Não desistiram

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Com isto das “pessoas reais” (segundo o Tiago Barbosa Ribeiro – Presidente da Concelhia socialista do Porto – e Ascenso Simões) dos cartazes do PS animei-me a contar-vos esta história (esta sim bem real) de dois putos meus amigos. Digo que são putos, embora tenham ambos trinta anos, porque os conheço desde que eram miúdos.

São ambos desportistas profissionais e com o aproximar do fim da carreira, há quatro anos decidiram lançar-se na indústria do desporto através da criação, produção e comercialização de uma marca de produtos usado na actividade deles. Durante um ano andaram a estudar, a pesquisar e a obter informação sobre o funcionamento em Portugal deste mundo das empresas, do sistema fiscal, da burocracia, regulação e regras. Ao fim de um ano desistiram, concluíram que não valia a pena. Perceberam que até no tempo que necessitariam para I&D (pelo menos um ano) seriam sujeitos a tanta perda de tempo, impostos e despesa com o Estado que tornava o negócio inviável. Passou-se outro ano e a um deles ocorreu informar-se do que seria necessário para ter a empresa noutro país da UE e como tornar a coisa viável. Um mês depois tinham: empresa criada em Inglaterra, contrato logístico em Espanha, nenhum encargo fiscal/burocrático e dedicaram-se ao I&D. Hoje comercializam um produto com algum sucesso em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Itália. Em Inglaterra pagam 20% de imposto dos lucros, não têm que guardar facturas de despesas (basta-lhes entregar extractos bancários), não pagam taxas autónomas, quase não têm burocracia, taxas alfandegárias baixas, um longo etc e têm um negócio em expansão.

Dizem-me ambos que não percebem porque é que o Estado e o Governo português se esforçam tanto para impedir as pessoas de investir e desenvolver negócios. Dois miúdos criativos, inteligentes e empreendedores. Uma perda para vocês todos, mas merecei-lo.

Nota: um nasceu em Lisboa, filho de pais alemães, aos 20 anos pediu a nacionalidade portuguesa e é mais português que eu. Viu-se várias vezes envolvido em polémicas e teve que passar a vida a demonstrar sentir-se e ser português. Insiste que quer um dia ter a empresa cá e que gostava de investir e ajudar Portugal, é uma das pessoas mais patriotas e com mais amor por este país que conheço; o outro nasceu na Argentina, viveu na Galiza até há alguns anos (foi para lá aos 2 anos), vive cá há 6 anos e é apaixonado por Portugal. Podia hoje viver em qualquer lado do Mundo mas escolheu isto.

Leitura complementar: O Miguel Desistiu. Life is too short

 

5 pensamentos sobre “Não desistiram

  1. Rodolfo

    Conheço duas pessoas que também se iam aventurar num negócio, e até estavam entusiasmadas, mas foi até começarem a ler o que tinham de fazer. Acho que nem chegaram à parte da burocracia e dos impostos. Bastou-lhe ler os requisitos que teriam de ter para abrirem o negócio. Desde o número de funcionários por clientes, até ao número de divisões e a área de cada divisão. Quando me mostraram aquilo até fiquei burro. Estava tudo ‘tabelado’ e não tinha qualquer poder de decisão sobre nada. Tinha de ser daquela forma e pronto. Desistiram…

    Uma dessas pessoas voltou a falar-me num negócio que pretende ver se consegue abrir (negócio este que é bastante diferente do anterior e requer bastante menos investimento, à primeira vista), mas esteve a ver novamente os requisitos e é de loucos para quem quer começar. Desde ter arcas frigoríficas do tamanho de uma divisão, até ter de remodelar a cozinha toda apenas para começar a produzir em casa e de ter de comprar uma carrinha com não sei quantas coisas para ter de transportar as encomendas.
    Não sei como vai isso agora, mas penso que já deve ter desistido, não fosse a desânimo que demonstrou quando me contou. E estamos a falar de alguém que nem sabe o nível de impostos, nem as burocracias e mais dessas coisas. Só os requisitos já serviu para desistir.

  2. Simão

    Tina…..descontam sim.
    Ao contrário do que afirma alguns “anjinhos” (qie amúde confundem os desejos coma realidade), no Reino Unido (e nos EUA*, Mutatis mutandi) existe, Segurança Social pública, SNS, RSI e mais subsídios que na Grécia ou em Portugal.
    Curiosamente, o número de pessoas (em % da população) que vive de subsídios estatais no Reino Unido é, de longe, superior à de Portugal.

    *só por curiosidade para os mais incultos: na ausência de BI, os habitantes dos EUA têm como um dos principais documentos de identificação…….. o Social Security Card. 🙂

  3. Simão

    Referi-me ao simples facto de se pagar. Não às quantidades. Essa é outra questão.
    Tendo em conta o que se paga em Portugal deveríamos ter uma Segurança Social bem MELHOR do que a que existe, em que quase 1 milhão de portugueses recebe pensões miseráveis.
    Bem sei que a história da Segurança Social em Portugal é (no mínimo) “sui generis” mas, como país,……já tivemos mais que tempo para fazer bem melhor.

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