“Isto é tudo um putedo!”

Proclama o Camarada Arnaldo Matos em editorial intitulado A Classe Operária  e o Momento Político Actual, no fantástico Luta Popular.

(…) Costa e o PS, aliás, foram o bombo da festa de Jerónimo e seus oportunistas durante os últimos quarenta dias e quarenta noites da campanha eleitoral.

Bem denunciámos nós aos operários e a todo o povo trabalhador que o conceito de governo patriótico e de esquerda, salivado na boca de Jerónimo, além de ser uma contradição nos termos, se destinava apenas a enganar papalvos.

Na verdade, não tinham ainda arrefecido nas urnas os votos obtidos para umgoverno patriótico e de esquerda, depois de uma campanha em que Jerónimo atacou forte e feio António Costa e o PS como um baluarte da Tróica em Portugal, e eis que o caudilho social-fascista do PCP, esquecendo tudo o que havia imputado ao PS e a António Costa, enquanto “líder de um partido de direita”, se prostra de joelhos diante do até agora reaccionário Costa e do PS de direita, implorando-lhes, pelas alminhas, que aceitem formar um governo do PS, com eles, revisionistas do PCP, e com elas, as meninas oportunistas do Bloco, venham eles e elas a ser ministros do Governo de Costa ou não venham a ser mais nada do que bengalas parlamentares do reaccionário António Costa e do PS, partido de direita.

E eis como, em menos de oito dias, a ideologia política oportunista do PCP e do BE consegue transformar o objectivo de luta por um governo patriótico e de esquerda num governo patriótico e de direita.

Ora um governo do PS e de António Costa não pode ser outra coisa senão um governo da Tróica e do capital alemão. Basta ler o programa político com que o PS de António Costa se apresentou ao eleitorado há oito dias.

Como é que o PCP e o Bloco podem apoiar um governo desta natureza? E que diferença existe entre o governo da Tróica, conduzido por Costa ou pela coligação de direita e de extrema-direita? Que política de esquerda é esta que se propõem o PCP e o Bloco, ao apoiarem o governo de António Costa e do PS?

Política de esquerda esta? Isto não é política de esquerda. Isto é tudo um putedo!

E é contra este putedo todo que se têm de erguer o povo trabalhador, a classe dos operários e os verdadeiros comunistas. (…)

11 pensamentos sobre ““Isto é tudo um putedo!”

  1. Joaquim Amado Lopes

    É hilariante mas não deixa de incluir umas verdades, particularmente no que se refere ao que o Presidente da República devia ter feito e no reconhecimento de o comunismo só vingará pela força, nunca pela vontade dos portugueses.

  2. PiErre

    Arnaldo Matos já merece a abertura do Insurgente aos seus escritos?
    Os editoriais do Luta Popular passam a ter aqui eco?

  3. Dervich

    “A revolução não é um chá dançante”…

    A estes ninguém os pode acusar de não serem iguais a eles próprios…até o Garcia Pereira já passou a social-fascista!

    E tanto que se fala neste blog na extrema esquerda…nesta perspectiva, nada mais que uns “revisionistas, reaccionários e oportunistas”…

    Mas o Joaquim Amado Lopes tem razão, o MRPP nunca estaria satisfeito nem que fosse eleito com 98% dos votos:

    Para eles, os direitos fundamentais não podem ser concedidos por outrem, apenas são passíveis de ser obtidos se conquistados pela força numa “luta até à morte” (a lógica é, se quem tem o poder abdica de parte dele, é porque não está verdadeiramente a abdicar desse poder mas sim a substitui-lo por outro). Desse modo, um eventual poder resultante de eleições de nada serve, porque é um poder “oferecido” no quadro de uma legalidade e de um regime “burguês-fascista” que eles não reconhecem e cuja liquidação é o próprio objectivo da sua existência …

    Não se pode chamar extremo a algo que fica aquém do que lhe é mais extremo ainda. Eis aqui sim, verdadeiramente, a face da extrema esquerda já virtualmente extinta (uma espécie que já não se reproduz).

  4. José7

    Uma das partes engraçadas é esta: «… E em vez de ouvir imediatamente, e como lhe cumpre, os partidos com representação parlamentar e de imediatamente, como também lhe cabe, nomear um primeiro-ministro dedutível dos resultados eleitorais, deixando depois ao normal jogo de forças parlamentares a questão de saber se o primeiro-ministro nomeado tem ou não apoio na assembleia…». Fugiu-lhe o lápis para a verdade: nomeia-se o Passos e depois logo se vê o que sucede na AR.

  5. Que saudades que tenho do PREC. Era revolução todos os dias, mais animação do que no carnaval do Rio e com estas tiradas, mas em dose king size reforçada com as versões da manhã tarde e noite; era uma apredizagem permanenet do que era a “politica”, mas em versão mediterranica, com laivos quevaristas. Visto daqui(hoje) era dum lirismo e romantismo que me faz ter saudades. Deu na banca rota (1ª) tornando o curso gratuito ficar mais caro do que se fosse em Princeton.

  6. nuno granja

    O tipo vive noutro mundo (um mundo assustador), mas pelo menos tem coluna e “what you see is what you get”

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