Do empreendedorismo

No seguimento disto.

A utilidade pessoal e social do empreendedorismo não se mede pelo valor acrescentado dos negócios. Existe uma panóplia de actividades tão diversas quanto é diversa a criatividade humana. Algumas terão alto valor acrescentado e potenciarão a criação de fortunas. Outras não. Servirão apenas para garantir a subsistência do empreendedor. Mas a verdade do princípio geral permanece: A iniciativa do empreendedor é a fonte de toda a produção que permite aos homens viver e melhorar as suas condições de vida.

O objectivo de qualquer forma de vida é sobreviver. O homem não é diferente. Apenas tem uma forma de vida mais complexa dada a sua natureza. Assim sendo, menosprezar os casos de empreendedorismo que surgem de necessidade é uma atitude idiota que ignora toda a história da humanidade. Os homens não nascem – no sentido filosófico – para trabalhar por conta de outrém ou para serem funcionários do estado. Nem para explorar “oportunidades” exógenas que aparecem sabe-se lá como.

E isto é apenas olhando para os princípios. Em termos económicos, afirmar que o empreendedorismo gerado por necessidade e o “autoemprego” contribuem para o “crescimento anémico” da economia é risível. Se o crescimento é anémico, tal deve-se a razões que nada tem a ver com o empreendedor: Por definição, o PIB cresce com a actividade de uma nova empresa que gera transacções. Ceteris paribus, se a empresa não existisse o PIB seria menor. (Por exemplo se o empreendedor ficasse em casa a escrever uma treta sobre empreendorismo.)

O “autoemprego” não é uma coisa má. Sendo verdade que nos países mais ricos a taxa de “autoemprego” tende a ser mais baixa, esses países não ficaram ricos por acaso (excepto os com petróleo ou acasos similares, mas isso é diferente). Em Portugal, como amplamente descrito n’O Economista Insurgente, entre a mentalidade anti-empresas e o sistema fiscal e regulatório, os incentivos para as empresas ficarem pequenas são enormes. Só ultrapassando isto será possível as empresas crescerem; e assim diminuir naturalmente a taxa de “autoemprego”.

Não questiono que o estado não tem de ajudar a criar empresas. Pelo contrário. Acho é que também não deve impedir ou dificultar. No meio disto, se há um direito adquirido de um subsídio de desemprego, também não vejo tragédia em que o estado adiante esses fundos por forma a que o receptor possa abrir uma empresa.

6 pensamentos sobre “Do empreendedorismo

  1. Carlos Miguel Sousa

    O estado, ao financiar o empreendedorismo perverte-o. Pior, cria ilusões na cabeça das pessoas, e alimenta a falsa ideia de que todos podemos ter o nosso próprio negócio. Pelo meio vai criando um exército de frustrados. Sempre que o estado se mete onde não deve, estraga.

  2. Luís Lavoura

    O objectivo de qualquer forma de vida é sobreviver.

    Não propriamente. O objetivo básico de qualquer forma de vida é reproduzir-se. A sobrevivência do indivíduo não é tão importanto quanto a reprodução dos seus genes.

  3. André Miguel

    Portugal é um estudo de caso, de demência político-económica, para um país que se diz desenvolvido em pleno século XXI. Insiste num Estado parasita, que só pode viver à custa dos impostos de quem trabalha e gera riqueza, por outro lado diaboliza quem quer gerar emprego e riqueza. Não dá mesmo para perceber… Dassss….

  4. Georgina Santos Monteiro

    @ Luís Lavoura, V. Exa comprende, que isso tudo é enquadrado numa (e só dentro de uma, dessa mesma) certa ideologia e dependente da mesma e por isso relativo, e sem qualquer valor? Só é valido para quem (querer) ter fé nessas coisas. Genes, não tem sentido, significado nenhum.

    Seria mais útil e produtivo falar de sobrevivência. […] Os genes não mandam nadinha.

  5. Georgina Santos Monteiro

    @ André Miguel, absolutamente correcto. Por isso, o partido comunista e o bloco de esquerda devem ser proibidos. Deveriam. Sonhar é permitido. É a herança dos burros, que seguiram o outro burro do Karl Marx, que fazia na mesma. Deixou-se alimentar por um capitalista, que não sabia que fazer com que a riqueza criada.

    Todos (nós em Portugal) deviam concentrar-se em criar empregos capitalistas e riqueza. A esquerda não sabe, nunca soube, mas o burro quer mandar em quem sabe. O burro não é forte, nós somos fracos e temos demasiado paciência com eles.

    Agora que a dívida atingiu níveis perigosos, já não existe espaço para manobras, e a mesma custa-nos crescimento que tanto precisamos.

  6. Je

    Os portugueses são absolutamente esquizofrénicos em relação à iniciativa privada.

    Ao desempregado, qualquer que seja – cujo tecto máximo de subsidio é cerca de 1040€ e a média cerca de 400€ por 1-2 anos – a lei dita que é simplesmente proibido trabalhar (se o fizer perde todos os diretos). Mas alguém com 400€ de subsidio (porque trabalhou e descontou para isso pelo menos 3 anos) não pode de forma alguma porfiar por melhorar a sua situação- por exemplo fazendo 3 dias de vindima a 30€ cada, duas traduções ou iniciando um negócio… sei por experiênca própria, pois tentei fazê-lo, disponível para descontar o ganho no subsidio. Apenas o pode fazer às escondidas e na ilegalidade.

    Essa pessoa é vista pelos “bem pensantes” como oportunista/encostado, a quem é legitimo espoliar de tudo. As mesmas pessoas que declaram que “o importante é estar ocupado”. O desempregado não pode ocupar-se a melhorar a sua situação. Apenas a fazer cursos inúteis… que isso sim já é virtuoso (dá emprego a uns quantos inúteis). A sociedade deseja o desempregado “ocupado” não para o bem dele, mas para pacificar uma consciencia invejosa que não suporta alguem a viver de benesses (que não seja presidente da assembleia da república:) e assume sempre o pior dos concidadãos. A todos estes ilustres do “ocupacionistas” desde já convido a quando ficarem na rua – é uma questão de tempo – virem fazer a faxina a troco de palmadinhas nas costas, sentir-se-hão muito bem!

    Aos que, superando o desemprego cometerem a proeza de facturar 12000 no primeiro ano, terão de doar ao estado 60% do valor e viver com menos do ordenado mínimo. Esta é a realidade.

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