Leitura dominical

Oito pecados de campanha, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Dos submarinos à “roubalheira” do BPN, passando pelo “buraco gigantesco” do Novo Banco que o programa do PS “acomodará” sem dramas, as notícias das sondagens levaram o Dr. Costa a investir na sofisticação dos argumentos. Mas nenhum vence o de acusar Passos Coelho de passar por empresas “de objecto social obscuro”. É justo, dado que o Dr. Costa passou a vida inteira numa empresa cujo “objecto social” é claríssimo: o PS, especializado em estrafegar as contas públicas e deixar-nos a factura. Também por isso é ridículo sugerir que o desespero das “saídas” profissionais orienta a campanha do homem. Desde que os amigos de Sócrates e os amigos de Seguro sofram de amnésia, o Dr. Costa tem o futuro garantido. E ainda há a Quadratura do Círculo.

(…)

Apesar de a CNE considerar tratar-se de uma metáfora, o PCTP removeu os cartazes que berravam “Morte aos traidores!”. É pena, e mais um passo na legitimação da hipocrisia reinante. Afinal, o PCTP era o único partido comunista com a sinceridade suficiente para confessar, ainda que metaforicamente, o desejo de tantos: matar os “traidores”, leia-se os lacaios do capital, a burguesia, nós todos. Serve de consolo o facto de a retirada dos cartazes não significar o fim da ambição que move aquele bando de potenciais assassinos (metáfora). Nem da carreira do respectivo chefe, um sujeito com ar de quem não toma banho desde 1973 (metáfora) que, em países exóticos, passa por advogado (metáfora).

(…)

Numa almoçarada do Bloco, Catarina Martins afirmou, com alarme, que a escola pública nunca começou tão tarde quanto agora. Jura? Antes da adesão à CEE, e da mania de que a modernidade consiste em encarcerar fedelhos, o ano lectivo começava sem excepções em Outubro. À força de repetir mentiras assim desastradas, a Dra. Catarina subiu a “revelação da campanha”. A política caseira beneficia de imensas “revelações”. Por acaso, são quase sempre do Bloco de Esquerda (há meses, a revelação era a filha de Camilo Mortágua), e raramente produzem uma afirmação que sobreviva ao escrutínio da realidade. Os jornalistas e comentadores que atribuem a distinção saberão explicar o primeiro facto, embora não convenha questioná-los sobre o segundo. (…)

 

2 pensamentos sobre “Leitura dominical

  1. JP-A

    As falas do doutor Costa começaram a azedar, depois passaram a um nível cada vez mais rasteiro, e agora dá pena vê-lo a embadalhocar o discurso com qualquer pedra mais ou menos submarina que o desespero lhe leve à mão para atirar. No fundo, o homem fez desta campanha uma revelação muito para além da sua mais profunda nulidade e vacuidade.

  2. Joaquim Amado Lopes

    “o PCTP era o único partido comunista com a sinceridade suficiente para confessar, ainda que metaforicamente, o desejo de tantos: matar os “traidores””
    “metaforicamente” 🙂

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