Fome de Poder

Em quarenta e oito horas desfez-se a ilusão de responsabilidade do Partido Socialista. Ainda atordoados pela perda de um domínio do qual já se julgavam proprietários, e sem a paciência necessária para um jogo que até pode correr mal e privá-los, a médio prazo, do único meio de subsistência que conhecem, os actuais manobradores do barco do Rato deram uma guinada no sentido de águas revoltas. A brincadeira, com elevado potencial autofágico, deve estar aí para durar, mas entretanto ficamos esclarecidos: o PS de Costa é um clube de oportunistas com fome de poder. Nada de novo, dirão. A diferença está nas competências. Tradicionalmente, e para desgraça do tesouro público, o PS é um partido eficaz, uma máquina bem calibrada que, em quarenta anos, teve mais sucessos eleitorais do que aqueles que o país e a economia podiam suportar. Hoje, os socialistas são dirigidos por um bando de trapalhões. O país, apesar dos riscos, agradece tanta falta de jeito.

4 pensamentos sobre “Fome de Poder

  1. JP-A

    Desde o primeiro dia que o tenho apelidado de Costa Concórdia, pelas razões que estão à vista. Hoje, lá dentro, houve quem descobrisse que o PS é afinal um partido prestes a syrizar, tal é o desastre do timoneiro e do bando de comunistas envergonhados que lá pousaram há décadas sem que ninguém soubesse. Ora, perante a necessidade de, pelo menos uma vez na vida, uma parte do partido deitar as mãos à cabeça e pensar em Portugal em vez de pensar no partido e nas manadas de clientes que só têm cartão porque nas suas paróquias esperam colher umas migalhitas e agarrar-se a um raminho de uma árvore que esperam que cresça um dia para dentro do seu quintal familiar, o resultado está à vista.

    Solução? É a tradicional, Venezuelana e Norte-Coreana: atacar alguma coisa que está lá fora. A culpa é sempre dos outros. A culpa é do presidente e dos estúpidos dos portugueses, essas bestas que não lhes deram a vitória.

    A tal vitória, que há menos de TRÊS DIAS seria apoiada por acordos à esquerda e à direita, não funciona em sentido contrário!!!!!

    Lá se foi a governação à Guterres! Durou 72 horas.
    Este tipo faz-me lembrar o circo!

  2. tina

    E não podemos esquecer aqueles que instigaram Costa a esfaquear Seguro na ânsia de ver a coligação derrotada por uma maioria socialista. Tal como aquele indivíduo que tem um ódio visceral a PPC, sabem, o nome começa por J, tem um P no meio, e outro P no fim.

  3. JS

    As dificuldades sentidas aguçaram a cultura política do eleitor. Tornou-se muito menos religioso, menos clubista e até capaz de arriscar.
    De qualquer forma um justo castigo, mesmo que vencendo, para os políticos do arco.
    Mais claro castigo, em nome próprio, a Lei Eleitoral, infelizmente, não permite.
    Mais qualidade na escolha e no exercício da função de Deputado a Lei Eleitoral, infelizmente, não permite.

    Mas é cada vez mais claro o que são PS e PSD: um arco homogéneo de poder.
    Apenas interesseiras máquinas, anónimos conglomerados, para o exercício do poder. Afinal apenas o que são todos os partidos durante a conquista e, se com sucesso, no exercício do poder.

    Presentemente só a dívida soberana até aqui criada e a consequente autoridade (…) da Troika é que estão a conter (parcialmente) o prosseguimento dos abusos de poder por PSD (e PS) que esta Constituição permitiu, e permitirá, assim que possível.

    PS- Não acreditem na aparente animosidade PS / PSD. É apenas uma questão de dois ou três poleiritos no mesmo covil.

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