Leitura dominical

A nova ordem, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

(…) A nova ordem está na fresquíssima secretária de Estado da Igualdade ou da Fraternidade, que em tempos explicou no Facebook: “Como sabem eu [sic] não tenho por hábito fazer sensura [sic], mas não tulero [sic] insultos (…)”. E está no sensor, perdão, censor que saltitou da ERC para a tropa, com escala pedagógica a norte. E está na sugestão do Sr. Seixas da Costa, personalidade conhecida por zelar pela educação parisiense do Eng. Sócrates e por se indignar com a falta de “estrelas” Michelin em Portugal: “A ideia não será popular, mas não seria a ocasião para se introduzir uma transparência total nas redes sociais acabando com o anonimato?” E está no assombroso Dr. Ferro. E no nobilíssimo Dr. César dos Açores. E em sujeitos que passeiam títulos e pêlos nas orelhas em simultâneo. Quem é essa gente, Deus do céu?

Não vou ao ponto de dizer que a nova ordem é a consagração dos clientes da taberna: é a consagração dos indivíduos que, expulsos da taberna, desataram a frequentar caves maçónicas compatíveis com o seu nível. Privados de uma reles ideia, a não ser a da impunidade “natural”, exibem petulância directamente proporcional à rudeza que os define. Por cá, a espécie é igualmente apelidada de “elite”. E ninguém se ri, até porque dá vontade de chorar.

Ao que tudo indica, a “direita” ficou sinceramente escandalizada com a jovialidade com que o PS traiu os próprios “princípios”, aliou-se às beatas de Lenine e, após 40 anos de ténue civilização, enxovalhou a data fundadora do regime. Ou a “direita” perde a virgindade ou não volta a levantar-se. O único “princípio” do PS é a convicção profunda e feroz de que nasceu para mandar nisto, custe o que custar. E, se custa muito resignarmo-nos à arrogância de rústicos, a eles custa pouco partilhar o poder com quem partilha a descrença na democracia e a crença na superioridade inata. Só espanta que o arranjinho demorasse tanto. A nova ordem, feita de brutalidade, retórica de 4.ª classe (sem exame), intolerância, comparsas, falências, delírios, respeitinho e a terminal anexação do país pelo Estado, é um projecto velho.

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13 pensamentos sobre “Leitura dominical

  1. Alberto Silva

    A deputada em questão já confessou sofrer de dislexia, isso não a isenta de usar um corretor ortográfico, porém não faz sentido esta perseguição que tem vindo a sofrer desde que publicou o referido post. Quanto ao resto do texto o autor ainda está em convalescença de uma crise de azia sofrida nos últimos tempos. Os meus desejos de melhoras para ele.

  2. lucklucky

    “A deputada em questão já confessou sofrer de dislexia”

    O que é que “há” tem que ver com dislexia?
    E não bastando isso você acredita piamente.

  3. Anónimo

    “… “A ideia não será popular, mas não seria a ocasião para se introduzir uma transparência total nas redes sociais acabando com o anonimato?…”

    A acrescida difusão de conteúdos, que J. Gutemberg proporcionou, resultou em Lutero. Haverá quem goste e quem não goste de … das reformas. Claro que Evangelhos apócrifos ou não, forjados ou alterados, poderão ter sido lidos. Acríticamente ou não.

    Panfletos (anónimos ou não) tiveram a sua cota parte de uma Revolução Francesa. Haverá também quem goste e quem não goste de (algumas) revoluções.

    As redes sociais, que a Net proporciona, estão a impulsionar ainda mais a difusão de conteúdos.
    Sugere-se uma actualizada forma da clerical “Imprimatur” de tão boa memória?.
    Será essa a solução para uma natural e respeitável avidez de informação não oficial, não domesticada?.
    Controlar a difusão de conteúdos anónimos é a solução para qual problema?.
    Quem tem medo da difusão de conteúdos, “bons ou maus”, anónimos ou não, nas redes sociais?.

  4. Joao Bettencourt

    “E que garante que o Seixas da Costa que assina o comentário é a pessoa em causa?! ”

    E que importa isso?

  5. tina

    Texto fenomenal, Alberto Gonçalves. O que é pena é que a população está meio adormecida para a política, não percebe como é a esquerda, também só muito tarde acordou para Sócrates… Não resta mais senão aos poucos de vocês, jornalistas e blogues independentes, continuarem a denunciar sem rodrigos e a chamar as coisas pelo nome, para alertar a população.

  6. ruicarmo

    Francisco Seixas da Costa a que propósito vem a sua questão? Antes de conhecer a sua resposta, a minha é que me estou marimbando para o anonimato, parafraseando o digno presidente da ar. Se quiser começar a comissão inquisitorial pode começar pelos Abrantes. Vá dando noticias.

  7. Tiradentes

    dislexia se confessa sempre que não se saiba escrever ou falar…
    as perseguições só fazem sentido quando somos nós a cuidar dos problemas gástricos dos outros.

  8. Ramires

    Para completar o brilhante ramalhete, temos o soares filho ( ministro , e logo da Cóltura,..) a confundir António Machado com “um brasileiro”…
    Percebe-se que esta canalha lazarenta queira acabar com os exames…

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