Sobre O Modelo Das Estimativas De Mário Centeno

Começo este post, subscrevendo e reforçando o apelo que o Carlos Guimarães Pinto já efectuou para que o PS disponibilize a folha de cálculo utilizada no seu cenário macro-económico. Até o PS disponibilizar essa folha de cálculo, considero que os seus números são inventados.

anteriormente tinha criticado a pretensão do “grupo de sábios” em apresentar um modelo que dá impressão de ser incrivelmente preciso – o que revela que o grupo por trás do tal cenário macro-económico desconhece (ou não torna visível) as limitações de previsões macro-económicas. Para dar um exemplo, nas várias medidas desdobradas – e que o PS considera completamente perfeitamente independentes, o modelo vai ao ponto de quantificar o número de empregos criados por ano e até ao nível das unidades – e isto durante quatro anos como se pode ver num dos quadros de exemplo (retirado da página 11).

quadro_ps

Este modelo vem também com as credenciais de um partido que a) prometeu criar 150 mil empregos na sua primeira legislatura; b) deixou o país às portas da bancarrota na sua última governação em 2011; e c) que ele próprio está em falência técnica (aparentemente, o modelo só pode ser aplicado a nível macro e não micro). A juntar a isto tudo, como o Carlos Guimaráes Pinto realçou, apesar do PS tanto criticar o estado da economia nacional como resultado do governo actual, o PS promete já na próxima legislatura um crescimento económico como não há memória neste páis.

Aproveito este post para lançar as seguintes questões aos autores do tal estudo macro-económico:

  1. Os 207 mil empregos são empregos sem termo, ou são empregos precários (contratados a prazo)?
  2. São empregos de qualidade bem remunerados baseados na inovação e no conhecimento ou são empregos com salários baixos?
  3. Especificamente, em que àreas é que serão criados os empregos: construção, indústria, turismo, restauração, tecnologias de informação, saúde, educação, serviços? Um modelo tão poderoso certamente considerará as diferentes dinâmicas de cada sector.
  4. Na taxa de desemprego considerada no modelo, estão excluídas as pessoas que estão a realizar estágios; que frequentam programas ocupacionais; as pessoas que desistem de procurar emprego; e as pessoas que saem do país?

Termino este post renovando mais uma vez o apelo ao Mário Centeno para que seguindo as melhores práticas, disponibilize a folha de cálculo utilizada na elaboração do cenário.

16 pensamentos sobre “Sobre O Modelo Das Estimativas De Mário Centeno

  1. Lufra

    O modelo!
    O modelo, o modelo, o modelo é tudo, o modelo explica tudo, o modelo sabe tudo. Se falharem a culpa vai ser do modelo.
    E se perderem as eleições também!
    Não será o modelo o mesmo do Sócrates?

  2. Mexi um bocadinho com os dados e concluºi, pela divisão das últimas duas linhas, que )com excepção da primeira coluna) um emprego é criado entre 41000 e 49000 EUR de PIB real. Não consegui discernir uma proporcionalidade clara, nem com números da coluna anterior entrando nos cálculos.

    Penso que estamos no domínio da nobre ciência da adivinhologia.

  3. 12graus

    Nem vale a pena perder tempo com aquela comissão de sábios nem com os desmentidos do Kosta.
    Já se sabe que eles contabilizaram naqueles 207 mil (repare-se no RIGOR dos 7 mil) os pedintes que vão sair da fornada,, isto era, se o PS ganhasse as eleições.
    Muito embora a nova medida anunciada pelo Costa viesse a contribuir decisivamente para aumentar o emprego.
    Refiro-me concretamente à promessa (ou será estimativa) de repor o feriado de 5 de Outubro.
    E vá lá que não se lembrou de prometer um novo feriado a cada uma das freguesias de Portugal dentro do princípio constitucional da igualdade

  4. Foi colocar dados numa equação e foram os números que saíram, sem ter em conta os graus de confiança estatística, se é que eles existem.

    Um pouco sobre desmitos e aproveito para partilhar o que escrevi sobre a dívida pública e como demonstro que de facto a austeridade colocou um forte travão no comportamento dinâmico da dívida: http://www.matematicaviva.pt/2015/08/como-austeridade-colocou-um-forte.html

    Este é o gráfico da aceleração da dívida pública

    Cordialmente

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