Dez Mitos Sobre a Segurança Social

Ainda sobre a (in)sustentabilidade da Segurança Social, recomenda-se vivamente a leitura do artigo de Helena Matos “Dez Mitos Sobre a Segurança Social” no Observador.

“Com a sustentabilidade da Segurança Social de volta ao debate político, decidimos revisitar os principais dados sobre o nosso sistema de pensões, alertando para os mitos do discurso público:
I) A conta imaginária;
II) Os meus descontos chegam e sobram para pagar a minha reforma;
III) As reformas actuais são muito baixas;
IV) Os cortes permitiram equilibrar as contas da Segurança Social;
V) A Segurança Social gasta muito dinheiro em intervenção social;
VI) A Segurança Social deve deixar de pagar o desemprego/reconversão profissional;
VII) A Segurança Social é um contrato entre gerações;
VIII) É o crescimento económico que tem de garantir a sustentabilidade da Segurança Social;
IX) A Segurança Social deve alargar a sua base de financiamento;
X) Devemos apostar numa reforma que resolva definitivamente o problema.”

6 pensamentos sobre “Dez Mitos Sobre a Segurança Social

  1. Euro2cent

    A coisa está torta logo no artigo 2, porque ignora a componente mutualista do seguro.

    Há pessoas que recebem 30 anos de reforma, e outras que morrem no ano que se reformam, ou até antes.

  2. Manolo Heredia

    Os trabalhadores por conta de outrem e seus patrões foram OBRIGADOS a descontar para um seguro de rendimentos na velhice. Seguro esse garantido pelo Estado, apólice emitida pelo Estado.

    Dizer que são os jovens que estão a pagar as pensões dos velhos com os seus descontos é o mesmo que dizer que os automobilistas com seguro contra terceiros estão a pagar as reparações dos sinistros de carros em reparação de danos próprios.

    Dizer isso é enganar os segurados, é uma aldrabice. Nenhuma entidade seguradora tem legitimidade para recusar o pagamento de indemnizações ao abrigo do contrato de seguro, alegando falta de sustentabilidade das contas da seguradora. Até porque o Estado admite no sistema pessoas que nunca descontaram. Essas pessoas deviam ser pagas pelo OE. Até porque o estado utiliza os dinheiros dos descontas para financiar projetos que deviam ser da responsabilidade do OE.

    Uma trafulhice pegada!

  3. Fernando Almeida

    Manolo Heredia,
    Muito me agrada verificar a coincidência dos seus argumentos com aqueles que já tive ocasião de publicar, noutros locais.
    São argumentos que não agradam a quem, de há muito, se tem habituado a fazer cortesias com o chapéu dos outros.

  4. Gil

    Todas estas análises perdem o interesse, a partir do momento em que ignoram alguns aspetos:

    1º) Quando se fala da “insustentabilidade”, os governos limitam-se a desenhar cortes, em vez de proporem a reformulação do modelo.
    2º) TODOS os governos usaram, durante anos e anos, os dinheiros da Segurança Social como uma espécie de “saco azul” sem fundo, para tudo e mais alguma coisa.
    3º) Alguém sabe onde param as verbas do fundo de pensões dos bancários?

  5. Nuno

    Eurocent: pois há, há isso tudo, mas está lá bem explicadinho o que se passa.

    Em média, as pessoas vivem 15 a 20 anos depois de se reformarem (mais se se contar com as pensões de sobrevivência). Não interessa se umas duram mais que as outras, isso já está refletido na média.

    Para ser sustentável pagar durante 20 anos o ordenado líquido médio dos 40 anos de descontos é preciso poupar 30% do ordenado bruto só para isso. E entram para a média todos os 40 anos, até aqueles meses/anos em que esteve desempregado, de baixa, de licença e poupou zero, pelo que a reforma vai ser muito, mas muito, inferior ao último ordenado.

    A TSU empregados+empregadores serve só para isso? Acabamos com os subsídios de desemprego, as pensões de invalidez temporária ou permanente, as licenças de parentalidade, etc?

    Achamos que pagamos muito mas a verdade nua e crua é que não pagamos o suficiente. Não pagamos o suficiente para trabalhar menos de metade da vida (40 em mais de 80 anos) com educação e saúde tendencialmente gratuitas a que se somam uma pensão em linha com os nossos salários.

    O resultado disso está à vista: metade dos recursos de cada um de nós vão coercivamente parar ao estado, e mesmo assim não chega para tudo.

  6. rrocha

    Soluçoes !!!
    Alguem tem ideias porque e muito facil escrever que a SS devia de acabar Ok
    O que vai acontecer aos “velhotes”?
    Vamos todos começar a fazer seguros privados e esperar que estes nao sofram o mal de se esfumar?
    Recorda-se a quando da entrada dos fundos da PT , dos bancos ,etc o valor das açoes
    subiram porque tinha sido retirado um “cancro” de dentro das empresas?

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