Eu culpo François Hollande

Rui Ramos no Observador

As viúvas do Syriza têm uma explicação simples para este milagre digno da estrada de Damasco: foi tudo uma vingança alemã. Com o devido respeito, não me parece: a Alemanha, segundo constou, não desejava mais austeridade para a Grécia. Preferia, sem ilusões, deixá-la seguir o seu caminho de plena soberania, com a ajuda de um programa humanitário. Quem redigiu o novo guião de austeridade de Tsipras não foi a Alemanha: foi a França. Deixem portanto Merkel e Schauble em paz. Se querem um culpado, olhem para François Hollande. O presidente francês, aliás, confessou tudo na sua monárquica conferência de imprensa da manhã de segunda-feira: “Na Alemanha, havia uma grande pressão para a saída da Grécia. Mas eu recusei essa opção”. Uma fonte governamental francesa foi ainda mais clara no Le Monde: “A Europa é ele”. Luís XIV só dizia isso do Estado em França. Os seus sucessores republicanos, muito mais soberbos, já o dizem de todo o continente.

11 pensamentos sobre “Eu culpo François Hollande

  1. JP-A

    Hoje:
    «PS defende que acordo só foi possível graças aos socialistas europeus»

    Há dias:
    «O secretário-geral do PS criticou hoje as posições sobre a crise grega assumidas pelos principais responsáveis sociais-democratas alemães, dizendo mesmo que Sigmar Gabriel, líder do SPD, falou como “vice-chanceler” alemão e não como socialista.»

  2. hajapachora

    Que textículo mais ridículo. A França não conta para nada, muito menos o hollande do capacete.

  3. AntónioF

    Caro «JP-A»
    permita-me que copie um comentário que fiz num outro sítio e o reescreva, agora a si dirigido:

    Não é por nada mas ao ler os seus comentários, veem-me à memória as aulas de latim que tive no secundário. Não tendo eu grande aptência para línguas, nesses dois anos (10º e 11º) acumulei com francês, mais uma outra disciplina de técnicas de tradução desta língua e alemão – diga-se que desta última, não recordo nada nem mesmo nenhum palavrão!, para além do obrigatório português.
    Das aulas de latim recordo a forma brilhante de como a professora nos cativava enlaçando a chata gramática com as declinações, as traduções e retroversões, etc., etc, com a história e episódios da vida quotidiana dos romanos, mais do nosso agrado.
    Veio-me pois, com este seu texto e a repetição contínua da sua mensagem – diga-se que a mesma é prática neste blog, à memória um episódio romano: o de Catão – o Velho (vou tentar falar, escrever de memória, sem recorrer ao google).

    Reza a história que este senador romano, antes das Guerras Púnicas, era um assaz defensor da guerra com Cartago e por via disso fosse qual fosse o assunto em discussão no Senado, terminava sempre as suas intervenções com uma frase que o celebrizou:

    Delenda Cartago est! – É preciso destruir Cartago!

    Parece pois então que a Cartago do «JP-A» e igualmente dos autores deste blog, está, lendo este e outros seus textos, claramente definida!

    Vamos ver para quando é «o rapto das sabinas»!

  4. Lau

    O Costa Concórdia só diz verdadeiras banalidades. O verdadeiro cataventos!
    Vem reclamar vitória pelo resultado conseguido nas negociações entre os credores e a Grécia.
    E qual foi o resultado deste fim de semana?
    Mais AUSTERIDADE!
    Como é possível fazer o discurso de que há alternativa à austeridade e a única solução estadista que encontraram para ajudar a Grécia, foi mais austeridade. Aliás, pelo que se pode ler deste programa, a conclusão é que é mais troikista do que a troika. Onde é que já li isto?

  5. A esquerda hollandiza-se. Um verbo francês, da primeiríssima conjugação, cada vez mais regular nos dias que correm.

    O tempo mais usado é o pretérito bem perfeito, também chamado facto consumado ou finalização aquiescida.

    Dizem as más línguas comandadas por bons cacos que a hollandização, com dois l, à laia de cornos, é o destino natural dos sans-cravattes, a nova classe de indigentes parasitários.

  6. AntónioF

    Caro Francisco Miguel Colaço,
    em momento algum pretendi lhe tirar, neste espaço, o lugar de «contador-mor» de anedotas fúteis, esse é um monopólio seu e como tal recebe as repectivas rendas, tal e qual como na economia que critica!
    Como o senhor deve ser um pouco lento a processar a informação, se não o for as minhas desculpas, permita-lhe que lhe sugira a impressão do meu comentário, de preferência numa fonte tipográfica de fácil leitura e em tamanho elevado e o leia novamente!
    Se não o percebeu, releia-o! E outra! E outra ainda!
    Depois de lido, responda-me, p.f.: em algum momento referi o que escreve? Ou melhor, por ventura o senhor percebeu o que eu escrevi?

    Cordiais saudações!

  7. «Depois de lido, responda-me, p.f.: em algum momento referi o que escreve?»

    Do seu próprio comentário:

    «à memória um episódio romano: o de Catão – o Velho»… este foi…

    «Vamos ver para quando é «o rapto das sabinas»!»… este também.

  8. AntónioF

    Meu caro,
    se não precebeu o significado da minha frase terminal e dentro do contexto daquele comentário, só me resta dizer: problema seu, também não lhe o vou explicar!

    Deixo-lhe sim, para «beber na fonte» e não necessitar de «googlar» informação sobre este episódio lendário de Roma, um pequeno texto retirado no meu manual de latim do 11º ano:

    «Romulus imaginem urbis magis quam urbem fecerat: deerant incolae. Erat in próximo locus; hunc asylum fecit. Eo statim multitudo latronum pastorumque confugerunt. Cum vero ipse et populus uxores nom heberent, legatos ad vicinas gentes misit, qui societatem, conubiumnque peterent. Nusquam benigne legatio audita est.
    Romulus, aegritudinem animi dissimulans, ludos parat: indici deinde finitimis spectaculum iubet. Multi convenerunt máxime Sabini cum liberis et coniugibus. Ubi spectaculi tempus venit, tum, dato signo, virgines raptae sunt: et haec fuit statim causa bellorum.
    Statim proelium redintegratur; sed raptae mulieres, crinibus passis, ausae sunt se inter tela volantia; et, hinc patres, inde viros deprecatae pacem conciliarunt.»

    In: FIGUEIREDO, José Nunes; ALMENDRA, Maria Ana – Initia latina 2. Coimbra : Livraria Arnado, 1991. p. 17

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.