Dois Pesos e Duas Medidas

No longínquo ano de 2009 quando o PS venceu as eleições com 36,5% dos votos (abaixo do resultado de 38,5% da PaF) mas sem maioria absoluta, afirmava José Sócrates com o apoio do seu partido o seguinte (fonte):

“Sabemos todos que o novo quadro parlamentar não confere a nenhum partido uma maioria absoluta. É verdade. Mas isso não significa que as eleições não tenham tido um partido vencedor. Porque tiveram. E os portugueses deram até ao partido vencedor aquilo que se pode considerar uma vitória clara.”

“O Governo que aqui se apresenta, diante do Parlamento, é o Governo que corresponde à vontade dos portugueses, livre e democraticamente expressa nas urnas. Este é, pois, um Governo com inteira legitimidade democrática para governar nos quatro anos desta legislatura!“, afirmava o ex-primeiro-ministro no Parlamento.

“Pois bem: o Governo que os portugueses escolheram, está aqui para apresentar exatamente o mesmo Programa que os portugueses votaram! O Programa que o Governo submete à apreciação desta Assembleia é aquele que foi apresentado como programa eleitoral e de Governo pelo partido que ganhou as eleições – apenas expurgado, naturalmente, das referências partidárias ou de mero balanço da legislatura passada. Esta é, sem dúvida, a melhor forma de garantir o respeito integral pela vontade expressa dos eleitores!“, reforçava Sócrates.

“Então o Governo, não apresentando o Programa do PS, devia afinal de contas apresentar o Programa de quem?! (…) não podem por isso estranhar que o Governo apresente aqui o Programa que é o seu!”.

“Do que se trata, é de o Parlamento – que representa a Nação, em resultado das eleições legislativas – reconhecer que este XVIII Governo Constitucional, empossado pelo Senhor Presidente da República, corresponde, de facto, ao resultado das eleições“, insistia o então líder socialista e primeiro-ministro.

Socrates_Costa2

12 pensamentos sobre “Dois Pesos e Duas Medidas

  1. Catarina

    Pois… Dois pesos, duas medidas.
    Isso, e o facto da nossa Direita não ter a lata / cara de pau / ambição para se impor aos portugueses. Não sei se fique contente com a sensatez de uns, se triste com a desfaçatez de outros…

  2. JP-A

    Gente fina é outra coisa:

    «Sampaio segura PS em minoria
    1996: o PS de Carlos César acabou de ganhar, pela primeira vez, as eleições regionais dos Açores. Problema: ganhou em votos, mas em mandatos está empatado com o PSD, 24 para cada um. PSD e CDS, perdedores das eleições, mudaram de liderança. Deu -se uma aproximação entre PSD e CDS (que não existira até aí) e o novo líder social–democrata avançou com o projecto de um governo maioritário, com apoio do CDS, bastando para isso fazer cair o governo do socialista Carlos César com uma moção de rejeição. “Estava tudo entendido com o CDS, tudo feito”, recorda Carlos Costa Neves, o então líder do PSD-Açores.

    De resto, aponta, de acordo com o estatuto dos Açores, a autonomia é um “sistema parlamentar puro, não é semipresidencialista, uma mudança nas alianças parlamentares deveria dar uma mudança no governo”. Não foi isso que aconteceu. “Tive uma audiência com o Presidente Jorge Sampaio, em que ele me disse preto no branco que não daria posse a esse governo e convocaria eleições.” O argumento, recorda, é que quem “tinha ganho as eleições era a linha adversa ao PSD, esquecendo ou tomando como irrelevante o argumento da maioria parlamentar”.

    Costa Neves admite que ainda assim teria arriscado, mas o seu grupo parlamentar dividiu-se e o PSD já não apresentou moção de rejeição. O ex-dirigente diz que Sampaio “interpretou abusivamente a Constituição”: disse-lhe que usaria o artigo da Constituição que permite a um Presidente da República dissolver o parlamento regional quando estão em causa actos contrários à constituição, “o que não era manifestamente o caso, tratava-se de uma mera alteração da maioria parlamentar”.

    O ex-chefe da Casa Civil de Jorge Sampaio, João Serra, recordou ao Público, em Junho último, as razões de Sampaio: “Fez saber que convocaria eleições e que não dava governo a quem não tivesse ganho nas urnas.” Ou seja, ao PSD. Ficou tudo na mesma em matéria de governo. Por coincidência, Carlos César, hoje presidente do PS, tem integrado com António Costa as rondas negociais para viabilizar uma solução de governo. “Tenho-me lembrado muito daquele episódio nos últimos dias”, remata Costa Neves.»

    Aldrabam com a maior cara de pau, os sacanas 🙂

  3. JP-A


    Não haverá por aí um jornalista que tenha a bondade de ir agora perguntar a sua excelência o senhor doutor honoris causa Jorge Sampaio o que ele pensa disto tudo? Ou se os constitucionalistas de serviço acham que todos os atos praticados na governação do senhor Carlos César são nulos? Ou só há tempo para passar constançadas? É que isto assim até parece um golpe de estado, não é? Pois então agora vejamos: tendo isto como referência, a que propósito pode o PR indigitar o partido que perdeu as eleições? Ó bem-falantes senhores e senhoras dos telejornais: onde andais, queridos? Estais cagadinhos de medo com as merdas que o PS faz se chegar ao poder? Se é isso, o melhor era terem escolhido outra profissão, não é?

  4. E muito interessante, por esclarecedor do torcionismo cultivado pelo candidato a Pres. da Républica, Marcelo Rebelo de Sousa é a garantia dada por este recentemente “de fazer como Jorge Sampaio”…

  5. Nuno

    Talvez não fosse mal pensado o Passos apresentar-se no parlamento com um discurso desses. Lá para o meio dizia: quem o disse primeiro não fui eu, foi tal no dia tal.

  6. Baptista da Silva

    Quero e exijo que Sócrates, perdão, Antonio Costa seja PM. A despesa vai em máximos até Junho, ai a UE questiona e o governo cai.

    O PS vai morrer, mas isso eu pago para ver.

    Quero uma reforma completa, mas isso é impossivel, os boy’s precisam de posto, a mudança vai ter que ser mais radical.

    Falta um partido à direita, estes blogues é só para conversar ou vamos à luta? Um partido libertario, sem mudanças bruscas, mas com objectivos a longo prazo, minoritário ao inicio mas com mais força que o PAN ou o MRPP. Parece simples.

    ESPERAM POR MIM? É ISSO?

  7. A. R

    O PS não é um partido: é um bando de garotos! Costa é motivo de chacota pelo país inteiro e nunca terá legitimidade: é um usurpador do poder e um oportunista sem escrúpulos.

  8. Comuna de Direita

    Nunca pensei dizer isto, mas do PS, BE e PCP, este último, embora ainda não o saiba, irá ser o partido com maior sentido de responsabilidade e de estado, quando optar não se juntar à coligação de esquerda que está a ser cozinhada pelo PS, ou se se juntar à coligação, irá derrubá-la no momento em que alterarem uma virgula ao acordo que assinaram. Há coisas que não mudam e o PCP é uma delas.

  9. GA

    Passos Coelho devia apresentar o programa da PáF EXACTAMENTE COM ESTE DISCURSO, trocando os intervenientes quando aplicável, mas fazendo referência constante ao partido de onde ele originalmente provém, e usando, nunca o nome do 44 mas o termo “O Primeiro-Ministro do governo anterior ao nosso”. Gostava de ver a cara dos deputados.

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