Socialismo e rigor orçamental

Será o socialismo compatível com o rigor orçamental a que o euro obriga? Os meus comentários ontem na Edição das 12 do Económico TV.

16 pensamentos sobre “Socialismo e rigor orçamental

  1. Joao Bettencourt

    Definitivamente não. A relação do socialismo com o orçamento de Estado e baseada em certa categoria de verbos que o mais recente manifesto sectorial pela salvação da pátria exala abundantemente:

    “reivindica”, “proclama”, “reclama”, “requer”, “exige”, “pressupõe”, “induz”

    http://www.manifesto2015.com/

  2. Charlie

    O João Bettencourt esqueceu-se de acrescentar alguns verbos importantes:

    – O verbo ‘deixar-a-conta-para-quem-vem-a-seguir’ e
    – O verbo ‘imputar-a-quem-vem-a-seguir-a-responsabilidade-pelas-consequências-do-rombo-que-o-socialismo-cria-nas-finanças-a-cada-vez-que-passa-pelo-governo’.

  3. Nunca nos entenderemos, se não formos ao fundo da questão.
    Os princípios da competitividade e do crescimento sem fim, fundamentos do liberalismo, são logicamente insustentáveis e, entretanto, implicam necessariamente que os respetivos custos recaiam na grande maioria da população, oprimindo-a e explorando-a.
    Basta raciocinar.
    Continuo à espera que me provem o contrário.

  4. Charlie

    O João de Brito é que devia começar por explicar essa sua teoria que trata como dogma. Isso deve resultar do fanatismo pela sub-religião que advoga que o dinheiro chove do céu.

  5. Joao Bettencourt

    “Nunca nos entenderemos, se não formos ao fundo da questão.
    Os princípios da competitividade e do crescimento sem fim, fundamentos do liberalismo, são logicamente insustentáveis”

    Na realidade, o crescimento sem fim apenas reproduz o crescimento sem fim da população e das suas necessidades. A sustentabilidade deste crescimento esta garantida pela preservação do valor do dinheiro.

  6. Joaquim Amado Lopes

    João de Brito,
    “Basta raciocinar.”
    Pois basta. Infelizmente, o João de Brito é completamente incapaz de o fazer. Pode ser por falta de tempo mas, com o tempo que gasta a debitar disparates, quer-me parecer que o problema é mais profundo.

  7. Charlie

    “Nunca nos entenderemos” porque o João de Brito mete distorções ideológicas no raciocino, parte (ou fabrica) princípios errados para chegar a uma conclusão que já tem pré-concebida e ainda mistura umas nuances marxistas.

    Num desses princípios errados de que parte, a Natureza desmente-o: A competitividade é algo que existe na Natureza e é um mecanismo que obriga à adaptação e ao esforço, princípios que geralmente não são lá muito bem aceites para quem gosta de se aparar no Socialismo, talvez porque ai encontram encosto (em sentido literal e figurativo) para formas de vida que os põem a salvo do esforço.

  8. João de Brito,

    A esquerda é que proclama crescimento sem fim através da gestão científica das vidas dos outros, sempre em prol da pitança das maiorais iluminárias. A economia de livre mercado convive com crises. O Estado Social não se sustenta no tempo. A economia de mercado sustenta-se no tempo e, se deixado em defeso das coutadas dos políticos, permite opolência, liberdade e privacidade.

    Os resultados provam-no. A URSS tinha consistentemente uma produtividade industrial que era cerca de 1/3 da dos Estados Unidos. Apesar de ter recebido (um país de esquerda) milhares de milhões de dólares dos Estados Unidos em várias ocasiões:

    1) Durante os anos 20, após o colapso da economia soviética;
    2) Durante os anos 30, depois de haverem retirado a Nova Política Económica, quando Estaline foi ao poder;
    3) Na II Guerra Mundial, durante toda a guerra;
    4) Nas fomes dos anos 80;
    5) Na fome do início dos anos 90, que aliás levou ao golpe de 91 e à dissolução da URSS.

    A Suécia teve de reformar-se nos anos 90, ou acabava na bancarrota. Não se reformou o suficiente, e vai acabar esmagada pela chusma indolente que transmigra meio mundo em busca de coisas grátis, e que depois morde a mão que a alimenta. Idem para a Dinamarca, a Noruega e a Finlândia.

    Se quer debater, traga dados numéricos. As palavras bonitas levaram à decadência em que estamos.

    Se uma das minhas cerejeiras dá frutos amargos, e não a consigo curar após dois ou três anos, corto-a e planto outra no seu lugar. Estou disposto a discutir frutos (estatísticas) e não a beleza das folhas da árvore. Se eu quisesse árvores ornamentais, plantava apenas cedros e plátanos, mas depois não comia cerejas.

  9. Charlie

    “A URSS tinha consistentemente uma produtividade industrial que era cerca de 1/3 da dos Estados Unidos.”

    Se não me engano a diferença ainda era maior e os dados revelados eram russos e logo após o fim da União S. Independentemente da precisão dos números, é evidente que a realidade vai contra a profecia do V.I. (um ídolo do João de Brito certamente) que afirmava que a produção comunista suplantaria o capitalismo, coisa que ainda está por acontecer.

  10. Quando um “capitão” socialista indagar sobre a dívida continuar a crescer pergunte-se se sabem o que são funções exponenciais?

    A dívida portuguesa duplica, no mínimo, a cada 10 anos desde 1983. Isso significa que aumenta em média 7% ao ano.

    Se continuassemos no mesmo caminho significaria apontar para 400 mil milhões em 2023.

    Pensar que qualquer governo nos próximos anos irá fazer descer a dívida é acreditar em unicórnios. Passar de 7% para 1% ou 2% durante a próxima década já é uma grande vitória.

    Significaria que passaríamos de dobrar a dívida a cada década para dobrarmos a cada 30 / 40 anos, dando margem mais alargada para absorver as dores das mudanças estruturais, confortar quem nos empresta e, por fim, começar a diminuí-la.

  11. Mud Mad

    sendo um atento habitual destes debates entre AAA e MCF, não aguento mais e tenho de o partilhar. AAA tem uma característica que é uma delícia e é a seguinte: sempre ( sublinhar aqui o sempre) que MCF diz uma ( embora sejam muitas) ‘barbaridade(s)’, AAA solta um longo suspiro. Esses momentos nunca são filmados ( porque a camara está a focar MCF, que está a discursar) mas ouve-se perfeitamente. Só realmente quem tem uma paciencia de Jó é que aguenta tal esforço! bem haja , AAA!!

  12. A Grécia, a ameaça de contágio e as dívidas insustentáveis. Nada, isso não interessa para nada, absolutamente nada.
    Portugal pertence agora a um dos poucos grandes clubes restritos que têm o poder e a capacidade legal para imprimirem dinheiro.
    Não ser expulso implica cumprir as regras, ditadas pela chefe do grupo; não é fácil, e há concessões a fazer.
    Mas enquanto se estiver dentro, haverá agora sempre dinheiro [Quantitative Easing], e um nível de vida ao alcance de poucos fora desses grupos.
    Para continuar dentro, continuando assim a receber esse dinheiro, é preciso rigor, incomplacência, parcimónia e probidade na sua gestão.
    Para os caciques locais despojados, que antes reinavam à grande e à francesa, nos clubes regionais pré união [senadores do PS e também PSD] será sempre uma realidade muito dura de aceitar.

  13. Charlie,
    boa tarde!
    Vou replicar relativamente ao seu comentário, porque é o único que tem pertinência e novidade:
    – A competitividade na natureza visa a melhoria das espécies e os vencedores têm sempre mérito, porque usam todos as mesmas armas.
    – A competitividade da economia liberal, visa o lucro, usa armas desiguais e alimenta-se de um consumismo que, na maior parte dos casos, enfraquece a espécie, transferindo para a tecnologia competências, antes imanentes à espécie humana.
    Obrigado pela atenção!

  14. Joao Bettencourt

    “enfraquece a espécie, transferindo para a tecnologia competências, antes imanentes à espécie humana.”

    Entao seriamos mais fortes se ainda utilizassemos a pedra lascada?!!

  15. Joaquim Amado Lopes

    João de Brito,
    “A competitividade na natureza visa a melhoria das espécies e os vencedores têm sempre mérito, porque usam todos as mesmas armas.”
    Errado. Na natureza, as “armas” diferem enormemente, não apenas de espécie para espécie mas também dentro da mesma espécie. Na realidade, o que a Teoria da Evolução diz é que é precisamente a alteração das “armas” de uns (através de mutações genéticas) que leva a que esses prosperem e os outros se extingam.

    Os predadores e as presas não “usam as mesmas armas”. Se usassem, então umas vezes seriam os leões a comerem as gazelas e noutras as gazelas a comerem os leões. Mas os leões não são gazelas nem as gazelas são leões.

    Entre os predadores da mesma espécie, a genética, as aptidões naturais e a sorte levam a enormes diferenças nas “armas” de uns e outros e resultados muito diferentes. É até bastante bastante comum os mais fortes matarem ou expulsarem os jovens antes de estes estarem em condições de os desafiar ou vários juntarem-se para eliminar um mais forte.
    E frequentemente as presas juntam-se em manadas e usam os mais fracos e idosos para sua própria protecção. Quando atacados, os mais fracos e idosos ficam para trás, permitindo aos outros fugirem.

    “A competitividade da economia liberal, visa o lucro,”
    Claro que visa o lucro. Sem lucro nenhuma actividade económica é sustentável.
    As empresas propõem-se fornecer bens ou serviços para satisfazer as necessidades dos consumidores. Se não tiverem lucro só podem continuar a fornecer bens ou serviços se beneficiarem dos lucros de outros.
    As empresas que forneçam bens ou serviços que os consumidores não queiram acabam por fechar enquanto que as que forneçam bens ou serviços que os consumidores queiram têm lucro e podem manter ou melhorar essa qualidade, recompensando os seus colaboradores devidamente, contratando os melhores, melhorando processos, etc.
    O lucro é o resultado de criar valor para os consumidores. É isso que significa competição.

    “usa armas desiguais”
    Que “armas desiguais”? Por acaso há duas pessoas que sejam iguais? Duas empresas que sejam iguais?
    O que é diferente é capaz de coisas diferentes.

    “e alimenta-se de um consumismo que, na maior parte dos casos,”
    Qual é o seu problema com o “consumismo”? Por acaso acha que consome demais e coisas de que não precisa? Se sim, mude os seus hábitos de consumo e deixe de pretender decidir como os outros vivem as suas vidas.

    “enfraquece a espécie,”
    Não acredito que seja culpa da “economia liberal” mas, lendo o que escreve, tenho que concordar que há algo de errado com uma sociedade em que proliferam imbecis do calibre de “certos comentadores de blogs”.

    “transferindo para a tecnologia competências, antes imanentes à espécie humana.”
    A tecnologia é a razão porque a qualidade de vida melhorou e a produção de riqueza disparou de forma inimaginável há uns meros 100 anos.

    É preciso ser particularmente ignorante para pretender que as vantagens ou desvantagens da industrialização têm alguma coisa a ver com o liberalismo ou o colectivismo.
    E nem vou apontar… bem, afinal até vou apontar a ironia de o João de Brito se queixar (em inglês soaria melhor) da tecnologia numa caixa de comentários de um blog.

    Num comentário a outro artigo referi a sua vacuidade. Foi antes de ler este seu último comentário.
    Agora, aplicar o termo “vacuidade” ao seu “pensamento” (sim, entre aspas) parece-me um insulto ao vácuo absoluto.
    Só por curiosidade, o que escreve é inato ou teve que se aplicar arduamente no “estudo” da “verdade absoluta do progressivismo científico” para atingir tal nível de ignorância e “preguiça mental”?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.