Ainda há jornalistas no Público?

Esta manhã a primeira página do jornal Público apresenta o seguinte destaque (clicar na imagem para aumentar):

Público revela conteúdo da carta que o líder do PSD dirigiu ao então primeiro-ministro, a 31 de Março de 2011, a exigir que pedisse apoio externo para resolver os problemas financeiros do país

Carta de Passos Coelho a Sócrates em 2011 dava apoio à vinda da troika: Público revela conteúdo da carta que o líder do PSD dirigiu ao então primeiro-ministro, a 31 de Março de 2011, a exigir que pedisse apoio externo para resolver os problemas financeiros do país”

“Exigir que pedisse apoio externo”? Exigir? Sério? Desafio qualquer um a ler a referida carta – reproduzida abaixo – e encontrar quaisquer exigências do então líder do PSD. Felizmente o Público disponibilizou o documento online porque já há muito tempo que não dou dinheiro para este pasquim (meu destaque):

Confidencial

Gabinete do presidente

Senhor primeiro ministro

Recebi hoje informação, da parte do senhor Governador do Banco de Portugal, de que o nosso sistema financeiro não se encontra, por si só, em condições de garantir o apoio necessário para que o Estado português assegure as suas responsabilidades externas em matéria de pagamentos durante os meses mais imediatos. Ainda esta manhã o senhor Presidente da Associação Portuguesa de Bancos transmitiu-me idêntica informação.

Estes factos não podem deixar de motivar a minha profunda preocupação.

Não desconheço que o Governo tem repetidamente afirmado que Portugal não necessitará de recorrer a qualquer mecanismo de ajuda externa e é certo que a competência pela gestão das responsabilidades financeiras do país cabe por inteiro ao Governo.

Não disponho de informação sobre as acções e diligências que o Executivo estará a desenvolver para assegurar o cumprimento dessas obrigações. Porém, é do conhecimento público a situação do mercado que a República vem defrontando, desde há vários meses a esta parte, bem como o facto de o sistema bancário se encontrar sem acesso ao mercado desde há mais de um ano.

Atenta a especial sensibilidade desta matéria e as gravíssimas consequências que decorriam para o nosso país de qualquer eventual risco de incumprimento, é essencial que o Governo garanta, com toda a segurança e atempadamente, adopção das medidas indispensáveis para evitar tal risco.

Nestas circunstâncias, entendo ser meu dever levar ao seu conhecimento que, se essa vier a ser a decisão do Governo, o Partido Social Democrata não deixará de apoiar o recurso aos mecanismos financeiros externos, nomeadamente em matéria de facilidade de crédito para apoio à balança de pagamentos.

Considerando a extrema relevância desta matéria, informo ainda que darei conhecimento desta carta confidencial ao senhor Presidente da República.

Com os cumprimentos,

[assinatura]

Pedro Passos Coelho

Lisboa, 31 de Março de 2011

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35 pensamentos sobre “Ainda há jornalistas no Público?

  1. JP-A

    Isto são sinais evidentes das políticas de lavagem cerebral do tipo chavista e norte-coreano que vai por aí na cabeça de muita gente que ainda vive no sonho e nas fantasias de 1975. Cuidado com esta gente porque o PS está infestado deles.

  2. Pingback: Antologia da baba | BLASFÉMIAS

  3. Realmente absolutamente inacreditável, a carta, depois de lida, é um monumento ao bom senso. Mas veja-se as duas capas do Expresso do último fim‑de‑semana que comete a proeza de sobre o mesmo assunto ter dias capas – na minha modesta opinião- diferentes:
    Caixa PERDE 850 milhões com Novo Banco- 1a página
    Caixa PODE perder 850 milhões com Novo Banco- 1a página economia
    Resumindo, vai ser um fartote até às eleições…

  4. Pingback: Para avivar a memória | O Insurgente

  5. migas

    Sr. Belmiro, por favor, venda essa vergonha de jornal ou deixe falir.
    Não lhe causa repulsa ser o proprietário de uma coisa tão desonesta?

  6. campus

    Felizmente a carta foi disponibilizada, por Sócrates, (se era confidencial, quem mais poderia ter sido ?). Ficámos a saber que Passos Coelho em momento algum deixou de estar á altura das responsabilidades.

  7. António Maria

    Os jornalistas (?) do Público deviam seguir o exemplo da historiadora Fátima Bonifácio que no mesmo jornal declara o seu voto a Passos Coelho. Aliás, todos os senhores jornalistas, comentadores e quejandos o deveriam fazer. Seria mais honesto para quem os lê e ouve se soubessem porque o escreviam e diziam. Assim vão aldrabando a populaça, tentado inutilmente passar a ideia de independentes e imparciais. É mentira, como muito bem escreveu na semana passada o Eduardo Cintra Torres a propósito das noticias do grupo SIC/VISÃO/EXPRESSO.
    Já agora uma questão. Se a vitória do Costa no debate foi assim tão evidente e arrasadora, porque será que ainda não saiu nenhuma sondagem a dar-lhe uma maioria avassaladora consentânea com a sua prestação televisiva?

  8. Miguel Alves

    Mas qual o problema da carta? eu confesso que gostei bastante do conteudo da mesma.
    Então queriam o quê? que o país sem financiamento, o principal lider da oposição fizesse de conta que não era nada com ele? que fosse como a esquerda caviar que nunca quer assumir responsabilidade de nada?

    Para mim são pontos positivos para o passos coelho, ao contrario da narrativa que o público tenta “imprimir”.

  9. Alexandre Carvalho da Silveira

    Tina, a “jornalista” chama-se São José Lopes, who else?

    Ficàmos também a saber que o Sócrates 1º ministro estava ali para cumprir as “exigências” do Passos Coelho: o então líder da oposição “exigiu”, e o então 1º ministro, obedeceu. Não é tão engraçado?
    Por onde andaria o animal feroz nessa conturbada primavera de 2011?

  10. rrocha

    “é essencial que o Governo garanta, com toda a segurança e atempadamente, adopção das medidas indispensáveis para evitar tal risco.”

    Essencial Sinónimos: básico, capital, forçoso, fundamental, importante, imprescindível, indispensável, necessário, obrigatório, precípuo, principal, substancial e vital

  11. Tina, última palavra sobre capa do jornal provavelmente pertence ao director. Mas como a notícia tem duas páginas e carta não é longa, haverá muito espaço para mais manipulação da realidade.

  12. Miguel Soares dos Santos

    Trazer a Troika deve ser um mérito e não uma penalização. O País estava sem dinheiro, na bancarrota, não havia alternativa, portanto o mérito está do lado de quem forçou a sua vinda e não quem tentou travar até ao limite da loucura (presidiário 33).
    Além disso todo o trajecto do Syriza na Grécia desde que ganhou as eleições (não à austeridade, não ao corte de pensões, não ao aumento de impostos, não a novo resgate) prova que não há alternativa. Já o Hollande em França também chegou com promessas de vergar a Merkel e mudar o rumo económico da Europa.

  13. rrocha

    “é essencial (obrigatório)que o Governo garanta(…)medidas indispensáveis para evitar tal risco”

    Quais sao esses riscos ?
    acesso ao credito para” responsabilidades externas em matéria de pagamentos durante os meses mais imediatos”
    soluçoes posiveis na altura ?
    “mecanismo de ajuda externa” = Troika

  14. jo

    Gaita!
    Primeiro diziam que a troika era uma coisa tão boa que até queriam ir além da troika.

    Agora andam a fazer campanha a tentar provar que não a quiseram nem a chamaram, Claro que a troika foi chamada pelo governo em exercício. Os pretendentes ao governo estavam mortinhas que ele viesse. E fizeram toda a pressão possível, incluindo escrever cartas manhosas.

  15. Fernando S

    “E fizeram toda a pressão possível, incluindo escrever cartas manhosas.”

    Enviar uma carta confidencial ao PM a manifestar a disponibilidade do maior partido da oposição para apoiar uma eventual decisão do governo de pedido de uma ajuda financeira externa no caso de se confirmar estar o Estado numa situação de ruptura financeira e não conseguir resolver o problema com outras medidas ….

    …. é “FAZER TODA A PRESSÃO POSSIVEL” ???????!!!!!!!!!

    Ah … E ainda bem que o governo em exercicio chamou a Troika e que o PSD apoiou essa decisão !!

  16. Pedro S

    “E fizeram toda a pressão possível, incluindo escrever cartas manhosas.”

    Claro, porque Sócrates sempre se caracterizou por ser muito vulnerável a pressões da oposição….

  17. rrocha,
    Mas afinal não é obrigação que qualquer governo “garanta(…)medidas indispensáveis para evitar tal risco”…”acesso ao credito para” responsabilidades externas em matéria de pagamentos durante os meses mais imediatos””?
    É por isso que a carta é somente um exercício de bom senso, nada mais, querer fazer dela o pedido oficial é querer ofender a inteligência dos portugueses.

  18. IS

    A responsabilidade pelo pedido de ajuda externa será sempre exigível ao executivo liderado por José Sócrates.

  19. rrocha

    Sr. Manuel Vilhena

    A carta nao um pedido oficial nem poderia ser (competencia do governo) e mais um “toca e foge” muito tipico dos politicos
    “toca” : “sistema financeiro não se encontra, por si só, em condições de garantir o apoio necessário para que o Estado”
    “foge” : “responsabilidades financeiras do país cabe por inteiro ao Governo.”
    “toca” : “bem como o facto de o sistema bancário se encontrar sem acesso ao mercado desde há mais de um ano.”;”gravíssimas consequências”;”adopção das medidas indispensáveis”
    E agora o grande “foge” : “se essa vier a ser a decisão do Governo, o Partido Social Democrata não deixará de apoiar o recurso aos mecanismos financeiros externos, ”

    Nota : esta carta foi enviada ao 1º ministro que ja se tinha demitido a 23 março 2011

  20. Fgcosta

    A julgar pelo raciocínio subjacente à lógica do artigo e dos que descobriram agora este truque revisionista da realidade, a coligação já ganhou: ou tem mais votos e forma governo, ou vai para lá o PS e, obedecerá ao que o PSD mandar fazer, mesmo que seja algo tão terrível como chamar a troika.

  21. Fernando S

    Fosse como fosse, se a Troika foi então chamada apenas porque o leader do PSD teria “pressionado” (também ja dizem “exigido” e ainda não se lembraram do “forçado”) o governo em exercicio, então o mérito da vinda da Troika para evitar uma bancarrota iminente do pais é todo de … Passos Coelho !!
    Para mim serve !

  22. Fernando S

    Mesmo que se admitisse que foi o PSD a chamar a Troika (que não foi), o mais importante é que se teve de chamar a Troika porque o governo do PS deixou o pais chegar às portas da bancarrota e que foi graças ao dinheiro e ao programa da Troika, com o PSD no governo, que o pais não precisa hoje da ajuda da Troika !

  23. Fgcosta

    Na SIC acabam de passar a notícia sobre a carta divulgada, omitindo a parte em que está a crucial expressão, “se essa vier a ser a decisão do governo”.
    Portanto não se trata de jornalismo incompetente, trata-se de uma encomenda generalizada. Em que casos a anuência em fazer o frete é por simpatia militante ou por retorno de benesses, é a única dúvida que me resta.

  24. tina

    Obrigada Alex e BZ. Essa São José Almeida é uma desesperada, um farrapo que o mar deu à costa, sem um pinto de vergonha na cara ou de brio profissional. Para ela, o facto de PPC exprimir apoio à vinda da troika é o mesmo que dizer que PPC pediu ao governo para chamar a Troika. Repete isso no artigo todo.

  25. E. Rocha

    A mudança de Agência de comunicação e marketing político, já começa a fazer efeito.
    A nossa comunicação social é uma bosta!… Uns paus mandados. Uns vendidos. Uns manipulações. E mais não digo, porque atrás tem tudo dito. Um, Público, “exigiu”. Outro “diário Econômico ” afirma que “insistiu”. Tristeza. Uma lástima!

  26. Fernando S

    Cristovão Morgado,

    Não era desejável que o Governo o fizesse ??!…

    O leader do principal partido da oposição não deveria ter indicado ao governo em exercicio que estava disponivel para apoiar as medidas indispensaveis para evitar uma ruptura financeira, incluindo “o recurso aos mecanismos financeiros externos, nomeadamente em matéria de facilidade de crédito para apoio à balança de pagamentos”, hipotese que se sabia estar em cima da mesa das diligencias que o governo vinha fazendo ??!…

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