Há falta de jovens em Portugal?

Em resposta ao meu artigo O Receio de Bagão Félix…, “jo” comentou:

“Se o problema actualmente fosse a demografia teríamos empregos para jovens que não encontravam tomador. É isso que significa falta de jovens. O que temos é um desemprego muito maior entre os jovens do que entre o resto da população. Por tanto (sic) só há falta de jovens se houver falta de desempregados. Se o problema fosse falta de pessoas em idade para trabalhar bastava ir buscar uns barcos ao Mediterrâneo. Se a população está a decrescer e os vossos gurus dizem que o PIB vai crescer pelo menos 2,5% ao ano a partir de agora o problema também não é a falta de recursos. Parece que o único problema com as pensões é que há bancos e seguradoras que já não encontram mais nada que valha a pena pilhar.”

Vamos começar pelo facto: conforme disse no meu artigo, têm nascido menos jovens, desde 1970. Muito menos. Do-tipo-3-para-1,23 menos. Logo, o facto é muito real e qualquer pessoa que ande na rua, vá a escolas, passe em maternidades, e fale com pessoas com atividades infantis pode facilmente confirmar isso.

A questão não é negar o facto, a questão é compreender: se há menos jovens, porque é que estes têm cada vez mais dificuldade em arranjar emprego? Porque há uma coisa que tem diminuído ainda mais que os jovens: os empregos disponíveis para estes.

Vejamos mais uma estatística do PortData, a idade média dos novos pensionistas de velhice subiu de 62,3 para 63,4 entre 2011 [ano da entrada da Troika] e 2013, e eu suspeito que continue a subir. Em apenas 2 anos, aumentou mais de 1 (!). Os pensionistas por escalão etário têm estado a começar a diminuir nos escalões <60 e 60-64, numa altura em que a população nestes segmentos tem aumentado.

Vamos a um exemplo: a enfermagem. O problema não é ter havido uma explosão de enfermeiros em Portugal que, como são em tão em altas quantidades, não encontram emprego. O problema é que os hospitais pararam de contratar, e os enfermeiros que lá estão não se reformam (porque não os deixam). Menos de 10% dos jovens formados em enfermagem nos últimos anos anos encontram emprego na sua área. Metade, vai para fora. Cerca de metade, vai para outros empregos.

Sobre previsões de PIB: a) eu não tenho guris nem sei a quem se refere, b) duvido muito que o PIB cresça a uma média de 2,5%/ano nos próximos 20 ou 40 anos, c) os recursos nunca são ilimitados pelo que haverá sempre uma limitação mais ou menos severa de recursos. Por fim, a pilhagem foi feita por outros, não pela banca e pelas seguradoras – mais uma vez, nem sei com que base alguém afirma isso.

Por fim, haverá outras justificações para esta falta de emprego para os jovens. O crescimento do PIB é recente e tem sido lento por agora. O crescimento do emprego é uma variável desfasada do crescimento da produção (agregada no PIB). Um crescimento sem grande correspondência em termos de emprego (“jobless growth”) devido à rigidez do mercado laboral. A acumulação por parte de alguns de 2 empregos para ajudar a pagar as contas – não só as suas como as de familiares em situação difícil. O facto de algumas posições preferirem pessoas não formadas, para “controlar”custos. O facto de as qualificações mais teóricas de muitos jovens não incluírem conhecimentos técnicos. Enfim, as justificações são inúmeras. Não me digam é que não há uma crise de nascimentos, há muito e em crescendo.

Adenda: esta é uma realidade que é para continuar e acelerar. Senão vejam nas páginas 31/32 deste relatório de Roberto Carneiro:

De acordo com a Estratégia Europeia 2020, adotada em Conselho Europeu de 8 de março de 2010, entre as três prioridades que foram aprovadas, considera-se relevante a do crescimento inclusivo, nomeadamente o objetivo duma taxa global de emprego de 75% para a população dos 20-64 anos e de (50%) para a população idosa com mais de 65 anos.

36 pensamentos sobre “Há falta de jovens em Portugal?

  1. jo

    Vamos por partes:
    Há menos jovens em Portugal do que havia há 40 anos. Ninguém nega isso. Também há maior esperança de vida e a probabilidade de um jovem chegar a velho é maior, felizmente.

    Se formos ver o número de habitantes em Portugal em todos os censos que se fazem desde o século XIX subiu sempre, logo a população só começou a diminuir depois da última crise o que é pouco para confirmar uma tendência.

    Para termos as percentagens de jovens que tínhamos nos anos 60 temos duas soluções:
    aumentar a população até aos 30 milhões ou matar os velhos para diminuir a esperança de vida. Não me parece que nenhuma dessas soluções seja possível, mas há sempre quem não pense assim.

    Portugal está inserido no mundo. O mundo tem neste momento 7000 milhões de pessoas, a maioria delas em idade de trabalhar. Dizer que há um problema de falta de gente é um pouco louco.

    Vejo que concorda comigo (e com o Dr. Bagão Félix) quando diz que o problema é o desemprego. Claro que retirar os velhos do mercado de trabalho resolve o problema do desemprego jovem, mas ou cria um problema de desemprego de velhos ou aumenta o problema das pensões. Logo distinguir entre desemprego jovem e desemprego de velhos é inútil. Há desemprego.

    Só realcei o facto de haver tanto desemprego jovem para fazer notar que, neste momento, o problema não é falta de braços. ainda bem que concorda comigo.

    Quanto à sustentabilidade das pensões há um factor que nunca é referido: os ordenados actuais eram maiores do que os ordenados que geraram as pensões que estão actualmente em pagamento, isso melhorava a taxa de cobertura. Ao fazer os ordenados descer comprometemos essa taxa.

    Se o número de pessoas está a diminuir (palavras suas) e o PIB está a crescer então existe riqueza para pagar as pensões (e já agora manter os ordenados). Ela está é a ser redistribuída de outro modo, mas isso não tem nada a ver com demografia.

    É me indiferente se a minha pensão vier a ser paga por um fundo ou pela SS, mas a experiência mostra que os fundos de pensões vão à falência com uma regularidade assombrosa e têm de ser substituídos pelo dinheiro dos contribuintes.

    Não me diga que tem mais confiança na família Espírito Santo do que no Estado Português para garantir a sua reforma.

  2. Jo,
    “Para termos as percentagens de jovens que tínhamos nos anos 60 temos duas soluções:
    aumentar a população até aos 30 milhões ou matar os velhos para diminuir a esperança de vida. Não me parece que nenhuma dessas soluções seja possível, mas há sempre quem não pense assim.”
    Ou os jovens passarem a ter tantos filhos como há 2 gerações.
    PS: esta era a solução para a demografia, não para a Seg. Social – a solução para a Seg. Social é passar de um sistema “pay as you go” para um de capitalização.

    “Portugal está inserido no mundo. O mundo tem neste momento 7000 milhões de pessoas, a maioria delas em idade de trabalhar. Dizer que há um problema de falta de gente é um pouco louco.”
    é desmentido pelo que eu disse, e cito:
    “há uma coisa que tem diminuído ainda mais que os jovens: os empregos disponíveis para estes.”

  3. Sobre o desemprego, esse é um problema, claro.
    Eu só disse que esse é um problema anão quando comparado com o par de gigantes demográficos: diminuição de jovens e aumento de séniores.
    Esses sim, cataclismos para a Seg. Social (ao contrário do anão temporário do desemprego).

    É uma questão de grau de gravidade, se preferir.

  4. “Só realcei o facto de haver tanto desemprego jovem para fazer notar que, neste momento, o problema não é falta de braços. ainda bem que concorda comigo.”

    Discordo de si. Tomara eu que houvessem mais jovens para ajudar a pagar a Seg. Social dos meus pais.

    Mas claro, mais uma vez o que eu gostaria era de um sistema de capitalização.

  5. “Se o número de pessoas está a diminuir (palavras suas) e o PIB está a crescer então existe riqueza para pagar as pensões (e já agora manter os ordenados).”

    Erro. O número de pessoas está a diminuir, claro. Mas não de forma equilibrada!
    Enquanto diminuem o número de contribuintes, aumenta o número de beneficiários.
    Não sabe disso? Acha que isso não é relevante?
    Para compensar isto, o PIB teria de crescer imenso, o que sabemos bem que não está a acontecer.

  6. “É me indiferente se a minha pensão vier a ser paga por um fundo ou pela SS, mas a experiência mostra que os fundos de pensões vão à falência com uma regularidade assombrosa e têm de ser substituídos pelo dinheiro dos contribuintes.”
    Se não houver dinheiro para lhe pagar mais que uma pensão de subsistência/indigência, talvez isso lhe interesse mais.

  7. “Não me diga que tem mais confiança na família Espírito Santo do que no Estado Português para garantir a sua reforma.”
    Soares, Sócrates, Espírito Santo, é tudo farinha do mesmo saco.
    Por não gostar do que o grupo ES andava a vender, saí em 2011. O tempo mostrou que eu tinha razão.

  8. jo

    O problema demográfico poder-se-á pôr no futuro. No futuro tudo é possível. E poderá ser resolvido de muitas maneiras mas não é o problema actual.

    Neste momento os problemas da segurança social vêm do desemprego e da desvalorização salarial, não da demografia.

    É estranho termos problemas no presente – desemprego e desvalorização salarial – e estarmos preocupados com um problema que nem sabemos se vamos vir a ter. Porque ninguém lhe garante que as taxas de fecundidade não aumentem depois de os outros problemas estarem resolvidos.

    O sistema de capitalização no que toca à garantia de cobertura no futuro é exactamente igual ao sistema actual. Se o país tiver menos bens reservados para pagar pensões, pagará menos pensões. Não se dirá que foi por causa da demografia, dir-se-á que foi devido à desvalorização dos fundos, mas o efeito é o mesmo. Com a agravante de termos fundos de pensões geridos por entidades de ética e moralidade muito duvidosa – os banqueiros. Com excepção da banca portuguesa, que é segura sólida e confiável, como não nos cansaram de apregoar (BPN, BPP, BES, para falar só nos que desapareceram).

    Penso que não pensou bem no que é o dinheiro. Pode-se guardar dinheiro mas ele só terá valor se existirem bens e se não existirem pessoas para os criar não há bens.

  9. jo

    Erro. O número de pessoas está a diminuir, claro. Mas não de forma equilibrada!
    Enquanto diminuem o número de contribuintes, aumenta o número de beneficiários.
    Não sabe disso? Acha que isso não é relevante?
    Para compensar isto, o PIB teria de crescer imenso, o que sabemos bem que não está a acontecer.

    Se o PIB aumenta então os contribuintes podem contribuir mais e compensar o aumento de beneficiários. O que interessa é a riqueza total a dividir pelo número de indivíduos. Isto é matemática.

    Claro que se aumentarmos a concentração da riqueza nas mãos de uns poucos que não são assalariados e depois dissermos que só os assalariados devem pagar as pensões, vai faltar dinheiro para as pensões. Mas mais uma vez isso não é um problema demográfico.

  10. Luís

    jo,

    à escala europeia não temos ricos, temos remediados.

    Não há ricos para taxar. Há sim proprietários sem rendimentos. Em património sou rico mas em rendimentos à escala europeia sou pobre. Herdei casas com rendas simbólicas e não tenho dinheiro para as restaurar. Herdei terras com as árvores secas e não tenho dinheiro para replantar. Esta é a minha realidade e a da maioria dos portugueses. Somos um país de proprietários mas pobre. Só há para taxar terras e casas que não dão rendimentos.

    No entanto, temos um número de dependentes do Estado monstruoso e a crescer. Eu só vejo estas saídas:

    1) Cortar nas reformas mais altas, abonos e fundos de desemprego;

    2) Cortar na Educação e na Saúde, é possível sem pôr em causa o acesso dos portugueses aos mesmos serviços;

    3) Reduzir a carga fiscal;

    4) Desregular e desburocratizar;

    5) Atrair investimento estrangeiro;

    6) Deixar que as famílias acumulem riqueza como no passado (instrução financeira, consumirem menos, pouparem mais).

    Tudo o que eu digo aqui foi feito no passado por paraísos para a Esquerda como a Suécia.

  11. “O problema demográfico poder-se-á pôr no futuro. No futuro tudo é possível. E poderá ser resolvido de muitas maneiras mas não é o problema actual.”
    Está familiarizado com cálculos actuariais? Sabendo quantas pessoas nasceram por ano, aplicando tábuas de mortalidade às pessoas que já nasceram, e assumindo evoluções de saldos migratórios, é possível saber quantos idosos irão existir em 2060.
    Desde 1990 que o problema se tem vindo a formar. Neste momento já é um problema. E a tendência, ao contrário do desemprego, é para a Segurança Social ser cada vez mais deficitária (se nada for feito).

    “Neste momento os problemas da segurança social vêm do desemprego e da desvalorização salarial, não da demografia.”
    Falso. Se não quer ver o problema em Portugal, veja noutros países em que o anão do desemprego não está lá e os dois gigantes da natalidade e da mortalidade estão. Talvez assim, livre do esconderijo do desemprego e da sua proximidade pessoal, consiga ver o problema.

    “Porque ninguém lhe garante que as taxas de fecundidade não aumentem depois de os outros problemas estarem resolvidos.”
    Pode ser coincidência, mas nenhuma mulher que me seja próxima quer ter mais de 2/3 filhos e muitas querem ter menos que isso. A estimativa da pirâmide demográfica do INE parece corroborar esta minha ideia.

    “O sistema de capitalização no que toca à garantia de cobertura no futuro é exactamente igual ao sistema actual.”
    Disparate. Como sobre isto há muito material, sugiro que google este tema (em Inglês se puder).

    “Se o país tiver menos bens reservados para pagar pensões, pagará menos pensões.”
    Não foi isso que aconteceu.

    “Com a agravante de termos fundos de pensões geridos por entidades de ética e moralidade muito duvidosa – os banqueiros.”
    Não vou discordar. Vou apenas dizer que considero os políticos como piores.

    “Com excepção da banca portuguesa, que é segura sólida e confiável, como não nos cansaram de apregoar (BPN, BPP, BES, para falar só nos que desapareceram).”
    Se fossem só esses os problemáticos, estávamos bem.

    “Penso que não pensou bem no que é o dinheiro. Pode-se guardar dinheiro mas ele só terá valor se existirem bens e se não existirem pessoas para os criar não há bens.”
    Não vai ensinar as funções da moeda a um economista, pois não?

  12. “Se o PIB aumenta então os contribuintes podem contribuir mais e compensar o aumento de beneficiários. O que interessa é a riqueza total a dividir pelo número de indivíduos. Isto é matemática.
    Claro que se aumentarmos a concentração da riqueza nas mãos de uns poucos que não são assalariados e depois dissermos que só os assalariados devem pagar as pensões, vai faltar dinheiro para as pensões. Mas mais uma vez isso não é um problema demográfico.”

    O PIB teria de aumentar 7,5%/ano, de acordo com estimativas socialistas.
    O PIB cresce, se crescer, 0,5%/ano.
    Estamos a brincar, aqui?

    Qual é a relação entre a riqueza (stock de valor) e a produção anual ou PIB (flor de valor) neste caso? Em que é que isso tem a haver com este assunto?
    Compreendo que o “Jo” seja um revoltado com certos elementos da sociedade – por mim pode odiar os Espírito Santo e outros à vontade – mas está a trazer para este debate “argumentos” que não têm nada a haver, na minha honesta opinião.

    Só gostava de saber porque disputa o problema demográfico, que uma entidade tão isenta como a Segurança Social (isenta… neste tema) e o INE concordam ser gravíssimo.
    Talvez seja um mecanismo de defesa do seu cérebro, uma racionalização para se recusar a ver o problema, mas se for isso, actua de forma um pouco estranha.

  13. Luís

    Deveremos ter para aí 300 mil imigrantes a fazer o que os portugueses não querem.

    Sem mudarem o sistema do fundo de desemprego e do RSI nada feito.

  14. jo

    Luís

    Mesmo à escala europeia temos ricos. De qualquer modo quando se fala de redistribuir a riqueza nacional trazer para aqui a riqueza europeia é desfasado.

    É a história do frango para dois amigos. Um deles fica com o frango, diz que a média é 1/2 frango por pessoa e justifica-se dizendo que o vizinho tem dois.

    As suas soluções têm problemas:
    1) Se não há ricos não há reformas altas para cortar. O subsídio de desemprego nem devia existir, podiam-se utilizar os pobres que morressem de fome para alimentar a classe remediada como referiu Swift. Diminuía-se o desemprego e alimentava-se a população.

    2) É sempre possível cortar em qualquer quantidade sem afectar os serviços.
    Há uma demonstração para isso: arranque um cabelo da cabeça, não ficou careca pois não? arranque outro, também não ficou careca. Então pode continuar a arrancar cabelos indefinidamente sem nunca ficar careca. É o raciocínio que se está aplicar aos cortes do Estado Social.

    3)Isto é um dogma. É sempre melhor pagar menos impostos mas ninguém, garante que os particulares utilizem o dinheiro melhor que o Estado. Muitas vezes é verdade mas também é mentira outras tantas. As isenções de impostos que a banca teve ao longo dos anos, em que geraram lucros fabulosos, não criaram empresas e grupos lá muito bem geridos (pelo menos entre nós).

    4) Fica bonito no papel, resta saber o que quer dizer.
    Se eliminarem os regulamentos de urbanização e o seu vizinho do lado criar uma lixeira de lixo hospitalar contaminado, por ex, você não concordará.
    Se me diz que é necessário cortar muita burocracia nas empresas e no estado, então é verdade.

    5) Não têm feito outra coisa, mas o desgraçado não quer vir. E agora?

    6) Descendo de uma família de assalariados agrícolas e operários. Nunca pouparam grande coisa porque nunca tiveram com que fazer cantar um cego.
    Com os salários a descer apelar à poupança é giro. Os quase 50% de portugueses que subsistem com o salário mínimo são uns gastadores. Preferem comer a ter conta no banco.

  15. jo

    ““Neste momento os problemas da segurança social vêm do desemprego e da desvalorização salarial, não da demografia.”
    Falso. Se não quer ver o problema em Portugal, veja noutros países em que o anão do desemprego não está lá e os dois gigantes da natalidade e da mortalidade estão. Talvez assim, livre do esconderijo do desemprego e da sua proximidade pessoal, consiga ver o problema. ”

    Estou um pouco mais interessado em ver em Portugal.
    Claro que o aumento da idade média da população acarreta vários problemas. Mas parece que a discussão começou por falar no problema específico da SS, ou se quiser no número de não activos em relação ao número de activos (já agora as crianças também comem, como os velhos, e também não trabalham).
    Vejamos as premissas:
    As pensões actuais são pagas pelos descontos dos trabalhadores actuais.
    Há cada vez menos trabalhadores
    Há cada vez mais pensionistas.
    Logo o sistema vai ser insustentável a longo prazo.

    Só que dizem-nos que o sistema já está insustentável!
    Havendo desemprego, o problema não é de falta de gente para trabalhar, neste momento pelo menos.
    Talvez não fosse de todo tolo, em vez de andarmos já a preparar o que vai acontecer daqui a 20 anos num sistema que se está a desmoronar, fazer qualquer coisa quanto ao futuro próximo. Estão a propor pintar uma casa que está a arder.

    Parece que para toda a gente é um pormenor o facto dos salários terem descido em média 11%, mas isso implica menos 11% de segurança social. No fundo descemos salários e agora temos de descer pensões. Temos menos gente a trabalhar logo temos menos descontos,logo temos menos pensões. Temos também uma emigração de gente nova muito grande. Mas mais uma vez isto não tem nada a ver com a diminuição de nascimentos.

    Gostava que me explicasse como é que um sistema de capitalização resolve o problema de insuficiência de recursos para pagar pensões causada por falta de população. Capitalizam em meninos?

    Não sei se a SS e o INE serão isentos nestes temas. Até porque há muitas maneiras de analisar dados. Num mundo com população crescente, não acredito que seja possível que num país, que não sofra nenhum cataclismo, a população se reduza subitamente só porque as pessoas não querem ter filhos. Se for analisar os dados a população portuguesa cresceu sempre entre censos, concluir daí que vai diminuir só é possível fazendo habilidades estatísticas:
    Prever que as taxas de fecundidade se mantém sempre iguais (porquê? podem descer e não podem subir?)
    Prever que o saldo migratório será sempre negativo (o Passos não há-de cá estar mais 50 anos a mandar-nos emigrar)

    Diga lá quais são os países que têm verdadeiros problemas devido ao envelhecimento da população. Não me refiro ao medo da extrema direita francesa de o país se tornar muçulmano, refiro-me a problemas económicos.

    O facto de quem gere as pensões ser o Estado através da SS ou privados a partir de fundos não é uma questão lateral.
    É a razão maior deste alarido mediático e a razão de fundo da polémica.

  16. Não sei a que está a responder, por isso é difícil de responder.
    Mas não resisto a responder ao 6. Diz o “Jo”:
    6) Descendo de uma família de assalariados agrícolas e operários. Nunca pouparam grande coisa porque nunca tiveram com que fazer cantar um cego.
    Com os salários a descer apelar à poupança é giro. Os quase 50% de portugueses que subsistem com o salário mínimo são uns gastadores. Preferem comer a ter conta no banco.

    Se não têm nada, a culpa é vossa. A minha avó tinha campos e o meu avô uma venda. Viveram e criaram 10 filhos (o meu pai e os seus irmãos). E foram fazendo poupanças.
    Eu no ano em que trabalhei no BES, como não acreditava no que vendia, ganhei 300€/mês. Nesse ano não poupei, mas paguei as minhas contas.
    Logo, se não consegue poupar, só tem uma pessoa a quem se queixar. E para vê-la, basta ir ao espelho da sua casa de banho.

    Com os salários a descer, o consumo tem de descer mais depressa. Se quer saber como se faz, pergunte à geração que cresceu no tempo de Salazar, quando a vida era mais difícil (e pergunte fora da sua família, claro).

    Os Portugueses que dependem do SMN nunca foram 50%. Em 2014 foi 12,9%.
    Basta ir ao Google para não fazer afirmações com erros desse calibre.

  17. Para quem não sabe os dados de hoje, critica muito as estimativas do INE para o futuro (que deve conhecer ainda menos).
    Como notoriamente não conhece o método de cálculo do INE, vá por eles.

    Quanto a países que tenham esse problema de forma mais aguda, basta ver a lista dos países com mais idosos no mundo. Se souber do que fala, sabe que é o Japão. Basta ver os problemas lá.

    Sobre quem gere… eu nem falei nisso.
    Isso é outra questão, posterior a esta análise.
    Primeiro há que compreender o que vai acontecer à SS – e é isso que está em causa aqui.

  18. “Gostava que me explicasse como é que um sistema de capitalização resolve o problema de insuficiência de recursos para pagar pensões causada por falta de população. Capitalizam em meninos?”
    Esta pergunta revela que não leu sobre o assunto.
    Um sistema de capitalização implica contrair uma dívida equivalente ao dinheiro que supostamente lá deveria estar para pagar todas as pensões (500% do PIB, por exemplo – não há modo de saber verdadeiramente) e criar uma conta individual para cada um teria lá o seu dinheiro guardado. Cada um tinha a sua conta e o seu dinheiro estava lá depositado a capitalizar. Mesmo.
    Ora, assim não interessava quantas pessoas existiam, pois quem me pagava a pensão não eram os meus filhos, mas as minhas poupanças passadas.
    Esta solução é absolutamente melhor, mas tem um problema: a transição.
    Nós não vamos emitir uma dívida daquele tamanho e não há em lado nenhum dinheiro para fazer uma transição deste género. Assim, o processo terá de ser muito gradual e vai haver pessoas que vão ganhar e vão perder, mediante os detalhes do processo. E é isso que vai dar confusão.
    Agora, que é inevitável, isso é. Vai ver quando a pirâmide começar a pesar e pesar sobre os contribuintes. Recordo que na Seg. Social já há mais beneficiários do que contribuintes, e é nesta fase que a pressão existe para a transição. Por isso, em vez de anda para aqui a dizer que não há problema, a tentar tapar o Sol com a peneira, comece mas é a ler sobre sistemas de capitalização e transições.

  19. hajapachora

    Como é que se explica o óbvio? Para repor as gerações, disse repor, é preciso que o índice sintético de fecundidade seja de 2.1. Portugal há 1uinze anos que baixou para menos de 1.3. Agora anda pelo 1.1 um dos indicadores mais baixos do mundo. Talvez só o Japão… As projecções, optimistas, do INE apontam para nove milhões de habitantes em 2030. Na verdade seremos menos, entre 8,5 e 8 milhões…. de VELHOS. Temos menos 300 mil jovens no ensino obrigatório do que em… 2009. Percebeu? Este é o nosso problema, o verdadeiro problema, que impede que se resolvam os outros. Uma economia de velhos nunca irá crescer. Porque só jovens arriscam criar empresas. Tudo isto se sabe há muito. A APFN há vinte anos que o diz, mas ninguém ligou nenhuma, ter filhos é reaccionário, coisa de ricos. Badamerda com a porcaria de políticos ignorantes, vulgares, que temos tido. Quando não são ladrões são parvos e ignorantes. Alguns, os que chegam a primeiro ministro, acumulam.

  20. Luís

    «1) Se não há ricos não há reformas altas para cortar. O subsídio de desemprego nem devia existir, podiam-se utilizar os pobres que morressem de fome para alimentar a classe remediada como referiu Swift. Diminuía-se o desemprego e alimentava-se a população.»

    Há reformas altas sim. Portugal gasta em reformas um valor um pouco acima da média da UE em percentagem do PIB. Contudo não faltam portugueses a auferir reformas acima dos 1500 euros que trabalharam para a função pública. É aí que os cortes das pensões que o Governo fala irão incidir. Por isso o Dr. Bagão Félix anda aflito.

    O resto do seu comentário é pura demagogia. Existem alternativas mais sustentáveis ao subsídio de desemprego e ao modelo do RSI. Nem eu que sou um perigoso neo-liberal quero ver portugueses na rua com fome. Mas não faz sentido nenhum que haja dois Estado Sociais em Portugal, o oficial e o das IPSSs, que vivem à conta do Orçamento de Estado. O fundo de desemprego deveria ser uma poupança feita pelo trabalhador. O RSI poderia ser pago parcialmente com um cheque-alimentação a descontar no comércio local com um cabaz de produtos. Seria uma alternativa ao financiamento das IPSSs que pouparia dinheiro ao Estado.

  21. Luís

    «2) É sempre possível cortar em qualquer quantidade sem afectar os serviços.
    Há uma demonstração para isso: arranque um cabelo da cabeça, não ficou careca pois não? arranque outro, também não ficou careca. Então pode continuar a arrancar cabelos indefinidamente sem nunca ficar careca. É o raciocínio que se está aplicar aos cortes do Estado Social.»

    A sua demagogia continua.

    Pergunto-lhe: faz sentido o Estado continuar a pagar livros escolares em papel, caríssimos? É uma mega parceria público-privada que não se discute. E custa muitos milhões aos contribuintes.

    Faz sentido o Estado manter escolas que foram abertas para angariar votos? Um exemplo. O Baixo Guadiana tem três concelhos com menos de 30 mil habitantes e seis, repito, seis escolas até ao nono ano. O concelho de Tavira tem a mesma área que o Baixo Guadiana mas apenas duas escola até ao nono ano, na capital do concelho. E sabe porquê? Nos anos Guterres cada junta de freguesia exigiu uma escola. E isto repete-se por todo o país. Depois temos ainda o financiamento aos colégios com contrato de associação em regiões onde existem escolas pública mal aproveitadas e professores com horário zero.

    Imaginemos que o Estado pára de financiar livros e passamos a ter livros em PDF ou um sistema de empréstimos. Há um corte na Educação mas a instrução dos portugueses é posta em causa? Não é.

    Imaginemos que o Estado reorganiza a rede escolar e encerra escolas, o que será inevitável no futuro devido ao índice de fertilidade que temos. É posta em causa a instrução dos portugueses? Não é. Talvez seja menos confortável para alguns papás a ideia de verem os filhos a fazer 10 ou 20 quilómetros de autocarro. Também os fiz muitos anos e ingressei no superior com 18.63 de média. Não me prejudicou em nada a meia hora de autocarro matinal e ao final da tarde.

    Faz sentido o Estado pagar tantos cursos de Enfermagem, Biologia disto e daquilo, Engenharia disto e daquilo? Não faz. É irracional que cada distrito exija, por exemplo, uma escola de Enfermagem. Faria todo o sentido, por exemplo, a extinção dos Ciclos Básicos de Medicina nas ilhas. O encerramento de alguns cursos de Enfermagem. É mais racional termos menos cursos em algumas áreas e um maior investimento na qualidade, os alunos só terão a ganhar. É posta em causa a instrução dos portugueses? Não é. Os suecos, os finlandeses, os canadianos,vivem por vezes a centenas de quilómetros do sítio onde estudam. E não exigem universidades à porta.

    Faz sentido o Estado sustentar tantos baldas no Superior? Não faz. Deveria haver uma maior responsabilização dos professores e alunos pelo insucesso no Superior, que é elevadíssimo em Portugal e cujas causas são conhecidas: má preparação no Secundário, maus hábitos dos alunos (praxes e noitadas em tempo de aulas) e falta de qualidade de alguns docentes. Atacar este problema traria poupanças. Seria posta em causa a instrução dos portugueses? Não seria.

    Em algumas áreas os alunos vão passar tempo para alguns cursos até terem média para entrarem onde querem. É uma despesa brutal para o Estado. Um desperdício de recursos. Sucede por exemplo na área da Saúde. Abandonam os cursos de Medicina Dentária, Ciências Farmacêuticas ou Enfermagem quando têm nota para Medicina. Em Inglaterra, os alunos normalmente só ingressam quando têm nota. Até lá, ficam fora do Superior a trabalhar, viajar e a preparar-se. Nem que ingressem aos 25 anos. O Estado português pode sustentar estes caprichos dos alunos e das famílias? Não pode.

  22. Luís

    «3)Isto é um dogma. É sempre melhor pagar menos impostos mas ninguém, garante que os particulares utilizem o dinheiro melhor que o Estado. Muitas vezes é verdade mas também é mentira outras tantas. As isenções de impostos que a banca teve ao longo dos anos, em que geraram lucros fabulosos, não criaram empresas e grupos lá muito bem geridos (pelo menos entre nós).»

    A sua demagogia continua e aqui entra já pelos tiques de totalitarismo.

    O que tem você a ver com a forma como os privados gastam o seu dinheiro? Se eu ganhar 5000 euros com o meu trabalho e quiser estoirá-los em mulheres e bebida, quem é o caro para me apontar o dedo? O dinheiro é meu, gasto-o onde bem entender.

    A Banca portuguesa encostou-se ao Estado e a um negócio altamente patrocinado pelo Estado: a construção. Houve as PPPs, houve as negociatas que envolviam as oligarquias e os monopólios do PSI 20. A maioria da nossa dívida privada deve-se à construção.

    Nós temos um esforço fiscal muito acima da média da UE. Não só não conseguiremos captar investimentos que fugirá para outros países como teremos a emigração maciça de jovens. Por exemplo, os recibos verdes pagam menos impostos noutros países europeus, e mesmo fazendo constas ao custo de vida, é melhor emigrar. Um jovem que seja trabalhador independente na área das novas tecnologias só pagará impostos em Portugal se for muito masoquista.

  23. Luís

    «) Fica bonito no papel, resta saber o que quer dizer.
    Se eliminarem os regulamentos de urbanização e o seu vizinho do lado criar uma lixeira de lixo hospitalar contaminado, por ex, você não concordará.
    Se me diz que é necessário cortar muita burocracia nas empresas e no estado, então é verdade.»

    Os socialistas vão logo buscar a tragédia para assustar.

    Mas já que pegou nos regulamentos da urbanização, saiba que desordenaram mais que ordenaram. Mais valia nunca terem sido criados. Em contrapartida, os proprietários deveriam pagar o custo total do povoamento disperso. Assim já haveria mais ordenamento…

    Não faz nenhum sentido que uma pastelaria espere anos por uma licença municipal. Que quando um vizinho faz um barraco na sua terra, o processo esteja em tribunal 20 anos e exija testemunhas -e até lá não pode mexer no barraco. Que se houver um embargo de uma obra, o tribunal possa demorar 10 ou 20 anos a decidir: e até lá o investimento não avança.

  24. Luís

    «5) Não têm feito outra coisa, mas o desgraçado não quer vir. E agora?»

    Sabe-se por que motivo não vem. Aliás motivos. Esforço fiscal elevado, Justiça lenta e complexa, falta de instrução na população. Os impostos só poderão baixar se o Estado reduzir a despesa pública. A lentidão da Justiça só se resolverá noutra geração quando se perceber a influência nefasta e provinciana da Escola de Coimbra. A falta de instrução da população resolver-se-á ano após ano, era um problema que já vinha do século XIX e que só começou a ter solução palpável nos anos 50.

  25. Luís

    «6) Descendo de uma família de assalariados agrícolas e operários. Nunca pouparam grande coisa porque nunca tiveram com que fazer cantar um cego.
    Com os salários a descer apelar à poupança é giro. Os quase 50% de portugueses que subsistem com o salário mínimo são uns gastadores. Preferem comer a ter conta no banco.»

    A demagogia continua.

    Mesmo com o salário mínimo conheço muita gente que poupa. E poupa muito. Sabe porquê? Somos um país de proprietários. As pessoas pela província fora continuam a ter galinhas, porcos, vacas, couves, batatas, a sua hortinha. Evitam gastar no supermercado mas não têm «fome». Pelo contrário, têm a despensa cheia. Conseguem poupar por vezes quase todo o salário, caso de jovens que vivem em casa de pais ou de avós. Noto que não conhece bem o país onde vive.

  26. Anónimo

    Vou concentrar-me só neste aspecto:

    jo em Junho 22, 2015 às 00:47 disse

    «Quanto à sustentabilidade das pensões há um factor que nunca é referido: os ordenados actuais eram maiores do que os ordenados que geraram as pensões que estão actualmente em pagamento, isso melhorava a taxa de cobertura. Ao fazer os ordenados descer comprometemos essa taxa.»

    Claro que sim. A questão é se era possível manter os ordenados no nível em que estavam. Por que razão é que Sócrates e Teixeira dos Santos vieram anunciar um corte de salários dos fp em Setembro 2010?

    http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/salaacuterios_dos_funcionaacuterios_puacuteblicos_sofrem_cortes_entre_35_e_10_act.html

    Por uma razão muito simples: após anos e anos de orçamentos deficitários, a bolha ia estoirando. O Sócrates e o TSantos começaram a ver que estávamos a atingir o limite para lá do qual nem o Goldman Sachs nos emprestaria de dinheiro. E estávamos a ficar sem dinheiro para pagamentos correntes. Ou reduzíamos a despesa imediatamente ou ninguém nos continuaria a emprestar dinheiro. Sim, porque até hoje continuamos a precisar de dinheiro: a dívida sobe a um ritmo menos intenso, mas sobe. Espero que toda a gente saiba isto: continuamos a pedir empréstimos para fazer face às despesas. E andamos a pagar empréstimos mais remotos com empréstimos mais recentes contraídos em situação felizmente mais favorável.

    Mas mesmo que os ordenados tivessem sido mantidos (sabe-se lá como), é preciso ver a relação entre os salários e a formação das pensões.

    Na CGA, e vou limitar-me a este sistema, os ordenados nunca poderiam gerar as pensões de mais de 1000 euros (fronteira discutível) que são pagas por este sistema. Portugal vivia numa economia que vivia de empréstimos (por isso é que chegámos à dívida pública a que chegámos: 130% do PIB), e em que no público se prometia aumentos salariais para caçar votos. Se já mal tínhamos economia para pagar salários como os que se pagavam na fp, quanto às reformas então nenhuma economia do mundo podia aguentar durante muito tempo o sistema ali implementado. Fp a reformarem-se sistematicamente antes dos 60 anos com um valor igual ao do último escalão? Se isto pudesse ser feito todos os países faziam… Nós optámos, na CGA, por um sistema de reformas verdadeiramente escabroso.
    O que o pessoal descontou sobre esses salários nunca lhes daria:
    a) nem para metade do valor das pensões que têm;
    b) nem para terem essas pensões pelo tempo que têm.

    Os pensionistas da CGA aposentados até à data em que Sócrates reformou o sistema (2005/2006), e que recebem acima de mil euros, ganharão, em média, até ao final da sua vida, três a quatro vezes mais, do que um sistema de capitalização lhes permitiria auferir. Já se perguntou de onde vem o dinheiro? Vem do OE. Qual é a principal fonte de receitas do OE? Então pronto, essa é principal fonte de receitas para tapar o buraco da CGA, buraco esse que resulta de sucessivos loucos terem permitido que a regra “reforma igual a salário do último escalão” permanecesse em vigor. Esses loucos acreditavam, presumo, que as mulheres portugueses do séc. XXI viriam ser exclusivamente parideiras, tendo talvez 4 ou 5 filhos cada uma, e que as condições laborais iam degradar-se até ao patamar chinês (trabalhar 10 horas por dia 6 dias por semana, pelo menos). Nesse caso sim, teríamos crescimento para pagar as pensões todas e ainda sobrava dinheiro. Mas até na China esse estado de coisas é para desaparecer. Por razões que têm que ver com a dignidade humana. É por causa destas loucuras que o IRS está como está e o IVA idem. Em valores incompatíveis com o crescimento económico. Só quase podemos contar com a possibilidade de investimento estrangeiro, porque acumular capital, por enquanto, é tarefa reservada a muito poucos, porque ninguém se põe a “empreender” sem um razoável fundo de maneio. Não vamos crescer nada de significativo durante muito tempo. Há muito capital para restituir. Mais os juros. E a malta dos “direitos adquiridos” não quer abdicar de um euro, nem mesmo depois de se lhes explicar os efeitos benéficos de pagar a dívida o mais depressa possível. É como o trolha endividado que até nem recebe mal mas que, em vez de amortizar o mais depressa o empréstimo que contraiu, leva a famelga ao Algarve fim de semana sim fim de semana não. Sacrifícios? Ora, a vida é curta!

    Pode-se sempre retorquir: mas o dinheiro sai dos bolsos de uns para pagar as exageradas pensões de outros, é certo, mas nada se perde.

    Infelizmente perde-se. Numa cidade como Lisboa, que é a capital do funcionalismo público e também do sector privado encostado ao Estado, vivendo na economia irreal em que este vive (sociedade de advogados à cabeça), é fácil ver como o dinheiro desaparece todo num instante. É vê-los, aos parolos, a comprar o último modelo automóvel de uma qualquer marca alemã, a comprar às vezes para a família toda não sei quantos iPads, oferecendo telemóveis às criaturas que acabam de aprender a gatinhar (ok, estou a exagerar um pouco), fazendo city-breaks “porque é tão giro!” e mil outras formas de gastar irresponsavelmente o dinheiro, ou como se diz em linguagem fina, alocando recursos de forma a não gerar retorno quase nenhum, muito menos a gerar crescimento sustentável. Friso novamente: tudo isto pode ser muito facilmente observado em Lisboa, capital do funcionalismo público e de um gigantesco sector privado gigantesco que não produz nada de valioso para o País e que vive de prestar serviços à Administração Central, EPs, IPs, Fundações Públicas, o diabo-a-quatro.

    Há pior, claro, acreditando que isto é verdade:

  27. jo

    hajapachorra
    “Como é que se explica o óbvio? Para repor as gerações, disse repor, é preciso que o índice sintético de fecundidade seja de 2.1. Portugal há quinze anos que baixou para menos de 1.3.”
    Explique-me o óbvio: Porque é que a população portuguesa tem estado a subir nos últimos 15 anos?
    Esse discurso já se ouve há uns 20 anos, com a população total sempre a crescer. Se os jovens de 1980 tivessem tido 2,1 filhos por mulher onde é que eles estavam a trabalhar agora? Que problema é que aumentar as taxas de fecundidade resolve afinal?

    Estas coisas não são assim tão simples.

  28. Jo,

    «Explique-me o óbvio: Porque é que a população portuguesa tem estado a subir nos últimos 15 anos?»

    Imigração (quase 300.000 estrangeiros residentes, mais 100.000 descendentes nascidos cá) e alargamento da esperança de vida (aumentou 5 anos em 15 anos).

    Paradoxalmente ambas vêm arrombar a segurança social, já que a imigração é constituída em parte por pessoas que vêm atrás de subsídios e de viver à pala do Estado e da pitança dos outros, como bons escarralhados.

    O Jo parte de premissas erradas, aplica lógica tortuosa e errónea e espera chegar a boas conclusões? Se nem sabe os dados, como pode analisar modelos? 10 minutos no sítio do INE e um bocadinho de lápis não o fariam debitar as insofismáveis sonsices que toma como laivos de genialidade.

  29. Anónimo,

    «Numa cidade como Lisboa, que é a capital do funcionalismo público e também do sector privado encostado ao Estado, vivendo na economia irreal em que este vive (sociedade de advogados à cabeça), é fácil ver como o dinheiro desaparece todo num instante.»

    Leva + 1, mas fico em falta para consigo em pelo menos +99.

    Alguém tem de dizer a essas bestas quadradas que o Estado não cria riqueza. Tira de A para dar a B e C. A riqueza foi criada por A. Não entra dinheiro novo na economia. B é um parasita dependente. C é um funcionário parasita. C estaria melhor na economia privada ou morto ou emigrado. Na economia privada faria parte da solução e morto ou emigrado deixaria de fazer parte do problema.

    Isso quer dizer que tem de deixar de haver estado? Claro que não. Mas há uma dimensão do Estado (10% do PIB para mim) em que a ordem pública (o benefício do estado que permite aos homens arriscar o seu pecúnio em segurança em novas venturas comerciais e industriais) é substituído por um efeito de medo, que impede a criatividade.

  30. Tiro ao Alvo

    Deram corda ao JO e ele ficou todo contente e não parou de escrever.
    Temo é que tenha ficado exactamente na mesma, ele que sabe tudo e tudo discute sem fazer os trabalhos e casa, por que só tem certezas.
    Agora aturem-no!

  31. hajapachora

    Se se mantiver o actual índice sintético de fecundidade, o mais provável, acontecerá isto, é o INE que o diz: «Contudo, no cenário baixo a perda populacional será mais acentuada, em resultado da manutenção dos baixos níveis de fecundidade verificados atualmente em Portugal e de saldos migratórios negativos, podendo a população residente atingir 6,3 milhões em 2060». Não imagina um país com seis milhões de velhos. É que não consegue imaginar. É um país liquidado. Kaputt

  32. Em 1993 fiz eu as contas para um trabalho na Universidade Católica (estava no 2º ano de engenharia, mas a cadeira era Doutrina Social da Igreja) e com o índice de fecundidade de então (1,4) Portugal teria 8,5 milhões de pessoas a viver em 2050 com saldos migratórios nulos. Com 1,2 — e vai descer, acreditem-me — e saldos migratórios negativos, estamos a falar de 6 milhões à vontade. Os saldos negativos de população em idade activa irão aumentar quando a Segurança Social entrar em roda livre, consumindo mais de um quinto do produto português. Isso aconteceria lá para 2025, mas não vai acontecer.

  33. hajapachora,

    Um tal país com seis milhões de velhos deixa num instante de ter velhos.

    Se a população não se pode bastar, ou emigra ou morre de carências. A verdade é crua, mas é a infeliz verdade. Bem dizia João Paulo II que um país sem crianças não tem futuro.

  34. Pingback: O Big Crunch – Kafka In Amadora

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