A “vontade popular” não existe

Voto Parece que anda por aí uma grande comoção com uma manchete do Expresso que diz que caso a coligação PSD/CDS não consiga a maioria absoluta, o dr. António Costa espera conseguir conquistar junto dos restantes partidos com representação parlamentar o apoio necessário para o PS formar ele próprio governo. Paulo Portas, sempre pronto a dizer disparates que animem os seus disparatados fãs, já veio dizer que Costa “se prepara para desrespeitar a vontade popular“. Ora, por muito que me preocupe a possibilidade do PS ir para o governo em coligação ou com o apoio tácito do PCP, do BE, do partido do dr. Marinho ou do “Livre/Tempo de Avançar para o Tacho”, lamento dizer que esse cenário poderia ser assustador, mas será tudo menos um “desrespeito” da “vontade popular”.

Por muito que ofenda o espírito pretensamente democrata mas essencialmente acéfalo dos nossos tempos, a “vontade popular” não existe. O “povo”, enquanto entidade colectiva mais ou menos etérea, não se pronuncia nem tem vontade. Quem se pronuncia são os vários indivíduos que integram o dito “povo”, expressando cada um deles a sua – muito sua – vontade individual. E o resultado eleitoral que sai do somatório das várias cruzinhas que são colocadas nos boletins de votos preenchidos pelos indivíduos que se dão ao vão trabalho de ir votar não forma uma vontade colectiva. Aquilo que umas eleições apuram não é a “vontade popular”, mas qual a dimensão de cada um dos conjuntos de vontades individuais que, sendo iguais umas às outras, se agregam. Nas eleições legislativas de 4 de Outubro, não estaremos a apurar qual é a “vontade” do “povo português”, mas apurar quantos portugueses preferem a coligação PSD/CDS, quantos preferem o PS, quantos preferem o PCP, quantos preferem o BE, e por aí fora. E qualquer solução governativa que o apuramento dessas preferências torne possível será igualmente legítimo do ponto de vista “democrático” – ou dito de forma mais precisa, “representativo”.

Tomemos a sondagem mais favorável à coligação, a tracking poll da RTP: 42% dos eleitores teriam a vontade de votar na coligação PSD/CDS, 35% no PS, 8% no PCP, 7% no BE, e 4% noutros. Na pobre linguagem com que se fala destas coisas no debate político e na nossa comunicação social, a coligação “ganharia” as eleições. Mas na realidade, ninguém “ganhava” nada, pois ninguém conseguiria, só por si, ter uma maioria parlamentar que garantisse a aprovação do programa de Governo e a sobrevivência de um executivo por si formado, ficando dependente da formação de uma coligação com outro partido ou da sua abstenção nas votações decisivas.

Pensemos nas eleições de 2011: o PSD não teve maioria absoluta, e fez com o CDS uma coligação que permitiu formar, na Assembleia da República, essa mesma maioria. Mas essa não tinha sido a “vontade” de ninguém. Ninguém, nas eleições de 2011, votou numa coligação PSD/CDS. Houve um grande número de pessoas a votar no PSD, um grande (mas menor) número de pessoas a votar no PS, e grupos relativamente pequenos de pessoas a votarem no PCP, no BE e no CDS. Apenas se deu o caso de o número de pessoas a votarem no PSD e o número de pessoas a votarem no CDS terem dado às chefias destes dois partidos um número de representantes suficientes para que, tendo eles vontade de o fazer, se pudessem unir e formar uma maioria no Parlamento. Uma solução tão legítima como, por exemplo, fora em 2009 a encontrada entre o PS minoritário que foi governando dois anos teoricamente sozinho, mas só suportado pela abstenção do PSD nas votações parlamentares.

Se os resultados se confirmarem e a coligação PSD/CDS conseguir ter o maior número de deputados, mas não em quantidade suficiente para garantir a aprovação parlamentar de que depende para poder governar, é perfeitamente legítimo que os outros partidos se entendam e, se em conjunto tiverem o número de deputados suficiente para isso, formem uma maioria parlamentar que suporte um governo seu. O pessoal da coligação dirá que não foi isso que a maioria dos portugueses quis. Mas, nesse cenário, a maioria dos portugueses também não quereria a coligação. Nesse cenário, a maioria dos eleitores, muito expressamente, diria não querer a coligação. Apenas e só não haveria, dentro dessa maioria de gente que não quereria a coligação, um número de gente suficiente a querer uma mesma alternativa (o que representaria exclusivamente um enorme fracasso do PS).

Nesse cenário “previsto” pelas sondagens da RTP, qualquer solução de governo dependerá de arranjos pós-eleitorais, que precisamente por serem pós-eleitorais, carecem por natureza de aprovação “popular” directa. O arranjo preferido pela coligação – o de governo minoritário PSD/CDS com a anuência abstencionista do PS (é isto que a coligação implicitamente defende, quando os seus responsáveis se manifestam chocados por Costa dizer que não aprovará o seu Orçamento) – não é mais, nem menos legítimo que o entrevisto pela manchete do Expresso de coligação entre dois ou mais partidos que se opõem à coligação. O cenário lançado pelo Expresso não representa nem mais, nem menos a “vontade popular” do que o preferido da coligação. Portas diz que uma coligação de partidos vencidos será uma coligação “negativa”, enquanto a formada por PSD e CDS é “positiva”. Mas, por muito que a sua simplória cabecinha não o perceba, qualquer posição política é necessariamente positiva e negativa – é sempre negativa em relação às alternativas, e consequentemente, positiva acerca das suas propostas.

Infelizmente, aconteça o que acontecer a 4 de Outubro, o mais provável é que tudo se decida nas nossas costas, em salas escondidas nas sedes dos vários partidos. Chefiado por Passos Coelho ou por António Costa, com o apoio do CDS ou do PCP ou BE, o próximo governo resultará mais das combinações entre os chefes partidários do que de uma mítica “vontade popular” da qual eles se julgam mensageiros. E mesmo que, por milagre, Costa ou Passos consigam para os seus partidos uma maioria absoluta, o próximo governo será mau, e deixará por resolver os problemas que há muito atormentam Portugal. Por isso, toda esta conversa sobre “coligações”, “entendimentos”, “maioria absoluta” e “vontade popular” em nada importam para a vida dos portugueses, sendo pouco mais do que entretenimento para as “classes conversadoras”. Que, temo, terão muito com que se entreter nos próximos meses.

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47 pensamentos sobre “A “vontade popular” não existe

  1. tina

    Seria sim um desrespeito à vontade popular, porque o PS teria de ceder muito e desrespeitar o próprio eleitorado para formar um governo à esquerda. Ou seja, Portugal poderá acabar com um governo com um grande pendor de extrema esquerda, apesar de a extrema esquerda ser minoritária. Mas Costa não tem quaisquer escrúpulo e com uma pessoa dessas tudo é possível.

  2. Certo, nesse aspecto tem razão. Mas seria igualmente um desrespeito do eleitorado do PS, o PS aprovar (ainda que só através da abstenção) o programa da coligação. Ou seja, sem uma maioria absoluta, qualquer combinação para sustentar um governo terá sempre esse problema

  3. Fernando S

    Até acho que o Bruno Alves tem razão quando questiona e critica a noção de “vontade popular” que Paulo Portas parece adoptar.
    Na verdade Bruno Alves recusa mesmo qualquer ideia de “vontade popular”.
    Mas até reconhece como “legitimas”, pelo menos do ponto de vista “democratico” ou “representativo”, as “soluções governativas” que possam ser viabilizadas por maiorias parlamentares, formais ou tácitas, estáveis ou pontuais.
    Nestes termos, entre várias hipoteses, seria igualmente legitima uma solução governativa do PS com o apoio declarado ou tacito de outros partidos mais à esquerda.
    Eu, embora a receie, também penso assim.
    Mas, de seguida, Bruno Alves considera que, seja ela qual for, qualquer solução governativa assim conseguida é o resultado de “combinações entre os chefes partidários”, “que tudo se decida nas nossas costas, em salas escondidas nas sedes dos vários partidos.”
    Bom, não vejo como é que se conseguem soluções governativas sem “combinações entre os chefes partidarios”.
    Nem estou a ver como é que as negociações e os acordos pudessem ser feitos sem ser “em salas escondidas [?!!…] nas sedes dos varios partidos”.
    O Bruno Alves acha que deveriam ser reuniões abertas a todos e realizadas em anfiteatros ou praças publicas ?
    Qual é no fundo a modalidade alternativa que o Bruno Alves considera que deveria ser seguida para se auscultarem as preferencias dos portugueses e para, a partir delas, se constituirem soluções governativas ?
    Porque não basta ser anti-sistema por principio.
    Convém dizer quais são as alternativas viáveis e eficazes para se chegar ao objectivo que é conseguir uma solução governativa para o pais.
    Para o pais concreto e actual que é Portugal em 2015.
    Ao contrario do Bruno Alves, não penso que
    ” toda esta conversa sobre “coligações”, “entendimentos”, “maioria absoluta” e “vontade popular””,
    que, lembremo-nos, se destina a chegar ao objectivo que é conseguir uma solução governativa para o pais,
    “em nada importam para a vida dos portugueses”.
    Suspeito até que, neste momento, é o que mais importa a uma grande maioria dos eleitores portugueses !

    PS : Pelo conteudo do post confirmo com alivio que o Bruno Alves também faz parte das “classes conversadoras”.

  4. A. R

    Obviamente que seria uma falta de respeito. Os portugueses votam PaF ganhador e não qualquer outro programa. BE e PCP demarcaram-se do programa do PS que faz a “política da direita” logo qualquer coligação à esquerda é incompatível com a vontade popular.

  5. A alternativa que defendo é simples: um sistema representativo uninominal em que o que elegemos é um deputado, que é depois directamente responsável perante nós (e que portanto, poderíamos responsabilizar directamente por ele apoiar ou não um determinado governo). Em vez do sistema que temos, em que não escolhemos deputados nem um Primeiro-Ministro, mas antes votamos para determinar o peso relativo dos diferentes grupos parlamentares a partir de listas de nomes de gente que não é responsável por nós

  6. Fernando S

    A.R.,
    O Bruno Alves tem razão quando lembra que o PS também se “demarca” do programa da coligação.
    Uma das vantagens da democracia representativa é precisamente a de acomodar a possibilidade dos representantes eleitos procurarem compromissos que viabilizem soluções governativas.
    Em democracia, pior do que as más soluções governativas é o impasse e a instabilidade.

  7. Fernando S

    Bruno Alves,
    Como todos os sistemas, o sistema representativo uninominal tem vantagens e inconvenientes.
    Uma das desvantagens é precisamente não ser suficientemente representativo das diferentes correntes de opinião existentes.
    Também não me parece que o sistema uninominal, que existe nalguns paises, como o Reino Unido, seja uma garantia de que os eleitores conhecem melhor os deputados eleitos, que estes são mais independentes dos partidos e mais “accountables” diante dos eleitores (no fim de contas, também aqui os candidatos com possibilidades de serem eleitos são normalmente escolhidos pelos … partidos), que escolhem directamente o Primeiro Ministro (o PM não deixa de ser quem tem a maioria no Parlamento), etc, etc.
    E, sobretudo, nada neste sistema garante mais do que nos outros que, e volto ao seu post, “o governo [não] será mau, e [resolve] os problemas que há”.

  8. Com os votos no parlamento dos vários deputados – como de certa forma acontece no nosso – mas com a diferença de como disse, cada um desses deputados ser directamente responsável perante os seus eleitores, e não, como acontece no nosso, um mero número ao serviço da direcção partidária

  9. Fernando S

    Bruno Alves : “Eu prefiro é as vantagens e desvantagens que tem, quando comparado às do nosso”

    Pelos vistos, em Portugal não há muita gente que prefira o mesmo.

  10. Alexandre Carvalho da Silveira

    O Costa tem memória curta. Desde 1995, o PSD viabilizou seis orçamentos e três PECs de governos socialistas: quatro orçamentos do governo minoritário do Guterres, 1996/97/98/99, dois orçamentos do governo minoritário do Sócrates, 2010 e 2011, e os PEC1,2e3.
    Eu até pagava para ver o PCP e o BE viabilizarem um orçamento de um governo do PS depois de ter passado por Bruxelas e portanto cumprir o Pacto de Estabilidade e Crescimento.
    Por outro lado há muita gente que se queixa dos “roubos” que este governo lhes fez, em geral com rendimentos superiores a 1500/2000 euros e que se prepara para votar no PS para “castigar” a coligação, gente que ainda não reparou que o Costa se prepara para lhes ir ao bolso em grande, quando mexer nos escalões do IRS.
    Para já não falar no descalabro que as mexidas na TSU vai provocar.

  11. queima beatas

    Costa “se prepara para desrespeitar a vontade popular“. Pelo saltitar que a coisa mostra não me admirava nada. E não seria a 1ª vez.

  12. Nulo

    Caro Sr. Bruno Alves,
    Esmagado pelo vigor posto no eestéril trabalho de sapa, aqui e ali a roçar a jactância masturbativa, levei algum tempo até perceber que excluindo o ataque ad hominem e considerações vagas sobre o que seria a estrutura do seu sistema político ideal, acredite-me não consegui perceber se ia, ou recomendava, votar no Costa, no Jerónimo ou até na Amaral Dias.

    Por isso, levando em conta todas as condicionantes internas/externas económicas, políticas, e etc., enfim tudo o que possa ser considerado no enquadramento destas eleições, agradeço sinceramente uma indicação de voto, ou melhor dando um pouco mais de si, assim tipo uma declaração do género “Eu voto isto -sem necessidade de explicação- e vocencias farão o que bem entenderem”.

    Penso que perceberá com facilidade a inquietação que, seu leitor frequente, me leva a solicitar aquilo que no fundo não deve deixar de considerar como um sincero pedido de ajuda.

    Atento, venerador e obrigado.

  13. tina

    “ou fico em casa ou vou lá escrever obscenidades no boletim de voto.”

    Um dia, quando tiver filhos, vai começar a preocupar-se mais com o futuro do país e, naturalmente, tentará tudo para que o PS não ganhe.

  14. tina

    “Penso que perceberá com facilidade a inquietação que, seu leitor frequente, me leva a solicitar aquilo que no fundo não deve deixar de considerar como um sincero pedido de ajuda.”

    ahahahaha!

  15. Preocupo-me bastante com o futuro do país, e não é por não ter filhos que me preocupo menos que os outros. Apenas faço um julgamento da situação diferente: não por achar que o PS seja menos mau do que o pinta (acho que é do piorio) mas porque não vejo diferença substancial nas outras alternativas. Posso, obviamente, estar errado. Mas não quer dizer que tenha menos preocupação do que as outras pessoas. Muito menos o ter ou não ter filhos afecta essa minha preocupação: imagine que, por alguma razão, eu não podia ter filhos. Seria um cidadão com menos valor por causa disso? Acho que não

  16. tina

    Ter filhos dá-nos um instinto de proteção e sobrevivência que as pessoas sem filhos não têm. Quando tiver, falamos.

  17. tina

    Digam-me que pessoa minimamente inteligente e moderada não irá votar, não se importando que o país entre em crise política, ou que caia nas mãos de um partido que já levou o país à bancarrota, ou que até possa formar um governo radical de esquerda?

  18. Tina, não vai ser o meu voto que vai fazer diferença. Não vou ser que, indo votar, evito uma crise política ou mantenho o governo longe dos radicais de esquerda se forem votar 5 milhões de pessoas, o meu voto vale 1/5 000 000, ou seja, nada. Uma pessoa “minimamente inteligente” e “moderada” que não olhe para estas coisas em termos clubísticos, consegue perceber a sua insignificância. É o meu caso. E por isso só voto quando quero dar a minha aprovação a algum partido ou pessoa, como fiz em 2009 quando votei no PSD, como fiz (hoje arrependo-me) em 2006 com Cavaco, e como teria feito (para me arrepender depois) em 2002 com o PSD de Durão se pudesse votar na altura (não podia). E depois, eu pessoalmente acho que o país está em crise política há muito tempo, e continuará mesmo que haja uma maioria absoluta, porque a saúde do sistema político (no sentido lato) não se restringe a haver maioria absoluta ou não. É precisamente por estar preocupado com o país que não dou o voto a ninguém: acho que todas as alternativas, de forma diferente, ajudam a escavaca-lo.

    Agora: a tina pode achar a minha opinião absurda, e discordar dela radicalmente. Tudo bem, é normal. O que já acho menos admissível é que ache que eu tenho essa tal opinião absurda pelo simples facto de não ter filhos, e que uma pessoa por ter filhos tem uma opinião melhor do que as outras pessoas.

  19. Baptista da Silva

    Bruno Alves, há uma balança, pensa nela.Eu abomino os politicos mas não saio daqui, enquanto for manipulado, escolho a manipulação correcta.

  20. ecozeus

    A maioria dos cenários de governação à “esquerda” não parecem ter cabimento, primeiro, porque tudo aponta para que nenhum dos grandes partidos venha a obter uma maioria governativa e, segundo, porque na eventualidade de tal vir a acontecer as tendências apontam para que ela se venha a verificar mais para o lado da PàF.
    A admitir que a PàF não obterá uma confiável maioria governativa, muito menos a conseguirá o PS, isto porque se o PS não tiver maioria ficará completamente manietado pela derrota do país e pela anterior liderança do partido (seguristas), o que é o mesmo que dizer que António Costa apenas tem uma porta de saída, a demissão de líder do PS.
    Mas vamos acreditar que por obra e graça “Espírito Santo” o PS consegue ser indigitado para formar governo, considerando todo o histórico pós 25 de Abril, nunca o PS governou com coligações à esquerda tipo PC ou BE, na verdade, o que se lhe conhece são alianças/coligações com o PSD, com o CDS, com deputados liminano e jamais com o PCP e muito menos com gente tipo bloco de esquerda, portanto, parece-me de todo descabido pensar em soluções desse tipo, até porque essas experiências só poderiam culminar na transformação do PS num PASOK, no governo num Syriza e Portugal numa Grécia!
    Vade retro, Satanás!

  21. Joaquim Amado Lopes

    Bruno Alves,
    Círculos uninominais para eleger (parte d)os deputados, certíssimo. Mas deputados eleitos em círculos uninominais determinarem quem forma Governo, erradíssimo.
    Fala-se muito de, no Reino Unido, os Conservadores terem ganho com maioria absoluta e os Trabalhistas terem sofrido uma enorme derrota mas a realidade é que a diferença nas respectivas votações é relativamente baixa, apenas cerca de 6%. A enorme diferença no número de parlamentares resulta da distorção provocada precisamente pelos círculos uninominais, em que 49% dos votos num círculo podem resultar em derrota e 20% podem resultar em vitória.

    Num círculo uninominal, os eleitores que recusarem o programa de Governo do PS mas quiserem o candidato do PS e quiserem o programa do PSD e recusarem o candidato do PSD votam como?
    O Governo deve ser eleito com base num programa (mesmo que esse seja apenas um factor) que indique o sentido em que irá governar e os círculos uninominais não o permitem.
    Círculos uninominais para eleição dos deputados só fazem sentido se a par com a eleição directa do chefe do Governo.

  22. por que razão é que os eleitores quereriam um deputado que defende um programa que eles acham mau? Se o fizessem, seriam parvos. Quanto às desvantagens dos círculos uninominais, eu conheço-as, mas prefiro-as às do nosso

  23. Euro2cent

    A chantagem miserável do “votem no mal menor” continua a funcionar.

    Quem tem filhos devia recusar-se a continuar a ser refém de chantagistas.

  24. Joaquim Amado Lopes

    Bruno Alves,
    A forma como coloca a questão (“por que razão é que os eleitores quereriam um deputado que defende um programa que eles acham mau? Se o fizessem, seriam parvos”) apenas serve desmontar a sua defesa dos círculos uninominais.
    Afinal, se só parvos votariam num candidato a deputado que defenda um programa que eles achem mau, os círculos uninominais não fazem qualquer sentido uma vez que a única coisa que interessa é o programa que cada candidato defenda.

  25. Fernando S

    Euro2cent em Setembro 26, 2015 às 23:29 :
    “A chantagem miserável do “votem no mal menor” continua a funcionar.”

    Chantagem = “ameaçar revelar coisas ou informações sobre uma pessoa, um grupo, corporação, etc a não ser que a pessoa ameaçada cumpra exigências, geralmente para proveito próprio, feitas pelo ameaçador.”
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Chantagem

    Onde é que está a chantagem ?

  26. tina

    “Tina, não vai ser o meu voto que vai fazer diferença.”

    Bruno, e se fosse um caso de vida ou de morte, ainda assim não iria votar? Claro que iria, qualquer outra resposta será falsa. Vê a diferença, para algumas coisas a situação é mais séria do que para outras.

  27. jc

    então acabem-se as eleições e entregue-se o governo ao PCP ou ao BE…..Já Álvaro Cunhal em 74 qdo tudo fizeram para evitar eleições e impor a ditadura do proletariado, pensava da mesma maneira.

  28. imagine que um tipo se candidata de forma independente: tem um programa. Eu só vou votar nele por causa do programa, i.e., pelo que ele defende. E isto acontece em qualquer caso. Apenas e só, num círculo uninominal, é escolhida UMA pessoa que é DIRECTAMENTE responsabilizada e responsável perante os eleitores (todos) do seu círculo

  29. Joaquim Amado Lopes

    Bruno Alves,
    E, com 230 círculos uninominais, serão eleitos 230 deputados cada um com o seu próprio programa eleitoral?
    Se sim, como será possível (e quanto tempo levará) construir um programa de governo que reúna o apoio de uma maioria de deputados sem que cada um deles não acabe a apoiar um programa significativamente diferente daquele com que se apresentou a votos?
    Se não, qual o sentido de responsabilizar individualmente cada um dos candidatos por se apresentar com um programa que não é seu mas sim do partido que representa?

    Repito, que sentido faz personalizar a candidatura num indivíduo quando a única coisa que interessa para o sentido de voto é o programa com que se apresenta?

    Tenho que notar que a sua forma de decidir o sentido de voto é bastante primária. Então a credibilidade do candidato não interessa para nada?

    O seu voto é seu e até pode decidir votar no candidato ou candidata com os olhos mais bonitos ou excluir os que sejam adeptos de clubes desportivos “errados”, tenham frequentado uma Universidade em que o Bruno não tenha sido aceite, a sua namorada/noiva/esposa ache atraentes, toquem guitarra melhor que o Bruno ou sejam “demasiado altos”. Ninguém tem nada a ver com isso. Mas o que defende para os círculos uninominais não tem ponta por onde se pegue.

  30. claro que a credibilidade interessa. Mas por que razão hei-de votar num tipo “credível” que defende o contrário do que eu defendo? Quanto ao cada deputado com o seu programa, ou está a fazer de propósito para distorcer o que eu disse, ou tem uma imaginação muito fértil: é óbvio que eu não disse que os deputados teriam programas todos diferentes uns dos outros. Estou a dizer que cada deputado em cada círculo dá nesse círculo a cara por um programa. E claro que muitos deles coincidiram no programa que defendem, mas cada um dá a cara por ele no seu círculo.

  31. Joaquim Amado Lopes

    Bruno Alves,
    Não afirmei que o Bruno tinha dito que “os deputados teriam programas todos diferentes uns dos outros”. Perguntei-lhe se seria assim porque só assim fará sentido que a única coisa que interesse para o voto num candidato seja o programa que defende. É que, apesar de ter escrito que “a credibilidade interessa”, logo a seguir escreveu que não interessa para nada, confirmando o que escreveu antes, que alguém que vote num candidato por outras razões que não o programa será parvo.

    Só faz sentido votar directamente numa pessoa se se considerar toda a complexidade que essa pessoa envolve. O que defende (em termos de ideais) e o projecto político que representa são certamente factores importantes mas o que se pode esperar dessa pessoa no exercício do cargo não o é menos. E se o candidato representar um projecto com que concordamos mas o seu historial fôr de faltar sucessivamente às sessões parlamentares, “roubar gravadores”, dizer disparates e usar a sua influência para beneficiar amigos?

    E se o candidato, por alguma razão, não poder ocupar o cargo? Novas eleições? E se o novo eleito também ficar indisponível pouco depois de assumir o cargo? Novas eleições?
    E se o resultado dessas substituições fôr o Governo em funções deixar de ter o apoio da maioria dos deputados?

    Se o factor determinante para votar num ou noutro candidato é o programa que cada um deles defende, então o candidato em concreto é irrelevante e deixa de fazer qualquer sentido personalizar a eleição.
    Os círculos uninominais fazem todo o sentido para eleger pessoas em concreto e responsabilizá-las pelo seu desempenho no exercício do cargo, não para aferir do apoio dos eleitores a um determinado projecto político.

  32. “E se o candidato representar um projecto com que concordamos mas o seu historial fôr de faltar sucessivamente às sessões parlamentares, “roubar gravadores”, dizer disparates e usar a sua influência para beneficiar amigos?” tem toda a razão. mas ao contrário do que você somnhou, eu não disse que os outros factores não contam para nada. v~eem é depois do outro, não em termos de importância, mas de ordem de consideração. Se eu desconfio que um tipo não vai cumprir as ideias que defende, ou que é um vigarista, não votarei nele. Mas também não vou votar num comunista, por muito honesto e coerente que ele seja.

    “E se o candidato, por alguma razão, não poder ocupar o cargo? Novas eleições? E se o novo eleito também ficar indisponível pouco depois de assumir o cargo? Novas eleições?”

    Sim. No reino Unido é o que acontece, e não consta que haja grande drama nisso

  33. Joaquim Amado Lopes

    Bruno Alves,
    No sistema que defende, como deve votar um eleitor que não goste do candidato do partido com cujo programa se identifica mais de forma a o Bruno não lhe chamar parvo?

    E, no Reino Unido, 36,9% dos votos expressos resultaram numa maioria absoluta de 50,9% de deputados (sem ser necessário qualquer “bónus grego”), 4,7% dos votos expressos resultaram em 8,6% dos deputados, 7,9% dos votos expressos resultaram em 1,2% dos deputados e 12,6% dos votos expressos resultaram em 0,15% dos deputados.
    É este o sistema que defende?

    Só por curiosidade, nestas últimas eleições no reino Unido teriam bastado cerca de 7000 votos nos candidatos do Partido Conservador (criteriosamente distribuídos pelos círculos onde a vitória foi por menos de 1000 votos) terem ido para outros candidatos para a maioria absoluta ter deixado de ser absoluta (menos 14 deputados).
    No Reino Unido e num limite absoluto (se a diferença entre primeiro e segundo em cada círculo fôr de 1 voto), 650 votos num universo de mais de 46 milhões de eleitores registados e mais de 30 milhões de votos expressos podem representar a diferença entre ter 0% e ter 100% dos deputados.

  34. Em resposta à sua pergunta, sim, é esse o sistema que defendo. Reconheço as desvantagens, mas gosto ainda menos das desvantagens dos outros. Quanto ao que deve fazer o eleitor que não gosta do candidato mas gosta do programa: depende do grau de insatisfação com o deputado. Se não for muito grande, vota nele pelo programa, apesar de ele ser quem é. Se achar mesmo que é uma pessoa que não merece apoio, vota em branco ou não vota. E aí, tanto o candidato é responsabilizado (perdendo votos por ser quem é) como o próprio partido, ao escolher alguém que não merece confiança como candidato aquele círculo

  35. Joaquim Amado Lopes

    Bruno Alves,
    Percebido. O Bruno Alves defende um sistema em que os candidatos que apoiam um mesmo programa eleitoral podem receber no total 49% dos votos expressos e não eleger um único deputado ao mesmo tempo que os candidatos que apoiam outro programa eleitoral podem receber no total menos de 5% dos votos expressos e eleger mais de 10% dos deputados.

    É uma opinião e defenderei até à morte (em sentido figurado) o seu direito a expressá-la.

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