Privatizações além da Troika?

Depois de esclarecida a questão das metas orçamentais (aqui e aqui), falta ainda a questão das privatizações. O PS acusa a coligação de ter ido além da Troika (e de a ter chamado, já agora) nas privatizações. O valor previsto era de 5.5 MM€, e o valor arrecadado foi de 10 MM€. Consultemos o que diz o programa negociado e assinado pelo Governo de então, o Governo de José Sócrates.

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O Memorando previa a privatização da EDP, da REN, da TAP, dos CTT, da ANA, da GALP, da CP Carga, e ainda estava previsto mais duas empresas grandes no final de 2012. Mas mais do que isso, consta no Memorando:

«The Government commits to go even further»

The Government, na altura, era o XVIII Governo Constitucional. O de José Sócrates. O que chamou e negociou com a Troika. O que assinou o Memorando de Entendimento. Este mesmo.

Foi o anterior Governo que se comprometeu em ir além da Troika.

Adenda: já no PEC I queriam ir além da Troika.

21 pensamentos sobre “Privatizações além da Troika?

  1. JLeite

    Essas privatizações e todas as outras que se pudessem fazer deviam ter começado imediatamente após o inicio de funções do actual governo e estarem concluídas poucos meses depois, enquanto o assunto do MoU não começasse a desvanecer.
    Isso daria outro significado ao termo frontloading.
    Aliás todas as medidas que potencialmente pudessem gerar mais incómodo deviam ser as primeiras a serem efectivadas.
    São uns amadores!

  2. JLeite

    De facto, o que aconteceu foi que transformaram monopólios estatais em monopólios privados. Os artistas da Troika que conduziram as negociações são eles próprios uns socialistazinhos.
    Bem que gostaria que a privatização ocorresse simultaneamente com a total abertura dessas actividades, mas certamente que isso retiraria valor aos que foi vendido. Embora fosse benéfico para os consumidores.

  3. Fernando S

    “De facto, o que aconteceu foi que transformaram monopólios estatais em monopólios privados.”

    Não é bem assim …
    Alguma das empresas eram quase monopolios “naturais” (certas fontes e redes do sector de energia, infra-estruturas de transporte, etc). Aqui cabe ao regulador assegurar a transparencia, a concorrencia possivel, o interesse dos consumidores.
    Mas naquelas em que o monopolio publico era apenas politico, o grau de liberalização e concorrencia, embora ainda insuficiente, até aumentou (produção, distribuição e comercialização de energias, tele-comunicações, comunicações, etc).

  4. lucklucky, não me parece que esteja implícito na minha posição que 1) as privatizações são más; 2) ir além da Troika é mau. Não é. Podíamos ter feito bem mais. Simplesmente achei relevante repor a verdade dos factos.

  5. Fernando S

    Os socialistas dizem que também nas privatizações o governo actual foi além da Troika.
    O Mario Amorim Lopes mostrou aqui que nem sequer é verdade.
    Dizem ainda que se vendeu tudo o que havia para vender e que não sobrou nada para se cobrirem outras necessidades ou para reduzir a divida.
    Basta querer e poder …
    Na Grécia, a Troika identificou facilmente 50 mil milhões para privatizar, mais de 5 vezes o valor que o Estado portugues encaixou nestes 4 anos.

  6. JLeite

    Posso comprar ao meu vizinho energia eléctrica que ele produz?
    Posso fornecer água para consumo a um vizinho?
    Posso fornecer gás engarrafado, que produzo em casa, a quem me o quiser comprar?
    Tantos exemplos de negócios fechados ou de tal maneira protegidos que tentar entrar é uma dificuldade tal que desanima qualquer um…

  7. Fernando S

    JLeite,
    Presumo que não …
    E suponho que também não na maioria dos outros paises. Por exemplo, como é nos EUA ?
    Até onde pode ir a liberalização em certos sectores ?
    Também não posso exercer medicina se não for médico encartado.
    De qualquer modo, uma coisa é um mercado imperfeito e outra é um monopolio.
    Em principio, acho bem que se procure ir o mais longe possivel na liberalização e abertura dos mercados.
    Sabendo-se, no entanto, que podem ser necessarias restrições ou condições para salvaguarda preventiva dos proprios consumidores (a lei e os tribunais actuam ex-post). .

  8. JS

    O problema não é políticas com maior ou menor Troikismo. Afinal nem o monstro foi reduzido como “ordenava” a Troika. Nem é políticas pseudo-justicializadas, preocupação que só pretende desviar as atenções do cerne da questão.

    O problema é a dependência que o poder político (também em Portugal) inegavelmente tem do TPTB. Porque a incontestavelmente solidária “União Europeia” induziu uns coitadinhos a endividar o País, como se não houvesse amanhã. Ou seja, como se não houvesse hoje. Até porque hoje se vê que os coitadinhos até não estão tão mal assim, não é?.

    Quando um País (perguntem aos gregos) ou alguém está endividado ” it is like being grabbed by the balls”. Só lhe resta fazer o que o credor quer. Chamem-lhe Troika, Instituições, Diezelblbblrr, cobradores de fraque, Dragui, Merkel, Camorra, … o que quizerem.
    O pior é que isto é um autentico, eficaz Hotel California.

    ” … TPTB have all those puny developing states grabbed by the balls in ways we in Europe have not been used to for a long while. Seeds, fertilizers, finance, communications, manufacture, machinery, infrastructure…are all serviced through some transnational provider or other, every bit as much or more than any european country.”.
    TPTB: “The powers that be.”

  9. Fernando S

    ““União Europeia” induziu uns coitadinhos a endividar o País”

    Não é bem assim.
    Efectivamente, a seguir à crise de 2008, a Comissão Europeia fez recomendações aos governos no sentido de estes poderem utilizar margens orçamentais para sustentar a economia.
    Mas estas recomendações não tinham caracter obrigatorio, pressupunham que o pais estivesse em condições de o fazer, destinavam-se sobretudo às grandes economias, como a Alemanha.
    Na altura Portugal tinha ja uma situação financeira bastante desequilibrada pelo que era suicidario gastar ainda mais. Como se viu logo a seguir.
    Fosse como fosse, os “coitadinhos”, isto é, os cidadãos e respectivos governos nacionais, são adultos de quem se espera consciencia e responsabilidade.
    O “passa culpas” de alguns governantes da altura para a UE é indigno e vergonhoso.
    No fim de contas, com as mesmas recomendações, a maioria dos governos dos paises da UE não levaram os respectivos paises para as portas da bancarrota.

  10. campus

    Quem pediu ajuda á Troika foi o PSD. Quem salvou o País da bancarrota foi o Costa. O Sócrates nunca foi 1º Ministro e o PS não governou de 2005 a 2011. Quem pediu ajuda á Troika foi o PSD. Quem salvou o País da bancarrota foi o Costa. O Sócrates nunca foi 1º Ministro e o PS não governou de 2005 a 2011. Quem pediu ajuda á Troika foi o PSD. Quem salvou o País da bancarrota foi o Costa. O Sócrates nunca foi 1º Ministro e o PS não governou de 2005 a 2011.

  11. Fernando S

    JS,
    “Duvida ou dúvida?”
    Claro que é “dúvida”. Obrigado.
    Não sou nenhum campeão de ortografia e tenho consciencia de que involuntáriamente cometo muitas vezes vários erros ao escrever.
    Por sinal, não foi agora o caso. O meu teclado, que não é português, não tem o acento agudo directo e muitas vezes eu prefiro não perder tempo e ritmo com algumas palavras que me parecem perfeitamente compreensiveis sem o acento … Já perco noutras, sobretudo com o “á” ou com o “ó”.
    Pelos vistos, o novo acordo ortográfico, que eu não aplico (mas também não sou um barra purista do velho), não me ajudou nestes aspectos …
    De qualquer modo, estou certo de que o JS percebeu bem qual era a palavra que eu queria utilizar … 🙂
    Claro que a minha pergunta dizia respeito a uma eventual dúvida ( 🙂 ) sua, e não minha (também tenho, e muitas), não sobre as suas convicções, que eu sei serem fortes, mas sim sobre a frase minha que transcreveu.
    De qualquer modo, noto que o JS não respondeu à minha pergunta, que era de resto sincera e no primeiro grau.
    Mas tudo bem, não era provávelmente nada de importante …
    Um bom resto de dia e saudações.

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