Sobre A Proposta Do PS De Redução Da TSU

Eu sou sempre favorável a qualquer redução de impostos, seja ela qual for. O estado, não produz riqueza por si próprio e limita-se a “redistribuir” a riqueza retirada coercivamente aos contribuintes. Ao propor uma redução da TSU paga pelo trabalhador, o PS reconhece que os cidadãos gerem de facto melhor o seu dinheiro do que o estado (afinal de contas, o PS sempre tem uma costela neoliberal). Noutro post já comentei a presunção e pretensão do modelo mátemático subjacente relativo à precisão do número de empregos criados com esta medida. Neste post, quero analisar o argumento que suporta esta proposta que segundo o PS funciona como “apoio complementar ao aumento do rendimento disponível das famílias” e um “estímulo à procura interna” que causará uma criação de emprego (45 mil empregos até 2019). Partindo do princípio que este argumento é verdadeiro, são pertinentes as seguintes questões:

  1. Porque é que para efeitos de criação de emprego (via “aumento do rendimento disponível” que por sua vez funciona como um “estímulo à procura interna“) é preferível reduzir a TSU e não outros impostos tais como o IVA ou o IRS?
  2. Se o efeito desta medida é positivo, porquê é que a proposta de redução da TSU tem um carácter progressivo e temporário (aumentando progressivamente 4% até 2018 iniciando uma diminuição em 2019 que se estenderá “exactamente” por oito anos)?
  3. Porquê é que o valor desta redução é de exactamente 4% (valor máximo em 2018) e porque não um valor ligeiramente inferior ou ligeiramente superior, do género 3,9% ou 4,1%? Será que acima de 4% o efeito desta medida deixa de ser positivo?

Miracle

12 pensamentos sobre “Sobre A Proposta Do PS De Redução Da TSU

  1. JLeite

    Todos os descontos que um trabalhador faz, directos ou indirectos, deviam passar para a sua mão e deixar que ele se responsabilizasse pelo seu destino. A parte difícil seria resistir ao discurso do coitadinho quando ele decidisse que seria tempo de se reformar.

  2. Inteiramente de acordo, JLeite. No entanto, o “contrato social” forçado pelo estado assume que 1) as pessoas não sabem tomar conta de si; e 2) as pessoas têm que ser “solidárias” com o “bem comum” (o que quer que seja que isso signifique).

  3. JoaoMiranda

    Resposta ao ponto 1:Só a TSU permite cortar salários à Função Pública sem que eles percebam

    Resposta ao ponto 2: 8 anos é o tempo que o PS prevê que a economia ainda vai levar a ajustar.

    Resposta ao ponto 3: 4%+4% é aproximadamente o valor da inflação esperada

  4. Tiro ao Alvo

    Não entendo o comentário do João Miranda. Reduzir a TSU nunca pode representar cortes nos salários de Função Pública”, pelo contrário, resultará num aumento.

  5. FilipeBS

    É uma redução dos salários da função pública na medida em que, enquanto entididade empregadora, o Estado também pagará menos TSU.

  6. Alexandre Carvalho da Silveira

    Também não entendo bem o comentário do João Miranda, e menos ainda o comentário do FilipeBS: como entidade empregadora o estado não paga TSU sobre os salários da função publica, sendo esse um dos factores, não o único, do desequilibrio do sistema.
    Proponho um pequeno exercício: vejam qual é a massa salarial/ano da função publica, multipliquem por 23,75%, e, para não ir mais longe, tornem a multiplicar por 25 anos e ficam a saber quanto é que falta na CGA.

  7. Um dos Marretas

    O Tó Zé está com um ataque de riso. Há 6 meses que não para de rir à gargalhada. Já não sabe que medicamentos tomar. Qualquer dia está como o Mário

  8. JLeite

    Se assim não for a SS nunca será sustentável e continuaremos a ter uma sociedade esclavagista.

  9. Alexandre Carvalho da Silveira,

    O Estado paga TSU (do bolso esquerdo para o bolso direito, admito). Aparece nos recibos de ordenado dos desfuncionais (grafia intencional!) do Clube do Dia 22.

    Se em vez de pagar 23,75% pagar 20%, significa que tem 3% menos de despesas com salários na Função Pública. Também tem 10% a menos de contribuições que terão de ser colmatadas 1) com outros impostos, 2) com mais dívida.

    Como a opção 2) parece cada vez menos uma opção, testa aumentar impostos, coisa em que o PS é perito — ou deixa as finanças em tal estado que o senhor que se segue tem de aumentar impostos. Lembro-me do PEC, PEC2, PEC3 e do quase PEC4 como soluções definitivamente temporárias.

    Quanto à medida, tenho as contas no Remoques. Grosso modo, as medidas do PS implicam um subfinanciamento da Segurança Social em 1588 milhões de euros anuais — diminuição de receita a juntar aos quase 5 mil milhões de euros de transferências presentes do Orçamento de Estado.

  10. rr

    Ola João Cortez.Procurando eu responder à primeira pergunta: segundo o PS, porque metade da população não paga IRS,ao contrario da Tsu

  11. RR,

    Se o PS quisesse ajudar Portugal, desbandava e não concorria mais a eleições.

    Aquilo não é um partido com um presidente. É qualquer coisa que tem um capo, e que acha que se «é do estado, é do PS». Ou que «para os amigos tudo, para os inimigos nada e os restantes que cumpram a lei». Ou que «quem se mete com o PS leva.»

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