Diário de Notícias: declínio e degradação de um jornal histórico

Em 2009, o Diário de Notícias vendia cerca de 45.000 exemplares em, banca. Hoje em dia, as vendas em banca andam em torno dos 10.000 exemplares. Ainda assim, é estranho como uma publicação que atingiu um nível tão abismal de degradação interna continua a conseguir esses números, provavelmente justificados essencialmente pela habituação de alguns (cada vez menos) leitores a um jornal com forte marca histórica em Portugal.

Exemplos da degradação do Diário de Notícias não faltam mas esta nota de direcção é paradigmática do estado a que o histórico jornal chegou. Basicamente, como resumiu Eduardo Cintra Torres, a direcção do Diário de Notícias não lamenta ter mentido nem pede desculpa. Desculpa-se a si mesma e culpa a vítima da mentira.

Hoje, o DN está praticamente reduzido a um orgão de propaganda, ainda por cima mal feito, quase sempre mal escrito e sem qualquer respeito pelos leitores nem pelos visados nas “notícias” que vai publicando. A propósito, vale a pena ler este comentário da Rita Carreira: DN e filosofia de jornalismo

Diz o DN que a responsabilidade pelos erros da história é do Fernando Alexandre e da sua decisão de não responder às perguntas do jornal. Quando li isto, fiquei perturbada. A história é baseada num depoimento oficial que existe e ao qual o jornal teve acesso. O erro advém de esse documento ser mal citado por duas formas: desrespeito pelo contexto da citação e transcrição incorrecta da citação. Qualquer pessoa que trabalha no jornal poderia ter corrigido este erro sem precisar de acesso ao Fernando Alexandre, bastava verificar a fonte original da citação. Isto é factual, não está sujeito a interpretação.

Quando eu leio uma história do DN, exactamente o que é que eu devo pensar? Que o jornal tem carta branca para citar erradamente documentos oficiais, especialmente quando os autores da citação não verificam os factos da história? Que o editor do DN não se sente responsável por evitar erros deste tipo no futuro? Que o DN é um jornal que não tem implementado um processo de controle de qualidade?

Leitura complementar: Fernando Alexandre e a luta contra a corrupção no MAI; Fernando Alexandre, a luta contra a corrupção no MAI e os erros do DN; Fernando Alexandre, a luta contra a corrupção no MAI e os erros do DN (2).

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6 thoughts on “Diário de Notícias: declínio e degradação de um jornal histórico

  1. José Francisco

    Não fosse as redes sociais e os merdia, deste pais, com raras excepções, faziam e fazem da campanha eleitoral um acto continuado de propaganda do Costa Concordia, a seu tempo espero, estudos sérios de sociologia hão-de explicar o papel que tiveram as redes sociais no evitar do novo descalabro anunciado e proposto para este pobre pais.

  2. Os seis anos em que o Diário de Notícias desceu de 45 mil para 10 mil exemplares vendidos constitui(u) igualmente o período em que se submeteu ao AO90. Não creio que seja uma coincidência mas sim uma causa-efeito.

  3. Ramires

    D”N”, “PúBICO”, “i”, por exemplo, poderão, e deverâo, ser substituídos, com superior proveito e vantagem higiénica ( tanto física como mental), pelos reputados produtos da Fábrica de Papel Renova…

  4. José7

    Pelo caminho que a tiragem leva é uma questão de tempo até que o autoclismo se abra e vá tudo pia abaixo: jornal e jornalistas.

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