O Nobel também erra

Observador

O prémio Nobel da economia norte-americano, Paul Krugman, que se destacou como um dos mais virulentos críticos das medidas de austeridades impostas a Atenas, reconheceu este domingo ter “talvez sobrestimado a competência” do Governo grego.

“Talvez tenha sobrestimado a competência do Governo grego”, indicou durante uma entrevista à cadeia televisa CNN.

“Nem calculei que pudessem tomar uma posição sem ter um plano de urgência”, caso não obtivessem a ajuda financeira que solicitavam, explicou.

“Acreditaram que podiam simplesmente exigir melhores condições sem ter um plano alternativo”, prosseguiu, ao referir-se a um “choque”.

Pelos vistos, o eterno e único Nobel da Economia (mesmo para o Observador continua a ser “O”) também erra. Acreditou que a extrema-esquerda representava uma alternativa credível. Nem eu cometi um erro tão grosseiro.

74 pensamentos sobre “O Nobel também erra

  1. Jose

    Esse tipo sempre me faz lembrar os comentadores das TVs nacionais, sempre a mandar palpites como se fosse o senhor da razão, mas ainda não lhe encontrei nenhuma razão no que diz.

  2. T

    Mais um ginasta da argumentação. Até parece que era difícil prever o que se está a passar com a Grécia. De facto é preciso ser muito crente para se deixar embarcar sem se questionar algumas coisas básicas.

  3. Simão

    Mas a não existência de um “Plano B” não deixa de ser completamente inacreditável….
    (nem que fosse o Dracma…mas nem a reintrodução da moeda acautelaram)

  4. Ricardo

    Não era difícil prever e ele previu, tal como os efeitos contraproducentes da austeridade. Ele não diz que se enganou na alternativa que a esquerda representa, mas que estava à espera que o governo grego estivesse pronto para sair do euro…e afinal não estava. Essa é que foi a surpresa para o Krugman.
    O governo grego arriscou-se muito. Sem backup plan foi à procura de mudar a política europeia.
    O Krugman foi um bocado ingénuo a pensar que um país podia preparar-se para mudar de moeda numa questão de meses. Até por aí dá para ver que o Schauble está a mentir quando sugere a saída temporária. As pessoas até pensam que se muda de moeda como quem muda de cuecas….

  5. O estúpido do Krugman é um parvalhão. Ele sempre disse que austeridade ia falhar e que iria dar cabo da Grécia. E a verdade é que, passados cinco anos de crise geridos pelo “centrão” lá deles e cinco meses pela “esquerdalha” comunista-marxista-a-caminho-deliberal, o Parthenon ainda lá está direitinho… O Krugman não sabe fazer contas.

  6. Ricardo

    Luis FA, sabes fazer contas? Tipo…25% de quebra no PIB? Aumento gigante de dívida para o PIB com estes bailouts e medidas? 5 anos que não melhoraram em nada a situação dos gregos? A própria despesa governamental grega é agora (2014) maior em relação ao PIB do que era em 2009, quando supostamente era despesista…
    O conhecimento não se obtém com insultos e rótulos, Luis. Faça um esforço e vai-se admirar do que o mundo tem para lhe oferecer.

  7. Ricardo,

    Como é que Samaras deixou a Grécia?

    Austeridade significa viver com pouco. Neste contexto, significa viver com o que se produz. Estou convencido que isso é coisa que gregos e Costa não querem.

    Até Mateo Renzi e François «Le Casque» Hollande perceberam que não há mundo suficiente para salvar os seus países. E toca a hollandizar-se, austerizando à bruta!

    Viver em défice é uma ilusão de riqueza temporária que se paga caro no futuro. Quer isso dizer que todo o défice é mau? Claro que não. No mês em que compra um carro, se o pagar a pronto ou pagar uma entrada substancial, estará quase de certeza (Se o Ricardo não for o Belmiro de Azevedo) em défice. Ora, para esse défice acontecer terá que nos meses precedentes (poupança) ou posteriores (serviço de dívida) incorrer em superavites,

    A Escola Sócrates de Econotretas e Má Gestão acha que a dívida é para se contrair, não para se pagar. Ainda fui acreditando que ele queria dizer que era para se ir rolando, mas percebi pela sua governação, ante dicto, que a dívida é para se contrair e se ir aumentando,enquanto se puder. O carácter de um homem vê-se pelo que ele faz e não pelo que lhe sai da boca. Sócrates acha que as dívidas não são para se fazer e pagar, para para se irem fazendo,

    O Ricardo concorda com isso de que as dívidas são para se irem fazendo? Se concorda, tenho uma ponte para lhe vender, desde que, é claro, contraia uma dívida como seu banco e ma pague a pronto.

  8. Ricardo

    Francisco Miguel Colaço, você escreveu imenso mas o que tem isso a ver com o que eu escrevi? Porque está a querer rotular-me e encostar-me ao Sócrates ou a quem seja? Porque não um conversa de crescidos neste blog, só com espírito crítico e sem conversa de treta? Irra!

  9. A austeridade é como um medicamento forte, digamos, uma “quimioterapia”. Tem efeitos colaterais e aplicada em excesso mata. Quem defenda a ausência de “tratamento”, só poderá resolver o problema do défice por artes mágicas. Quem a leve ao limite, dará cabo da economia dum país. Neste contexto pesa muito mais as racionalidade das medidas do que a aplicação de fórmulas laboratoriais de cartilha ideológica. Seja ela de “esquerda” ou “direita”. As aspas pretendem assinalar que no mundo de hoje as fronteiras esquerda/direita são vagas e ambíguas. Temos esquerdas para todos os gostos e direitas também… Temos esquerdas que são conservadoras às direitas, e temos direitas revolucionárias… O mundo simples, transparente e “maniqueísta” acabou…

  10. Renato Souza

    Austeridade é um fato da economia real.

    Só se usam os recursos que existem. Algumas pessoas confundem as coisas e imaginam que dinheiro é um recurso, mas é apenas uma forma prática de trocar recursos.

    Quem usa recursos que não produziu, pode tê-los obtido por troca, ou por uma doação, ou por empréstimo. Mas quem doou ou emprestou, teve menos recursos, naquele momento, para si. A não austeridade de uns é compensada pela sobreausteridade de outros.

    Se alguém diz: “rejeito a austeridade”, pode-se perguntar “então, quem deverá ser sobreaustero no seu lugar”?

  11. T

    O que os gregos “perderam” nunca foi realmente real, junte-se a isso a crise mundial, a exposição de todas as debilidades económicas gregas e os 25% parecem-me bastante razoáveis. Aqui neste blog já se publicaram os números deste “mágico” crescimento cozinhado. Não vale a pena vir com a Goldman e o suposto conluio, este viria de uma forma ou de outra, o que interessava era perpetuar os governos, o modo de vida fácil e a ausência de responsabilidades. Nenhum grego se preocupou com a súbita mudança, nem alterou nada nos seus hábitos, isto é, dantes fabricavam dracmas, agora importam Euro. Impostos, o que é isso?

    Quem paga o quê? Como é que nós temos tantos produzindo tão pouco? Se eu não pago e aquele não paga, ninguém paga, como é que o Estado se mantém vivo? Não estamos propriamente em 1950, há info, há academia, há media, há muita fonte para onde olhar em busca de esclarecimentos, não se pode é fingir que “ninguém sabia”.

    Alias, ainda hoje é dificil a estes assumirem, o finger pointing já teve mil alvos, Alemanhas, a UE, o Eurogrupo, o BCE, a Merkel, “os nazis”, o Schaubel, Portugal, Espanha, Itália, os “mercados”, a divida da 2º GM, os credores, os PASOK, a Nova Democracia, os emigrantes ilegais….. Os gregos é que não! ZERO responsabilidades. Quem não assume os seus problemas nunca os irá tratar devidamente.

  12. tina

    “Luis FA, sabes fazer contas? Tipo…25% de quebra no PIB? Aumento gigante de dívida para o PIB com estes bailouts e medidas?”

    O Ricardo tem de perceber que quando se deixa de pedir dinheiro emprestado para manter a economia a flutuar artificialmente, o GDP baixa e a dívida/GDP sobe.

    É natural que uma pessoa comum não se dê conta disso, mas quando se vê Paul Krugman ainda a usar esse argumento, como vi há pouco tempo no seu blog, percebe-se que ele é um economista desonesto e desesperado.

  13. Ricardo

    A Alemanha pode fazer essa experiência, de deixar de pedir dinheiro emprestado….e verá o que acontece.

  14. tina

    “O mundo simples, transparente e “maniqueísta” acabou…”

    Pelo contrário, o caminho mais simples começou agora, que é aquele ditado pela economia. Se não há dinheiro, se o nível de endividamento é excessivo, tem de se fazer com o que se tem. A margem de manobra é muito limitada, pois até a nível de impostos, máximos perto de 50% ou mais já foram atingidos.

  15. Joaquim Amado Lopes

    Miguel Noronha,
    Paul Krugman não diz que errou (aliás, ele nunca erra), apenas que sobrestimou o Governo grego.
    É o mesmo que dizer que se confiou em quem não merecia confiança. Quem confiou merece crédito e os outros não porque traíram essa confiança.

  16. @ tina em Julho 20, 2015 às 12:55
    “Pelo contrário, o caminho mais simples começou agora”
    A necessidade de equilíbrio das contas do estado é algo de universal que vai além de qualquer fundamentalismo ideológico de esquerda ou direita, porém, não constitui um indicador chave separado de outros. Se o fosse, a Coreia do Norte seria um dos países mais bem sucedidos do planeta azul…

  17. tina

    “porém, não constitui um indicador chave separado de outros.”

    tornou-se hoje em dia, pelo menos temporariamente, com o problema mundial da dívida soberana.

  18. Ricardo

    Cara Tina,
    A dívida alemã tem crescido. A dívida/PIB é que tem diminuído, mas continuando a desobodecer ao tratado de Maastricht…que só cumpriu no longínquo ano de 2002.

    A Tina escreveu isto:
    “O Ricardo tem de perceber que quando se deixa de pedir dinheiro emprestado para manter a economia a flutuar artificialmente, o GDP baixa e a dívida/GDP sobe.”

    Eu mantenho, experimente ver o que acontece à Alemanha se eles deixam de pedir emprestado. Se se deixassem de demagogia ou ignorância, as conversas neste blog podiam ser interessantes. Mas são todos obcecados em defender uma posição contra outra em vez de estudarem economia a sério. Que se lixem as posições. Sejam científicos.

  19. Joao Bettencourt

    “Mas são todos obcecados em defender uma posição contra outra em vez de estudarem economia a sério. Que se lixem as posições. Sejam científicos.”

    A ciência e nada mais que um conjunto de teorias imperfeitas sobre como funciona o mundo. A economia nem chega a ser uma ciência no sentido estricto que o Ricardo utiliza. Por isso, discutir política económica com base em teoria económica apenas e não só enganoso como também perigoso. De facto, o principal argumento do Ricardo e que “A Alemanha pode fazer essa experiência, de deixar de pedir dinheiro emprestado….e verá o que acontece.”, o que e em si um excelente exemplo de argumento cientifico. Diga-me Ricardo porque e que a Alemanha haveria de deixar de pedir dinheiro emprestado?

    A melhor ferramenta da política económica e a aritmética: se o PIB baixa mais que a divida, o rácio divida/PIB cresce, como disse a Tina. Mais simples e claro não há.

  20. maria

    E dizem por aí que estamos no bom caminho. Olha se não estivessemos no bom caminho!!!!!!!!!!!

    “A dívida do Estado português aumentou quase 60 mil milhões de euros desde que a troika chegou a Portugal.
    Os dados do IGCP traduzem uma subida de 36% entre maio de 2011 e o mesmo mês de 2015, altura em que a dívida rondava os 224 mil milhões de euros. Ainda assim, 4 mil milhões abaixo do pico registado em Fevereiro.
    Num cenário meramente teórico, se cada português fosse chamado a pagar a dívida do Estado seria responsável por mais de 21 mil euros. Em maio de 2011, esse valor estava na casa dos 15 mil.”

  21. Gil

    “Nem calculei que pudessem tomar uma posição sem ter um plano de urgência”.

    Nem ele, nem ninguém. E os que hoje vêm aqui dizer que “não senhor, eu já tinha percebido”, são os mesmos que davam como “trigo limpo farinha amparo” que a Grécia saía do euro até ao final da semana… E, depois, da outra semana… E, depois…

    Agora, essa da “extrema-esquerda”, Miguel Noronha, é só para manter o estilo.

  22. Ricardo

    Joao Bettencourt,

    Devia ler a conversa que tive com a Tina e compreenderá o meu comentário. Obviamente que sei que aconteceria o mesmo com a Alemanha. Mas penso que a Tina não sabe. Daí o meu comentário.
    Transcrevo o que ela disse: “O Ricardo tem de perceber que quando se deixa de pedir dinheiro emprestado para manter a economia a flutuar artificialmente, o GDP baixa e a dívida/GDP sobe.”

    Claramente redundante. Se o João opta por defender o comentário dela é por estar apenas a proteger uma posição e não a razão. Mais, a economia é uma ciência porque o seu estudo parte da refutação das hipóteses. A sua discussão deve ser objetiva e não basear-se em rótulos, ridicularizações e insultos como se vê diariamente neste blog. Daí a minha desilusão com este sítio que poderia ser um excelente palco de debate mas não passa de uma congregação religiosa.

  23. Ricardo em Julho 20, 2015 às 15:05
    “… não passa de uma congregação religiosa”
    Dessa sim, gostei!!… Ricardo, não toque na ferida, vá lá… Não seja ímpio! O pessoal não vai gostar!… 🙂

  24. Joao Bettencourt

    “Ricardo em Julho 20, 2015 às 15:05 disse:
    Mais, a economia é uma ciência porque o seu estudo parte da refutação das hipóteses.”

    A refutação e a contestação dos argumentos adversários. Entre num qualquer café de bairro num Domingo e encontrara economistas! Ciência e refutação com base em evidencias empíricas, algo que a Economia terá muitas dificuldades em fazer.

  25. Joao Bettencourt

    Se o PIB aumento por via do endividamento, parece-me razoável deduzir que se o endividamento
    cessa, o PIB diminuirá e o rácio divida/PIB aumenta.

  26. Ricardo

    Estou a falar de refutação séria, com base em dados sérios. Não comparemos com o café do bairro. Não desconverse…
    Se acredita tanto no que diz, então terá de concordar com a ideia de “congregação religiosa” que referi.
    Gostava também que admitisse que o comentário da Tina foi redundante, e por consequência, o seu chamar de atenção também. Mas também não se pode ter tudo.

  27. Joao Bettencourt

    Gil em Julho 20, 2015 às 14:51 disse:
    João Bettencourt:

    Obrigado, Gil. Segundo a noticia, o a divida do Estado aumentou 60 mil milhões de euros em 4 anos. Mas porque mecanismos? Considera esse valor os empréstimos da troika? E que parte da divida foi contraída nos mercados?

  28. Joao Bettencourt

    “Gostava também que admitisse que o comentário da Tina foi redundante”

    Não vejo o comentário da Tina como redundante. Alias, ela própria justifica porque escreveu o que escreveu e eu concordo com ela.

  29. Ricardo

    Ela justificou com ambiguidade. Não referiu que argumento usa o Krugman. Mas se for o que eu disse….então explico que a Grécia pediu imenso dinheiro emprestado através do bailout para substituir a inacessibilidade do mercado, o que resulta num aumento da dívida em relação ao PIB. Este rácio ainda se torna maior porque via austeridade o PIB caiu 25%. Esta quebra no PIB tornou as receitas de estado ainda menores e o défice da segurança social maiores, para além de preços deflacionários. Tudo isto afasta o país de conseguir pagar as dívidas, que estão em valor nominal, logo cada vez mais caras para um país em deflação. Não sabia que esta ilação é contestada neste blog. Bastante straightforward… O FMI e BCE só não foram mais verbais sobre isto antes por razões meramente políticas. A nível técnico isto nunca passou despercebido dos economistas.

  30. A dívida externa líquida está estacionária desde 2013. Até estava no I trimestre ligeiramente inferior ao seu máximo, atingido em 2013. O número do I trimestre é 104,1% do PIB.

    Atente-se que:

    1) O PIB recomeçou a crescer. Este ano vai com certeza aproximar-se dos 2%, depois de um Verão em que muitos que iam fazer férias na Grécia e na Tunísia enchemos hotéis portugueses e espanhóis.

    2) As reservas monetárias que foram feitas para acautelar um credit crunch subsequente à crise grega podem pouco a pouco ser utilizadas em pagamento de dívida, à medida que a tragédia grega se for dissipando. O que vai demorar muito é perceber quando é que se vai dissipar.

    3) Eu estaria muito mais preocupado com a França 4% de défice que Portugal 3%. 3% é mau que chegue. Mas isso nada tem a ver com os défices de 7% ou 10% do PIB do Mr. Quarante-Quatre, étudieant de philosophie mythomane et de sciences manigantes. Estamos longe de um superavite? Sim, mas pelo menos não estamos a enterrar-nos à força toda. E pode haver dinheiro para ir resgatando Portugal, 2% do PIB europeu. Não há dinheiro para resgatar a França e a Itália em simultâneo, que juntas representam quase 40% do PIB da Eurozona.

    4) A dívida grega não é sustentável. Mas foi, antes de os trauliteiros assumirem as rédeas da nação helénica. Quem o disse foi nem mais nem menos que Antonis Samaras, o tipo que deixou a Grécia a crescer e o desemprego a diminuir. Segundo um jornal grego, que me foi apontado pelo Google. O Samaras apresenta resultados. Os syri-ómegas não (apresentam resultados, mas estes falham em os abonar).

    5) Depois da tempestade vem a bonança. Não culpem o piloto que conduz o barco durante a tempestade. Culpem o anterior, que ignorou os boletins meteorológicos e os avisos à navegação e conduziu o barco para perto do olho do furacão.

  31. Ricardo,

    Eu não o colei ao Sócrates. Perguntei-lhe se acha que as dívidas não são para se pagar, são para se irem fazendo e aumentando, conforme diz o Sócrates. E isso, concordará comigo, é muito diferente.

    Se me expressei mal, aqui me corrijo. Pode agora responder?

  32. Joao Bettencourt

    “Tudo isto afasta o país de conseguir pagar as dívidas”

    Ricardo, completamente de acordo consigo. Alias, não vejo qual e o contraditório entre o que você escreveu e o que a Tina escreveu. Agora, sem o bailout a Grécia também não conseguiria pagar as dividas mas, pior, não conseguiria pagar salários e pensões. Ora, isto leva-me a conjeturar que:

    1. Os bailout não se destinavam exclusivamente a pagar as dividas da Grécia
    2. Havia a expectativa que o dinheiro do bailout ajudasse a Grécia a manter-se em pé enquanto as reformas necessárias eram executadas.
    3. O objetivo das reformas era o de colocar a Grécia num caminho que a levasse a sanar os graves problemas da sua economia e a crescer.

    Ora os credores podem ou não emprestar dinheiro a uma taxa de juro assim ou assado mas, na minha forma de ver este assunto, quem falhou foi quem não implementou as reformas a tempo.

  33. Maria,

    Façamos umas continhas. Portugal estava sem qualquer dinheiro nos cofres (300 milhões de euros são seis dias de despesa do Estado) em 2011. A Troika emprestou 78 mil milhões de euros de 2011 para cá. A dívida aumentou 60 mil milhões de euros.

    Mas:

    1) 30 mil milhões de euros são de reclassificações de dívida existente (16 mil milhões das dívidas das autarquias e mais de 12 mil milhões de empresas públicas como a Parque Escolar — 5 mil milhões só nessa — a Parpública, a Refer, a TAP).

    2) Tem de descontar mais seis mil milhões — que foi onde deixei de contar, há quase um ano — de capitalização da CGD entretanto. Talvez esteja na ordem dos 8 ou 9.

    3) Pode somar à dívida 4 mil milhões em privatizações.

    4) Descontará da dívida encargos com as PPP somados por Sócrates e Guterres — quase todas. Ora nestes anos isso anda por 12 mil milhões de euros.

    Assim: 60 – 30 – 8 + 4 – 12 = 14 mil milhões de euros. Inferior ao valor das reservas financeiras de 20 mil milhões de euros.

    A dívida externa líquida subiu desde 2011 20% do PIB (c. 34 mil milhões de euros), mas está estacionária desde 2013. Segue-se o gráfico do Banco de Portugal:

    http://www.bportugal.pt/Mobile/BPStat/tempimagefiles/ChartPic_000017.png?e8a6c5bd-f3ea-4a68-b7e6-57bc218b6dd1

    Veja também a série desde 2000. Descubra onde andaram socialistas e coligação a governar até 2011. Dou-lhe uma pista: tem tudo a ver com a primeira derivada.

    http://www.bportugal.pt/Mobile/BPStat/tempimagefiles/ChartPic_000020.png?c3ac7c2f-e0e4-43d2-b7e3-699a3556bc4f

    Isto é, sem PS não haveria esta dívida para pagar. Socialista com vergonha ou se suicida ou muda de campo.

  34. Joao Bettencourt

    Apenas acrescentaria que o saldo primário homologo passou de -1084 ME em Jan-Abril 2014 para -621 ME, uma variação de 42.7%!

  35. Ricardo

    João Bettencourt,

    Tem havido cronicamente uma confusão entre reformas e austeridade. Reformas até o novo governo grego as quer e as incluía (inclusivé as do relatório da OCDE) na proposta inicial que tinha sido aprovada pelo Juncker em Fevereiro.
    A minha crítica vai para a austeridade. Aperto orçamental numa economia em depressão é receita para o desastre. Tão simples quanto isso. As contra-argumentações para isto costumam partir de analogias de merceeiros e agregados familiares. Mas macroeconomia é completamente diferente. A austeridade tornou todo o resgate inconsequente. Daí a minha crítica.

    Francisco Miguel Colaço,

    Esta conversa tem sido sobre a Grécia. Não faço ideia ao que está a responder, mas penso que não será a um comentário meu. De qualquer forma, dizer que tudo na Grécia mudou por causa destes últimos 5 meses não é conversa séria. Se for a ver o crescimento real da Grécia de 2014, verá que houve crescimento em alguns meses….mas também verá que houve em 2015, nos meses do Syriza. De qualquer forma, o Francisco não está a contar com a deflação de 2014, que engoliu todo o crescimento real. O PIB nominal grego caiu em 2014 (recessão), o que afastou ainda mais a Grécia da sustentabilidade da dívida. E se quer defender o antigo governo baseando-se em previsões para economia nos anos seguintes, então experimente ver as previsões que se faziam em 2010, 2011, 2012 e por aí diante. Era sempre tudo muito optimista também… Não há nada como o realismo.

    Francisco, sobre Portugal… o seu ponto da dívida externa líquida é muito seletivo no seu timeframe. E também não tem grande razão para orgulho, de qualquer forma.
    A sua obsessão pelos défices é que é preocupante. Não esquecer que a inflação come os défices, e tem efeito similar nos PIBs. Nós tivemos -0.2% de inflação em 2014, o que põe o nosso crescimento nos 0.7% e não 0.9%. Não convém negligenciar o fato de estarmos em ano de eleições e fora do programa da Troika. O governo está a fazer questão de não aplicar austeridade, o que é ótimo mas por más razões. Se este governo ganhar, provavelmente vai retomar o erro. Espero que não.

    As reservas monetárias (dívida) que Portugal tem não são para se proteger da Grécia. Foi nova dívida emitida com juros baixos (graças ao BCE) com o intuito de se adiantar já a dívida que falta do FMI. Porquê? Porque a dívida do FMI é mais cara e, pior, não está em euros mas em SDR (que é uma moeda virtual) que tem ganho muito valor face ao Euro….o que torna a dívida mais cara. Assim, a dívida que Portugal emitiu com o FMI em 2011 é maior agora só pelo câmbio. Quando o Passos Coelho diz que é para se proteger de credit crunch e não sei quê é só para que as pessoas não percebam que o negócio em 2011 foi ainda pior do que se pensa. Política…

    Referente à política vem o seu 5º ponto que é um apelo à distração. Não se deve ir atrás de culpas de lado nenhum. Deve-se é compreender a realidade que temos à frente. Com base nisso, tomamos as nossas decisões.

  36. Ricardo

    Adianto que quanto ao meu último parágrafo não estou a querer dizer para se esquecer o que foi feito no mandato anterior, mas que o jogo de culpas não deve ser a base de argumentação política de ninguém. Deve-se estudar o passado imenso para se compreender o presente. Mas acusações fáceis não têm valor

  37. Joao Bettencourt

    “Aperto orçamental numa economia em depressão é receita para o desastre. Tão simples quanto isso.”

    Ricardo, suponho que se refere a tal espiral recessiva. Tem dados sérios que suportem a sua afirmação? Relativos a Portugal? Relativos a Grécia?

    Indicadores Económicos:

    2013 2014 II III IV I(2015)
    PIB / GDP -1,6 0,9 0,9 1,2 0,6 1,5

    Isto parece-lhe uma espiral recessiva?

  38. Romeiro Ferreira

    Fala-se aqui em deflação e inflação, eu entendo que inflação é o aumento da quantidade de dinheiro e crédito (dividido pelo número de bens e serviços), e deflação é a respectiva diminuição. Aumento de preços é apenas o sintoma da inflação. Segue-se um gráfico que mostra a evolução da quantidade de dinheiro e crédito (m3) no euro, e o ponto que me intriga é este: de 2001 até 2013, a quantidade de dinheiro aumentou 100%. Se formos calcular a “inflação oficial” nesse período, os números dão bastante menos que 100%. O que parece é que há uma quantidade enorme de inflação que ainda não se repercutiu nos preços (dinheiro/crédito que foi criado e que ainda não começou a circular), e que os números oficiais da inflação pecam por (grosseiro) defeito. Se fizéssemos as contas aos PIB na europa com os números reais da inflação, provavelmente veríamos que todos os países do euro estão bem pior do que parecem. Como não sou um especialista, agradeço esclarecimentos:

  39. Joao Bettencourt

    Citando Friedman “Inflation is too much money chasing too few goods”.

    Posto isto, eu diria que se os bens em circulação aumentam, o aumento do dinheiro em circulação não causara inflação. Mas posso estar enganado, claro.

  40. Romeiro Ferreira

    Se os bens e serviços tivessem aumentado na proporção da quantidade de dinheiro, os PIBs teriam aumentado 100% no mesmo período. Creio que isso também não se verifica.

  41. Romeiro Ferreira

    Obrigado pela resposta, mas continuo com dúvidas: se os PIB crescerem a uma média de (por exemplo) 4% ao ano, durante 12 anos isso dá cerca de 60%, ainda longe dos 100% do aumento do dinheiro/crédito (2001 a 2013). Não conheço os PIB médios em todos os anos desse período, mas por alguma razão custa-me a acreditar que os países do euro grupo tenham crescido a uma média de 4% ao ano, de 2001 até 2013. O gráfico que encontrei nem sequer mostra aumentos anuais acima dos 3%:

    http://www.indexmundi.com/g/g.aspx?v=66&c=ee&l=en

  42. Ricardo

    João Bettencourt,

    http://appsso.eurostat.ec.europa.eu/nui/submitViewTableAction.do
    (na tabela à direita pode mudar para valores nominais, que é o que interessa numa discussão sobre dívida e sustentabilidades)

    Eu não falei de espiral recessiva, mas com austeridade há esse risco, claro. Em Portugal, não só nos exigiram muito menos austeridade que na Grécia, como o nosso governo não cumpriu com o exigido e falharam imensas metas orçamentais da troika. Na Grécia chegaram ao ponto de cortar as pensões em 48% em média. Naturalmente, a espiral recessiva teve contornos muito mais sérios na Grécia.

    A questão que se coloca é se valeu a pena. E vendo a sustentabilidade das dívidas atuais, rácio dívida/PIB, défices das seguranças sociais, peso do Estado em relação ao PIB…percebemos que não. Foram 5 anos de péssima e inconsequente política económica que não pode continuar porque não faz sentido. Falhou-se todas as previsões e todas as expetativas.
    Eu não estou a querer atacar este governo ou os da grécia. Qualquer governo sob o regime da troika faria o mesmo. Até podemos ver como o Syriza em último instância teve de se submeter à vontade alemã.

    Os defensores da troika alegam a “falsidade” do PIB, mas isso é mascarar a incompreensão macroeconómica e diferentes drives que as economias podem ter. Uma economia não tem obrigatoriamente de ser exportadora de bens para ser bem sucedida. O crescimento grego era sustentado pelo crescimento da dívida, é verdade, mas o rácio esteve estabilizado o tempo todo. Só em 2009, com a conversa europeia de cada um por si em vez da ideia de integração subjacente ao euro é que a banca francesa e alemã deixaram de querer emprestar à Grécia como o faziam desde que entrou o euro. Isso está muito relacionado com a alavangem gigante que a banca europeia tinha, contra as próprias regras do BCE, e o pânico em seguimento da crise do subprime. Ou seja, por detrás desta crise está um escândalo financeiro na europa que foi abafado para se culpar os gregos. E nós todos caímos que nem patinhos…

    Independentemente do escândalo, não se está a ajudar a grécia. Os bailouts servem para fornecer a liquidez que eles já não conseguem ir buscar aos bancos, e devia ser de índole temporária. Mas a austeridade cortou-lhes 25% ao PIB, o que faz com que a dívida se tenha tornado desnecessariamente maior. Agora a Grécia está completamente vulnerável e precisa de restruturações para ter outra vez hipótese de uma dívida sustentável.

    O Krugman esteve sempre correto sobre a nossa crise e vale a pena a sua leitura. Ele apenas estava a contar que a Grécia estivesse preparada para sair do euro, o que foi uma desilusão para ele. Para a Grécia estar pronta para tal, eles tinham de se estar a preparar desde o ano passado no mínimo, mas nem reservas para suportar a nova moeda eles têm. Os gregos vão precisar de um ano para o fazer (e acredito que agora estão a fazê-lo secretamente). Mas a conversa do Schauble sobre a saída temporaria da Grécia é pura demagogia para ganhar popularidade interna porque ele sabe que não é possível fazer isso assim tão facilmente.

    Quanto a Portugal. Estamos completamente vulneráveis. Só estamos bem porque o BCE nos deixa. Se lhes apetecer deixar de aceitar a nossa dívida como colateral (como fizeram à Grécia), estamos arruinados. Isto é um jogo político por via económico-financeira. Eles têm a faca e o queijo na mão e nós temos a ilusão de soberania.

    O Hollande já quer avançar para a oficialização desse poder do “core” europeu. Até que enfim, a verdade em papel. Mas o que isso significa para nós é que é interessante: somos uma colónia. Não digo que seja necessariamente mau, e não estou a querer partilhar a minha opinião, mas é bom sermos capazes de reconhecer isso.

  43. Ricardo

    Romeiro,
    O Gráfico que o Bettencourt mostrou é o PIB nominal (real + inflação), enquanto que o do indexmundi é o PIB real. Quando falei de inflação e deflação, mencionei como afeta os PIBs, as dívidas, os défices, etc. Por isso é que é importante usar o nominal porque não se pode ignorar a inflação. Se eu produzo um gelado todos os dias, e custam 1 euro cada um. Se o “money supply” aumenta para o dobro, ceteris paribus, então o gelado passa a custar 2 euros….mas o meu PIB real não cresceu. Claro, que na realidade não há “ceteris paribus”….e o sentimento económico, desemprego, etc têm muita importância nisto.

  44. Romeiro Ferreira

    Ricardo,

    então, dado que o money supply dobrou, e dado que o PIB real (que representa, imagino, a quantidade efectiva de bens e serviços) está pouco mais que estagnado, a inflação de preços não deveria ter sido (ou não virá a ser no futuro) bastante mais acentuada? Não está “na calha” um aumento de preços que faça o ajustamento entre a quantidade desproporcionada de dinheiro que foi criado, e o reduzido aumento de bens e serviços?

  45. Ricardo

    Não porque a inflação que ocorreu já tratou do assunto. Mas eu percebo de onde vem a sua pergunta. É uma “previsão” bastante infundada e distribuída pela ala dos economistas austríacos. Os EUA podem servir de case-study neste caso. Com a crise do subprime, o governo americano e o Fed assumiram políticas expansionistas e os economistas austríacos disseram repetidamente que ia criar hiperinflação. Passaram 7 anos e não se viu nada. Em vez de estudar a matéria, os austríacos tendem a proclamar o medo como incentivo à implementação das políticas que eles desejam. O medo é um driver poderoso. Foi seguindo a linha austríaca que os EUA tiveram a Grande Depressão. O que tirou os EUA da crise foi a II Guerra Mundial que forçou a grandes gastos públicos e estimulou a economia. O Keynes defendia esse estímulo à economia….claro que não pela guerra. As tensões geopolíticas na Europa nos anos 30 vêm também em seguimento dessas políticas austríacas e do padrão-ouro, que impedia as economias de serem flexíveis na desvalorização cambial, forçando à austeridade. Nós estamos a viver algo semelhante. O euro aproxima-se bastante do padrão-ouro. Felizmente, o Mario Draghi do BCE decidiu ignorar os tratados e fez desvalorizar o euro o ano passado, o que facilitará imenso a nossa recuperação. Mas ainda há muita alteração na política europeia e monetária por fazer.

  46. Ricardo

    Romeiro,
    Desculpe devia ter respondido mais concretamente em relação ao caso que fala. Peço só que me diga de que país se refere para eu lhe dar uma resposta.

  47. Romeiro Ferreira

    Ricardo,

    Estou apenas a tentar fazer sentido com os dados que tenho, usando a lógica e a minha cabeça. O Keynesianismo não faz qualquer sentido para mim. Acredito que o dinheiro deve ser estável, porque só assim pode ser (como alguém já aqui disse noutro post) reserva de valor e unidade de medida. Também não concordo com a utilização do termo “inflação” para designar ora o aumento da quantidade de dinheiro, ora o aumento dos preços; o 1ª é um termo muito mais objectivo do que o 2º, que pode ser manipulado ou influenciado demasiado facilmente. Desculpe tê-lo feito perder o seu tempo.

  48. Ricardo

    O Bettencourt mandou o link com o PIB nominal. Verá que o crescimento combina com o m3.

    Para alguém que admite não dominar este tipo de conceitos, não será preconceito ter uma opinião definida sobre o keynesianismo (até porque este não advoga a instabilidade de preços) e o que considera ser inflação? Se calhar vale a pena estudar o assunto para ter uma opinião informada

  49. Ricardo

    E como isto não são religiões, a unica maneira de estarmos bem fundamentados é sermos capazes de refutar as várias correntes. É preciso é saber refutar e só é possível faze-lo conhecendo a fundo as várias correntes…

  50. Romeiro Ferreira

    Do que estudei por conta própria (sem ser especialista), parece-me que o Keynesianismo admite (ou pressupõe) a manipulação da oferta monetária por parte do estado (com as melhores intenções, eventualmente). Mas para mim é uma questão de lógica que qualquer sistema em que o estado tenha o poder de criar dinheiro vai ser mais susceptível à utilização de critérios políticos/eleitorais, em vez de critérios puramente económicos. Além da (ou em oposição à) instabilidade natural do mercado, que está sempre em auto-correcção, junta-se a instabilidade (ou estabilidade forçada) criada por políticos mais ou menos conhecedores, mais ou menos bem intencionados, e mais ou menos capazes. Li “O problema do cálculo económico sob o socialismo”, de Mises, e faz todo o sentido para mim. Quer por razões técnicas, quer por razões morais, não acredito no controle centralizado. E se calhar é preconceito meu, mas acredito na liberdade (e responsabilidade) individual, incluindo a liberdade de escolher os meios de troca que preferir.

  51. Joao Bettencourt

    Ricardo,

    Infelizmente, não consegui abrir o link. Em relação ao resto, tenho dois breves comentários:

    1. Estamos no euro, o que pressupõe certas regras, bem conhecidas por todos alias. Se tínhamos economia para essas regras, creio que e evidente que não. Queremos uma economia para essas regras? Eu sim. O euro e uma moeda para países exportadores, a meu ver, que necessitam de juros baixos e finanças públicas equilibradas. O mercado interno português e pequeno e não permite suportar uma economia virada para o consumo interno. Podemos crescer mais exportando do importando.

    2. O BCE mantém os juros da divida publica artificialmente baixos? Sim. E mau para nos? Acho que não. Acho que e uma sorte termos um banco central com um arcaboiço financeiro capaz de operar nos mercados como o BCE. Se fosse o BP e o escudo, acha que conseguiria fazer o mesmo? Eu acho que não. Se tentasse, ou falharia redondamente ou teríamos inflação galopante. E discordo que estejamos perante um jogo político. Draghi fez o que fez para salvar o Euro e fe-lo contra a vontade da Alemanha.

    Por ultimo, para mim um escândalo financeiro e a historia do Madoff. O que aconteceu com os bancos europeus foi uma aposta que lhes saiu mal. Que eu saiba a alavancagem e perfeitamente legal.

  52. maria

    Eu consegui abrir o link logo à primeira. Agora entrar nessa discussão redonda, não só não sei, como ela é mesmo redonda. Justificar o injustificável.

  53. Buiça

    “Krugman is a prominent economist who won a Nobel Prize for his trade theory. But he has no idea about the architecture and foundation of the European currency union. In contrast to the United States, there is no central government in Europe and all 19 members of the euro zone must come to an agreement. It appears Mr. Krugman is unaware of that.”
    “It is true that Europe is cumbersome, bureaucratic and complicated. I hear that all the time, particularly in America. I respond by asking the critics whether they have a better idea for bringing together 28 countries that fought against each other for centuries. But they never have an answer.”
    Schauble 1000 – 0 Krugman FC

  54. Ricardo

    João Bettencourt,

    As regras europeias não foram nem são cumpridas por ninguém. A alemanha so cumpriu em 2012 as de Maastricht. A acção do BCE é ilegal também. Os bailouts idem. A base legal do euro é ridicula e ninguém cumpre.

    A alavancagem é legal mas há rácios de exposição que a lei impõe como teto. A banca europeia não cumpriu.

    Romeiro, agradeço o respeito. No entanto, para haver uma real abertura de mente e se fazer um juízo informado terá de ler também literatura keynesiana. Senão, claro que vai tender para a unica linha de pensamento a que teve acesso. Aproveite. É interessante compreender as várias correntes. E é da maneira que ganha capacidade real de as refutar (não refutei o que escreveu porque estou ao telemóvel e vou dormir, mas faco-o se quiser depois) De qualquer forma, literatura de outras correntes é indispensável para termos uma opinião, senão é religião.

    A Maria fez questão de mostrar a inclinação religiosa sobre o assunto ao considerar a conversa redonda. Isto não tem de ser religioso. Há suficientes bases empíricas para conversa racional

  55. Ricardo

    Buíça,

    É bastante cómico ver o schauble a dizer que os 19 têm de chegar a acordo quando o eurogrupo não é uma entidade formal sequer e tomam decisões e fazem comunicados sem aprovação dos membros. Mais, são 28 membros na UE e têm-se tomado demasiadas decisões sem consentimento dos outros 11 quando estes também são afetados. Acreditar no schauble não torna o que ele diz verdade.

  56. Buiça

    Compreendo que as vezes dá jeito confundir tudo, mas o eurogrupo não passa de um fórum entre os ministros das finanças da zona Euro, quando estão de acordo depois aparecem os primeiros-ministros reunem-se para decidir. Quando não estão, não estão e não se decide nada. Em qualquer dos casos os 28 países soberanos que partilham a mesma zona económica e os 19 que partilham a mesma moeda podem sempre fazer os comunicados que bem entenderem, não muda nada no que se decida ou não decida lá dentro. E é só isto que Schauble diz é que para mim serve de resposta a 90% das críticas disparatadas que se ouvem diariamente: não vale a pena fazer de conta que a UE ou a EZ funcionam como um país. E de resto só sai fragilizado todo e qualquer país que depois de aderir a UE e/ou euro, abrir as suas fronteiras, receber rios de fundos estruturais, mandar os putos passear em erasmus e inter-rails, etc. Passar a vida a dizer que o euro está mal feito ou a união não funciona não faz qualquer sentido. Naturalmente depois no cara-a-cara entre adultos bem preparados, nada disso vinga.
    Isto sim é cómico. Perante problemas complexos que não tem soluções simples, estar permanentemente a pensar a preto e branco.

  57. Ricardo

    Buiça,

    Um caso recente que até foi polémico por estar o Syriza no poder foi a decisão de continuar com o embargo europeu à Russia. Algo que tinha de ser decidido consensualmente e a Grécia nem informada foi. Nem a Grécia nem os outros. A questão aqui é que só meia dúzia é tomam decisões. Os outros fingem que concordaram.

    Se o design do euro e do BCE não está mal feito, então porque é que ninguém cumpre as regras e tratados? Como eu disse no comentário anterior, a Alemanha só cumpriu em 2002 o tratado de Maastricht. Nem o BCE cumpre. Está a haver uma enorme seletividade do que se há de cumprir e de quem tem de cumprir.
    Faz lembrar o Moisés com o mandamento “Não Matarás”, mas desde que fosse ele a matar…não havia problema…

    É gritante a necessidade de mudar as regras europeias. Isso nem devia estar em disputa.

  58. Joao Bettencourt

    Ricardo,

    Eu noto nos seus comentarios uma certa obsessao por regras e pelo seu cumprimento. Deixe-me que lhe diga que regras criadas por burocratas baseadas em ideias abstractas normalmente acabam por ser quebradas constantemente e entao aparecem pessoas como o Ricardo a pedir mais regras, mais fiscalizacao, mais burocracia (veja-se Hollander e a ideia espatafurdia do governor do euro). Podemos criar regras a partir da boa praxis que terao major probabilidade de serem observadas, mas sempre havera quem as rompa num moment ou outro.

    A UE tem regras a mais. De todas as regras, aproveitam-se duas:
    1. Livre circulacao de pessoas
    2. Livre circulacao de capitais
    Todas outras so causam chatices.

  59. Ricardo

    O João escreveu: “Estamos no euro, o que pressupõe certas regras, bem conhecidas por todos alias. Se tínhamos economia para essas regras, creio que e evidente que não. Queremos uma economia para essas regras? Eu sim.”

    Eu falei das regras em resposta a esse parágrafo. Aparentemente o João deixou de gostar dos tratados e só quer seguir as 2 regras que apontou. Isso é ser seletivo com as leis também. É o que andaram todos a fazer ao longo destes 15 anos, com os resultados que conhecemos. Isso porque temos regras mal feitas e pouco adequadas à realidade das economias.

    Em qualquer estado de direito as regras são alteradas à medida que se descobrem as suas falhas ou se mudam as circunstâncias. A inflexibilidade legal é religião. É continuarmos a usar os 10 mandamentos como lei, já que o era há 4000 anos.

    Com isto, e em resposta a esse seu parágrafo, só pretendia dizer que o argumento de culpabilização pela infração às regras é desaquado porque ninguém cumpria. Não só essas regras são duvidosas como a Alemanha que está numa situação muito melhor para cumprir essas regras, não o faz cronicamente. Portanto, não usemos esse argumento, por favor.

  60. Joao Bettencourt

    Pode ser uma contradição minha (não sou livre de contradições), mas as regras do euro às quais me referia eram as tais boas práticas do meu comentário anterior. Mais precisamente, e resumindo, ter as finanças públicas equilibradas.

    Se quiser, e se calhar é uma boa ideia, acrescentamos uma terceira regra à UE:
    3. Finanças públicas equilibradas.

  61. Ricardo

    João Bettencourt,

    Não o quero censurar, mas espero que perceba que a regra que acrescentou é de uma extrema ambiguidade e não tem valor técnico. Não exijo que saiba dizer melhor porque provavelmente não é da área. Mas o grande problema da política tem sido o de haver demasiada gente com opiniões muito definidas sobre economia e finanças sem compreender o seu significado.

    Exemplifico: essa regra que refere está sobretudo definida em 2 pontos no tratado de Maastricht, o de não ultrapassar os 3% de défice anualmente e o de não ultrapassar os 60% da dívida em relação ao PIB. Como já disse algumas vezes, a Alemanha apenas cumpriu esta regra uma vez desde que aderiu ao euro.
    No entanto, a Finlândia e o Luxemburgo cumpriram sempre, enquanto que a Holanda cumpriu até à crise. Daí serem estes países com mais exigência sobre as regiões do sul. Mas isto é um problema político que os povos não compreendem porque a macroeconomia não são contas de merceeiro como muitos pensam. Mas os governos têm de representar os seus povos. Acaba por ser uma das principais limitações da democracia. Sem acesso a informação adequada, as pessoas têm opiniões desadequadas sem saber.

    A prioridade que se devia nos meios de comunicação é evitar as opiniões apaixonadas sobre política porque a grande maioria das pessoas não tem real compreensão sobre o tema. Eu incluo a maioria dos autores deste blog no saco. Este blog é um infortúnio pelo potencial de poder de informação desperdiçado em provocação, ridicularização e desinformação, para além de não dar oportunidade aos leitores para aprender outras perspetivas e tirar as devidas conclusões.

    Quando os nossos opinion makers não compreendem os temas que discutem, não podemos tornar essas opiniões nossas. Temos sempre de ter um espírito crítico e duvidar sempre do que nos dizem, como o João fez comigo e bem.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.