de pagar 23,75% de segurança social em cima do salário minimo. São quase €140/mes, que nunca sao mencionados e, que resultam num custo real do salário minimo de $729/mes!!

    É certo que estes impostos “escondidos” são comuns noutros paises, mas a sua variaçao é suficientemente grande para que tenham um impacto significativo na tabela acima apresentada: 27% na Hungria, 23% em Espanha, 13% na Grecia, 9% na Alemanha e apenas 6% nos EUA.

    Fonte: https://www.ssa.gov/policy/docs/progdesc/ssptw/

  2. De facto, @Daniel Rijo e @Don Quixote, são análises muito interessantes, mas que requerem mais cruzamento de dados e acesso a dados que não estarão facilmente acessíveis de forma normalizada: a segurança social paga pelo empregador, subsídio de refeição, seguro de trabalho (que é obrigatório em Portugal), … Para uma análise completa, deveria também ser considerado o número de horas trabalhadas por semana, o número de dias de férias, de feriados e um factor extremamente importante também: a produtividade.

  3. FB

    Desculpe a deixa, que tem que ver com a minha área de conforto (que é a linguística, não a economia), mas ‘produtividade’ já se escrevia sem ‘c’ antes do AO 1990. De tanto quererem ser anti AO’90, andam a inventar consoantes mudas onde nunca existiram (pelo menos, não desde o AO 1945).

  4. “Estou convicto que seria muito mais produtivo e efectivo a redução de impostos, a redução da regulação e da burocracia, o aumento da flexibilidade laboral assim como o aumento na celeridade da justiça.” — Não foi resolvido pelo governo anterior? Esqueceram-se de reformar o estado?…
    By the way, a melhoria da produtividade é alcançada como? Trabalhando mais tempo e mais rápido, ou alterando métodos, sistema de gestão e tecnologia? Quem é responsável pela produtividade? O “Zé” lá da fábrica ou o Engenheiro que a gere?!…

  5. Fernando S

    Luis FA : “Não foi resolvido pelo governo anterior? Esqueceram-se de reformar o estado?…”

    Vai ser resolvido pelo governo actual ?!…

    (Por sinal, o governo anterior, por pouco que fosse, até flexibilizou a legislação laboral e começou a reduzir o IRC.)

    .
    Luis FA : “Quem é responsável pela produtividade? O “Zé” lá da fábrica ou o Engenheiro que a gere?!…”

    O “Engenheiro” tem uma margem de liberdade suficiente (incluindo a fixação de remunerações) para se poder dizer que “a gere” ?!…

  6. Joao Bettencourt

    “ou alterando métodos, sistema de gestão e tecnologia?”

    Para isso e preciso capital…

  7. jo

    Olhando para a tabela vemos que as economias mais bem sucedidas, incluindo as coqueluches dos nossos liberais como o Luxemburgo, a Alemanha ou a Irlanda têm salários mínimos muito mais altos que o português. Parece que o salário mínimo não destruiu assim tanto a economia deles.

  8. Fernando S

    jo : “Parece que o salário mínimo não destruiu assim tanto a economia deles.”

    Teem salários minimos mais elevados porque teem produtividades mais elevadas.
    E não o contrário. Obviamente !
    Há estudos que mostram que, tendo em conta as diferenças de produtividade, o salário minimo em Portugal é já elevado.
    Imagine-se o que vai ser futuramente com um aumento adicional do salário minimo e a diminuição do tempo e da flexibilidade de trabalho !!!

  9. jo

    Fernando S

    Se é possível a coexistência de produtividades elevadas e salários mínimos elevados, então não é o valor do salário mínimo que trava a produtividade.

    Talvez a aposta em resolver os problemas de produtividade das empresas à custa de descidas dos salários, combinada com uma classe empresarial, ignorante e preguiçosa não seja uma grande aposta.

    Se permitirmos que os salários baixem indefinidamente numa altura de alto desemprego então as empresas seguirão o caminho de menor resistência e, em vez de inovar, procuram baixar salários. Isto repete-se até sermos o país com os mais baixos salários da zona Euro, um dos países em que se trabalha mais horas e um dos que tem pior produtividade. Claro que e difícil quebrar este ciclo, mas baixar salários só vai prolongá-lo.

  10. lucklucky

    Baixar salários permite a elasticidade que é o que permite responder às variações da procura.
    O facto de milhares de portugueses terem emigrado é porque não há trabalho e não há trabalho porque o vínculo do trabalho tem mais força do que um casamento e os custos inerentes associados como o salário minímo. Ou seja temos muito menos empresas do que deveriamos ter.

  11. jo

    Se o que se procura é elasticidade de salários, então o nosso problema está resolvido.
    Os salários médios baixaram mais de 10% nos últimos quatro anos (dados do Banco de Portugal) O investimento não apareceu.
    Conclusão: é preciso baixar salários.

    Portugal é dos países menos competitivos da zona Euro.
    Tem os salários mais baixos da zona Euro.
    Conclusão: Portugal é menos competitivo que os outros porque os salários portugueses são altos demais.

    Existem muitos fatores que influem na competitividade das empresas, sendo os salários um deles.
    Os salários portugueses são os mais baixos da zona Euro e apesar disso a competitividade é fraca.
    Conclusão são os salários que provocam a baixa competitividade e é necessário baixá-los.

    Conclusão geral: para os nosso liberais e no que respeita a salários, a lógica é uma batata.

  12. Tiro ao Alvo

    Interessante era, também, tomar em consideração o custo de vida em cada país -1.500 euros no Luxemburgo, não se podem comparar com 1.500 euros em Portugal.

  13. hustler

    Maria,

    “O que eu gostaria de ver era vossascelências a ganhar 500 euritos. Ora pois.”, a questão não é ganhar, só, 500 euros, a questão é aumentar o número daqueles que nem sequer os 500 euros ganham.

  14. hustler

    Salário Mínimo Real em PPP (paridade poder de compra) em USD´s , 2014

    Luxembourg 25628
    Netherlands 23412
    Belgium 22323
    Ireland 21404
    Australia 21387
    France 20919
    New Zealand 20002
    United Kingdom 18674
    Canada 17152
    Slovenia 15677
    Korea 15242
    Japan 15175
    United States 15080
    Spain 13374
    Israel 12880
    Portugal 11676
    Turkey 11038
    Poland 11026
    Greece 10900
    Hungary 9227
    Slovak Republic 8394
    Czech Republic 7651
    Estonia 7554
    Chile 6998
    Mexico 2125

  15. hustler

    Nível de PIB per capita e produtividade, em USD´s, preços correntes, PPP´s correntes, em 2014

    Luxembourg 97272,6
    United States 54353,2
    Ireland 48732,7
    Netherlands 47634,8
    Australia 44971,5
    Canada 44057,2
    Belgium 42838,5
    United Kingdom 39709,5
    France 38869,7
    New Zealand 36810
    Japan 36455,9
    Korea 34355,7
    Israel 33242,6
    Spain 33168,8
    Czech Republic 30366,4
    Slovenia 29968,7
    Portugal 28382,5
    Slovak Republic 27711,2
    Estonia 26901,6
    Greece 25950,4
    Hungary 24708,5
    Poland 24430,4
    Chile 22253,8
    Turkey 19027,4
    Mexico 17830,7

  16. hustler

    Comparando batatas com batatas, verifica-se que Portugal tem o salário mínimo adequado para a produtividade e riqueza que produz. Aliás, estes dados de 2014 (OCDE) pecam por já estarem obsoletos, uma vez que Portugal aumentou o salário mínimo de 485 euros para 505 euros em 2015.
    No entanto, e à luz destes dados,verifica-se que Portugal tem o salário mínimo ligeiramente acima de outros países que competem directamente com o nosso país na captação de investimento estrangeiro, nomeadamente indústria de mão de obra intensiva. Aqui verifica-se que países de leste como a República Checa e Eslováquia (este já em 2015) são mais produtivos e ricos que Portugal, mas com um salário mínimo inferior ao nosso.
    Devo salientar que a tabela já se alterou, em 2015 Portugal teve um aumento do salário mínimo, o que na verdade faz com que o nosso país tenha subido um ou dois lugares na primeira tabela, mantendo-se todavia no mesmo lugar na segunda tabela. Aumentar mais ainda o salário mínimo já para o ano parece ser um disparate, não há aumentos de produtividade e riqueza que o justifiquem. A única coisa que irá acontecer é aumentar o desemprego e afastar investimento estrangeiro.

  17. Fernando S

    jo,

    A ordem logica é : se a produtividade é maior então os salarios podem ser maiores.
    Não é o inverso : aumentam-se primeiro os salarios e a produtividade aumenta em consequencia.
    Em Portugal, em varias alturas, e em particular na primeira década de 2000, aumentaram-se salarios acima dos aumentos de produtividade e o resultado foi uma diminuição da competitividade, uma quase estaganação do produto, um aumento do desemprego.
    A produtividade é o que é em função de diversos factores. Não serve de nada aumentar salarios se estes factores não potenciam uma maior produção. Ou melhor, serve para comprometer a rentabilidade das empresas, limitar o volume de actividade, gerar desemprego.

    Uma das condições mais importantes para um aumento da produtividade é a possibilidade de combinar diferentes factores e recursos produtivos de modo flexivel e tempestivo. Mas para isso é preciso que os gestores tenham liberdade suficiente. Um dos maiores bloqueios é a rigidez do mercado de trabalho e das grelhas salariais.

  18. Fernando S

    jo : “Se permitirmos que os salários baixem indefinidamente numa altura de alto desemprego então as empresas seguirão o caminho de menor resistência e, em vez de inovar, procuram baixar salários.”

    Ninguém fala em baixar salarios “indefinidamente”.
    De resto, o que se trata não é de baixar salarios mas de dar às empresas mais liberdade na gestão dos seus recursos produtivos, a começar pelos humanos.
    Os paises que tiveram e teem mais liberdade economica são também aqueles onde o desemprego é menor e os salarios são mais elevados.

    Portanto, a “solução” do jo é …. aumentar ainda mais o desemprego !!

  19. Fernando S

    maria : “O que eu gostaria de ver era vossascelências a ganhar 500 euritos.”

    Eu tenho amigos, de quem gosto muito, que ganham 1.000 Euros e que se queixam.
    Bora popor 1.500 ?… ou 2.000 ?… 2.000 já daria para viver modestamente mas dignamente !…

  20. Fernando S

    hustler : “Aumentar mais ainda o salário mínimo já para o ano parece ser um disparate, não há aumentos de produtividade e riqueza que o justifiquem. A única coisa que irá acontecer é aumentar o desemprego e afastar investimento estrangeiro.”

    Concordo.

  21. jo

    Fernando S

    A única medida que se vê da parte dos nossos empresários para aumentar a produtividade é baixar salários ou, se for impossível, congelá-los. Isto é lógico porque alterar modos de produção e procurar novos produtos implica investimentos, que terão de ser feitos à custa dos lucros, enquanto diminuir custos à custa dos trabalhadores só implica ter um governo subserviente,

    Como a produtividade é alcançada exclusivamente pelos salários, então nunca será possível subir salários sem prejudicar a competitividade. No fundo diz-se às pessoas que se devem sacrificar pelas empresas sem receberem nada em troca, nem agora nem no futuro.

    Esse caminho tem sido seguido bastantes vezes por Portugal. O que se conseguiu foram dos salários mais baixos da Europa e das empresas menos produtivas.

    Quanto às comparações com outros países: Se quisermos produzir o que produz o Bangladesh então os nossos salários são altos, e os lucros das empresas pequenos. Tudo depende da sociedade que quisermos.

  22. hustler

    Jo,

    “Isto é lógico porque alterar modos de produção e procurar novos produtos implica investimentos, que terão de ser feitos à custa dos lucros, enquanto diminuir custos à custa dos trabalhadores só implica ter um governo subserviente,”, para haver investimentos é necessário que exista capital para investir (próprio ou alheio). Acontece que a maior parte das empresas trabalha com a tesouraria negativa, pelo que a luta do dia a dia é saber como pagam as contas ao final de cada mês, não há portanto margem ou capital para investimentos. Com tesourarias negativas corta-se em tudo o que são gastos desembolsáveis mensais, salários incluidos. O que acaba de propor não é exequível à luz da nossa realidade.

  23. hustler

    “Quanto às comparações com outros países: Se quisermos produzir o que produz o Bangladesh então os nossos salários são altos, e os lucros das empresas pequenos. Tudo depende da sociedade que quisermos.”, o meu caro não passa de mais um sonhador de esquerda. As comparações são obviamente necessárias para enquadrar Portugal com aqueles países com que compete directamente na captação de investimento estrangeiro. O investimento estrangeiro de mão de obra intensiva é sensível aos custos operacionais, pelo que irá sempre preterir um país em função de outro conforme os custos.

  24. Miguel Noronha

    “Se quisermos produzir o que produz o Bangladesh então os nossos salários são altos, e os lucros das empresas pequenos. Tudo depende da sociedade que quisermos.”
    Quer dizer que é uma escolha simples. Nesse caso quero o mesmo que o Luxemburgo ou a Suiça. Deve bastar replicarmos o que eles produzem

  25. hustler

    “Se quisermos produzir o que produz o Bangladesh então os nossos salários são altos, e os lucros das empresas pequenos. Tudo depende da sociedade que quisermos.”, porque é que todos os países não seguem o seu conselho para criar um mundo mais feliz. Vamos todos aumentar salários até termos a massa salarial da Noruega. Perceba o que está errado no seu raciocínio: as empresas de mão de obra intensiva são altamente competitivas e altamente sensíveis aos custos; as empresas de tecnologia são altamente dependentes do know how de trabalhadores qualificados, competição moderada e têm altas margens de lucro. Por exemplo, uma Zara é facilmente replicável tanto na China como no Bangladesh, no entanto, uma indústria farmacêutica não muda de país para baixar custos pois não arranja os ativos intangiveis necessários em países subdesenvolvidos. Portugal é um país maioritariamente de trabalho não qualificado, e apenas capta investimento de mão de obra intensiva, por oposição à Dinamarca, onde a maioria da população activa é altamente especializada com um grande número de Ph.D.´s. Isto não deveria ser difícil de entender. A realidade não é a fantasia que nós queremos, é sim, a verdade nua e crua.

  26. Fernando S

    jo : “Como a produtividade é alcançada exclusivamente pelos salários, então nunca será possível subir salários sem prejudicar a competitividade.”

    Eu percebo o que quer dizer, embora discorde.
    Mas alguma imprecisão na utilização de certos termos não ajuda à compreensão.
    A produtividade não pode ser aumentada através da redução de salários.
    O que pode ser aumentado pela redução de salários é a competitividade e a rentabilidade.
    A produtividade depende de outros factores.
    É porque a produtividade é baixa que, para não prejudicar a competitividade e a rentabilidade, os salários não podem ser altos.
    E não o contrário.
    Apenas na medida em que a produtividade for aumentando é que as empresas poderão suportar salários mais elevados sem prejudicar a competitividade e a rentabilidade.
    Sendo que a rentabilidade é indispensável para as empresas serem viáveis e poderem investir.
    E sendo que o investimento é um dos meios mais importantes (não é o unico, longe disso) para a produtividade poder aumentar e os salários poderem acompanhar.

  27. hustler

    Caro Fernando,

    A produtividade também é função dos salários. Pode-se de facto aumentar a produtividade diminuindo os salários ou qualquer outro custo inerente ao processo de transformação (seja produto ou serviço). Dois exemplos: quando se processa uma lata de sardinhas em conserva o valor do output é baixo, no entanto o valor do input (custo) é significativo. Na Alemanha, quando se monta um BMW o valor do output tem alto valor acrescentado, no entanto o valor input é baixo relativamente ao output. Diferença: a Alemanha cria produtos de valor acrescentado, Portugal cria produtos com pouco valor e facilmente replicáveis em qualquer parte do mundo.

    “A measure of the efficiency of a person, machine, factory, system, etc., in converting inputs into useful outputs.

    Productivity is computed by dividing average output per period by the total costs incurred or resources (capital, energy, material, personnel) consumed in that period. Productivity is a critical determinant of cost efficiency.”

    Read more: http://www.businessdictionary.com/definition/productivity.html#ixzz3tvDHW3p7

  28. Fernando S

    Caro hustler,
    O hustler refere-se ao conceito de produtividade economica, em valor.
    Eu considero mais correcto e esclarecedor partir da produtividade tecnologica, em quantidades fisicas.
    Nesta perspectiva a produtividade é um determinante da eficiencia economica mas não se confunde com ela.
    A produtividade é uma relação fisica (tecnologica) : quantidade de output por unidade de factor produtivo utilizado.
    A eficiencia é uma relação de valor (economica) : valor final comercializado deduzido do valor dos custos de produção.
    A produtividade, que é fisica, influencia naturalmente a relação de valor que é a eficiencia.
    Mas não esgota os determinantes. A eficiencia depende também dos valores, dos preços, tanto dos produtos finais como dos factores produtivos (onde se inclui o custo do trabalho).
    Como a influencia da produtividade sobre a eficiencia é grande, os dois termos são muitas vezes utilizados como equivalentes. Diz-se então que a produtividade é uma medida da eficiencia.
    Os anglo-saxonicos, que são muito pragmaticos, fazem-no quase sempre.
    Mas mesmo estes, quando se trata da teoria e dos fundamentos, fazem a distinção.
    Esta distinção permite-nos analizar a evolução da produtividade independentemente da evolução dos preços dos bens e dos factores.
    Por exemplo, a produtividade pode aumentar mas a eficiencia até pode baixar se os preços dos bens produzidos baixarem ainda mais e/ou os preços dos factores subirem ainda mais.

  29. Fernando S

    No outro sentido, é ainda verdade que os salarios podem influenciar a produtividade (tecnologica).
    Através da motivação dos trabalhadores : normalmente, salarios mais altos aumentam a motivação e fazem aumentar a quantidade de output por hora trabalhada e vice-versa.
    Esta relação não é univoca. Podem-se imaginar situações, que são realistas, em que trabalhadores com salarios mais elevados se sentem numa zona de conforto e se aplicam menos e, inversamente, em que trabalhadores com salarios mais baixos sentem a necessidade de se aplicarem mais para aguentar o emprego e justificar um eventual aumento de remuneração.
    Mas isto é a teoria geral.
    Em Portugal, a esquerda utiliza muito o argumento de que salarios mais elevados fariam aumentar a produtividade.
    Fariam ? Nada permite concluir que seja assim e, de qualquer modo, a acontecer, esta variação seria muito pequena, sobretudo em proporção do aumento do custo de produção por via salarial.
    Ja não faz grande sentido vir dizer que os empresarios baixam salarios para aumentar a produtividade e que impor aos empresarios aumentos de salarios é o melhor modo de os obrigar a investir para melhorar a produtividade de outro modo.
    Os empresarios não andam distraidos e sabem melhor do que ninguém que a produtividade que conta não se aumenta baixando salarios.
    A razão principal para alguns empresarios procurarem baixar salarios é, mantendo-se a produtividade constante, tentarem defender a viabilidade da empresa e recuperar uma rentabilidade insuficiente.
    Um empresario de uma empresa em dificuldades, com fraca rentabilidade, não vai estar na disposição e em condições financeiras para investir capital numa tecnologia mais sofisticada como forma de compensar eventuais aumentos de salarios.
    As “soluções” da esquerda criam apenas dificuldades às empresas e, nestas, sobretudo às pequenas e com fracas rentabilidades.
    Com as consequencias, nomeadamente ao nivel do emprego e do produto, que se conhecem !…

  30. jo

    Hulster

    “Portugal é um país maioritariamente de trabalho não qualificado, e apenas capta investimento de mão de obra intensiva, por oposição à Dinamarca, onde a maioria da população activa é altamente especializada com um grande número de Ph.D.´s. Isto não deveria ser difícil de entender. A realidade não é a fantasia que nós queremos, é sim, a verdade nua e crua.”

    No entanto os empresários portugueses não parecem procurar trabalhadores altamente qualificados. Se o problema fosse a falta de qualificação dos trabalhadores teríamos falta de pessoal para posições qualificadas. O que temos são os poucos trabalhadores qualificados a emigrarem. O problema talvez seja o facto de neste país, em que é possível contratar barato, é mais produtivo tentar competir com o terceiro mundo e gritar “aqui d’el rei” se tentam alterar esse estado de coisas.

    Claro que baixar salários e diminuir a qualidade do Estado Social vai-nos aproximar cada vez mais das sociedades que vendem mão de obra intensiva, e vai nos afastar da sociedade tecnológica. Os tais empresários muito atentos investiram em mão de obra intensiva e a única solução que conhecem para os seus problemas é passá-los aos trabalhadores. Se protegermos este tipo de empresas o que vamos conseguir é um país cada vez mais pobre.

    Para este tipo de empresários medíocres qualquer tentativa de saída da mediocridade é nefasta, por isso temos afirmações de que há licenciados a mais, os doutores não querem trabalhar no duro, a proteção na pobreza e no desemprego só cria calões, etc..

  31. hustler

    Jo,

    Perceba o que acabou de escrever: “No entanto os empresários portugueses não parecem procurar trabalhadores altamente qualificados.”,
    e sabe porque não procuram? Porque o nosso tecido industrial não é feito de farmacêuticas ou de tecnologias de ponta. O que temos em Portugal são indústrias têxteis, de calçado e da apanha de frutos. Acha que um empresário que tem uma exploração agrícola dedicada à produção de morangos necessita de pessoal com canudo? Você vê as coisas na perspectiva inversa, a sua lógica é “não temos pessoal com qualificações porque o patronato prefere mão de obra barata”, quando na verdade a realidade é “os empresários não precisam de mão de obra qualificada porque o seu tipo de negócio é mais artesanal do que científico”.

    Todo os seus argumentos são fantasias e deslocados da realidade:
    “Claro que baixar salários e diminuir a qualidade do Estado Social vai-nos aproximar cada vez mais das sociedades que vendem mão de obra intensiva, e vai nos afastar da sociedade tecnológica.”,
    quem cria as empresas são os empreendedores e o tipo de tecido industrial que temos já remonta a décadas atrás. Portugal nunca teve industria de ponta, pois até ao 25 de Abril a quantidade de pessoas com um canudo era ínfima, portanto o que se podia arranjar para os empreendedores da altura com apenas a 4a classe, eram industrias simples sem grande grau de sofisticação.

    Não é possível mudar o paradigma do nosso tecido industrial de um dia para o outro; isto não é estalar os dedos e amanhã nasce uma Apple e um Google em solo português. Isto é um processo moroso que pertence à nova geração de empreendedores e que vai levar décadas a implementar (sim, décadas). O Estado nada tem a ver com este processo e nada pode fazer para transformar uma nova revolução industrial, excepto desburocratizar.
    Enquanto este processo ocorre os portugueses têm que viver de alguma coisa, e por isso é melhor continuar a nutrir alguma simpatia pelas industrias que temos, que pelo menos dão trabalho e são o motor das nossas exportações.

    “Para este tipo de empresários medíocres qualquer tentativa de saída da mediocridade é nefasta, por isso temos afirmações de que há licenciados a mais, os doutores não querem trabalhar no duro, a proteção na pobreza e no desemprego só cria calões, etc..”,
    não são os patrões que o dizem ( já reparei que para si o alvo a abater é o patronato), é o mercado de trabalho. Temos licenciados a mais nalgumas áreas (letras e afins) e défice noutras áreas (engenharias e afins). O mercado não necessita de mais historiadores da arte, encartados com o curso de latim, etc., e nesse sentido o mercado está desajustado.
    Segundo, dada a tipologia do nosso tecido industrial, o maior mercado para os mais qualificados é o Estado, Estado este que já tem pessoal suficiente (excepto talvez médicos e enfermeiros).
    Partindo destes dois DADOS, verifica-se facilmente que o mercado não consegue absorver mais pessoas qualificadas do que o que seria desejável.
    Os doutores não querem de facto trabalhar no duro, basta ver como são tratados os administrativos e os doutores na função pública, os primeiros cumprem horários e é-lhes delegado todo o tipo de tarefa, os segundos chegam às horas que querem e vão fazendo o trabalho ao seu ritmo (devagar, devagarinho).
    Quanto à protecção no desemprego, penso que é indiscutível a justiça de tal medida. O que está em questão é o tempo de atribuição do subsídio de desemprego. Portugal é dos países que mais tempo subsídia o desempregado. Isto acarreta distorções no mercado de trabalho. Sabem-se de histórias em que o desempregado só começa efectivamente a procurar trabalho nos últimos três meses de atribuição do subsídio. Este tipo de protecção do Estado deveria servir para proteger o desempregado, mas o que na verdade (em muitos casos) se verifica é que muitos usam o dito subsídio para ter umas férias prolongadas. Eu próprio conheço, na primeira pessoa, algumas destas histórias.

  32. hustler

    Gonçalo,
    “Que tal esta análise em função do PIB de cada País?
    Ou do seu custo de vida…”,
    essa análise foi feita mais acima!

  33. Anticapitalista

    Tudo se discute exceto o sistema a que se aplicam “todas essas teses”. Sim, porque vivemos numa sociedade agora já globalizada sob a égide do sistema de capitalismo (tendencialmente selvagem depois da crise iniciada em 2007 e que parece não ter fim à vista, pelo menos teóricos com soluções como o Keynes em 1929 não conheço) onde imperam as diferentes irracionalidades (designadamente de carater social) enquanto consequência da histórica e intransponível/ultrapassável contradição entre o carater social da produção e a apropriação privada dos meios. O resto é blá blá que, de braço dado com a “liberdade” e a “democracia” burguesas aos ventos apregoadas em campanhas eleitorais, leva os cidadãos explorados (e não apenas porque desempregados ou com salários baixos) a votar nas PàFs que travestem gente e siglas como o Pedro e o Paulo, o PPP/PSD e o CDS/PP que, enquanto responsáveis pelos 40 anos de governança dos “do arco” conduziram Portugal à miserável situação económica, financeira e social (mais esta) em que se encontra. 1 exemplo apenas: na quinta feira passada comprei 500.000 ações de um banco português pela módica quantia de €450?!?!?!?! e esta hein?!?!?!?! como diria o saudoso F. Pessa, Sendo que uma caixa de chicletes custava €2,49 na mesma data, com tal montante comprei mais de 2.765 ações. Ou se, não fumasse durante esse dia, com os €4,20 do maço poderia ter comprado mais de 4.665 ações. E quando o sistema financeiro de uma economia capitalista atinge estes “rácios”……
    Tenham dó, e deixem-se de pregar aos hereges, optando antes por lhe ensinar a pescar…..

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