Aldrabice eleitoral

2014-02-28-maria-luis-albuquerque-1É difícil explicar como é que o cálculo da devolução da sobretaxa de IRS cai de 35% para 0% em dois meses. Ninguém com dois dedos de testa acredita que seja possível que depois de oito meses de execução orçamental, um cálculo honesto aponte para 35% de devolução e meros 2 meses depois esse valor caia para zero. Das duas uma: ou houve uma incompetência centena no desenvolvimento das fórmulas do modelo de cálculo ou, mais provável, houve uma pura intenção de aldrabar a opinião pública por motivos eleitorais usando ferramentas do estado. Se se confirmar esta última opção, isto pode ser um indicador de decadência socretina da ainda coligação de governo que se lamenta.

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16 pensamentos sobre “Aldrabice eleitoral

  1. JP-A

    Aquelas nomeações no fim também caíram muito mal. Não se percebe como se pode passar quatro anos de dificuldades e depois dar tiros nos pés à última da hora. É daquelas coisas que fazem as pessoas mudar o voto e esquecer o passado num minuto.

  2. tina

    É por isso que os blogues liberais são os mais lidos de todos, só falam verdade, doa a quem doer, enquanto os blogues de esquerda só dizem mentiras para proteger os seus. De toda a maneira, não acredito que Maria Luís fosse cair num truque tão óbvio, deve haver alguma razão.

  3. JS

    Aldrabice eleitoral. Exactamente.
    Uma Constituição, a Magna Carta, o documento que deveria proteger o cidadão dos desmandos enlouquecidos de poderes políticos incontrolados, os partidos em exclusividade, sejam ele de “esquerda” ou de “direita” … a “nossa” Constituição apresenta incongroências.

    Esta Constituição dá aritemeticamente poder, respresentatividade, a “deputados” -nomeados pelos seus partidos, selecionados entre os seus fieis- eleitos num seu respectivo saco de interesses. Indirectamente eleitos.

    Por uma lado é proibido constitucionalmente ser-se genuinamente independente, deputado em nome.
    Por outro constitucionalmente dá-se toda a validade, representatividade, a um “colectivo” numérico de dependentes !.
    E em caso de dúvida desempata, constitucional e exclusivamente, a assembleia de esses mesmos dependente. Lindo.

    Assim, no caso de se verificar a ocurrência na prática de uma aldrabice eleitoral, esta Constituição establece, religiosamente preto no branco, que quem pode corrigir essa aldrabice constitucional são SÓ os seus, vinculados a partidos, deputados. Nao atribuindo, inclusivé, esse o poder ao cidadão, via referendo.
    Uma aldrabice de eleições, de representatividade.

    >>> Um poder tributário como bem refere CGP, sem representatividade. <<<
    Os resultados, de esta incapacidade de o cidadão fiscalizar o seu deputado, estão à vista.

    Se é importante votar no seu, nominalmente escolhido Deputado, muito mais importante é poder tornar a votar nele … ou nao. Uma aldrabice.

  4. Revoltado

    Mesmo tendo sido negativamente afectado por este governo sou seu apoiante, baseado no princípio da escolha do mal menor.
    Dito isto, à moda de disclosure, também acho que, quando se vai para uma guerra, devem usar-se armas equivalentes às do inimigo. Se vou fazer uma luta de fisgas com os cachopos lá da aldeia, levo uma fisga, não a caçadeira do velho. Se vou para uma reunião de trabalho, levo um powerpoint, não a fisga. Ora, a mesma regra se pode adoptar para as campanhas eleitorais. Se a oposição usa e abusa dos dados do “excel” que ninguém vê, porque motivo não poderá o governo sacar duma devolução da sobretaxa que, no final, ninguém vê? Sendo o povo estúpido e com memória curta, os benefícios dessa medida serão sempre maiores (e mais imediatos) que os prejuízos, logo é uma opção válida.

  5. FilipeBS

    Revoltado, esse caminho leva-nos inevitavelmente ao vale tudo e à total remoção de ética em política. Continuo a achar que os fins não podem justificar todos os meios.

  6. Baptista da Silva

    Obviamente foi jogada eleitoral e concordo com JP-A quando se refere às nomeações de final de mandato, é uma práctica tradicional, todos o fizeram, todos o fazem e se ninguém quebrar a “tradição” muitos eleitores nem querem saber de perder tempo a ir votar.

    Há tradições que não interessam a ninguém, excepto a quem as usa.

  7. CsA

    Há 2 meses devolviam 35%, hoje é 0 e vai na volta no final do ano calculam que temos de pagar ainda mais de sobretaxa.

    Palhaçada.

  8. Ricardo C.

    Querem mostrar assim o efeito da ameaça da esquerda?
    Não me parece nada convincente, ainda para mais quando de desenham novas eleições dentro de alguns meses.

    Esta gente que tomou o PSD de assalto é mesmo uma desilusão. Apenas são bons a cumprir algumas das directrizes de Bruxelas, mas parecem ter uma baixíssima inteligência emocional, pois conseguem indispor os mais indefectíveis apoiantes do partido. Se notarem, praticamente toda a gente que ainda vota neles é “por ser o mal menor”. Pois a sua arrogância e falta da mais básica empatia apenas ajuda a transferir votos para a esquerda cada vez mais radical.

    Deviam ser chamados à responsabilidade. Questões tão diferentes como esta presumível aldrabice, os feriados roubados ou as perseguições a cidadãos honestos por parte de uma administração fiscal colocada ao serviço de empresas privadas são palermices que nada trazem de positivo mas revoltam qualquer cidadão honesto e independente.

    E não revelam quaisquer melhoras. Pobre PSD, com tanta gente boa e está tomado por esta miudagem que o vai levar à perdição. E com ele o país.

  9. ric

    Façam como eu – Não acredito numa palavra do que dizem nem governantes, nem políticos, nem funcionários do Estado.
    Levam-me na mesma o dinheiro mas nunca me desiludem nem faço figura de parvo.

  10. Fernando S

    O governo nunca se comprometeu com nenhuma percentagem precisa de devolução da sobretaxa do IRS.
    Nem quando o orçamento para 2015 foi apresentado.
    Nem antes das eleições.
    Nem depois.
    Apenas disse que se no final de 2015 a execução orçamental mostrasse existir algum excedente fiscal este seria devolvido.
    Ao longo dos meses, a execução orçamental, distribuida de modo muito oscilante, apontou para diferentes percentagens. Cerca de 35% foi apenas uma delas, a mais encorajadora.
    Os resultados de Outubro apontam para a inexistencia de um excedente.
    Mas ainda não chegamos ao fim do ano e em geral a execução é mais favoravel nesta fase final.
    Convém aguardar.
    Mas se porventura não houver nenhum excedente para devolver não é escandalo nenhum nem aldabrice nenhuma !
    Antes assim do que garantir antes do tempo o que ainda não é incerto !

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