Imaginem se fosse com a Caixa…

Querida Caixa Geral de Depósitos,

Tem sido muito complicado pagar os empréstimos que eu pedi. Ontem, durante o jantar, falei do assunto com a família e sufraguei a coisa. Só o mais novo votou a favor do pagamento da dívida. A esmagadora maioria votou contra qualquer tipo de penhora sobre os bens que comprei com o vosso dinheiro. Posto isto espero que a vossa administração tenha em conta a votação lá de casa e se acalmem com essa coisa das cobranças. Afinal…somos uma democracia.

Cordialmente,

Rodrigo Moita de Deus

PS: Este mês estou um pouco apertado por causa das férias. Queiram por favor transferir algum para o NIB do costume. Obrigado.

Imaginem a resposta da CGD.
Pois. A Alemanha não deverá reagir de forma diferente.
Vocês fá-lo-iam?

11 pensamentos sobre “Imaginem se fosse com a Caixa…

  1. Dervich

    A CGD emprestou dinheiro sobre garantias (hipoteca da casa, fiador, etc).

    A Alemanha emprestou sobre ratings da Moodys, Golden Sachs, etc…. Foi ingénua e estúpida, coisa que os bancos não são, são apenas vigaristas.

  2. Dervich

    Por outro lado, outros existem que são especialistas em canções do bandido e viciados em sodomia.

  3. José7

    Está a atirar ao lado porque sou mesmo heterossexual e, com excepção da barba, não faço a depilação em mais lado nenhum. Aliás nestas matérias, excepcionalmente, penso o mesmo que o seu camarada Álvaro Barreirinhas Cunhal pensava: é uma tristeza.
    Ficou por responder a pergunta que coloquei: já meteu o seu taco hoje no:
    https://www.indiegogo.com/greek-bailout-fund.html
    Mande o comprovativo por favor, porque tenho o defeito de não acreditar em comunistas.

  4. Dervich

    Fique com as respostas e com os comprovativos que quiser, eu não gosto de quase nada que seja vermelho, nem clubes, nem tomates, nem ameixas, nem partidos…só talvez mesmo lingerie.

    E o meu pelotão da tropa tinha 32 elementos mas nenhum com o nome que referiu…

  5. Hugo Rego

    Caro Rodrigo Moita de Deus, foi com bastante agrado que registamos a intenção de voto do seu rebento mais novo já que, de alguma forma, se está a conseguir incutir, nas futuras gerações, a ideia de que, aconteça o que acontecer, o contribuinte/cliente será sempre o eterno responsável.

    Sem sombra de dúvida, novo e ingénuo ao ponto de não entender que a casa onde vivem, cuja aquisição, se bem que vossa, foi fortemente condicionada pelos múltiplos serviços prestados pelo nosso sector. É verdade que graças ao termos ultrapassado as regras de boa gestão de análise de crédito, aliado ao facto de que Portugal não tinha (ainda não tem) um mercado de arrendamento maduro, com oferta substancial que oferecesse qualidade, conjugado com factores como termos empolado sistematicamente os valores de avaliação imobiliária, aliado a um financiamento absurdo a empresas de construção civil (que “ofereciam” um produto sem as chatices e burocracias de quem ousava lançar-se na aventura de querer construir a sua própria casa), com o beneplácito das entidades reguladoras e das autarquias, que assim, não só rentabilizaram os seus terrenos como também passaram a cobrar taxas cada vez mais elevadas (estamos certos que os entraves colocados ao licenciamento para construção a particulares não terá sido coincidência), levou a que os preços tenham duplicado em menos de 20 anos (em muitos casos, mais), contribuindo para o agravar das suas responsabilidades financeiras já que, sem sombra de dúvida, em muitos casos não restou outra solução para o comum dos mortais que não fosse a de aquisição de habitação.

    Também é verdade que em Portugal, e de forma concertada, todos os bancos concordaram em aplicar um modelo de pagamento baseado em amortização crescente, ou seja, nos primeiros 10 anos você pagaria quase apenas juros, garantindo, assim, os lucros que o banco, supostamente levaria 40 anos a obter, mas também que, caso alguma coisa corresse mal (como aparenta ser o caso), não só já temos os lucros garantidos como, ainda por cima, o seu imóvel continua, para todos os efeitos, a ser nosso, isto apesar de já ter sido efectuada uma pequena amortização ao longo destes anos só que, como deve saber, as nossas avaliações foram, entretanto, revistas em baixa, logo, não só o imóvel nos pertence como a sua presente dívida é superior ao valor “de mercado” do mesmo, por nós atribuído. Infelizmente (para si), estas são as “regras de mercado” mas, e para que não restem dúvidas, nós não estamos a esfol…, perdão, a prejudicá-lo e, para demonstrar isso mesmo, queremos, desde já, manifestar a nossa disponibilidade para renegociar novos prazos para a sua dívida, não esquecendo que, para tal, se aplica de raiz o tal sistema de amortização crescente (sim, terá que voltar a pagar juros na totalidade).

    Mais, no espírito da boa-vontade, até lhe propomos a contratualização de uma taxa de juro fixa (bastante superior à actual Euribor) para o proteger de uma eventual e desagradável subida das taxas variáveis (se não descem é porque vão subir, certo ?), cenário para a qual nós até estamos dispostos a perder dinheiro apenas pelos seus lindos olhos.

    Espero que o seu jovem filho entenda que nós, enquanto instituição financeira, não somos e nem fomos responsáveis, individualmente, pela actual crise financeira global, crise essa que foi fruto de um conjunto de infelizes circunstâncias tais como a alavancagem desmedida dos mercados e activos financeiros, operações a descoberto, criação de activos financeiros complexos e realavancados, circulação de capitais por vários paraísos fiscais, lobbying com vista a uma crescente desregulação financeira, criação de veículos financeiros com carácter de shadow banking, cada vez menor delimitação entre banca comercial e banca de investimento (de especulação, dirão algumas más-línguas), sem esquecer dos regimes fiscais “amigos” da banca ou do financiamento partidário a programas que incentivassem o “investimento público”.

    Apesar desta crise ter sido despoletada, em elevado gráu, pelas questões supramencionadas, não é de mais reforçar que, individualmente, não nos consideramos responsáveis e em (quase) nada tivemos a haver com esta situação. Nem nós, nem qualquer instituição financeira. Nós até somos apenas uma instituição que tem lutado pelo bem maior da sociedade. Veja-se o caso das Swaps. Foi bem intencionado! O nosso único desejo era proteger o cliente!!!

    O verdadeiro responsável é o “sistema” que necessita de “algumas correcções” para evitar futuras “surpresas” (há quem afirme que esta crise já estava devidamente sinalizada por uma entidade supranacional desde, pelo menos, 2002 mas, como pode compreender, não podemos dar crédito a tudo o que se diz).

    Infelizmente, tudo isto contribuiu para um agravar da (sua) carga fiscal, um despoletar de falências, um aumento fulgurante do desemprego em vários países, diminuição dos salários e massa salarial, e, em última análise, contribuiu para a sua perda de capacidade financeira para fazer face às despesas mas, e convém nunca esquecer, a responsabilidade foi, é e será sempre sua, porque como é óbvio, você foi totalmente livre de avaliar e tomar as decisões que o conduziram a esta situação (e é bom que você continue a ilud… perdão, a assumir essa convicção).

    Por último, e só para que não restem dúvidas do nosso altruísmo, a banca portuguesa até concordou em ceder o fundo de pensões da mesma ao Estado Português, num momento de grande aflição! Foram 6 mil milhões de euros! Não foi pouco! E o Estado, à conta disto, passou assumir uma despesa de apenas pouco mais de 500 milhões de euros anuais para os próximos 20 anos! Não faça contas… Não é necessário. Para isso estamos cá nós para as fazermos por si!

    Esperamos cá por si para conversarmos sobre como poderemos ajudá-lo ainda mais e traga o seu rebento mais novo: temos cá para ele uns caramelos de fruta fenomenais. Subscrevemo-nos com cordiais cumprimentos e até breve.

    Atenciosamente.
    Um qualquer Conselho de Administração de um Banco.

  6. maria

    Emigração durante o período troika já supera a vaga dos anos 60
    Portugal é hoje o país da UE com a taxa mais alta de emigração. Desde o resgate já foi batido o recorde de saídas, superando a vaga dos anos 60 onde inúmeras famílias tiveram de sair do país, com destino a França.

    A Inglaterra é, actualmente, o destino favorito dos emigrantes portugueses com um aumento homólogo de 47% em 2014. E a maioria dos emigrantes tem uma idade entre 20 e 39 anos, ou seja população jovem que não encontra emprego em Portugal.

  7. Fernando S

    maria : “Emigração durante o período troika já supera a vaga dos anos 60”

    Depende do periodo de tempo que se considere.
    Mas admitamos …

    1 – O aumento excepcional da emigração actual é acima de tudo uma consequencia da perda de competitividade e da quase bancarrota que anos e anos de politicas despesistas e intervencionistas implicaram.

    2 – Os que emigram ficam normalmente melhor, muitos até bastante melhor, do que estavam antes e ajudam, directa ou indirectamente, aqueles que não emigram (remessas, empregos, abertura ao exterior, etc).

    3 – Os que hoje emigram teem em média qualificações e niveis de vida muito superiores aos das gerações que emigraram nos anos 60 e antes. Em comparação com o que foi no passado, hoje em dia emigrar é algo de bastante mais facil e banal. Emigrar não é uma fatalidade nem uma ruptura com a terra natal.

    4 – A “RTP Internacional” tem um programa muito interessante sobre os novos emigrantes portugueses : “Portugueses no mundo” . Visualização recomendada aos “velhos do Restelo” !

  8. maria

    Confirmado. Blog para divertimento. Tudo a bem da nação. A sopa dos pobres existe, mas podíamos estar pior. O desemprego aumentou, mas podíamos estar pior. O acesso à saúde é difícil, mas podíamos estar pior. A emigração aumentou, mas é muito melhor. Todos estão tão bem e felizes e todos emigraram com a mesma garra e vontade como os que o fizeram por opção, como retrata tão bem a RTP Internacional.
    Perda de tempo.

  9. Fernando S

    maria : “podíamos estar pior.”

    Com comunistas e socialistas a governar ?… Sem sombra de duvidas !

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