A culpa não é do Ocidente

Os massacres de Paris enjoaram-me duplamente. Primeiro, pela barbárie; depois, pela série de clichés a que assistimos desde as vagas de descolonizações do pós-ii Guerra Mundial, entre os quais a “culpa do Ocidente”. Procuram-se razões para justificar a atitude destes “jovens problemáticos”, como que desculpando-os, relativizando o crime com os guetos, o desemprego, a falta de integração, etc. Estes são problemas, sim. Mas nem de perto nem de longe a culpa é apenas e só dos países de acolhimento, dos “ocidentais” – veja-se o caso da integração da imigração lusa. 

Devido ao sentimento de culpa fazemos demasiadas concessões, vergadas à tolerância, para com as comunidades islâmicas: em Penela, no acolhimento de refugiados, entre as actividades que visam a integração, as aulas de português serão dadas a homens e mulheres em separado. Alguém perguntava, com razão, se esta duplicação de esforços também se aplica nos hospitais e nas escolas. E já nem falo nos milhões de euros que a Câmara de Lisboa vai dar para a construção de uma mesquita, uma benesse não atribuída, tanto quanto se sabe, a outras confissões. Também em Espanha, está estipulado que para tirar as fotos do BI seja visível todo o rosto, cabelo e orelhas, um princípio que até se aplica a freiras mas não a mulheres muçulmanas, a quem é permitida a foto com cabelo tapado. 

Mas as falhas de integração são também culpa de quem chega, como notava Serafin Fanjun numa esclarecedora entrevista ao “Público” no dia 19, referindo-se à endogamia e ao proselitismo. De facto, as sociedades europeias deram os primeiros passos, agora cabe àquelas comunidades fazê-lo. De resto, por uma única vez, gostaria que poupássemos nas palavras, nas explicações, na complacência, como resposta a quem nos odeia e, além de reduzirmos a pó uma ameaça identificada, que deixássemos de nos culpar a nós pelas intenções de um grupo terrorista que nos quer destruir. De outro modo, passarão vários anos e este texto fará todo o sentido.

Texto publicado hoje, no jornal i, na mesma altura em que o Henrique Raposo publica um texto sobre o financiamento da CML à nova mesquita.

12 pensamentos sobre “A culpa não é do Ocidente

  1. Pinto

    Esse discurso é ego-ocidentalismo: nós, ocidentais, somos os proprietários da inteligência e os outros, coitados, seres inferiores, seres menores, as vítimas dos nossos exercícios intelectuais, dos nossos jogos políticos e da nossa capacidade manipuladora.

    Esse discurso é o “mais do mesmo”: a culpabilização do ocidente assente na ideia da sua superioridade. Repare que ninguém coloca a hipótese dos EUA, França, Reino Unido, Rússia, estarem a ser manipulados pelos sírios, pelos islâmicos, para actuarem de acordo com os interesses estratégicos deles, nas suas guerras entre sunitas e xiitas. Não, claro que não. Eles não têm essa capacidade. Colocar a hipótese de terem sido os sunitas, quem têm inteligência, vontade própria e uma fé diferente da nossa, a instrumentalizarem os norte-americanos para que estes abalassem o domínio dos xiitas, nem pensar. Nós ocidentais não nos deixamos ludibriar por negros, índios, ou outros seres menores. Colocar a hipótese do Grande Mufti de Jerusalém, Haj Amin al-Husseini ter tido influência sobre Hitler na Solução Final (pese embora não comungue da tese de que foi o grande mentor e orientador de Hitler), está fora de questão. Um árabe não tem a capacidade de influenciar um líder ocidental.

    Estes sujeitos, na ânsia de fazerem um discurso politicamente correcto e agradável (assente em chavões, em clichés gastos) estão a tomar uma atitude de arrogância, de soberba, de sobrançaria. Estão a menorizar os islâmicos e as suas capacidades intelectuais e a reduzi-los a meras marionetas, a vítimas dos nossos interesses e da nossa superioridade.

  2. A. R

    MST falou claro ontem! O problema é da ideologia islãmica.
    O bom muçulmano imita maomè: maomé era salteador, estuprador, violento e assassino.
    Se não imitar não é muçulmano.

  3. lucklucky

    O guna é marxista, ou seja do outro lado, o Ocidente é sempre o culpado mesmo que sejam os outros a matar.

    Sobre o texto. Paupérrimo.
    Falha em perceber que não se querem integrar. Por isso não há falhas na integração. É um problema que não se põe.
    Falha em perceber que não é um grupo terrorista que nos quer destruir.

    Não percebi a lógica desta frase: “De outro modo, passarão vários anos e este texto fará todo o sentido.”

  4. Luís Lavoura

    os milhões de euros que a Câmara de Lisboa vai dar para a construção de uma mesquita, uma benesse não atribuída, tanto quanto se sabe, a outras confissões

    O Estado não atribui atualmente essa benesse a outras confissões, porque elas estão em retração no número de fiéis. Em Lisboa há, consabidamente, um excesso de igrejas. Mas, no passado, o Estado apoiou abundantemente a construção de templos católicos. Agora não o faz porque já há excesso de igrejas em relação ao número de fiéis.

  5. Luís Lavoura

    as falhas de integração são também culpa de quem chega, referindo-se ao proselitismo

    O direito ao proselitismo faz parte do direito à liberdade religiosa. Qualquer pessoa, nacional ou estrangeira, tem o direito de fazer propaganda da sua religião (ou falta dela). Embora seja sabido que o proselitismo incomoda quase sempre quem é objeto dele.
    E não são só os estrangeiros quem faz proselitismo. Ainda no outro dia uma Testemunha de Jeová, português de gema, me tentou converter.

  6. Luís Lavoura

    Procuram-se razões para justificar a atitude destes “jovens problemáticos”

    Ainda não vi nenhuma tentativa de tal justificação no caso dos atentados de Paris. Nenhuma. A Graça viu alguma?

  7. jo

    Os terroristas nasceram em França e na Bélgica. Não vieram viver para a França ou para a Bélgica. Dizer que a culpa do que é feito por cidadãos europeus é exclusivamente de países que estão a milhares de quilómetros é infantil. Tão estúpido como dizer que os sírios não tem responsabilidades na guerra na Síria

  8. Fernando S

    jo : “Dizer que a culpa do que é feito por cidadãos europeus é exclusivamente de países que estão a milhares de quilómetros é infantil.”

    A “culpa” nunca é solteira …
    Uma responsabilidade muito grande cabe sobretudo aqueles cidadãos europeus e ocidentais que durante muito tempo, e ainda hoje, fecharam de ohos, justificaram, simpatizaram, e defenderam uma real impunidade perante os discursos e as acções nos seus proprios paises por parte de extremistas e terroristas islamicos, fossem eles nascidos e nacionais destes paises.
    De qualquer modo, mesmo que uma parte (não todos, longe disso) dos terroristas que teem agido mais recentemente tenham nascido e/ou sejam nacionais de paises europeus, tal não anula o facto objectivamente e praticamente muito relevante de terem sido endoutrinados, recrutados, formados, armados, enviados e comandados a partir dos tais “paises que estão a milhares de quilometros” e onde se localizam as organizações e os regimes fundamentalistas e terroristas.

  9. Faz bem em clamar que os estado tem que ser neutro secular e imparcial; mete medo ver como as escolas dos credos “podem” fazer o que lhes apetece porque as autoridades?!! se demitem de fiscalizar com o mesmo rigor e muito mais competencia.
    Mete-me medo ter gente como o autarca de Lisboa e de Penela a governar este pobre país.

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