Leitura dominical

Cenas de um casamento, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Se a história tem dias, o contexto tem literalmente barbas. Um futebolista português, Nuno Silva, apresentou-se na equipa espanhola que o contratou envergando uma T-shirt com o rosto do general Franco. Obviamente, o episódio foi notícia e as notícias falaram em “gafe” ou “péssimo gosto”, maçadas que nunca acontecem, por exemplo, aos portadores de T-shirts de “Che” Guevara, outro sociopata de renome.

O Sr. Silva desculpou-se e alegou ignorância sobre o ditador daqui do lado. Nunca vi alguém fazer o mesmo após passear a carranca do argentino. Percebe-se porquê: salvo naturais excepções, quem exibe a imagem do indivíduo conhece, ainda que superficialmente, o respectivo currículo. E gosta. Os campos de “reeducação”, as matanças, o racismo, a bestialidade do gesto e do discurso definem o carácter dos que legitimam a figura e compõem um “estilo” sem risco de polémica. Certas retóricas, não importa se assassinas, vestem melhor.

É constrangedor voltar a isto, mas constrange mais que, em 2015, os crimes do comunismo mereçam a indiferença, ou até a simpatia, que os crimes do fascismo felizmente nunca suscitaram. As vítimas deste foram mártires, as daquele obstáculos, baixas necessárias à construção do homem novo. Era assim em 1930 e assim continuamos, com as avaliações do Bem e do Mal hipotecadas a ideologias e com os representantes da iniquidade à solta por aí, a homenagear o “Che” nas T-shirts ou no olhar. Nos comentários da imprensa, nos programas de debate e nas notícias andam imensos, embora não sejam notícia pelas razões adequadas.

2 pensamentos sobre “Leitura dominical

  1. José7

    O erro está nas democracias ocidentais nunca terem tratado o comunismo como o fascismo. É preciso ser completamente anormal para, como os franceses, manterem o nome do Estaline numa estação de metro…

  2. José Domingos

    Existem contas do passado, que a esquerda, não quer fazer. Não dá jeito. Estaline, “matou” mais cidadãos russos, que Hitler e Mussoline juntos, depois, Che, depois PolPot, depois os revolucionários arabes, que estiveram no poder, enquanto correu o marfim, depois Mugabe, recebido em Portugal, com honras de chefe de estado, por aquele que está, agora, num condominio fechado, em Évora. Antes, com Cuba, e a falar português, Angola, Moçambique e Guiné..Antes foram as bombas criminosas em Hiroxima e Nagasaki, que continuam a reclamar o seu qinhão. Isto não é história, é uma vala comum.
    Claro, que os censores das redações e o politicamente correcto, não deixam passar, e…..

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