IRS – Um Imposto Que Para A Esquerda Nunca Será Suficientemente Progressivo

Em matéria de IRS não há “princípio da igualdade” que valha. A constituição no seu artigo 104º refere que “o imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar.“. Isto é, em nome do combate à “desigualdade”, o princípio é tirar mais a quem mais tem (mais produziu) de modo a ficarem mais próximos de quem tem menos (menos produziu)  – a chamada “nivelação por baixo”.

Adiante. Serve este post para demonstrar a irracionalidade, extremismo, populismo e demagogia de António Costa quando defende e apresenta como proposta do seu hipotético governo que os escalões de IRS sejam revistos de maneira a aumentar a sua “progressividade”. Pegando em dados daqui e recuperando este post do Mário Amorim Lopes vou analisar neste post a progressividade actual do IRS em Portugal governado nos últimos quatro anos pelo governo “mais liberal de sempre”.

Neste primeiro gráfico, podemos constatar que o top 0,1% das famílias em Portugal paga 8,4% de todo o IRS (pagando em média 304.118€); o top 1,1% paga 28,3% de todo o IRS (pagando em média 58.497€); o top 3,4% paga 47,7% (quase metade) de todo o IRS (pagando em média 34.573€); o top 5,4% paga 57,7% (quase dois terços) de todo o IRS (pagando em média 21.768€); e o top 16,1% paga 84% de todo o IRS (pagando em média 10.267€).

IRS_Pago_Familias_Mais_Rendimentos

Analisando pelo lado das famílas com menos rendimentos, o bottom 65,6% das famílias no seu conjunto pagam apenas 4% de todo o IRS (pagando em média 111€) e o bottom 83,8% das famílas pagam 16,1% de todo o IRS (pagando em média 350€).

IRS_Pago_Familias_Menos_Rendimentos

Juntando os dois gráficos, observa-se que 84% de todas as famílias (aquelas com rendimentos menores) pagam apenas 16% de todo o IRS enquanto que apenas 16% das famílas (aquelas com maiores rendimentos) pagam 84% do total de IRS; sendo que 0,1% das famílias (precisamente 2.343 famílas) com maiores rendimentos paga em IRS mais do dobro do conjunto do IRS pago por 65,6% das famílas (precisamente 3.034.586 famílas) com menores rendimentos. Isto não é progressivo o suficiente?

Distribuicao_Populacao_IRS_Pago

Enfim, para a esquerda a progressividade do IRS nunca será suficiente. Só ficarão satisfeitos quando toda a população for igualmente pobre.

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15 pensamentos sobre “IRS – Um Imposto Que Para A Esquerda Nunca Será Suficientemente Progressivo

  1. Euro2cent

    Os impostos (e as discussões) sobre rendimentos são o maior barrete que os nossos donos nos enfiam. Tem particular graça quando se desvia a concentração de propriedade para a distribuição de rendimentos, que é mato nas notícias.

    Qualquer rico merecedor do nome tem contabilistas, banqueiros e advogados que tratam de que a propriedade aumente sem passar por coisa tão mesquinha como rendimentos. Isso de rendimentos mais chorudos é para os criados mais bem pagos, e os donos não se importam de lhes deixar uns impostos para pagar.

    Mas qualquer discussão acerca de impostos sobre propriedade financeira e “intelectual” esbarra num muro de silêncio ensurdecedor. Não existe, não há, não se discute porque … sei lá, é como a anti-gravidade ou os monopolos magnéticos, coisa de extra-terrestres.

    (* Por esta altura do campeonato, o “real estate” é secundário e goza de isenções se bem jogado.)

  2. José7

    Um Estado que rouba a um cidadão mais de 50% dos rendimentos do trabalho é um Estado ladrão (opss!) é um Estado esquerdista. Um Estado que confisca mais de 70% em impostos sobre os rendimentos do trabalho é um Estado ultra esquerdista ou ultra-ladrão!
    Situação portuguesa dum cidadão da classe média: 23,75% pagos pelo patrão + 36% a 50% pagos no recibo de vencimento + 23% de IVA em média no que fica + IMI, ISP, IC, tabaco, álcool, sacos, mais incontáveis impostos, taxas e taxinhas em tudo o que é possível e imaginário … é melhor ficar por aqui porque a coisa já vai em mais de 80%…

  3. Uma taxa única e universal era mais que adequado.
    Agora, mais a brincar mas não muito, a taxa deveria ser decidida em sufrágio universal correspondendo 1 voto por cada euro de rendimento, que isso de pôr os que pagam e os que recebem a votar de modo igual não está bem. Faz lembrar aquela definição de democracia que a resume a uma reunião entre dois lobos e uma ovelha para decidir o que é o jantar

  4. Baptista da Silva

    José7 em Novembro 9, 2015 às 22:01

    Já aqui escreví sobre esse tema, eu fiz o ensaio, durante meses guardei tudo e sim, com taxas, taxinhas, IRS, TSU, IVA, IMI, etc. anualizei os custos.

    O Estado retira-me 70% do rendimento. Quando meter gasolinna não olhe ao IVA, some ao Imposto verde e vermelo.

  5. “Só ficarão satisfeitos quando toda a população for igualmente pobre”
    É o lema dos invejosos incapazes tentar melhor. O be está cheio deles e os incautos vão atrás. No pcp fazem do marxismo a sua religião e vai dar ao mesmo.

  6. Gaius Octavius

    “A constituição no seu artigo 104º refere que «o imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar.»“

    O quê? “Atão” mas os neoliberais e os ricalhaços e os “donos disto tudo” afinal mandam e desmandam nisto tudo mas nem sequer conseguiram ainda alterar esse artigo da Constituição que os prejudica? Não posso, querem ver que as coisas afinal não são como a Esquerda diz? Inacreditável!!

  7. Georgina Santos Monteiro

    @ Caro Baptista da Silva (Novembro 9, 2015 às 22:30),

    um verdadeiro crime, retirar 70 por cento.

    Burros, só burros, ladrões, e ladras. O tempo das bofetadas já devia ter começado. Uma parte deste país merece-o. Mas os missionários do fascismo e das perversidades devem ser expulsos.

    A inveja (da esquerda ateu) é um pecado origial e muito perigoso.

  8. lucklucky

    Estado Esclavagista

    É bom perceber que a Democracia não passa de uma ritualização da violência.
    Quem ganha pode usar a violência. E quanto mais leis mais violência pode.

    A moral de uma organização começa por os seus membros não serem obrigados a lhe pertencer.

  9. Nuno

    A constituição prevê claramente esta situação. Não são só as taxas que devem ser progressivas como a própria progressão da progressiva progressividade das progressivamente progressivas taxas é ela própria progressivamente progressiva.

  10. Carlos Miguel Sousa

    Apesar de 16% das famílias suportarem 84% dos rendimentos, o IRS está ainda assim longe de representar com alguma acuidade o real nível de iniquidade a que chegámos, juntar-lhe o IMI, e todas as taxas que as famílias proprietárias suportam, dar-nos-ia uma fotografia mais próxima da realidade e aí veríamos que se calhar os 84% de todos os impostos sobre todo o tipo de rendimentos são suportados, não por 16% das famílias mas por 5 ou 6%.

    O sistema capitalista produzem média um muito rico, 4 ricos e cinco riquinhos por cada 95 que atira para a pobreza extrema. Tem sido assim em todo o lado e Portugal não foge à regra.

    Curioso é as pessoas continuarem a pensar que podem viver em ilhas paradisíacas rodeadas de um mar de esterco, sem por ele serem salpicados…. não podem.

  11. Euro2cent

    > um muito rico

    que é suficientemente esperto e bem defendido para se pôr de fora destas discussões de rendimentos, que só tocam às camadas inferiores.

    Ficam todos à pancada por causa das sobras, e o muito rico até se pode dar ao luxo de ser socialista …

    É genial.

  12. Georgina Santos Monteiro

    @ Com todo o devido respeito, caro Carlos Miguel Sousa (às 08:44)

    Citação:
    “O sistema capitalista produzem média um muito rico, 4 ricos e cinco riquinhos por cada 95 que atira para a pobreza extrema. […]”

    Não percebo. O capitalismo não produz pobreza extrema nenhuma. Nenhuma!! Impossível. Nem extrema, nem pobreza alguma! Ilógico.

    Ou eu não compreendo as suas palavras, o significado. Muito obrigado.

    Aquele que produz pobreza extrema são estes socialistas, com o seu ANTI-capitalismo. O o actual porta-voz dos socialistas burros, é (mesmo) burro.

  13. Ricardo C.

    “Posso não saber tirar os mendigos da pobreza, mas em 6 meses consigo transformar qualquer burguês num mendigo”.

    Ministro “rojo” (cujo nome não me recordo) num dos governos da República Espanhola nos anos 30.

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