Mais claro é impossível

Obviamente que turbulências nos mercados afectam todos os países, mas não por igual. Ontem, alguns divulgaram gráficos que mostravam a tendência de subida das yields ou da queda dos índices dos mercados accionistas de vários países, assim tentando demonstrar que era uma tendência geral. O que não fizeram, ou por ignorância ou por desonestidade intelectual — o efeito é o mesmo —, foi mostrar a variação dos spreads entre eles, a comparação que é verdadeiramente significativa para aferir o impacto que a instabilidade política, assim como do prospecto de um Governo de esquerda e de um plano económico-financeiro suicidário, tem causado. O aumento dos spreads face a Espanha e Itália é considerável. Mais claro que isto é impossível.

CTb2Tc6WIAADzi7

Anúncios

13 pensamentos sobre “Mais claro é impossível

  1. Fernando S

    Aposto que se o PR porventura decidisse manter o actual governo em gestão (o que infelizmente me parece cada vez mais improvavel), e apesar da instabilidade politica e de tudo o mais, os mercados ficariam mais tranquilos e os spreads voltariam a descer.

  2. jo

    Temos então que Costa formou governo em junho de 2015, em julho de 2015, em agosto de 2015 e agora. Em todos esses momentos há variações maiores do que a que se verifica agora.

    Ou então tivemos um governo que criou uma instabilidade que provocou, só desde junho de 2015, três casos graves de aumentos súbitos da diferença entre juros. Realmente é melhor correr com esse governo. Como é que se chamava? Já sei! Governo do Passos e do Portas.

    Acaba de provar que há muitas maneiras de ter desonestidade intelectual.

  3. Manuel Matos Salgueiro

    Caro jo,

    Observe o estimado, retirado do Wikipedia:

    4 June 2015 – Greece asks the IMF to postpone the installment due on 5 June until the end of the month. – Inicia-se o primeiro periodo mais volatil.

    27 June 2015 – Prime Minister Tsipras announces a referendum on a bailout agreement, to be held on 5 July 2015.
    28 June 2015 – The Greek parliament approves the referendum, with 178 votes for and 120 against. – Inicia-se o segundo periodo mais volatil.

    20 August 2015 – The prime minister Alexis Tsipras resigns and proclaims elections for 20 September. – Inicia-se o terceiro periodo mais volatil.

    Vá se prostituir para o Largo do Rato

  4. antónio

    Sejamos claros, a explicação para o gráfico apresentado é o enorme fedor a Syriza que começa a grassar em Portugal !!

  5. jo

    Caro Manuel Matos Salgueiro

    Está a utilizar o enviesamento de análise que consiste em só considerar que existem elementos exteriores quando as respostas não conferem.

    As variações dos spreads portugueses são sempre maiores que as dos outros países. Não me explica como é que isso é devido ao Syriza em junho e devido ao Costa em novembro. A não ser que a Itália e a Espanha tenham uma imunidade anti-Syriza.

    Caso não tenha reparado em todos os casos o primeiro ministro era Passos Coelho. Porque razão ele nunca aparece na explicação? É um banana tão grande que tem menos influência no país do que o primeiro ministro grego e que a oposição?

  6. Manuel Matos Salgueiro

    1 – “Está a utilizar o enviesamento de análise que consiste em só considerar que existem elementos exteriores quando as respostas não conferem.”

    É informacao publica. Imputar causalidade é apenas um exercicio de suspeicao, nunca de associacao de causalidade (correlation is not causation). Nessa optica de exercicio de suspeicao, trouxe para a mesa eventos que na minha optica mudariam as expectativas para os holders de divida publica (bancos, fundos de investimento, governos) – Parece me claro construir esta ponte no exercicio de suspeicao. O pararelismo entre a Grecia e Portugal é claro – um choque economico num destes paises faz que o apetite de divida do nivel de risco de PT, GR seja diminuido, o que naturalmente faz com que o yield suba (aka contagio).

    2 – “As variações dos spreads portugueses são sempre maiores que as dos outros países. Não me explica como é que isso é devido ao Syriza em junho e devido ao Costa em novembro. A não ser que a Itália e a Espanha tenham uma imunidade anti-Syriza.”

    As dinamicas de elasticidade do yield funcao do nivel de risco sao conhecidas. Generalizando ao maximo, quanto mais arriscado é um activo, mais variacao tem funcao de um choque economico, dai o efeito ‘harmonica’ em eventos nos choques da Grecia, em ordem de elasticidades decrescentes: Grecia, Portugal, Espanha, Italia. Claro que as variacoes sao funcao de um numero gigante de factores, mas no meio de tanta poeira, os headlines dos jornais geralmente tem impacto. Como disse acima, é tudo informacao publica, nao me lembro de nenhum caso que o governo Portugues tenha iniciado para impactar as expectativas dos investidores. Alias, seria um exercicio construtivo para o debate – enuncie me um facto que tenha partido do governo da coligacao que suspeite que tenha impactado o yield de mercado secundario.

    3 – “Caso não tenha reparado em todos os casos o primeiro ministro era Passos Coelho. Porque razão ele nunca aparece na explicação? É um banana tão grande que tem menos influência no país do que o primeiro ministro grego e que a oposição?”

    Por acaso reparei, e todo o mercado reparou. Nao sei se reparou no trabalho que este governo e os Portugueses tiveram para atingir resultados que foram louvados por basicamente: “Todo O Mundo”. Isso sim chamo influencia. Trabalho, Rigor.

    Talvez os bananas sejam aqueles que foram na cantiga do ministro grego – os que agora estao a pagar o desastre grego – ou os que se deixaram levar pelo ar quente do Costa.

  7. Georgina Santos Monteiro

    @ Caro Manuel Matos Salgueiro (às 12:15),

    a.
    ele, o dito jo, não só trocou o efeito e a causa, como

    b.
    existe um enorme abismo, entre a qualidade de trabalho do governo do PPC e destes sem educação, que querem deitar o governo hoje abaixo, com violência. A percepção lá fora é brutal e muitos, ou quase todos, vão se perguntar, porquê?

    c. […]

    d.
    E sim, os bananas, estes bananas, querem ir na cantiga e deixar enganar-se pelos mesmos. O Costa é um sabe nada, sem cultura nenhuma.

    Os reflexos não se vão ficar por aqui. Um bom trabalhador sabe disso.

    e.
    Mas NENHUM comunista, nem aqueles mentirosos da Coligação Democrática Unitária, que denominação infame, sabe o que é uma prova.

  8. rrocha

    Quem afirma que a subida das yields deve-se só ao “governo de esquerda” estão no mesmo plano dos que afirmam que não tem nada a haver.
    com uma serie tão curta , tirar conclusões se e bom ou mau e manifestamente precipitado, temos que esperar algum tempo (3-4 meses) para ter uma ideia mais correcta , com os factores de instabilidade em Portugal.
    -O longo período que estamos sem governo
    – Sem orçamento de 2016
    -Governo de coligação mais a esquerda
    Na Espanha
    -Eleições no fim de ano (o nosso maior importador)
    Na Grécia
    -A novela das tranches continua

    Ate os mercados estão muito calmos…

  9. jo

    “As dinamicas de elasticidade do yield funcao do nivel de risco sao conhecidas. Generalizando ao maximo, quanto mais arriscado é um activo, mais variacao tem funcao de um choque economico, dai o efeito ‘harmonica’ em eventos nos choques da Grecia, em ordem de elasticidades decrescentes: Grecia, Portugal, Espanha, Italia. Claro que as variacoes sao funcao de um numero gigante de factores, mas no meio de tanta poeira, os headlines dos jornais geralmente tem impacto. Como disse acima, é tudo informacao publica, nao me lembro de nenhum caso que o governo Portugues tenha iniciado para impactar as expectativas dos investidores. Alias, seria um exercicio construtivo para o debate – enuncie me um facto que tenha partido do governo da coligacao que suspeite que tenha impactado o yield de mercado secundario.”

    Tanto palavreado caro para dizer que as variações dos spreads portugueses são sempre maiores que as dos italianos e espanhóis. Por acaso é o contrário do que é afirmado no post. Aí diz-se que a variação é maior porque o governo não é o de Pedro Passos Coelho.

    Pelos vistos, na sua opinião o governo fez muito pela descida dos juros, não só os portugueses como os italianos e os espanhóis, visto estes andarem em conjunto.

  10. Manuel Matos Salgueiro

    1 – “Tanto palavreado caro para dizer que as variações dos spreads portugueses são sempre maiores que as dos italianos e espanhóis. Por acaso é o contrário do que é afirmado no post. Aí diz-se que a variação é maior porque o governo não é o de Pedro Passos Coelho.”
    Nao, a variacao e menor porque a nossa divida e muito maior do que a dos italianos e dos gregos. Se quiser ligue ao Medina Carreira e descubra porque.
    2 – “Pelos vistos, na sua opinião o governo fez muito pela descida dos juros, não só os portugueses como os italianos e os espanhóis, visto estes andarem em conjunto.”
    Acabei de dizer no post acima que a correlacao nao implica necessariamente causalidade. Onde e que foi buscar essa ideia? Um choque negativo EM UM DOS paises perifericos pode e mais indicativo de um choque negativo nos paises perifericos, do que um choque positivo EM UM DOS paises perifericos nos paises perifericos.

  11. Manuel Matos Salgueiro

    substituir “Nao, a variacao e menor porque a nossa divida e muito maior do que a dos italianos e dos gregos.”
    com Nao, a variacao e menor porque a nossa divida e muito maior do que a dos italianos e dos espanhois. Se quiser ligue ao Medina Carreira e descubra porque.

    … e o medo de nos tornarmos a grecia

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.