PCP: a fragilidade do governo socialista

A duração do governo dependerá  do PCP e do BE.  Mas, será que o PCP alinha numa estratégia governativa do PS, durante 4 anos, executada por um governo que não representa o esquerdismo que o apoia no Parlamento, e aprovada por Bruxelas?

Os entendidos na matéria identificaram um obstáculo que se prende com a  “natureza” dos comunistas e da sua função no sistema partidário, ao qual eu acrescento algumas frases da entrevista de Jerónimo de Sousa ao Expresso no fim de semana passado:

1- Escreveu Vital Moreira, em 2008, que o PCP faz gala da sua excepcionalidade, acentuando a ortodoxia doutrinária, a intransigência dogmática e o sectarismo político” (…) “Não deixa de ser surpreendente, depois do soçobrar do comunismo soviético, uma tão grande fé nos dogmas do ‘marxismo-leninismo’ e nas virtudes do socialismo real’, lá onde ele persiste.” Conclui: “Pelos exemplos alheios por esse mundo fora, receia que mudar pode significar morrer depressa. Por isso prefere não mudar, na esperança de adiar continuamente o fim, ou morrer devagar”;

2- Escreveu José Pacheco Pereira, em 2012, no seu blog, “tacticamente o PCP tem outros objectivos, a começar por criar dificuldades ao PS (…) O PCP vive da conjugação entre uma acção tribunícia, com os seus efeitos de propaganda, identidade e afirmação, e o seu papel na protecção da sua “clientela” eleitoral, nos sindicatos e nas autarquias. (…) Convém não esquecer nunca aquilo que muitos comentadores esquecem quando referem o PCP: ele não está a falar para todos nós, ele não pretende que a sua “mensagem” nos chegue, porque conhece os seus limites. Ele está a falar para um dos poucos grupos políticos com uma forte identidade não apenas de pertença mais ou menos clubística, mas social. Enquanto os partidos como o PS e o PSD são partidos em que a representação social é difusa e transversal, no PCP sabe-se muito bem quem são os “seus” e o que é que eles precisam do PCP. O PCP nesta fase de defesa, mais do que de ataque, pisa só o solo que melhor conhece;

3- Algumas frases da entrevista de Jerónimo de Sousa ao Expresso que sugerem aquilo que foi identificado pelos os estudiosos mencionados nos pontos 1 e 2:

“(…) considero que este programa do PS não representa uma linha de ruptura. Mas o PS dá um passo em muitas questões. O grau de concretização é relevante. É muito importante que as coisas não fiquem apenas no papel. Julgo que o PS esteve sempre de boa fé, mas há muito caminho a fazer”

Pergunta: O PS passou a ser um partido de confiança?

“Tem de fazer essa pergunta ao PS.

Pergunta: Não, tenho de a fazer a si. Depois do que disse do PS…

É importante que fiquem com a ideia de que não abdicamos, mesmo nesta circunstância, de ter posicionamentos críticos em relação a algumas questões de fundo”.

“Não metemos o comunismo na gaveta e ficou claro para o PS que não abdicamos do nosso ideal, do nosso projeto e do nosso programa!”

Pergunta: É esse programa que pode criar graves fraturas. Essas questões vão-se colocar…

“É evidente que se vão colocar. A vida é dinâmica. O desenvolvimento deste processo será, com certeza, pontuado por convergências, mas também por divergências e por diferenças”. 

Pergunta: António Costa não vai fazer como Hollande. Já disse que vai cumprir as metas do défice.

De qualquer forma, essas imposições não podem ser intocáveis“.

Posto isto, feito este aviso do PCP na pessoa de Jerónimo,  no mesmo fim de semana em que Arménio Carlos dá uma entrevista ao Público, o PS que se ponha fino. 

7 pensamentos sobre “PCP: a fragilidade do governo socialista

  1. Assim que o PS cumpra os objectivos do PCP – devolver o controlo dos transportes “públicos” aos sindicatos da CGTP, logo o PCP tratará de roer a corda e mandar o governo do Kosta ao charco.

  2. JMS

    O PC apenas tem que devolver os professores ao seu verdadeiro ministro, Mario Nogueira, e os transportes publicos ao seu ministro, Armenio Carlos.

    Sem isso o PC morre. O PC ja nao existe ha decadas. Esqueceram-se foi de lhes dizer.

    E nos temos de pagar essa merda toda.

    Ate um dia…

    Obrigado Antonio Costa.

  3. JMS

    Alias, como tudo o que se tem passado com este governo fantoche, baseado numa mera equacao aritmetica, desprezando a vontade dos portugueses.

    Tera, esta gente, a devida resposta dentro de um ano, ou menos, quando, apos novas eleicoes, perceberem que ninguem os chamou para serem governo e, melhor, ninguem votou neles para serem governo.

    Nunca irao entender, no entanto, o tempo que fizeram perder ao Pais, intrometendo-se num processo em que nunca ninguem votou. Varias minorias nao podem ser nunca a vontade da maioria. Apenas se aproveitaram dum buraco da CRP, ela propria ao nivel da Constituicao do Bangla Desh ou da Somalia, sem desprimor para esses paises mas inconcebivel num pais europeu.

    Depois admiram-se do estado do Pais…

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