Sorte

Parece que o guionista de profissão e malcriado por vocação João Quadros terá dito que se as sondagens se confirmarem e a coligação PSD/CDS sair do próximo domingo como a força mais votada, ele “fazia as malas” e abandonava o país. E por momentos, até eu, que não aprecio nem um bocadinho o actual governo e não pretendo dar o meu voto a Passos e Portas (especialmente Portas), fico quase, quase tentado a votar nos senhores e contribuir para que Quadros, ao contrário dos políticos que tanto ele como eu desprezamos, cumpra a sua promessa. Quase: passado o entusiasmo inicial, a aversão a dar a minha caução a uma política que nada faz para resolver os problemas deste país falou mais alto. E como Quadros não merece a sorte de ir viver para um país melhor que Portugal, não será por mim que terá a oportunidade. O país também não merece a sorte de estar sujeito a ser governado por PSD/CDS ou PS, mas infelizmente, aí não há mesmo nada a fazer.

44 pensamentos sobre “Sorte

  1. Fernando S

    “O país também não merece a sorte de estar sujeito a ser governado por PSD/CDS ou PS, mas infelizmente, aí não há mesmo nada a fazer.”

    Apesar dos muitos “Quase” que aparecem nos seus posts, o Bruno Alves continua a não perceber que não é EXACTAMENTE a mesma coisa :
    a) o pais ser governado pelo partido que o levou à quase bancarrota e que agora promete acabar com a austeridade ;
    ou
    b) o pais ser governado pela coligação que o tirou da emergencia financeira e que dá mais garantias de que não se volta atrás.

    Não há nada a fazer em termos de uma alternativa “mágica” sem PSD/CDS e PS.
    Mas, em termos do confronto politico principal no nosso pais e neste momento, há sempre alguma coisa a fazer.

    Um “liberal” deve sempre optar por apoiar os menos iliberais face aos mais iliberais.
    O PS de Antonio Costa é manifestamente mais iliberal do que o PàF de Pedro Passos Coelho.
    Assim sendo, um “liberal” que se abstem faz um jeito … ao PS !

    NOTA : Esta é a minha opinião mas obviamento que respeito a sua decisão. Como respeito qualquer outra.

  2. ecozeus

    Também pode escolher a China, talvez que por lá as coisas estejam um pouco melhor, é também uma forma de compensação ao elogio/agradecimento dum Portugal melhor/pós 2011 feito à comunidade chinesa pelo António Costa … algumas “mães” do PS já expressaram que emigrar pode dar certo. Veja-se o caso desta “espontânea mãe anónima” no comício socialista de Setúbal que nada é mais que uma ilustre militante da secção barreirense do PS que em Fevereiro de 2000 foi nomeada pelo Engº Sócrates subdirectora da direcção regional do Ambiente e do ordenamento do território de Lisboa e Vale do Tejo.

  3. Fernando S

    Bruno Alves : “uma política que nada faz para resolver os problemas deste país”

    Então uma politica que …

    … tirou o pais da emegencia financeira (regresso aos mercados com taxas de juro baixas)
    … reduziu os déficits orçamentais (saldo primário positivo ; no final de 2015 o pais vai provávelmente sair do “déficit excessivo” da UE)
    … acabou com a recessão e relançou o investimento e a produção (crescimento acima da média Eurozona)
    … fez com que o nivel liberdade economica e de competitividade do pais tenha voltado a subir
    … fez com que as exportações representem já 40% do Pib contribuindo para equilibrar as contas externas
    … fez com que o desemprego esteja a diminuir regularmente e tenha já igualado o nivel anterior à crise de 2011
    … faz com que os niveis de confiança das familias e das empresas estejam a niveis historicamente altos (de 2001)
    … etc, etc

    … não fez NADA para resolver os problemas deste pais ??!…

  4. rui a.

    Bruno,

    Compreendo a sua insatisfação com este governo, mas julgo poder garantir-lhe que um do PS, chefiado por Costa, seria bem pior. A sua desistência de votar encerra – permita-me a franqueza – uma certa ingenuidade em relação ao sistema democrático, porque parece supor que a representação dos governados pelos governantes pode ser uma realidade. Ora, eu acho há muito tempo que o grande mérito da democracia é negativo: excluir, pelo voto, quem não queremos que nos governe. E eu, por mim, não quero ser governado pelo Costa e pela tralha socrática. Ora, como não existe vácuo na política, vc. só evitará o Costa se lá ficarem o Passos e o Portas. Tertium non datur…

    Abç.,

  5. O meu voto, em si, não evitará ninguém, porque (como o de qualquer indivíduo) vale pouco. Por isso eu só voto quando acho que há alguém que mereça o meu voto, mesmo que não concorde a 100% com ele ou com ela. Neste caso, não há ninguém em quem eu me sinta bem a votar, é muito simples.

  6. tina

    Se o Bruno acha que é uma sorte ir viver para um país que é melhor do que Portugal, porque é que não faz as malas e vai-se embora? Está com medo? Prefere continuar assim uma vida miserável, a queixar-se até ao fim dos seus dias, em vez de enfrentar a luta?

  7. PiErre

    O caro Bruno Alves parece não ter entendido a mensagem de Rui A. : o mérito da democracia é permitir que se possa exclui quem NÃO queremos que nos governe. Atente nisto.

  8. PiErre

    Tina,
    Eu, que não gosto muito do actual governo, mas gostaria muito menos de um governo chefiado pelo Costa, vou fazer o que Rui A. aconselha: votar CONTRA Costa e o partido socialista.

  9. PiErre

    Bruno Alves,
    Eu nunca voto a favor de ninguém para me representar no espaço político porque acho que isso é uma alienação da minha dignidade como ser humano livre e autónomo. Mas voto para evitar que os PIORES se abeirem do poder para depois me tiranizarem. É só CONTRA eles que eu voto..

  10. Fernando S

    Bruno Alves : “O meu voto, em si, não evitará ninguém, porque (como o de qualquer indivíduo) vale pouco.”

    Efectivamente, o voto de cada um, em si, vale pouco, até pouquissimo.
    É infinitésimamente marginal.
    Mas, como os “economistas” sabem bem, o que é marginal pode até ser determinante.
    O que vale muito é o somatório de decisões individuais que vão no mesmo sentido.
    E, num somatório, cada elemento conta, e cada um pode ser determinante.

    O voto do Bruno Alves vale pouco.
    Mesmo que o Bruno Alves se abstenha, o mais certo é o resultado final das eleições não ser diferente do que seria se ele votasse num partido.
    Mas se muitos que pensam mais ou menos como o Bruno Alves fizerem como ele diz que vai fazer e se abstiverem já o resultado final pode ser um em vez do outro.

    Na verdade, o mais importante nem é o voto do Bruno Alves, em si.
    Como não é o de cada um de nós, em si.
    Eu tenciono votar na coligação. Mas se no dia 4 decidir ir à pesca em vez de ir votar o mais certo é isso não ter qualquer efeito sobre o resultado final.
    O mais importante ainda são os argumentos que o Bruno Alves apresenta a favor da abstenção.
    O mais importante é que o Bruno Alves continue a dizer e a insistir na tese de que é indiferente que o pais tenha sido e venha a ser governado pela coligação de Pedro Passos Coelho ou pelo PS de Antonio Costa.

    Ou seja, no fim de contas, o mais importante em termos praticos nem é o voto do Bruno Alves mas antes os votos de todos aqueles que, hesitando entre a abstenção e um voto de “mal menor” na coligação, possam vir a ser convencidos da validade da tese “tanto vale” do Bruno Alves.

    Não sei naturalmente como funciona a cabeça do Bruno Alves.
    Mas suspeito que os “quase” (“tentado a votar” no PàF) dos seus posts mostram que existe uma hesitação e que não é de excluir em absoluto que ele, certamente tapando o nariz e fechando os olhos, possa ainda vir a decidir e a justificar um voto no PàF.
    Espero que sim.

    Mais uma vez, nada do que digo visa questionar a legitimidade das opiniões e das decisões do Bruno Alves e de todos aqueles que possam pensar e fazer como ele.

  11. Vasco

    O Bruno anda muito equivocado. Em Portugal os únicos que votam com gosto são os esquerdalhos. Os outros, que têm um mínimo de caco na cabeça votam no mal menor.

  12. Dervich

    “Se o Bruno não escrevesse aqui, chamava-lhe xuxa”.

    Tão típico de quem olha à assinatura e não ao conteúdo, e tão típico deste blog.

    Consigo me identificar com o post do Bruno mas, acima de tudo, congratulo-o por ele saber separar o que merece ser separado.
    Essa é também a minha postura e não creio que seja por isso que deixamos de ser coerentes, antes pelo contrário.

    Assim,
    – Apesar de o João Quadros ter talento e até ser do Sporting, o seu terrível mau gosto profissional transforma-o numa besta;
    – Por outro lado, eu considero que não há mais nenhum partido que mereça tanto perder as eleições como este PS, agora, por essa razão ir dar votos ao Paf, tenham lá paciência…ao menos que eles não fossem hipócritas, assim como são nada feito.

  13. Fernando S

    Dervich :
    0) “ser coerentes”
    1) “eu considero que não há mais nenhum partido que mereça tanto perder as eleições como este PS”
    2) “[mas não é] razão [para] ir dar votos ao Paf”

    Muito coerente !!!…. 🙂

    A não ser que o Dervich parta do principio de que a derrota do PS (e, acrescentaria eu, a governabilidade do pais) seja um dado totalmente adquirido.

  14. JLeite

    Após ler o post e todos os comentários veio-me à memória a história do fulano que teve um acidente e ficou paraplégico ao que um português típico comentou que o acidentado teve sorte pois podia ter morrido.

  15. tina

    Não J Leite, a moral da história é que mais vale ser rico e com saúde do que pobre e doente e é por isso devemos votar na coligação.

  16. Sim. Nem toda a gente pode ser uma pessoa brilhante e empreendedora, há sempre uns que têm medo e não enfrentam a luta. Isso não faz de Portugal um país melhor.

  17. Fernando S

    Bruno Alves : “Se eu não quiser votar exclusivamente para excluir alguém, é problema meu.”

    A sua decisão de voto é certamente sua, apenas sua.
    Mas o “problema”, a partir do momento em que o traz para um espaço publico e o equaciona de forma argumentada, é também de quém o quizer discutir.
    Ou não ? 🙂

  18. JLeite

    Sim, concordo que é preferível ser rico e saudável que pobre e doente, não tenho qualquer dúvida acerca disso.
    Contudo, a semelhança entre a coligação e o ps é que nenhum deles nos torna ricos e a diferença é a que existe entre duas doenças graves sendo que uma é mais rápida que a outra.

  19. Vasco

    Eu não gosto do João. Para prejudicá-lo, ou não o beneficiar, não voto no paf. Sei no entanto que me estou a prejudicar a mim próprio. Lindo pensamento…

  20. Não é não gostar do João, nem acho que me esteja a prejudicar. Primeiro, porque faça o que eu fizer, o resultado será o mesmo. E depois, eu acho que a coligação é má, tal como o PS será, e de formas que não são fundamentalmente diferentes. VOcês preferem os socialistas “de direita” aos socialistas “de esquerda”. Eu não voto em socialistas

  21. rui a.

    Bruno,

    Cuidado com uma frente-de-esquerda. É bem pior do que um governo do Costa, só com o Costa. E pode acontecer, mesmo.

  22. Fernando S

    Bruno Alves : “VOcês preferem os socialistas “de direita” aos socialistas “de esquerda”. Eu não voto em socialistas”

    Eu também não voto em “socialistas”, nem “de direita” nem “de esquerda”, seja o que isso for.
    Voto contra “socialistas”.
    O que, pelos vistos, o Bruno Alves não faz !

  23. Não. Há muita gente que também não é. Mas o que o PSD e o CDS defendem, para além da retórica, é socialismo. Há quem goste. Eu não gosto. E por isso, não voto neles

  24. Fernando S

    Muita gente ?… Onde, quem ?!…
    Como o Bruno Alves é apenas uma muito infima minoria.
    Para quem, tudo o resto, a esmagadora maioria, são “socialistas”.
    Trata-se de uma visão reducionista da realidade, que é obviamente muito mais plural e complexa.
    Não admira que a consequencia politica seja o sectarismo e a marginalização.
    Salva-se a “retórica”, claro !…

  25. Fernando S

    Pelos vistos não é muita nem “santa” ! 🙂
    Eu percebo que é mais cómodo chamar “socialistas” aos outros do que estar a ser interpelado sobre as suas próprias posições !

  26. Mas quais posições? Voc~e aí limitou-se a dizer que eu não vejo a realidade como uma coisa complexa. Eu tanto acho que ela é complexa, que não caio no simplismo em que voc~e cai de o PS ser O Mal, e os outros O Bem. E fazendo uma avaliação das propostas de ambos, realmente acho-as socialistas.

  27. Fernando S

    Então essa “santa paciencia” ?!…
    VOCE não tem nenhum problema em passar a vida e os posts a chamar “socialistas” a 99% das pessoas. Ou seja, 99% é o Mal e VOCE e os seus amigos “não socialistas” são o Bem.
    Mas VOCE já não gosta e fica irritado quando lhe dizem que esta sua posição é simplista, sectária e que, por mais legitima que seja, representa-o apenas a si e a meia duzia de gatos pingados.

  28. eu chamei socialista aos programas do PSD e do CDS. E disse que as pessoas que votam nesses partidos estão a votar em socialistas. podem não ser elas próprias socialistas, e estarem a cometer um erro de avaliação (do meu ponto de vista). A minha posição, por outra, só me representa a mim. Os seis gatos pingados que eventualmente concordam comigo responderão por si próprios. E eu não acho que as pessoas que votam no PSD e no CDS e no PS (que não são 99% das pessoas, há muitos a votar noutros partidos, e mais ainda a não lá ôr os pés) sejam “O Mal”, nem disse isso. Disse que voc~e acha o PS “o Mal”. Eu acho-os bastante mauzinhos, mas também vejo muitos males nos outros partidos, e veja lá, em mim próprio. Um deles é vir aqui responder a coisas como estas

  29. Fernando S

    Que VOCE considere um “Mal” “vir aqui responder” a quem não concorda com o que VOCE diz aqui é muito revelador da sua soberba : não se incomoda em assinalar o “erro de apreciação” daqueles que votam no PàF mas já não gosta de ler aqui que o “erro de apreciação” é seu.
    Quem trouxe para a discussão as termos “Mal” e “Bem” não fui eu, foi VOCE.
    Eu não disse que o PS é “o Mal”.
    Disse, para quem, como VOCE, considera que todos os partidos são “maus”, que a coligação pode ser vista como um “mal menor” do que o PS (que por sua vez sozinho pode ser visto como um “mal menor” relativamente a uma “maioria de esquerda”).
    Que VOCE diga que o PSD e o CDS também são “socialistas” significa objectivamente que VOCE considera que a esmagadora maioria das pessoas são “socialistas”.
    Porque a esmagadora maioria das pessoas que votam no PàF ou se identificam razoavelmente com as suas politicas ou até teem alguma reserva de natureza mais “social” ou “anti-ultra-neo-liberal” (os “desiludidos”, os “sociais democratas”, os “democratas cristãos”, os “conservadores-nacionalistas”, etc).
    Porque os que votam no PS e nos restantes partidos até se assumem como “socialistas” para esquerda.
    Porque, à luz dos seus critérios, mesmo a esmagadora maioria dos abstencionistas, embora não vá votar, e embora tenha motivações muito variadas, não é certamente “não socialista”.
    Porque quase o mesmo se pode dizer dos que votam branco ou nulo.
    Diz VOCE que “pessoas que votam nesses partidos [sendo que] estão a votar em socialistas. podem não ser elas próprias socialistas”.
    Está-se provávelmente a referir às pessoas que se assumem claramente e conscientemente como “liberais” (nas quais eu me incluo).
    Mas a maior parte destas pessoas, mesmo quando teem reservas e fazem criticas, não consideram o PàF como “socialista” nem consideram que a maior parte das medidas aplicadas e propostas pela coligação são “socialistas”.
    De qualquer modo, VOCE sabe como eu que o conjunto destas pessoas não deixa de ser bastante minoritário no eleitorado.
    Não sei se todas estas categorias juntas totalizam os 99% (era uma forma de expressão) mas não estaremos muito longe.
    Ou seja, VOCE não deve certamente ignorar que as pessoas como VOCE, que teem a mesma visão doutrinal e a mesma posição politica, são ainda mais minoritárias no eleitorado. Incluindo os abstencionistas e os que votam nulo ou branco. Era o que eu queria dizer, sem ofensa, quando falei na “meia duzia de gatos pingados”.
    Não tem mal nenhum, e eu fui sempre dizendo que, embora discordando e rebatendo os seus argumentos, não questiono de modo nenhum a legitimidade da sua posição.
    Mas não deixa de ser um facto politico.

  30. Ah, que a minha posição é minoritária não nego. Nem podia. Agora, o Fernando estava a atribuir-me considerações que, pura e simplesmente, não fiz, e foi isso que procurei explicar.

  31. Fernando S

    Ok, Bruno.
    Sinceramente, não estou a ver que considerações lhe atribui indevidamente.
    A não ser que seja alguma interpretação daquilo que o Bruno diz.
    Mas isso também o Bruno faz das palavras minhas e de outros (a tal “retorica” que o Bruno diz não esconder a verdadeira natureza “socialista” de certas medidas e politicas).
    Pelos vistos, para uma melhor compreensão das nossas divergencias, fica ainda muito por esclarecer e explicar, de parte a parte.
    Talvez, tranquilamente, em proximas oportunidades.
    Fique bem

  32. Se não estou enganado, quando falei em retórica, era a do Governo, das pessoas do Governo. Mas admito que eu possa estar a fazer confusão quanto a isso

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