Por onde andaste tu, Rui?

Escrevia eu ontem, a propósito do artigo da Mariana Mortágua, que o PS de António Costa partilha o discurso da extrema-esquerda a propósito da Segurança Social e ignoram que o problema estrutural. Nem de propósito. Hoje no Diário Económico, o Rui Cerdeira Branco apontam o que julga ser o origem do problema e presenteia-nos com a “solução final” para a Segurança Social.

Não há nenhuma caixinha com “as nossas contribuições de uma vida”. Mas cortar pensões hoje garante dinheiro para as pensões futuras, certo? Errado! Em qualquer momento do tempo, se destruirmos massivamente o emprego e instituirmos uma política de baixos salários, o colapso da Segurança Social é inevitável.

Deixando de lado a teoria conspirativa acerca da “destruição do emprego (já devidamente despachada no post anterior) continuo sem perceber como é que aumentando as responsabilidades futuras se cotribui para a solvabilidade do sistema. Ou, inversamente, como cortando nas pensões actuais não se estará a minimizar (não a resolver, sublinho) o mesmo problema. O problema,é identificado pelo RCB logo na primeira frase. A ausência da tal “caixinha”. Por outras palavras, o enorme desfasamento entre as contribuições individuais passadas e os benefícios actuais. Se vos oferecerem uma “solução final” que ignora isto, esqueçam. Estão a vender-vos um sucedâneo da banha da cobra.

ADENDA: Os erros da narrativa do PS sobre Segurança Social de João Miranda (Blasfémias)

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4 pensamentos sobre “Por onde andaste tu, Rui?

  1. Miguel Alves

    Que a malta da extrema esquerda diga isso, ainda é naquela.. mas ontem ouvir o Lobo Xavier dizer que não é a cortar as pensões atuais que garante as futuras é que me deixa mais preocupado.
    Mas depois fico mais descansado.. a solução para a sustentabilidade da Segurança Social é resolvida com crescimento. Esse crescimento traz emprego, estabilidade familiar e emigrantes para Portugal, e todos juntos iremos salvar a segurança social e também os unicornios da serra da estrela.

  2. Fernando S

    A proporção entre activos (que descontam) e os reformados (que recebem) vai continuar a degradar-se com o tempo.
    Por isso, um sistema de pensões “distributivo” sustentavel deveria idealmente gerar hoje excedentes que seriam reservas para a cobertura do que ficaria a faltar no pagamento das pensões futuras (é mesmo a tal “caixinha”, que nos sistemas por capitalização se chama “fundo de pensões”).
    O que significa que as pensões actuais deveriam ser ajustadas.
    A dimensão desse ajustamento poderia variar e ser atenuada se o crescimento da economia e a diminuição do desemprego assim o permitissem.
    Mas o que é certo é que para a economia crescer e gerar emprego o peso das pensões não pode ser aquele que é hoje.

  3. Nuno

    Na cabeça dum socialista não serve de nada cortar as pensões para poupar dinheiro para o futuro, porque esse dinheiro seria canalizado imediatamente para “investimentos” rentáveis como a habitação social.

  4. Fernando S

    Nuno,
    Efectivamente … Iria para utilizações que, mesmo que tivessem alguma utilidade social, se esgotariam em si e seriam improdutivas em termos de criação de riqueza.
    Ou seja, a existirem, estes excedentes não deveriam servir para financiar o orçamento do Estado mas antes para, tal como acontece com os fundos de pensões privados, serem canalizados para aplicações financeiras nos mercados e, no final, realmente investidos na economia de forma produtiva.

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