A estagiária Mariana Mortágua

O Observador entrevistou a deputada bloquista Mariana Mortágua sobre o tema “Há estágios a mais em Portugal” (video)?

Destaco a seguinte resposta:

“A contínua criação de estágios para renovar este sistema é a prova que o sistema não funciona. (…) Por que que uma empresa tem de ter vinte estagiários ao longo de dez anos não substitui vinte estagiários rotativos pagos a €600 ao longo de dez anos por vinte pessoas com contratos permanentes, se são essas as necessidades da empresa?”

Começa bem (o sistema de estágios é disfuncional) mas a pergunta/afirmação no final está incorrecta. É que, a haver contrato permanente, seria uma pessoa contratada e não os vinte estagiários rotativos.

Talvez ela quisesse dizer o seguinte: Por que, entre vinte empresas, têm de haver, ao longo de dez anos, vinte estagiários em rotatividade, quando cada empresa podia contratar uma pessoa por dez anos? A principal resposta (que provavelmente Mortágua não quer ouvir) é que a lei do trabalho beneficia a adesão das empresas ao sistema de estágios. Além desta lei não permitir contratos temporários por dez anos, os custos económico-financeiros da acumulação de anos de vínculo laboral a uma empresa são, do ponto de vista de gestão de recursos humanos, para trabalhadores de baixa produtividade, obstáculos à contratação a termo indefinido. Claro que existem, também, certas profissões com baixo valor acrescentado da experiência adquirida no trabalho e com uma natureza repetitiva das tarefas que incentivam à rotatividade dos trabalhadores. Mas essas são, julgo, uma minoria.

No início do referido video Mariana Mortágua dá a entender que a solução deve passar pela proibição das empresas contratarem, para determinada função, mais do que um estagiário. Ou seja, tendo em conta que é difícil (principalmente com jovens) avaliar, a priori, o mérito de qualquer estagiário/trabalhador, a deputada defende um comissário político em cada empresa para “ajudar” na gestão dos recursos humanos???

A jovem bloquista também criticou, levemente, o financiamento estatal dos estágios, que incentiva ao continuado acesso à rotatividade de estagiários. Apesar deste ser um mecanismo de redução encapotada do salário mínimo nacional, acredito que Mariana Mortágua dificilmente defenderá a abolição desta barreira à entrada no mercado de trabalho, especialmente para pessoas com baixa produtividade. Nunca o dirá directamente, mas provavelmente a ideia de comissários políticos e/ou nacionalização das empresas estará bem acima na sua lista de opções políticas.

23 pensamentos sobre “A estagiária Mariana Mortágua

  1. CsA

    Como se resolve um problema criado pelo Estado?

    Com mais regulação e intervenção pois está claro. Típica solução dos esquerdinos.

  2. José Lourenço

    Descendente de terrorista membro da LUAR-braço armado da UDP tudo é de esperar. Só não percebo a cobertura que se dá a esta gente, como se pudessem contribuir para o bem de Portugal. Pelo contrário eles existem para destruírem este maravilhoso Portugal. Nutrem ódio por tudo que seja português, Precisamos da esquecida LUSITANIA – PORTVGALLIAE !!

  3. Carlos Duarte

    Caro BZ,

    Não percebi muito bem a ideia de proibição de contratação de mais que um estagiário para o lugar. O que me parece – e isto tanto se aplica a estagiários como a rotação elevada de trabalhadores a termo – é que as empresas poderiam / deveriam ser penalizadas em sede de TSU por uma elevada rotatividade do quadro de pessoal. Posto de outra forma: o contratos de trabalho deveriam ser mais liberalizados MAS uma empresa que rodasse excessivamente o seu pessoal (podemos ir pela média de permanência na empresa ou por uma percentagem de trabalhadores com menos de “x” anos de trabalho), seria fortemente penalizada em sede de TSU, até porque estaria a aproveitar-se da contribuição das outras empresas para benefício próprio.

  4. Carlos Duarte, obrigar qualquer empresa a rácios de rotatividade laboral sob penalização via impostos é o mesmo que colocar um comissário político na gestão de cada empresa. Nem que seja por uma questão de liberdade, que tal deixar a gestão das empresas para os seus proprietários?
    Até porque a alta rotatividade de trabalhadores, em determinadas empresas, é consequência da decisão dos mesmos em procurarem novos desafios. Exemplo: nas lojas McDonald’s não é habitual fazer-se carreira mas fazem-se profissionais!

  5. BZ, neste momento uma empresa que use estágios está a ter uma vantagem competitiva em relação às que tem contratos permanentes, pois não paga como indica acima “os custos económico-financeiros da acumulação de anos de vínculo laboral a uma empresa” (entre outros). Pelo que a penalização via impostos apenas visaria repor a igualdade competitiva (com todas as empresas a pagar igualmente os mesmos custos). Logo, não existe aqui um “comissário politico”, a decisão de usar ou não estagiários continua do lado da gestão, apenas não existem vantagens competitivas em faze-lo

  6. Joaquim Amado Lopes

    João Branco,
    Uma empresa que use estágios só está a ter uma vantagem competitiva em relação às que têm contratos permanentes se o trabalho feito pelos estagiários não beneficiar da experiência ganha, conhecimento da empresa ou segurança laboral. Ou seja, se tiver estagiários para fazerem o tipo de trabalho que é suposto ser feito por estagiários e que noutras empresas é feito por trabalhadores experientes.

  7. José Lourenço

    Sempre fui amante da verdade. Desde que fielmente reproduzida não vejo qualquer razão para a não difundir , qualquer que seja o meio, o objectivo é abrir os olhos a uma camada de portugueses que continuam na ignorância dos factos que nos podem prejudicar no futuro atirando o País para nova bancarrota.

    Já no “Insurgente” fiz este comentário que segue e que inicialmente ficou em moderação, no entanto já foi considerado final.

    “Descendente de terrorista membro da LUAR-braço armado da UDP tudo é de esperar. Só não percebo a cobertura que se dá a esta gente, como se pudessem contribuir para o bem de Portugal. Pelo contrário eles existem para destruírem este maravilhoso Portugal. Nutrem ódio por tudo que seja português, Precisamos da esquecida LUSITANIA – PORTVGALLIAE !!”

    NÃO PODEMOS TER MEDO DE DIZER A VERDADE, O MEDO A VERGONHA TÊM QUE SER ELIMIMADOS, SOMOS A MAIORIA, PORTUGUESES DE GEMA….

    COMO EM TUDO NA VIDA “NEM TUDO SÃO ROSAS”

    As verdades começam a vir ao de cima.
    Falta ainda uma investigação séria sobre a “reforma agrária” e como, através dela, o PCP encheu os cofres do partido ou as contas lá fora, não ao cair da tarde mas no dealbar [do dia]…

    Os Mortáguas….
    Inicialmente publicado a 7 de Agosto de 2013
    Mariana Mortágua, filha do criminoso e membro da LUAR Camilo Mortágua, vai substituir a deputada do Bloco de Esquerda Ana Drago, que deixará a Assembleia da República a 31 de Agosto.
    A filiação é relevante porque várias ideias defendidas pela nova deputada e pelo seu partido já foram postas em prática pelo pai, com resultados desastrosos, designadamente na ocupação e gestão da Herdade da Torre Bela.
    Quem é Camilo Mortágua?
    Nasceu em Oliveira de Azeméis, a 29 de Janeiro de 1934. Sem inclinação para os estudos, como o próprio reconhece nas suas memórias, pegaram-lhe a alcunha de Batata.
    Aos 12 anos segue com os pais e as duas irmãs para Lisboa. Em 1951, emigra para a Venezuela.
    Na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, integra o grupo de revolucionários que, sob o comando de Henrique Galvão, toma de assalto o paquete Santa Maria. Durante o acto, o oficial Nascimento Costa é assassinado pelos assaltantes.
    A tomada do navio, que transportava 600 turistas em viagem para Miami e mais de 300 tripulantes, foi preparada na Venezuela pelo Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL). Era um organismo híbrido que nasceu da fusão entre o grupo de Galvão e um grupo de exilados espanhóis, dirigido por Jorge de Soutomayor, ex-combatente comunista na Guerra Civil de Espanha.
    Aviões americanos acompanharam os movimentos do Santa Maria, que ostentava no castelo da proa a faixa “Santa Liberdade”, pintada à mão. Entretanto, enquanto decorriam as negociações, o corpo do piloto assassinado apodrecia no seu caixão, na capela do paquete.
    Begoña Urroz numa fotografia com os pais: a criança morreu num atentado do DRIL
    Antes do assalto ao Santa Maria, o DRIL, que estava classificado pela CIA como “organização terrorista”, promovera atentados em várias cidades de Espanha. A bomba que o grupo fez explodir em 1960 na estação de Amara, em San Sebastián, matou uma criança de 2 anos, Begoña Urroz.
    O crime foi atribuído por largo tempo à ETA, mas dados históricos revelados nos últimos meses em Espanha demonstram a autoria do DRIL. Era com esta gente que Mortágua e os outros democratas queriam combater as ditaduras ibéricas e apear do poder Salazar e Franco.
    A 10 de Novembro de 1961, desvia à mão armada com Palma Inácio e mais uns tantos criminosos um avião da TAP, no voo Casablanca-Lisboa. Foi assim um pioneiro do terrorismo aéreo, com o objectivo singelo de sobrevoar Lisboa e outras cidades portuguesas a baixa altitude para lançar milhares de folhetos subversivos.
    Se quisermos descobrir um rasgo verdadeiramente inovador nos oposicionistas ao Estado Novo, forçoso será recorrer à aeronáutica: o primeiro desvio de um avião comercial em todo o mundo.
    Os terroristas islâmicos regulam com atraso em relação aos nossos antifascistas, sempre na vanguarda.
    O assalto ao Banco de Portugal
    A 15 de Maio de 1967, Camilo Mortágua, Palma Inácio, António Barracosa e Luís Benvindo assaltam a filial do Banco de Portugal na Figueira da Foz. O golpe é comummente atribuído à LUAR, acrónimo de Liga de Unidade e Acção Revolucionária, mas tal não corresponde por inteiro à verdade.
    Na data do assalto, a LUAR ainda não existia. Foi criada à pressa no mês seguinte, como reconheceu Emídio Guerreiro, um dos fundadores, “para dar uma cobertura política e credível ao assalto do banco” (‘Diário de Notícias’, 6/9/1999, pág. 15) e assim evitar e extradição para Portugal dos criminosos, que entretanto se haviam refugiado em França
    “Isto é um assalto”
    Mariana Mortágua nasceu em 1986. Licenciada em Economia, é mestra pelo ISCTE (‘where else?’) com uma dissertação sobre “O Papel da Caixa Geral de Depósitos na Recente Crise Económica (2007-11)”.
    Militante do Bloco de Esquerda, a filha de Camilo Mortágua publicou dois livros a meias com Francisco Louçã.
    Em 2012 editou “A Dívida(dura) – Portugal na crise do Euro” (Bertrand, 2012, 240 págs.) A obra foi apresentada na FNAC do Chiado por Marcelo Rebelo de Sousa, para escândalo dos bloquistas mais pedregosos.
    Em Abril deste ano lançou “Isto é um assalto: a história da dívida em banda desenhada” (Bertrand, 2013, 184 págs.), com ilustrações de Nuno Saraiva. A contracapa informa que o livro ”descreve o assalto que Portugal está a sofrer”. Reconheça-se, antes de mais, a legitimidade do título. Em matéria de assaltos, os Mortáguas são especialistas. O roubo que Portugal está a sofrer começou logo após a revolução, com o papá Camilo e outros que tais, imbuídos de um ideário que Mariana não rejeita. Limita-se a defendê-lo com outros termos e balelas, que aprendeu no ISCTE e na Rua da Palma.
    No pai e na filha, a mesma necessidade de lutar contra a “ditadura” (seja a de Salazar ou a da dívida), o mesmo ódio ao “adversário” (seja lá ele quem for), a mesma receita de nacionalizações (começa-se com herdades, depois bancos, energia, água, transportes e tudo o que aparecer à frente), o mesmo desrespeito à propriedade alheia e quase uma relação de amor e ódio com o “grande capital financeiro”: o pai assaltava bancos, a filha faz teses de mestrado sobre a Caixa Geral de Depósitos.
    O propósito deve ser comum. Mariana é o Camilo sem as armas.
    Em consequência do golpe, Palma Inácio foi monetariamente crismado de “Palma Massas”. E havia fundadas razões para isso. A operação rendeu cerca de 30 mil contos, uma fortuna para a época, equivalente a 9 milhões de euros de hoje, ainda que boa parte das notas tenha sido depois recuperada pela PIDE.
    “Logo que se apanharam com o dinheiro, acabou o romantismo revolucionário”, acusou depois Emídio Guerreiro, em entrevista a O DIABO (22/9/1992, pág. 8). É o costume. O dinheiro sobe sempre à cabeça das pessoas. Deviam ter lido Marx e Kautsky antes de começarem a roubar.
    A Torre Bela
    A Herdade da Torre Bela, com 1700 hectares, a maior área de terra agrícola murada do País, pertencia ao duque de Lafões. A 23 de Abril de 1975, foi ocupada pelo “povo trabalhador” aos gritos de “a terra a quem a trabalha”.
    Para comandar aquela tropa mista de camponeses, delinquentes e bêbados, aterrou na herdade ribatejana o revolucionário Camilo Mortágua, já grávido de ideias bloquistas.
    O processo ficou documentado no filme “Torre Bela”, de Thomas Harlan (filho do cineasta Veit Harlan, com ligações ao regime nacional-socialista). Militante da extrema-esquerda, o alemão quis filmar a utopia socialista, mas dormia no quarto do duque. Era o único que tinha casa de banho privativa.
    As imagens são divertidas e esclarecedoras: Mortágua e Wilson, outro ladrão de bancos, a doutrinar as massas sobre “latifundiários” e “cooperativas”; Zeca Afonso, Vitorino e o padre Fanhais, este também membro da LUAR, a cantar o Grândola de megafone, diante do povo aparvalhado; o inesquecível diálogo entre Wilson e o camponês avesso à “comprativa” [sic] sobre a enxada que “passa a ser de todos”; a inenarrável reunião em que o oficial do MFA incita à ocupação do palácio: “primeiro vocês ocupam e depois a lei há-de vir”; e os camponeses a experimentar as roupas dos patrões, remexendo-lhes as gavetas com um misto de culpa, curiosidade e desejo.
    O filme é um documento notável de cinema directo, uma comédia do absurdo sobre a “reforma agrária”, processo de espoliação que nos custou os olhos da cara. Ainda há dias o Estado português foi condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem a pagar mais 1,5 milhões de euros de indemnização a famílias expropriadas.
    Os desvarios de Abril não começaram com o BPN ou as PPP (Parcerias Público-Privadas). Tiveram início logo após a revolução, com as ocupações de terras e as nacionalizações selváticas, que ainda agora figuram – de forma mais velada – entre os objectivos do Bloco de Esquerda, da menina Mortágua.
    E depois do adeus
    Após a frustrada experiência na Torre Bela, os mais destacados membros da LUAR, como Mortágua e Palma Inácio, achegaram-se mais e mais aos partidos dominantes. Alguns membros da organização não gostaram. Um deles, Belmiro Martins, exprimiu o seu descontentamento ao jornal ‘Tal & Qual’ (5/9/1997, pág. 6): “Vejo que os chefes da LUAR se passam de armas e bagagens para o Poder […] Senti-me traído […] Decidi então que passaria a roubar para mim.”
    Decidiu e cumpriu. Estabeleceu-se por conta própria no ramo dos furtos, secção de ourivesarias. Parece que assaltou mais de cem lojas. Afirma-se com orgulho o “maior assaltante de ourivesarias de todos os tempos”. Foi preso em 1977 e condenado, tendo cumprido 17 anos de cadeia. Foi libertado em 1994, mas logo se entusiasmou por outras montras a reluzir de ouro. De novo preso em 1997, saiu finalmente em 2006, quando oficiava de sacristão na cadeia de Pinheiro da Cruz.
    Belmiro Martins chegou a integrar os órgãos sociais do Fórum Prisões, associação presidida pelo advogado de Otelo no caso das FP-25 de Abril, Romeu Francês, antigo militante do MRPP, que depois seria condenado em processos de burla, falsificação de documentos, abuso de confiança e fraude fiscal, que acabariam por ditar a sua expulsão da Ordem dos Advogados.
    Mortágua, hoje
    Um homem com a folha de serviços de Mortágua não podia deixar de ser homenageado pelo novo regime. A justiça democrática tarda, mas não falta. A 10 de Junho de 2005 foi-lhe atribuída a condecoração de Grande Oficial da Ordem da Liberdade, por Jorge Sampaio, então Presidente da República.
    Camilo Mortágua, hoje com 79 anos, está estabelecido no Alvito, em pleno Alentejo, como empresário. É hoje um “agrário”, nome pejorativo que os revolucionários de antanho colavam na região aos proprietários de terras agrícolas

  8. João Branco, penso que, na crítica aos argumentos de Mariana Mortágua, deixei subentendido que a resolução para um sistema de estágios que caracterizei como “disfuncional” passa pela abolição do salário mínimo nacional e uma lei do trabalho sem barreiras à livre contratação laboral. Traduzindo, a igualdade competitiva que defendo faz-se, ao contrário de novas burocracias socializantes, com mais liberdade, eliminando, deste modo, a necessidade de um sistema estatal de estágios.

  9. José Lourenço, as acções dos pais não devem servir para julgar os filhos. Cada um com as suas responsabilidades. É que tenho pais socialistas :/

  10. JAL, concordo em parte. Existe uma vantagem em contratar estagiários sempre que os ganhos de contratar trabalhadores permanentes for inferior ao custo adicional de ter trabalhadores permanentes.

    Isso significa que a existência de um custo adicional sobre estagiários (mesmo se fosse possível calculá-lo exatamente como o custo adicional gerado por contratos permanentes ao longo do tempo) irá geralmente penalizar os contratos com estagiários mais do que os contratos para trabalhadores permanentes, justamente por não entrar em consideração com aquilo que a empresa ganha em ter trabalhadores permanentes.

    Isso significa que passaria a haver um viés no mercado no sentido da contratação permanente (em oposição ao viés actual no sentido do uso de estagiários para a maior parte das funções). Os benefícios de contratação permanente (no sentido que estudos mostram que os trabalhadores permanentes geralmente ganham mais capacidades e são mais eficientes ao longo da sua carreira produtiva) podem ou não justificar este viés.

  11. Luís Lavoura

    Eu o que gostaria de saber é se a lei laboral portuguesa é assim tão diferente da de outros países que justifique que em Portugal haja mais estágios (se é que há!) do que neles.
    É que, penso eu, a lei laboral da maior parte dos países europeus garante um salário mínimo, penaliza o despedimento de trabalhadores efetivos, e proíbe contratos a prazo de longo prazo. Ora, se a lei portuguesa é parecida às leis de outros países, porque é que em Portugals e recorre mais (se é que isso é verdade!) a estágios?

  12. Joaquim Amado Lopes

    João Branco,
    Quem deve tomar “em consideração com aquilo que a empresa ganha em ter trabalhadores permanentes” ou avaliar se se justifica a contratação permanente é quem paga os salários.
    O Estado não tem nada que intervir, “incentivando” ou “desincentivando” uma das opções possíveis. O João Branco faça o que quiser nas suas empresas e deixe os donos das outras fazerem o que quiserem nas deles. Quem prefira trabalhar para o João Branco, seja porque razão fôr, que lhe envie o CV.

  13. jo

    Os estagiários são parcialmente subsidiados pelo Estado. Os estagiários a que se estão a referir são os que têm subsídios do IEFP.
    O que acontece á que o governo, para não os classificar como desempregados, cria estágios em que o Estado paga parte do ordenado.
    Claro que a situação é vantajosa para alguns:
    Para as empresas que têm trabalhadores a custos subsidiados, (neste caso já não acham que seja socialismo).
    Para o governo que declara menos desempregados sem deixar de contar o tempo de estágio para a prescrição do prazo do subsídio de desemprego.
    Quem se lixa são os pseudo-estagiários. Estão a trabalhar mas continuam com o estatuto de desempregados e quando o estágio acaba estão na rua sem subsídio de desemprego.

  14. JAL, não estou a dizer que o incentivo/viés DEVE EXISTIR ou não, estou a dizer que em função da legislação atual e situação atual do mercado de trabalho, esse incentivo/viés em favor dos estágios EXISTE (e a prova que existe está justamente na adopção dos estágios pelas empresas e diminuição da contratação permanente).

    A solução poderia passar, como diz o BZ, por reduzir a legislação laboral para diminuir esse viés. OU poderia passar por medidas adicionais (por exemplo fiscais), para corrigir esse incentivo. Deixo ao leitor a decisão de qual tem mais possibilidade de ser aprovada pelos legisladores…

  15. M. Coquim

    A legislação laboral é muito distinta de país para país, mesmo dentro do espaço da União Europeia.
    Ao invés, a figura dos estagiários, com esta ou com outra designação, é transversal à maioria dos países, representando uma fase de transição entre a escola e a vida activa.
    A existência de um salário mínimo nacional também não é consensual. A título de exemplo, eis alguns países ( civilizados ) que o não têm:
    Canadá
    Dinamarca
    Finlândia
    Itália
    Noruega
    Singapura
    Suécia
    Suíça

    Nota: nalguns países, em certos sectores de actividade, está fixado um salário mínimo à hora, que pode ser distinto para aprendizes e/ou estagiários ou para os outros trabalhadores.

  16. Carlos Duarte,

    «é que as empresas poderiam / deveriam ser penalizadas em sede de TSU por uma elevada rotatividade do quadro de pessoal.»

    Porquê? Não empregam o mesmíssimo número de pessoas? Não pagam o mesmo por o trabalho ser realizado?

    Não faltam razões para rodar pessoal. Há muitos inadaptados. Há calaceiros. E há empresas que são burras e julgam os empregados antes de estes estarem adaptados e treinados.

    Se der essas medidas anti-rotativismo perderá iniciativa dos trabalhadores (para quê?) e produtividade. Se, pelo contrário, liberalizar ao extremo os despedimentos, terá uma melhor força de trabalho e, atenção!, uma vontade maior dos patrões de conservar quem é bom, pois pode ser aliciado pelo vizinho a substituir uma vaga deixada aberta por um calaceiro que foi posto no olho da rua.

    Eu percebo porque é que a esquerda tem horror ao livre despedimento. Se eu valesse o que eles valem também o teria, Infelizmente são esses mesmos que governam o país há décadas e que estão imbuídos no desastre que é a administração da caca pública.

  17. M. Coquim,

    «Nota: nalguns países, em certos sectores de actividade, está fixado um salário mínimo à hora, que pode ser distinto para aprendizes e/ou estagiários ou para os outros trabalhadores.»

    QUando sindicatos e patrões se juntam e fazem acordos bilateriais, estou perfeitamente de acordo. Quando o Estado faz uma lei para todos, aí dá sempre porcaria.

    Concordará comigo que não se veem muitos canadianos a emigrar para Portugal à cata de direitos laborais e de ser protegido pelas barreiras ao despedimento. Nem americanos para Cuba. Nem Finlandeses para Portugal.

  18. JPT

    A situação, tal como existe é má, creio que essa é uma evidência para todos. Em Portugal, a contratação de um trabalhador sem termo mete medo a qualquer empresário – desde logo porque é mais fácil desvincular-se de um cônjuge do que de um trabalhador, mas também pela carroça de custos e burocracias que vem atrás – e é essa a primeira razão que leva a que se procurem toda a sorte de alternativas que (a meu ver) nos deviam envergonhar como os falsos contratos a termo, os falsos recibos verdes, o falso “outsourcing”, e as falsas bolsas e estágios. Tudo instituições com mérito e com função, que não é suprir as disfunções do contrato trabalho. Dizer que cada um faça o que entender na sua empresa é, à falta de melhor termo, primário – isto não é o Congo – o primeiro fim de uma sociedade civilizada é assegurar a Justiça e a igualdade perante a lei, que é exactamente o que essa premissa, ou a actual situação, não asseguram. O que há é que reformar radicalmente a legislação laboral, conformando-a com a realidade das empresas e não com um “paraíso socialista” de que cada vez estamos mais longes, mas também castigar duramente que não a cumpre.

  19. João Branco,

    Quando houver o livre despedimento (do tipo «Sai hoje!» ou «Amanhã não venho trabalhar!») as relações laborais alterar-se-ão completamente.

    Quando aos estágios e estagiários, é mais para contornar as lacunas da lei ou para obter subsídios do Estado, do que realmente por causa dos custos de trabalho numa relação custo/benefício calculada.

    Esta moda dos estágios não é uma moda lusitana. Existe por todo o Mundo civilizado, incivilizado e até na campanha da voz que mais fala contra eles. Não falo da Marciana Mortágua, mas da Hillary Clinton. (https://www.readyforhillary.com/webform/ready-hillary-internships, http://www.nationalreview.com/article/420256/hillary-clinton-campaign-interns-unpaid-2016)

  20. JPT,

    Só leva +1 por não lhe poder dar +1000.

    «essa a primeira razão que leva a que se procurem toda a sorte de alternativas que (a meu ver) nos deviam envergonhar como os falsos contratos a termo, os falsos recibos verdes, o falso “outsourcing”, e as falsas bolsas e estágios.»

    Fazem-se más leis. Aparecem esquemas para as controlar. Reparem que os trabalhadores e os patrões entram em contratos voluntários de recibo verde ou de estágio, e por isso a culpa não é de uns nem de outros em exclusivo.

    Quem gosta muito destas leis: as chamadas EPT, as Empresas de Trabalho Temporário, que se transformaram em meios de se contornar a lei que rege o despedimento, ganhando uns cobres no processo sem o merecer. Perdem os trabalhadores, que têm que descontar para o intermediário, ou a empresa, que tem de pagar um pouco mais.

    Mas no fundo vale a pena para a empresa: se o trabalhador não for satisfatório, recambia-se à empresa que o alocou. E a empresa que o alocou pode alegar extinção de posto de trabalho e despedi-lo sem problemas.

    Más leis criam sempre destas coisas.

  21. Carlos Duarte

    Caros Francisco Miguel Colaço e BZ,

    Eu escrevi EXCESSO de rotatividade, não escrevi rotatividade. Alguma rotatividade não só é normal como é desejável, já uma empresa (e a título de exagero que não o é bem) troque metade da sua força de trabalho todos os 12 meses tem algo de profundamente errado.

    Escreveu o BZ que o McDonald’s tem elevada rotatividade. Certo, mas é por vontade e escolha do funcionário. Quando eu falo de rotatividade, falo de uma flexibilização dos contratos (acabava com os “contratos a termo”, passava a existir só “contratros”, sendo o empregado livre de dispensar o funcionário com ou sem justa causa, podendo haver distinção em termos de prazos de aviso e compensações dependendo do caso) associada a uma justa distribuição dos custos do despedimento. A sobrecarga da TSU apenas tem por finalidade compensar o “bolo comum” social que suporta os empregados despedidos. Se quiser, pode perfeitamente fazer-se de outra forma: quando uma empresa despede alguém, é responsável pelo pagamento do seu subsídio de desemprego (se quiser, é um “gardening leave” obrigatório).

  22. Carlos Duarte,

    «A sobrecarga da TSU apenas tem por finalidade compensar o “bolo comum” social que suporta os empregados despedidos.»

    Qual é o défice operacional da Segurança Social antes de transferências do Orçamento de Estado? Sabe o número? Eu sei. É mais ou menos meio BES por ano.

    «quando uma empresa despede alguém, é responsável pelo pagamento do seu subsídio de desemprego»

    Deixa de contratar-se em Portugal. Passa a haver recibos verdes, subcontratação falsa. Nenhum vínculo à empresa. Mais ou menos a situação presente, mas com estímulos adicionais para que assim se faça.

    Carlos Duarte, é mais fácil criar o inferno com boas intenções do que com indiferença.

  23. Joaquim Amado Lopes

    Carlos Duarte,
    “Eu escrevi EXCESSO de rotatividade, não escrevi rotatividade.”
    E quem decide se há “excesso de rotatividade”? Um funcionário público que nunca trabalhou numa empresa, nunca teve que pagar salários, nunca teve que lidar com empregados que chegavam tarde e trabalhavam pouco, nunca sofreu consequências pelos resultados das suas más decisões porque sempre decidiu sobre o dinheiro dos outros, que não conhece a realidade das empresas cujo “excesso de rotatividade” avalia?

    “quando uma empresa despede alguém, é responsável pelo pagamento do seu subsídio de desemprego”
    Concordo e acho que devemos avançar com um programa-piloto para testar: o Carlos Duarte funda uma empresa (com o seu dinheiro ou dinheiro que peça emprestado a investidores) e, sempre que despedir alguém, fica a pagar-lhe o subsídio de desemprego.
    Depois diga como correu.

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