A estratégia do PCP

Aqui desmontada pelo Rui A. É isto, como tacitamente têm demonstrado os membros do PCP em todas as suas aparições públicas, que reiteradamente não se comprometem com nada, excepto com fazer um governo PaF cair.

Como aqui já tinha dito, o Partido Comunista jamais entraria num governo liderado pelo PS e com o Bloco de Esquerda. E como hoje se ficou a saber, o dito acordo com o PC será apenas de incidência parlamentar, o mesmo é dizer que o PC vai cheirar, mas não inalar. E compreende-se: o objectivo principal do Partido Comunista é eliminar o Bloco de Esquerda, o seu principal concorrente e adversário, que o ultrapassou nas últimas eleições e, pelo caminho, aproveitar para prejudicar o PS o quanto puder. Viabilizará, embora com reservas declaradas, o programa e o orçamento do governo Costa e não poderá ser acusado de ser responsável por manter a direita no poder, nem pelas medidas impopulares que o governo de Costa vier a tomar. E, quando lhe for mais conveniente, atirará o governo abaixo, alegando que os compromissos foram traídos e que o governo é, afinal, de direita. Por isto, um PS consciente jamais se meteria em semelhante trapalhada. Mas, se não houver por lá ninguém que impeça o disparate, pagará caro o que vier a fazer. Quanto ao Bloco, nem a alma se salvará: o abraço do velho urso soviético será implacável.

18 pensamentos sobre “A estratégia do PCP

  1. Baptista da Silva

    O PCP nem com o BE se entende quanto mais com o PS, a ideologia amputa-lhes o cérebro:

    “O voto proposto pelo grupo municipal do Bloco de Esquerda foi aprovado por maioria, com os votos favoráveis de todas as bancadas, à exceção do PCP, que votou contra, e do PEV, que se absteve.

    Pelo voto aprovado, a AML exprime solidariedade a Luaty Beirão, sua família e amigos e para com todas pessoas detidas no dia 20 de junho.”

    E é isto que temos…

  2. tina

    Vai ser interessante ver agora o PCP a ser obrigado a deitar o governo abaixo. Eles sempre se escudaram como partido minoritário de protesto e não deve ser fácil ver agora as suas ações a terem um tremendo impacto negativo no país. Aposto que muitos daqueles velhos que votam PCP não querem ver o país de pantanas, ainda por cima só para um ditador ganancioso como Costa chegar ao poder, o qual nem sequer lhes pode garantir aquilo que eles querem.

    Vivem-se tempos interessantes, a esquerda nunca se sentiu tão testada, e todos sabemos que no fim só vai perder, pois a população nunca os perdoará.

  3. João de Brito

    Dois símbolos máximos da NOSSA democracia.
    Mário Soares escandaliza-se que um ex-primeiro ministro possa ser detido, preso e julgado.
    Cavaco Silva distingue os votos válidos dos portugueses: uns, contam para a governação; os outros só podem aspirar à oposição.
    Bonito!
    Digam-me lá se tenho ou não motivos para ser abstencionista.
    Esforço-me por ser bom (cidadão).
    Não contem comigo para ser burro.

  4. António Costa é o Salvador

    Ó João de Brito poupa-nos essa história de seres abstencionista, vocês comunistas não perdem esse vicio de mentir.

  5. Fernando S

    Creio que a parte final do discurso do PR mostra que, caso o governo de Passos Coelho chumbe no Parlamento, não vai mante-lo como governo de gestão, demite Passos Coelho e chama Antonio Costa.
    Infelizmente. Apesar de tudo seria preferivel um governo de gestão durante os proximos meses a um governo de “maioria de esquerda” que vai de novo rebentar com as finanças publicas e assustar os investidores.
    Cavaco Silva tem razão ao alertar para o facto de um governo do PS com os partidos radicais de esquerda ser uma péssima perspectiva para o pais.
    E até tinha legitimidade constitucional para recusar até ao fim viabilizar uma saida destas.
    Não nos esqueçamos que o PR é igualmente um orgão de soberania eleito por sufragio universal.
    Como alguém disse, se o papel do PR fosse apenas contar as cabeças no Parlamento e entregar o governo a quem tivesse a maioria dos deputados então não era preciso ter um PR eleito.
    O regime é semi-presidencial (ou semi-parlamentar) precisamente porque a Constituição configura a vontade popular em dois orgãos de soberania com papeis e funções diferentes.
    De resto, no passado, um Presidente, por sinal do PS, ja fez uso da grande liberdade de acção que a Constituição permite ao demitir um governo, por sinal da direita, com uma clara e solida maioria no Parlamento.
    Mas Cavaco Silva, que tem naturalmente a sua propria ideia da função e da imagem que vai deixar para a historia, parece não querer tirar todas as consequencias da analise que faz e ir até ao fim na recusa de um governo de “maioria de esquerda”.
    De um certo modo, Cavaco Silva esta agora condicionado por ter dito e repetido que no final a solução de governo teria de ser encontrada pelos partidos e avalizada no Parlamento. Ou seja, excluiu à partida uma saida de iniciativa presidencial, como seria a de um governo de gestão.
    Cavaco Silva movimentou-se mal desde o inicio.
    Depois de ter dito o que disse sobre o facto de, tendo em conta os resultados das eleições, um governo de “maioria de esquerda” não dar garantias suficientes de estabilidade e de respeito pelas grandes opções estratégicas do pais, Cavaco Silva devia ter tirado todas as consequencias e indicado logo que empossaria Passos Coelho como PM e que, mesmo que este fosse chumbado no Parlamento, não viabilizaria um governo de “maioria de esquerda”.
    Esta clarificação inicial teria criado um quadro politico bastante diferente do que acabou por acontecer e as possibilidades de um entendimento entre o PàF e o PS para a viabilização no Parlamanto de um novo governo de Passos Coelho teriam sido maiores.
    Cavaco Silva, como ja acontecera no passado, teve e tem a ilusão de que basta ele pedir e argumentar para se chegar a um acordo entre o PSD/CDS e o PS e não percebeu que o PS actual apenas aceitaria um entendimento forçado pelas circunstancias e não tendo outra alternativa viavel.
    O PR não fez a clarificação desejavel logo a seguir às eleições, não o fez no ultimo discurso, é agora extremamente improvavel e dificil que o venha ainda a fazer se, como tudo indica, Passos Coelho não passar no Parlamento.

  6. JS

    Na nova AR os recém eleitos deputados que representam o milhão de votantes BE e PCP, têm direito de voto parlamentar baseado nos respectivos, então exibidos, programas eleitorais com que os seus mandantes, os partidos BE e PCP, os candidataram ao poder de votar na nova AR.

    Na nova AR os recém eleitos deputados que representam o milhão 747 mil de votantes PS, têm direito de voto parlamentar baseado no respectivo, então exibido, programa eleitoral com que os seus mandantes, o partido PS, os candidatou ao poder de votar na nova AR.

    São, serão, formalmente, em nome individual, políticos ou não ?. Qual será a sua prática ?.
    Disciplina partidária mesmo contra os seus programas eleitorais ?.

    Mas pior. Se esta centena de novos deputados atraiçoarem os seus programas eleitorais moralmente apenas merecem o opróbrio dos seus eleitores. Além de que estão a cometer uma ilegalidade político-eleitoral. Será que o PR até tem razão ao não a permitir ?.

    Para já teremos “politicos de aviário” ou não ?.
    Escolham, sem sofismas, sem falácias, o que querem ser.

    Corolário: Para quê (se inconsequentes) eleições parlamentares?.

  7. JP-A

    Antes, o PS era um partido que dava cabo do país no governo. Agora, dá cabo dele no governo e na oposição. Recorde-se que o PS alegava há um ano que o governo não tinha legitimidade porque já estava no último ano (isto deve estar escondido em qualquer lado da CRP, a tal que o governo estava sempre a violar) ainda que detivesse maioria absoluta. Agora, o PS, isto é, o doutor Costa, apostaram em liquidar pelo menos mais 7 u 8 meses da vida do país, que ´o tempo que provavelmente demorará a chegar a possibilidade de uma nova maioria absoluta. Podia-se apelar ao espírito patriótico dos deputados do PS, claro. Mas o PS está de há muito transformado numa organização que tanto chora uma derrota como Ana Gomes no dia 4, como passadas 48 horas já estão na TV todos emparoladamente emproados tentando evidenciar a sua grande vitória, traduzida por interpretação alternativa dos resultados eleitorais.

    O PS está refém do doutor Costa. O Partido é hoje o doutor Costa como foi engenheiro sócrates no passado. O doutor Costa tem o PS na barriga! E eles sabem como vai acabar, mas isto é como com os drogados: venha a última dose, que amanhã será a penúltima. Entretanto há que fazer o que fazem os ditadores da Venezuela, Coreia do Norte e Rússia: projetar no exterior a imagem do Diabo.

  8. Slint

    António Costa é o Salvador . Sim, porque os outros é que são honestos ahahahah.
    O caracter do Passos Coelho ficou demonstrado quando disse que não iria fazer férias depois de tomar posse, devido à situação do país. Passou 1 mês da sua posse, foi 15 dias de férias para o Algarve.
    Sabem como se chama isso? preguiça.
    Aí ficou provado quais as suas verdadeiras intenções e quais os seus interesses. E não, não é o bem estar dos portugueses.

    A burrice dos apoiantes dos partidos do arco da corrupção no entanto nunca deixa de me surpreender. Acham sempre que as pessoas que os criticam são comunistas. Mas se quiseres podemos medir pilinhas, nunca me importei de descer ao vosso nível. Eu ganho sempre, sabes porquê? Porque eu não me revejo em nenhum dos 6 partidos que estão actualmente na AR, por mais vezes que me chamem comunista, não me afecta.
    Historial do meu voto:

    2009, eleições europeias: votei no partido humanista.

    2009, eleições legislativas: voto nulo

    2009, eleições autarquicas: voto nulo

    2011, eleições presidenciais: votei no josé manuel coelho

    2011, eleições legislativas: voto nulo

    2013, eleições autarquicas: abstenção

    2014, eleições europeias: abstenção

    2015, eleições legislativas: abstenção.

    Quem não deve não teme.

  9. António Costa é o Salvador

    Slint ficámos a saber portanto, que Passos Coelho não tem legitimidade para ser PM porque passa as férias no Algarve. A sério, os argumentos de certa esquerda está cada vez mais patéticos.

  10. Inácio P.

    A mentalidade PC é a do marxismo puro e duro, que acaba sempre por ser estalinista. Com todas as resultantes, a velha táctica de estragar tudo o que cheire a democracia, venha de onde vier. E o silêncio de Mário Soares, um iniciado que foi comunista? Será porque deseja que o seu João seja provido em ministro da Defesa? Nos mentideros corre essa versão. E o velho raposão aí está para as curvas…

  11. tina

    “Antes, o PS era um partido que dava cabo do país no governo. Agora, dá cabo dele no governo e na oposição.”

    Muito bem visto JP-A!

  12. ecozeus

    Slint,
    Com tantos votos em ti “próprio” como é possível não se ter ainda concretizado uma maioria estável !?

  13. Georgina Santos Monteiro

    @ Slint, V. Exa não convence. Uma proposta. Seja primeiro ministro, e depois veremos, se alguém, nessa área, ainda sabe o que é férias. O que V. Exa faz, simplesmente, é um jogo de palavras barato, sem conteúdo. O facto, do Super-Coelho ter ido ao Algarve, não prova que ele mentiu.

    António Costa vai-se afundar, esse sim, ele mente. ENGANOU O POVO. O partido comunista tem que ser proibido e todo o imobiliário, absolutamente tudo, atá as pastas para lavar os dentes, confiscado, para meu bem, a meu favor.

    Não ir votar é votar também. V. Exa anda um pouco desorientado?

    Fazer mal é fazer mal e deixar de fazer bem.

    Querer governar com os inimigos da democracia! Um crime!!

  14. Joaquim Amado Lopes

    João de Brito,
    Só contamos consigo para deixar de mostrar o quão burro é quando deixar de mostrar o quão burro é. O primeiro passo é deixar de escrever que é abstencionista. O segundo passo é deixar de escrever.

  15. Joaquim Amado Lopes

    Fernando S,
    Não me parece de todo que o Presidente da República dê posse a um Governo PS sem um compromisso firme do BE e do PCP.

    O PCP nunca assinará um compromisso firme e não falta assim tanto tempo para poderem ser marcadas novas eleições. Mesmo com tudo o que pode correr mal entretanto, o Presidente só pode optar por um Governo de gestão. Nem que seja por acreditar que pelo menos alguns deputados do PS acabarão por romper com a linha de António Costa por, sendo suficientemente inteligente para isso, Pedro Passos Coelho avançar com as medidas do programa do PS que propôs àquele.

  16. lucklucky

    Está errado sobre o Bloco. É o Bloco que domina a narrativa da Esquerda, pode desaparecer este Bloco mas nãp morrerá. Está presente em todos os Jornais, TV’s etc.

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