The Celtic Tigre strikes again

O Pedro Romano, jornalista especializado em temas económicos que sigo e muito aprecio, fez um contraditório ao artigo sobre os méritos das reformas conduzidas na Irlanda nos anos 90, e que fizeram da Irlanda um dos países mais ricos mundo. Por falta de oportunidade só lhe respondo agora. O tempo escasseia, e o mediatismo do imediato consome-nos energia, que deveríamos dedicar a temas efectivamente importantes. E o crescimento de Portugal é, de facto, importante. Fica feito o acto de contrição.

A primeira nota é que o artigo do Pedro não contradiz, até reforça e aprofunda a análise que faço. Mesmo considerando outros indicadores de medição de riqueza, como o RNB e o PIB per capita, a verdade é que a Irlanda cresce a mais do dobro da taxa de crescimento do Reino Unido, e ao quádruplo da taxa de crescimento da França. Não é desprezível.

Por outro lado, o Pedro justifica o crescimento com base na base, passe o pleonasmo. Isto é, dado que a Irlanda partia de uma situação pior, maior seria o seu crescimento, o que tendencialmente se verifica em países menos desenvolvidos. Em economês, isto explica-se com os rendimentos marginais decrescentes, em particular do factor trabalho e do factor capital na função produção da economia. Em parlance de merceeiro, aumentar a facturação de 1 para 2 (100%) é mais fácil do que aumentar de 1000 para 2000. No entanto, mesmo no presente, realizado todo este crescimento, a Irlanda continua a ser das economias com maior potencial de crescimento de toda a Zona Euro.

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Não é indiferente a queda no produto nos últimos anos, recuperando assim um efeito da base. No entanto, esse efeito é comum a outros países como Portugal ou Grécia, que, não obstante a queda no produto, não conseguem taxas de crescimento tão elevadas.

Ou seja, o ponto aqui não é ignorar o efeito catching up, é mostrar como um país, com as devidas reformas estruturais e políticas económicas de promoção do investimento privado, conseguiu catalisar esse efeito catching up e crescer muito mais do que outros países, como é o caso de Portugal, nas mesmas condições.

Finalmente, e não sendo um argumento usado pelo Pedro, é frequentemente referido, com o objectivo de tentar isolar o caso irlandês, que isto só foi possível porque a Irlanda é um país anglo-saxónico e fala inglês. Talvez seja conveniente recordar que já se fala Inglês há muitos séculos na Irlanda. Ou seja, não é por falarem inglês que o investimento directo estrangeiro, em particular o americano, decidiu ir lá parar a partir dos anos 90.

9 pensamentos sobre “The Celtic Tigre strikes again

  1. Baptista da Silva

    Pelo facto de se tratar de um país anglo-saxónico é que consegue reformas muito mais profundas e equilibradas, é uma questão de mentalidade. Quantos Funcionários Publicos foram despedidos no auge da crise Irlandesa? E em Portugal? Pois… país anglo-saxónico é outra loiça.

  2. O crescimento da Irlanda deve-se ao facto de terem conseguido uma solução criativa para atrair o investimento de grandes empresas dos Estados Unidos. Com políticas fiscais atrativas, a Google, Microsoft e outras estabeleceram lá a sua base de operações para a Europa Asia e Africa.
    É certo que falam Inglês, por isso atraem mais facilmente empresas americanas. Mas a diferença está na criatividade e iniciativa dos políticos.
    Nós falamos Português e temos a maior área marítima do mundo e não se aproveita isso.

  3. Baptista da Silva

    @nunomotaricardo , a solução sempre foi o IRC a 12,5%, não há milagres, a troika quis aumentar, mas eles bateram o pé.

    E não compare a TSU deles com a nossa, nada a ver, nada.

    Se um dia quiser, elabore um questionário e eu respondo com a voz de um emigrante em Dublin.

    Eu vi uma conta do supermercado, as taxas são tão baixas que eles compram mais baixo que aqui, excepto vicios, alcool, tabaco, ansioliticos, etc.

  4. Renato Souza

    Buiça

    Porque 700 grandes empresas resolveriam fazer de Portugal o novo Luxemburgo? Seus dirigentes seriam todos, ao mesmo tempo, acometidos de grave doença mental?

    A Irlanda não é uma exceção. É uma exceção na Europa, mas no sudeste asiático vários países tem um perfil institucional semelhante, e obtiveram resultados semelhantes.

  5. Georgina Santos Monteiro

    O Luxemburgo não devia poder existir. Aquile é um clube para trafulhas.

    .

    E a Irlanda, não se cometeram também lá erros? Não tudo o que eles fizeram e fazem é ouro.

    .

    Google, Facebook deviam ter que pagar impostos em cada país, como qualquer empresa. E no mundo digital, isto seria possível, se houvesse a força política.

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    Empresas têm que pagar impostos. Sim senhor.

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    O problema crucial, de Portugal, é a má gestão! Só macacos a roubar, e pouco pessoal com visão e responsabilidade e inteligência. Só ateus, e muitos deles a comer caviar, invejosos, a roubar o próximo. Isto é que é o núcleo do problema. Não os impostos.

  6. Nem o crescimento da Irlanda nem a UE existem há seculos. Curiosamente o fenomeno é coincidente tanto a UE como o crescimento. Será milagre das coincidencias?

  7. Pingback: A Irlanda, novamente | O Insurgente

  8. Pingback: O mercado interno: um modelo esgotado | O Insurgente

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